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Sobre julietafalavina

Eu escrevo da minha vida, e agora sobre a minha recuperação da saúde .

Viva Bem!

Meus tópicos vem da vida. Numa vida que entraram tantos, e alguns saíram. Hoje quando eu entrei no facebook vi a foto de um amigo que não conheço ao vivo mas admiro. Ele terminava uma corrida e havia fotos dele, sua namorada, amigos e eu nao consegui só dizer parabéns, nem não dizer nada, então resolvi dizer a todos.

Eu não corro, mas meus pais, meu irmão, minha cunhada correm e o Dr. Getulio corria.  Conhecia o Dr. Getulio há anos e enquanto ele falava mal da minha adoração pela India, Asia e Oriente Médio e de eu escalar eu brigava com ele pelas corridas, ou melhor por ele correr.

“Julieta esses lugares que voce adora tem tantas doenças que nao dá nem para isolar que doença voce pode ter pegado! Como voce quer voltar para a India ??””

“Dr. Ge o homem nao evoluiu para correr! Você já foi parar no hospital por correr! Voce está viciado por dopamina!”

“Mas é muito diferente, eu só vou em lugares limpos, e tenho um auto-controle!”

E lá estava a sua foto na parede da clinica. Foto dele numa das maratonas. Ele carregava historias de corridas como eu carrego historias de escalar sem segurança, ir na casa de desconhecido no Oriente Medio e talvez por nos re-conhecermos nesse ímpeto enorme de não aceitar o NAO do outro conversássemos tanto. Passei até a isolar meus pais de irem porque ficavam falando de corridas e viagens na Europa. Eu só com o Dr. Getulio falávamos e disputávamos tudo.

E num dia, passo lá corriqueiramente e ele estava no hospital, não como o doutor, mas como o paciente. Tinha feito mais uma corrida e tinha tido um ataque cardíaco e foi induzido ao Coma. Fiquei sem palavras. Vim para casa e a dor de cabeça me invadiu. E eu não comi. E eu dormi e pensava “Dr. Getulio não volta.”

Fui lembrando de tudo que passou na minha mente quando eu estava em coma, de tudo que eu conseguia a assimilar da realidade da minha vida, e finalmente veio uma opção que não podia. Uma opção de viver ou morrer dada ali na minha mente no coma. E eu escolhi a vida. Isso, eu que nunca fui de religiões, não sabia explicar, acordei do coma, e como me foi dito ali no coma, por “alguém”não seria fácil. Não foi.

Eu acordei em 2013 e foram 3 semanas no hospital de Bangkok e mais sei lá quanto tempo no hospital aqui. E mais muito tempo até o principio do real voltar. E eu de repente queria tanto morrer. E me arrependia tanto de não ter morrido. Então dessa vez, eu pensava se aquilo se passasse na cabeça do Getulio, se viesse tudo que era parte da sua vida e ele tivesse opção não voltaria. Eu pensava que ele pensaria “Eu como paciente? Não. Não posso cuidar da minha família, dos meus pacientes, da minha equipe, do prédio. Devo ter perdido neurônios, não posso fazer nada, ja tenho 63 anos, vou dar muito trabalho, não volto.”

Acordei ainda invadida por tristeza e acabei indo lá no hospital a pé e sozinha e assim que disse que sabia que ele estava em Coma a moça ficou branca e eu soube. Fazia uma hora que Dr. Getulio tinha morrido. Nem preciso dizer que aquilo me derrubou como quase nada.  Eu chorei com uma dor no fundo da alma. E não há nada como o tempo para pensar que ele saiu como o herói que sempre foi para tantos.

Então hoje vejo meu amigo correndo vejo Getulio na mente, o joelho do meu pai, a dor das costas da minha mãe, os ataques cardíacos, os riscos que me coloquei de escalar sem nada. Penso no James F. Fixx autor do bestseller de corrida que teve um ataque cardíaco enquanto corria. Penso é claro no Jack LaLanne que morreu com 96 sendo que comia mal, fumava até os 35. E então parou tudo e começou a correr e comer bem e viveu bem. Volto aos Tibetanos e a Mindfulness.

Talvez o exercício mais duro a se fazer é conhecer e controlar a mente. Quase tudo ali está tão registrado nos nossos comportamentos. As nossas sinapses são tão repetidas pela vida que meio que nos prende. E nos acordarmos para a consciência dela é tentar fazer uma nova forma de um exercício tremendo.  Nos exige perceber o tanto que estamos viciados a liberações químicas e nos liberarmos disso talvez seja até mais difícil do que nos colocarmos numa clinica para tirar a droga que vem de fora.

O de fora é sempre resultado do de dentro. E o de dentro é de uma linha tão antiga que para defender esses nossos vícios atribuímos a ele talvez a nossa personalidade. Eu mesma penso assim “mas eu não quero meio vida.!”No entanto, me pergunto o que será que quero mesmo? Seria uma distração do que se passa? Seria um prazer sem entender muito bem se ele existiria se eu eliminasse as minhas libertações?

Escrevo da incerteza enorme que vem de viver e querer ser presente, consciente.  Vejo meu novo amigo correndo e penso que quero que ele viva muito. Que ele viva bem. Que ele tenha muitos momentos de alegria e que os divida. E talvez por zelo. por medo sempre sinto que preciso o alertar. Talvez isso seja só uma forma de egoísmo. Um simples medo.  Dessa profunda reflexão percebo que admiro muito o Dr. Getulio e que nunca pediria que ele não corresse só para atribuir a ele as nossas necessidades ainda mais.

Talvez o maior ato de amor, num dia das mães, talvez seja perceber isso: Amar é perceber que a vida deve ser vivida plenamente, na busca de encontrar profundos, momentos de alegria, ajudar o outro.  Nada deve ser eliminado. Devemos sim respeitar o outro, e suas escolhas seja como elas forem. O nosso amor egoísta quer que essas pessoas estejam aqui sempre, e que sempre possam ser livres mas apenas fazendo o que nós julgamos correto.

Hoje eu sinto, que dos amigos que perdi, ainda cedo como  a Leila Alaoui, 33 anos e Dr. Getulio com 63 eles viveram a vida muito bem. Buscaram o que mais queriam fazer e fizeram. Nos deixaram um legado registrado por todos os cantos por onde passaram. Suas mortes não tornam nada do que fizeram menor e tira até de mim a vontade de falar “não corra!”.

Tudo que quero dizer é “Viva! Viva bem! Assim trará muito bem a tantos. A vida nao tem valor por anos vividos mas por como usamos os que temos agora. Do amanha ninguém, sabe”

Ju

 

 

 

Charles Da Flauta- Atos tem Consequencias.

A nossa força nao vem de ganharmos discussoes, nao vem de sermos genios, nao vem de nos darem tudo. As vezes, tudo isso nos leva para o buraco. E graças a esses privilégios nos tiram do buraco muitas vezes e como dizem os indios “caímos ainda mais para o fundo.”

Tem quem tira por interesse, tem quem tira por preocupação, tem quem tira por carinho mas para deixar alguém que de fato amamos no buraco precisamos de muita forca, de muito amor, e uma certa fé que exista algo de maior no mundo que as leis da terra.

Conheci o Charles da Flauta pela sua enorme lenda. O menino descoberto com 14 anos pela globo, SBT etc e tal. E nessa época ninguém mais confiava nele pelo seu vicio pelo craque. Em dezembro de 2015 Alessandro Penezzi me disse que tocaria com ele aqui em Sao Paulo. Fui ver e dias depois ele tinha ido visitar seu irmão Reinaldo na praça roosevelt e lá ficou fumando. E eu fui lá eu e André e por todos os atos meio milagrosos o achamos, eu entrei na barraca dele com seu irmão e vi pela primeira vez craque.

Ele fumou e veio para minha casa. E compramos uma passagem para ele ir para Londrina onde estava Cris sua mulher, e Isabela sua filha. Dr. Getulio Dare Rabello explicou como eu deveria dar Rivotril para ele nao de repente acordar com medo no onibus, e o farmaceutico me deu o remedio e eu achava tudo aquilo milagroso. Dr. Getulio nao ficou chocado, ajudou.

Minha família ficou meio puta de eu trazer até a casa da minha avó um cara drogado. E meu natal foi meio destruído. Ainda assim eu pensava que tinha sido melhor daquela maneira. De repente esse mes o Charles me liga e me conta que vem a Sao Paulo porque um cara da Record tinha mandado um video do Reinaldo. Eu até tenho esse video. Ali pegaram um dos pontos mais fracos do Charles, seu irmão gémeo idêntico. “Nos o resgataremos e voce vem aqui busca-lo”.

Eu fiquei chocada e disse para ele “Charles, vc não dá conta, não venha.” Ele ficou bravo comigo. Cris, sua mulher, uma mulher excepcional disse “Eu não aceito isso. O que vi em Sao Paulo já foi demais. Todo ato tem consequência”Então ele saiu e ficou desaparecido e a força dessa mulher me toca. Ela aguentou uma semana sem saber nada até que teve que dizer na policia que ele estava desaparecido.

E então, recaiu mais uma vez, das muitas vezes, e ofendeu a família dela, ela e então os vizinhos chamaram a policia. Charles desapareceu de novo. E tanto ela como eu pensávamos que todo ato tem consequência. Ninguém pode passar por cima de tudo. Não há dinheiro, nem talento que compre a conta da vida.

Cris disse que ele saiu do carro dela batendo a porta fortemente e que ela disse “Voce não dá valor a nada, porque te dão tudo. Custou muito suor e trabalho para eu conseguir esse carro.” Sabe, essa frase me tocou muito porque pensei em mim mesma. Quantas coisas foram dadas para mim, como foi fácil a vida para mim. E isso pode parecer que a vida é melhor. No entanto, se não conhecemos a historia do nosso sofrimento, continuamos andando pelo mundo esperando que os outros no dem tudo.

A frase da Cris me ajudou. Pensei na minha vida. Eu não uso craque mas tenho uma doença auto imune. Quantas vezes não me vi vítima? Ontem, a Cris me contou, que o Charles quis ser internado. Pediu para ser internado. Pediu desculpas ao pai dela. Chorou. E eu chorei de alegria.

Ele está internado. Reconhece o seu problema. E eu graças a Cris também reconheço o meu. Não escrevo por apologia a música, aos presentes, mas em gratidão por aqueles da ação. Escrevo para dividir que todos nós somos privilegiados. E tantas são as vezes que queremos mais do mundo. E tão poucas são as nossas ações para a existência de um mundo melhor. Escrevo para agradecer a Cris por ter deixado tão claro até ao Charles e a mim que atos tem consequências. Escrevo para agradecer a esses de fibra forte que conseguem ter tanto amor que não se abalam por quaisquer escândalo. Obrigada Cris.

Um mundo dividido talvez se perdendo…

 

peace

Me parece que nao é nem só o Brasil. É o mundo. Penso no aviao que se tiver caindo precisamos colocar a mascara para ajudar a criança do lado. E penso que vejo um mundo dividido de pessoas que estao dominadas por raiva e odio. Com muitas que em hora de desespero pensam só nelas mesmas. Nao sao pessoas ruins ,estão perdidas.

Escrevo sem editar, e sem conseguir ver perfeitamente. Tive um AVC. Como sempre foi presente deixou pouca consequencia. Tenho Angitis, que é vascule cerebral. Que é auto-imune. E no hospital quem foi me ver era Selma que eu conhecia fazia so uma semana. Isso me tocou muito. Selma que mora na Zona Leste e que me contou das bombas, da agua, das casas queimadas. Da policia que aparecia nao para ajudar mas para alertar que as pessoas ficassem caladas. Tocou-me por sua enorme generosidade de vir ate o centro me ver.

Eu que tenho ido a comissao de Justica e Paz e muitos outros eventos aqui em Sao Paulo independente do AVC penso nas pessoas.  Por isso sou informada rápido. Hoje teve conflito , teve uma audiência no plenário da Câmara, presidida pela deputada Luiza Erundina, no Dia Mundial de Saúde, sobre a questão do Zika Vírus, e simplesmente o presidente da Câmara,  Cunha, impediu trabalhadores, docentes, pesquisadores, estudantes e conselheiros de saúde de participar do debate.

É uma audiência pública, no Plenário Ulisses Guimarães, que sempre foi aberta ao público, ainda mais para a comunidade científica, do SUS e do controle social. NUNCA ESTE TIPO DE ATIVIDADE FOI VETADA AO PÚBLICO.

Contado por Vinicius Ximenes
Médico de Família e Comunidade
Sanitarista
07/04/2016 às 10:30 hs

Tem uma tentativa de censurar a internet. Tem uma tentativa de criminalizar movimentos sociais.  Temos uma imprensa que conta só um lado.

Da asia eu aprendi que nao tem como se dividir em lado, no Oriente Medio eu aprendi que por essa divisao continuam brigando. Na Europa eu  soube que ainda eramos de pensamento coloniais. Temos um sistema politico, juridico, jornalista, e policial isolado da imparcialidade. Carregado de corrupcao. E de historia colonial.

Sou privilegiada tenho o tempo de focar em duas coisas. Em me curar e em estar disposta a defender os direitos desses que estao sendo perdidos, esmagados. Nao faço apologia a partido e eu apenas peço cautela, calma, compaixao. Nao pense só em voce. Nao pense só nas contas. Pense naqueles que tem menos. Menos capacidade de se defenderem caso tudo seja tirado.  Perceba-se como privilegiado se voce tem consciencia.

Repito como aprendi:  dor é inevitável mas sofrer é uma opcao. Nada se constroi do odio. Uso a minha propria vida, privilegiada que se mata sozinha por falta de dar valor a tudo que sou, que tenho, a todos que estiveram como puderam do meu lado. E imploro que voce faça o mesmo. Pense naqueles que precisam de ajuda. Pense no bem geral do mundo, do Brasil. Coloca a mascara e respira e ajuda a pessoa do lado mesmo que nao seja da sua famila.

Julieta

 

Vendo luzes.

sao bem

Passei tempo vendo luzes quando Leila Alaoui minha amiga foi morta. Tinha dor e sem contar muito bem para Dr. Getilio desapareceram. Voltaram no dia que soube que Dr. Getulio estava em coma. Eu tive dor de cabeca e via luzes por 2 semanas. Entao resolvi ligar para Dr. Caio que era da equipe do Dr Getulio. Eu o escolhi porque fui no hospital quando Dr. Getulio tinha morrido e eu tinha pensado nisso o dia todo. Abracei sua mulher, e vi Dr. Caio  pois ele chorava. Nao pensei em medico. E aih voltou a dor, a luz e eu liguei e pedi para ve-lo. Me atendeu a noite, e leu tudo que o Dr. Getulio tinha feito. Só eu que nao falei de luz. Entao dessa vez eu falei tudo e fui internada.

Eletro, ressonancia, sangue tudo que eu conhecia. Mas Dr. Caio resolveu fazer um angiograma. Ter ficado tantas vezes no hospital  por tanto anos já nao tinha mais medo. Me anestesiaram e entraram no meu corpo na perna para ir ate o cerebro.  Viram vasculie cerebral. Como disse em ingles Dr. Caio foi tao humilde que disse “que pena que Dr. Getulio  nao esta aqui, ele só nao fez esse exame por ser invasivo e nao tinha evidencia.”. Dr. Caio me tocou quando o vi chorando ao perder dr Getulio, me ganhou mais profundamente quando foi tao generoso, tao humilde para dividir credito. “Getulio fez tudo, so nao fez essse porque nao se mostrava evidente.” E é verdade o Getulio tentou desde de 2008 saber o que se passava. Sempre era distinto.

Angitis é auto-imune e eu, sendo eu, queria viajar para Sao Bento e Israel. Tomando cortisona, querendo me darem depois um redutor do sistema imune eu disse “meio vida, nao eh vida. EU gosto de ir a India, a Palestina, a Favela.” E ele me disse “pior eh o aviao com cortizona.” Tao logico que cancelei. E disse injeta logo porque eh pascoa e eu vou para Sao Bento. Dr. Caio ficou  meio assim, mas disse que tudo bem.

Sai do hospital na quarta e na quinta viajei. Minha avoh Lucia de 91 operou o olho na segunda e foi me ver todos os dias. Sempre ficou lá comigo. O andre, meu marido, ia a noite. Meus pais estavam na Europa e eu nao contei muito bem porque nao queria que perdessem seu tempo lá. E ainda assim primeiro vem um desespero. E eu pensei em largar tudo. Como sempre. Sabias palavras apareceram. Nosso país em crise. Eu querendo muito saber tudo a fundo. A constituicao.  O que pensou o irmao da minha avo, Auro Moura Andrade, aceitando a carta de Janio e entrando uma ditadura aqui. Mesmo dentro do hospital eu ouvia as pessoas da elite falando uma coisa, e as pessoas que moram na Zona Leste contando outras.  Poilicia jogando bomba, agua no dia que caiu  muita chuva. “Sinal que era para nos nao nos manifestarmos.” O enfermeiro falou do mesmo.

Sai na quarta e dormi e quinta eu nao podia ir na manifestacao que nao era pro PT. Era pro preservacao dos nosso direitos. E eu sentia que há batalhas e batalhas, eu iria para Sao Bento e voltava depois da Pascoa. Fomos a noite e no dia seguinte o mundo começava a se apresentar. No meio de montanhas, eu tomando cortisona, ainda vendo luzes porque estou no meio da crise perguntei a Maria Helena, dona da pousada canto da Lua o que deveria fazer. No primeiro dia fomos a uma fazenda de frutas vermelhas. Comemos do meio dia ate as 5. E minha avoh foi nos contando historias da sua infancia, da sua juventude. E passeamos na fazenda.

No dia seguinte fomos a Oliq que é uma fazenda de oliveiras. Minha avo olhou tudo e conversei com tanta gente. Provamos e compramos por eu saber tendo ido muito por regioes de azeite. Sei que leva anos para ficar mais estavel. Essas oliveiras tem 6 anos. Minha avó admirava as maquinas, as flores, os doces. E eu me sentia tao grata de poder estar ali.

A noite de sabado  o céu estava lindo. Sentamos os tres no belo jardim. MInha avó falava das estrelas. Viam estrelas cadentes e eu ainda vendo luzes , como agora, me sentia grata. Que noite. Que presente.  Sentamos por longo tempo pensando na natureza.

Eu que nunca liguei para pascoa despertei emocionada. O sol brilhava, o dia se apresentava vivo com gramas, flores, pessoas do bem. Eu fiz yoga na grama. Eu tomei sol demais. Minha avó e andré ficaram na sombra sentados conversando. E eu fiquei amiga da Isabela de 5 anos que me falou de reciclagem, de agua, de vaquinhas, abelhas, de IPad e para me surpreender totalmente dos deuses indianos. 5 anos.

Partimos tarde, comemos num lugar lindo em Santo Antonio do Pinhal. Minha avó contou tantas coisas, e o tempo todo dizia que a vida era muito prazerosa. E eu pensava exatamente o mesmo. Como sou privilegiada. Por que será que tantas vezes me vitimizo e acabo tao doente.  Ali voltei mais uma vez aos indios e tibetanos, dessa vez até Jesus. Do fundo, ainda pode cair mais dizem os Indios. Jesus renasce. Vitimizando-se perdemos o controle.  E só com dor que lembramos que sofrer é opçao. Apenas nesses momentos nos damos conta que somos responsáveis, que já soubemos disso antes e ainda assim fazemos tudo igual.

Eu nao divido a minha historia para mostrar minha força. Na verdade, é para reconhecer a minha fraqueza, minha responsabilidade, sabendo que posso cair de novo e tudo bem. Graças as pessoas a minha volta a saude volta, e eu acabo me vitimizando. Sei disso. E dessa vez peço  ajuda extrema da Dr. Euthyimia que é psuquiatra e está ligada a mindfulness.  Talvez essa é a mais dificil missao consciencia. Desejo a todos compaixao, amor, consciencia e que essa pascoa se apresente como possibilidade de vida. Nao é importante quantos anos vivemos, o que importa é que vivamos bem os anos que vivemos.

Viver bem nao é determinado por dinheiro. Dinheiro pode dar benefico ou prejuizo. Viver bem é dar valor ao que temos e o que podemos fazer pelos outros. Viver bem é viver. É confrontar o que doi que é sempre nosso. É aceitar a luzes… uma hora elas desaparecem enquanto ainda estão aqui é melhor admira-las do que sofrer…. mesmo com elas eu escrevo para dividir e agradecer. Quem sabe eu sinto falta delas um dia…. Sabemos muito pouco.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Amor não é controle

love

Nininha tem 28 anos. É uma menina muito bonita que trabalha como faxineira na casa da minha avó há muitos anos. Ela me permitiu contar essa historia que vem de um longo caminho.

 

Com 14  anos era apaixonada por um menino lá na Paraíba. Seu pai nao deixou ela ter namorado naquela época. Assim quando ela fez 18 anos ela fugiu com um outro rapaz. Casaram  e fugiram para São Paulo e tiveram uma filha que hoje tem quase 10 anos. Esse tal, já é ex-marido  pois batia nas duas:  na Nininha e na filha. Já faz anos que ela me contou e conseguimos até defende-las com a lei  Maria da Penha.

 

Nininha é linda mas passou a não se arrumar. É religiosa, é das filosofias da bondade etc. E nao é  que na semana passada ela me contou que recebeu uma ligação do pai lá da Paraíba.

 

O tal pai nem se quer recebia a neta na sua casa quando foram visita-lo. Aquela neta o avô não reconhecia como parte da família. Disse que só deixava a Nininha entrar na casa. Naturalmente ela nao ia abandonar a filha  na rua  sozinha e  acabaram indo as duas para a casa da uma irmã. Um certo dia, esse pai precisava vir a São Paulo e quis ficar na casa da Nininha, é claro, não ia pagar um hotel. Nininha mora no Capão Redondo e trabalha todos os dias em algumas  casas espalhadas por São Paulo. Sempre chega umas 6 da manhã e parte na hora do almoço para poder passar um bom tempo com a filha. Naturalmente, o pai queria que ela fizesse mil coisas para ele, e achou que ela era má- filha. Além de não agradecer absolutamente nada,  depois de resolver as coisas que precisava resolver em Sao Paulo desapareceu sem nem se quer dizer adeus. No meu longo conceito era um pessimo pai, machista, controlador etc… Então, esse tal telefonema surpreendeu até a Nininha já que ele nunca ligava.

 

Pois é…. Na verdade era o menino que ela queria namorar aos 14 anos e que agora era amigo do pai. Com a permissão dele, ligava com o telefone dele para ela.  Ela se surpreendeu e o menino disse que ela era o amor da vida dele. Que deveria abandonar o namorado atual. Disse que deveria voltar e ele compraria um dos dois terrenos que ela está pagando mensalmente há um tempo.

 

Pois é,  Nininha depois de um bom tempo sozinha arrumou o Gil aqui em São Paulo. Gil tem 52 anos e faz 3 anos que estão juntos. Do pouco que falei com ele no telefone, ele me pareceu muito simpático. Nessa tal ligação desse menino aparentemente o próprio pai mandou ela abandonar esse homem que era velho demais e que voltasse para a Paraíba. Que deveria sair com o menino que ela gostava quando tinha 14 anos e que vendesse um dos seus terrenos para. A historia do terreno é complicadissíma. 

 

Nininha, timida do jeito que é, ficou sem palavras. Sentiu frio na barriga. Disse que já tinha namorado. Disse que respeitava o Gil etc e tal. No entanto, quando ela me contou isso eu disse:

 

“Nininha, já que você já está indo para Paraiba para ver se o terreno existe porque não sai com o menino e descobre a realidade dessa lenda?”

 

Nininha ficou surpresa. E eu disse isso pois tinha impressão que iria e o menino do passado provavelmente seria simpático no primeiro dia e em uma semana já estaria dando umas ordens como faz seu proprio pai. Nesta tal viagem também ficaria também clara a historia desse terreno que ela compra com documentos que pela minha avaliaçao e de uma amiga advogada, nao existe registrado.

 

Nao é que hoje Nininha volta aqui e me conta que fez uma pesquisa sobre o  menino, que gostava  no passado, e descobriu que ele gosta de beber, gosta de festa e ela gosta de passeios, coisas mais tranquilas e não bebe. No entanto, nao foi isso que mais me surpreendeu. O que me surpreendeu foi que ela me contou que já contou do telefonema para o Gil, seu namorado de 52.

Ela me contou que estava brava com o Gil. Perguntei por que? E  e ela explicou:

 

“Você acredita que ele me disse que eu deveria ir e sair com o moço e que deveria descobrir se aquilo me faria mais feliz.Disse que  o que me deixa feliz o deixa feliz. Não posso te prender.”

 

Eu de cara disse:

 

“Nininha como é bom o Gil! Sempre me surpreende. O homem que ama liberta não prende. Porque vc ficou brava?

 

“Julieta, voce acredita que ele me disse para eu sair de casa mais arrumada, nao desarrumada como sempre faço e no único dia que fiz isso  e saí sozinha tinha homem me olhando e eu tive que sair do onibus!”

 

E o que o Gil disse disso?

 

“Nininha porque vc nao aceita ser bonita? Porque vc nao deixa as pessoas te admirarem? Você tem que se sentir bem de ser quem é. Uma mulher bonita. Voce tem todo o direito de sentir felicidade.”

 

Ela falava mais e mais e eu sentia mais e mais admiração do Gil.

 

Nininha via nas palavras dele descaso, falta de ciúmes, e eu via respeito e amor.

 

Então fiquei lá ouvindo e disse

 

“Nininha seu pai te maltratou. Seu ex-marido te maltratou. Você aprendeu que amor é controle. Amor nao é controle. O Gil não é indiferente a você ele só quer a sua felicidade. Ele é um homem admirável. Deveria dizer a ele que era grata de descobrir essa forma de amor. Devia contar que está desacostumada do respeito verdadeiro.”

 

Pedi se podia contar a história. Ela disse que sim. E ficou feliz porque tanto eu como a Netinha (que também trabalha na casa da minha avó) achamos que ele era um bom homem. Netinha que é do Maranhão e tem 29 anos disse:

 

“Se arrume para que muitos te admirem, até saia com o outro, para que fique registrado que está com o Gil não por falta de opção mas por escolha mesmo tendo diante de você tantas opções.”

 

Tanto se diz e se pergunta do amor. Mas eu acredito que amor sempre tem que ser livre, tem que ser adubado de gentileza, de carinho. Quem cresce sendo mal tratado vê liberdade como abandono. Acha que falta de ciúmes é descaso. Nunca para pra pensar que talvez, alguns de nós tenhamos ciúmes silenciosos em prol do outro.

Violência, tapas, ciúmes, rejeiçoes de desejos  não são fortes expressões de amor. São atos egoístas.  O amor, de fato, é uma prática diária  mas não  acredito que deva ser  controle, nem auto, nem do outro.  O amor, o Tao deve ser livre.

Aimé Cesaire: Violência é Desumanizar.

viol

Hoje acordei e recebi um e-mail de um desconhecido e, ainda sonolenta, lí coisas e que me surpreenderam.

Como é que eu ainda me surpreendo? me perguntei.

Li e percebi que ele sabia muito sobre mim, e sabia do meu desaparecimento. Imaginei que esperava uma resposta falando de algo muito violento que tivesse acontecido comigo no Norte do Brasil, na America Latina, no Oriente Medio, na Ásia ou na África. Soube que ele nunca tinha estado por esses lados. Qualquer um que tenha estado por alguma dessas partes, sabe que toda pergunta vem carregada de interesse. Toda palavra é colocada minuciosamente para, secretamente, descobrir algo específico. Sentí-me segura, respirei fundo e decidí que responderia alguma coisa.

De cara, e abertamente me perguntava sobre abusos, situaçoes violentas. Achei que a mensagem, em si, era absurda, tinha já suas respostas mas percebi que para alguns pareceria mais violenta. Reconheço que talvez tenha sido por puro interesse, ou sarcasmo, que eu tenha respondido. De qualquer maneira que vítima não tem interesse na atenção do outro? De todo jeito, imediatamente me vieram muitas imagens do que eu vi, li, soube por todos esses anos.

Eu imagino que não foram típicas as minhas imagens. De cara me veio a noção de que a violência em direção a mulher é fomentada, principalmente, pelas próprias mulheres. Afinal, reduto de homem machista, é em geral onde o pai quase não faz parte da criação de um filho, a não ser para silenciá-lo.

Depois me veio à cabeça uma coisa mais preocupante: que no final, a condenação da violência sobre a mulher, também é, em si, uma violência ao homem. Porque ainda que sejam mais afetadas corporalmente, financeiramente, psicologicamente, etc., essa violência não descrimina por cor, ou sexo, ela é uma violência pior, ela é em geral uma violência ao ser humano.

Quantas vezes não vi isso pela Ásia, o Oriente Médio, a Europa, a Ámerica Latina, e o norte da África? Muitas vezes! Fiquei na casa de pessoas que conheci em ônibus na Palestina, na Kashmira, no norte da Africa, no leste Europeu… e eu nunca fui mal tratada por esses desconhecidos. Meus amigos sempre se chocam com essa fé pelo ser humano inerente a mim.

De fato, a India é um lugar machista, o norte do Brasil é machista, mas eu viajei sozinha por lá e quando me sentia minimamente atacada eu começava uma conversa com a pessoa sobre sua família.  Em outras palavras, eu humanizava aquele encontro, entre dois seres humanos tão cheios de histórias e preconceitos.

Por isso, enquanto eu lia esse tal e-mail de um desconhecido, eu pensava que a violência sobre a mulher, também é uma violência sobre o homem. O escritor pós-colonialista Aimé Cesaire no seu livro “discurso sobre colonialismo” em poucas páginas define que a maior violência de um colonialista é desumanizar  o próprio colonizador… Só assim, ele argumenta, alguém pode fazer tão mal a outro ser humano. Primeiro ele precisa se violentar, se “des-humanizar.”

A violência contra a mulher, no fundo, nada mais é do que isso… Uma completa incapacidade de ser presente, de encontrar o outro. No fundo é muito mais fácil matar o corpo, a propriedade do outro, do que a “alma”. Talvez seja por isso, que vítimas de violência cotidiana não consigam sair dela, as pessoas continuam lá. Aquilo é parte daquele sistema, você não consegue ver o seu dominador, como não consegue tão pouco  se perceber parte daquilo. Na rua, quando é um estranho, é mais fácil de ver quem é que você abomina. Tá de fora.

Nesse email, esse desconhecido me perguntava sobre a minha experiência de violência. Ou melhor AS MINHAS. E como eu resolvi responder honestamente eu disse: ” Imagino que queira que eu fale mal de algum povo, de uma religião, de um ato internacionalmente terrorista. No entanto, não tenho razão pessoal nenhuma para condenar nenhum destes, se você quer saber de fato a maior forma de violência que eu já senti,  eu te respondo sem hesitar, foi aquela que veio de alguém em quem confiava, daquele que estava do lado, por dentro, e jurava ficar para sempre, mas acabou tendo que me levar a um hospital, assistir eu entrar num estado de coma, me acompanhar por pouco tempo internada, e depois, simplesmente desaparecer, sem deixar de dizer aos meus amigos que a minha morte teria sido melhor, pois eu já não existia mais.  Esse tipo de traiçao quase mata sua “alma”.

Por isso, eu, acho muito mais fácil reconhecer a violência direcionada a um Palestino do que a um Israelence. Eu tenho amigos dos dois lados do muro. No entanto, a violência que os Palestinos sofrem é tão evidente que eles não hesitam em saber quem é o seu agressor, já os Israelenses também sofrem, mas precisam fazer mil manipulações no cérebro para legitimar aquele abuso dos quais eles são obrigados a fazer. Se declaram muitas vezes heróis e vÍtimas. No entanto, até meus amigos de regiões destruidas do Oriente Medio reconhece que a tortura de um inimigo é violenta, mas não surpreendente. A violência que eu sofri, até para eles era pio,r pois vinha de alguém supostamente, plenamente, confiavel.

Por isso,  que eu não desconsidero o sofrimento das mulheres, mas simplesmente eu não o afasto do sofrimento dos homens. Porque nisso, eu concordo com o Cesaire…. Apenas quem é desconectado demais (e no fundo todos nós somos um pouco) que pode fazer tanto mal à um outro. É fundamental nos afastarmos de nos mesmos e depois daquele na sua frente.

No fundo, devíamos todos aprender estar melhor dentro do nosso corpo. Estar mais presente. E mais à vontade com as nossas limitações e as limitações dos outros, mas isso, é, de fato, bem mais difícil do que falar e condernar o outro por qualquer violência…

“Aposto que é ideológico”.

mindfulness

Fui ver Lingtrul Rinpoche um pouco depois de sair hospital. Lingtrul Rinpoche é um alto Lama Tibetano e estava aqui no Brasil falando sobre budismo Tibetano e ficando na casa da minha amiga Denise. Denise que eu tinha conhecido na frente do Dalai Lama e que me levou para conhecer Karmapa. Não fui ver  o Rinpoche, fui ver a Denise, e não era porque eu tinha estado pela segunda vez internada. Já estava melhor, já tinha subido várias montanhas descalça e de chinelo na Colombia. No entanto, estava magra, muito magra. Nao como plano de regime, mas de ter perdido peso no hospital e depois de me meter por dias na Montanha lá na Colombia. Há milhões de coisas que Rinpoche me ensinou naqueles dias. E volto outro dia nelas mas nesse post  quero falar da ideia, do ideologico , das nossas escolhas. Comida, alergias e doenças.

Eu estava lá conversando com Rinpoche na casinha do retiro que eu acabei indo quando trouxeram carne para o Rinpoche e eu vegetariana de mais de década olhei a ele e disse:

“Você vai comer carne?”

Sim, falei assim para o Rinpoche, fazia dias que eu o conhecia. E alguns Lamas são muito engraçados.

“Sim você também deveria comer. Está aqui e você está fraca, magra demais.

“E o vegetarianismo dos Lamas Tibetanos.?” perguntei.

Ele riu

“ Você viu no filme? Por que você é vegetariana?”

“Nao sei, faz tanto tempo que eu sou.”

“Aposto que é ideológico.”

“Sim, sem dúvida. Por respeito a vida Rinpoche.”

“ Então coma pouco, e coma o que estiver na sua frente.  Quando tiver opção de compra, compre o que é local. Terá usado menos transporte, menos petróleo e terá menos chance de ter tirado um bom alimento de um povo de outro país.”

Ri e pensei  no Quinoa que todos comiam na Bolivia e depois da febre na miídia fiquei sabendo que era menos presente lá. Tinha sido presente até na minha casa em Londres. Pensei que estava certo e depois de muitos anos eu comi carne vermelha.

E então passei a fazer o que ele dizia. Claro que não o fiz em todos os lugares. Em geral, em situações onde alguém que tem pouco dinheiro e há pouca comida, e ainda por cima tinha feito para mim, eu passei a comer.  Já na minha casa, ou em qualquer lugar onde há fartura eu escolho pouco do que eu gosto. Tá vendo, ainda estou longe de  ter atitude perfeita como a dos Lamas que conheci 🙂

Voltei nesse pensamento por algo distante e perto. Nossa necessidade de atenção.

No último feriado eu fui viajar para São Bento. Inventaram de subir a pedra do Baú. Eu nao sou montanhista experiente mas não acho nada de muito perigoso de subir a pedra do Baú. Então eu fui de chinelo. Era feriado, vimos muitos grupos com guias. Eu estou acostumada a fazer longas caminhadas mas sempre ando devagar.  Quando cheguei na pedra todo mundo ali estava de cadeirinha, corda e eu estava de chinelo. Expliquei que tava tudo ótimo e que eu nao ia subir o Baú de chinelo iria subir descalça. Comigo estava Andre, Tim e Lu.

De cara me falaram que tava quente… Entao fui fazer o teste. Nao achei nada demais e desci e pedi para  Lu subir ( ela tava de de tenis)  e ela subiu uns poucos degraus e ficou com medo. Disse a ela que era melhor então ela não subir. Já  André, meu marido e o meu quase primo Tim disseram que subiriam. Então fui subindo e de repente vi os dois parados  no meio da subida. Eles estavam sentados e estavam  mais para baixo. Sim, estávamos sem corda, sem cadeirinha. Gritei para baixo para falar com ele e perguntar se nao iriam subir. Tim,  subiu e me passou. E quando eu olhei para trás André ainda estava parado. Gritei

“Você nao sobe?”

“Não. Vocês estão loucos isso é perigoso demais.  “

Olhei para o Tim e disse

“Vamos descer então….”

“Ju nao dou conta. Vou continuar subindo e vou descer pelo Sul que é menos esposto.”

Disse isso hiperventilando e com voz de coração batendo rápido.

“André ele nao consegue descer aqui. Vamos subir. Descemos pelo Sul. Ele está com coração batendo rápido, muita adrenalina e hiperventilando.”

“Eu nao consigo  subir Julieta! Subir é perigoso demais. Queda é morte!””

Fiquei revoltada… tinha certeza de duas coisas uma que Tim precisava de ajuda, e que o André estava com nossa a nossa água, , meu remédio de epilepsia ( que eu já tinha tomado mas sempre te dá confiança), e com meu chinelo. Para mim não havia escolha eu tinha que ajudar o cara que pode cair. Para mim, eu achei que era só o de cima.

Subi e o encontrei mandei respirar direito e subimos até o topo. Quando cheguei lá em cima me bateu total abandono. Como assim o meu marido me deixou subir sabendo que agora eu desço por outro lado e por mais mata e descalça? A gente não tinha água. Primeiro fui convencer o Tim de respirar melhor. Ele me falou do meu remédio e eu pensei que eu devia ter carregado as minhas coisas. Sentamos vendo a beleza daquele lugar. E graças a todos os santos, fiquei amiga do Márcio que era guia de um grupo, e era local e escalador. Ainda por cima pensava como eu. Descalço dá mais solidez 🙂  Ele me deu água. Tres goles eu tomei, para nao ter que fazer xixi e ter mais cede depois. Aprendi isso no deserto.

Nós o seguimos para descer… Lado sul para quem escala deve saber ta mais corroído.   Enfim,  de repente, eu estou na mata  e estou descalça. Eles andando rápido. E eu a cada segundo  fui me sentindo mais vítima.  “Como é que eu sou a única que pensa no outro? ”.

Sei que de repente, me veio a cabeça que a minha quase morte foi graças a um ataque epilético sequencial na Asia. Ninguém até hoje consegue explicar porque aquilo aconteceu. Eu estava medicada. Até meu neurologista que é muito halopata percebe a influência das minhas emoções na minha saúde. Entao parei no meio do mato sozinha e  eu sentei.

Olhei o sol. Lembrei que eu tinha sentido isso antes. Como assim? Abandono tá me fazendo me vitimizar? Não. Não dessa vez. Eu vou parar. Eu vou mudar a sinapse eu vou pensar na energia do altruísmo. Não na do egoísmo. Não vou ficar inconsciente dessa flutuação. Se eu o fizer, eu perco o controle. E assim meu corpo se modificou. Hiperventilação parou. Adrenalina tbm e eu caminhei. Nao sem dor de farpa, de pedra, mas prestando toda a atencao do mundo em cada passo para também não atacar nada, nenhum inseto, nenhum bixinho.

Claro  que uma vez tudo acabado, umas 5 horas depois, eu queria culpar o André. Eu o fiz.

E entao contei a Denise tudo isso. E ela disse:

“Minha preta. Isso nunca foi arriscado para vc. Para o André era. O medo bloqueia. Que bom que ele não subiu.”

Foi a primeira vez que eu parei e pensei. É verdade. O meu risco foi em segurança. Não é que eu tenha tido consciência atrasada. Eu percebi que aquilo era fácil para mim. A minha vulnerabilidade era a do pensamento, e sentimento de abandono.Eu nunca pensei em risco para mim, nem para ele. Só pensei no risco para o Tim e no meu abandono.

Resolvi contar para minha amiga neurologista. Nao qualquer neurologista. Minha amiga que conseguiu prever que eu ia ficar doente um mes antes so de me olhar e ouvir.  Foi na inglaterra antes de eu partir para mais um caminho na Asia.Ela que eh doutora, pos doutorado e amada na melhor uni de medicina de Londres. Ela que é medica, professora, voluntaria na USP, UNICAMP etc etc etc  Me disse  há anos “este homem com quem você está que se diz separado nao está, tem dois filhos e  você precisa estar muito doente para não perceber. Você está doente.” Chorei  e achei absurdo. Ela estava certa.

Então liguei para contar esta historia do Baú. No nosso caso conversa neurológica e filosófica.

Achei que ela ia me me matar por eu ter subido assim. No entanto, ela ficou tocada falamos muito e ela ficou feliz de eu ter tido consciência e percepção e me disse algo brilhante.

“É dificil dizer a alguém doente ou a nós mesmos mas parte das nossas doenças vem de nós querermos atenção do outro. Nunca é consciente mas em tantas doenças eu percebo o pedido de atenção.”

Pensei que ela estava certa. As minhas parecem ter sido. Voltei ao pensamento da comida.Do que eu já aceito que nao quero por ideologia e aquela que eu garanto que me faz mal por alergia. Não faz.

Aquela carne mesmo sem come-la por anos. Nao me fez mal. Nem o leite e mais absolutamente nada. Contei a minha avó, e ela me contou do seu sobrinho alergico ao Camarão. Não podia chegar perto. Ouvir a palavra e a glote ia fechando. Casou com uma mulher que adorava camarão e agora come camarão.  

Incrivel é o corpo. Incrivel sao as nossas sinapses. Acho que o que eu aprendi dessa vez, dessas conversas é perceber que vitimizacao é póstuma. Quem está lutando pela vida diante de uma guerra não tem alergia, nao tem depressão  já que tem que sobreviver. Isso tudo acho que vem depois. Acho que precisamos aprender a escolher melhores pensamentos. Perceber e não reforçar sinapses prejudiciais.

Rinpoche disse muito quando disse “Aposto que é ideológico”. Toda ideia é  sinapse! Toda sinapse…

? Relativismo Cultural ???

ponto

Um turco e um grego estavam morando na mesma casa em Londres. Junto com eles estava minha amiga Adriana. Brasileira e casada com o Turco que era arqueólogo. De repente, saiu na sala e viu os dois em silêncio, estavam tentando ver escondidos algo entre uma cortina que dava para fora sem serem percebidos. Adriana perguntou de cara: o que está se passando? Os dois pediram que ela falasse baixo e que não se aproximasse da janela.

“Cuidado. Tem uma louca aí! Precisamos informar a polícia!”

Adriana ouviu de repente um barulho de alguém batendo palmas e foi olhar.

“Ô de casa!!! papapapapapapa”

“Adriana, esta mulher é louca, esta se comunicando com a parede por palmas!”

Adriana, brasileira, achou engraçado…. e disse

“ É minha manicure!”

Sem dúvida, eles acharam que a Dri era louca de deixar uma “louca” que bate palmas para a parede entrar e ainda por cima com alicate e acetona 🙂

Adriana riu muito. E acho que demorou um tempo para eles entenderem que nem todo mundo tinha campainha no Brasil. Que tem casa no Brasil onde você nao pode bater na porta porque tem portão, tem cachorro. Entao as pessoas em alguns lugares do Brasil batem palmas para chamar atenção do dono da casa.

Dri me contou rindo e todos os brasileiros riram, Haiko, meu ex-marido holandês,  também achou estranha essa coisa de bater palma na frente da porta. Nós achamos estranho ele achar estranho.

Minha amiga Claudia, veio aqui esses dias e me disse: como é que eu que tinha viajado tanto e tinha parado de escrever?  Eu que tinha visto tanta coisa.

Expliquei é porque eu quase morri. E quando você quase morre e fica parada muito tempo, vem aos poucos tudo a sua mente e voce volta a pensamentos indígenas, tibetanos,  palestinos e de repente vê tanta semelhança nas diferenças. Tanta simples humanidade de quase todos que você encontrou. Todos nós meio falhos e todos nós tendo que abandonar algumas das nossas práticas e costumes.

Então pensei que hoje eu escreveria. O que é que eu aprendi de ter entrado em tantas casas em tantos países, em tantos continentes? Eu aprendi a abandonar concepções antropológicas de relativismo cultural, ter dúvida dela. Depois de muito tempo estudando suas vertentes nos EUA, na Holanda e na Inglaterra, me dei conta que quase sempre ouvia a linguagem do colono, mesmo quando lia alguém que era do país colonizado. Ainda assim tendiam a ser a elite daquele lugar. Mesmo nas suas auto-cíticias, eu ouvia essa voz de linguagem, e pouca aceitação de similaridade. E quando parti do meu doutorado nao foi porque era difícil, mas porque eu fui na casa das pessoas. Pensei tanto nisso. Quase fiz parte de uma história que ajuda um processo de pseudo-paz. Não havia justiça, nem reconhecimento de semelhança nos discursos de Israel e Palestina. Em tantas casas eu fiquei lá na Palestina e Israel. Casas de pessoas que conheci no pequeno onibus.  No couchsurfing.

Sempre me perguntavam na Palestina porque eu estava lá. E eu respondia estou fazendo um doutorado e minha pesquisa é o processo de paz. Eles diziam que iam me ajudar. E eu ficava feliz e dizia. Acha que vai ajudar vocês?

“Não. A ocupação será a mesma. Nao há paz sem justiça mas vai ajudar você que terá um doutorado da London School of Economics.

“Como assim? mas então não preciso fazer. Porque vocês me ajudam em algo uinutil a voces?

“Porque você pelo menos traz alegria aqui. Vcs da America Latina são muito animados. 🙂 !”

Passando em muitos vilarejos eu percebi que eu estava fazendo parte de um discurso de colono. Fui embora do doutorado e fiquei vendo a realidade da cisjordânia.

Quantas vezes eu fui ver pessoas mesmo sem falar a língua delas? Quantas vezes senti que ali na observação do ato, e não da linguagem, tinha sentido mais compreensão.  Tinha sido menos distraída. Muitas vezes. Antropólogo nenhum fica feliz com essa frase mas eu a declaro aqui. Normas culturais são inventadas e aprendidas. Nao há nada de intrinsicamente valioso de normas culturais só porque são velhas. Nem todas essa práticas têm que ser respeitadas só porque existem há muito tempo. Em todas as populações há coisas que devem ser abandonadas. Na minha, na sua, nas deles.

O que é liberdade? O que é escolha? O que é violência? Qual é a diferenca da sociedade que se foca no ego e aquela que se foca no grupo ? Sinto que são diferenças presentes em todos os lugares onde estive. Dentro de todas as sociedades que estive havia diferença entre as pessoas do mesmo grupo.

Mas me posiciono para contar as coisas que vi. Homo Sapiens Sapiens  por todas as partes onde eu estive. Vi diferença sim, e percebi que foram criadas muito recentemente. Revolução neolítica de mais ou menos 12 mil anos! O mundo dividido como é hoje de poucas centenas de anos….  Não representa NADA dos mais de 100 mil anos de Homo Sapiens Sapiens.  Uns 200 mil anos dos Homo….

Tanto o Turco como o Grego devem ter ouvido muito sobre o Turco e o Grego, talvez mais do que de qualquer outro povo. Ouviram muito sobre as suas diferenças,  o ódio que existiu e ainda existe entre essas populações. Deve ter ouvido dos péssimos costumes da outra população. Agora, apesar de todas as suas crenças, já viveram juntos. Eram os dois mais semelhantes entre eles do que eram daquela mulher batendo palma para um objeto, eram mais semelhantes entre eles do que o turco era da sua esposa do Brasil. Os dois sentiam medo daquela postura mas nao levou mais do que palavras para que eles entendessem. Não levou mais do que conversa para que compreendessem a razão daquilo existir.  

Assim tem me parecido os encontros dos judeus mizhahim, e safahadim ( arabes, norte africanos)  com Palestinos, e outros Arabes. Lógico, fora de Israel.

Paro aqui. Pois de fato quero dividir o que vi e descobrir se ainda sei escrever. Lembrar e contar das práticas em todas as culturas admiráveis, e tambem outras que nao eram pois pareciam violentas. Nao consigo mais sentar e defender relativismo cultural, por exemplo a defesa da morte de um bebê indigena, só porque era um entre gêmeos. Entendo porque a norma foi criada. Biologia. Qualquer povo nômade nao pode ter que cuidar de tanta gente. Hoje não precisa mais ser respeitada quase ninguém é tão nômade assim. Terra é mais controlada.
Nos próximos topicos vou tentar contar da minha experiência de falar com quem fez circuncisão feminina, da palestina e Israel, do norte da Africa, Sudeste Asiatico, dos Palestinos,  da America Latina, da Europa, USA  etc etc etc…

Curva

Meu amigo Thomaz Panza tem um projeto de musica muito bom e legal. Um cd com musicos incriveis… Ele colocou o projeto num site e faltam 10 dias para arrecadar o total… se nao ele perde tudo que foi arrecadado. As contribuicoes podem ser ate de 30 reais. Se alguem puder colaborar eu recomendo muito. Nao so porque os musico sao muito bons, mas porque eh uma ideia nova…  “ja pensou se meu psicologo colocasse meus dramas pessoais em musica”

Ja fiz minha contribuicao, e estou aguardando ansiosamente pelo cd. 

vejam o clip no site… onde podem ver a musica e fazer doacoes se puderem.

https://www.catarse.me/pt/curva

Beijos.

Ju

Venezuela e Brasil- Guerra Civil Ou Econômica?

image

As pessoas do Brasil vivem me perguntando porque vim a Venezuela.

Respondo a verdade que vim para subir o Monte Roraima.

“Quando volta? Porque está ficando mais tempo. Já que já subiu.”

“Não sei quando volto. Talvez quando o dinheiro que eu tirei no Brasil e troquei no dia 18 de fevereiro acabar.”

“Mas porque você quer ficar numa ditadura, sem liberdade, num país que é perigoso e é até considerado pelos EUA uma ameaça a eles. ? Vai ter uma guerra civil aí.! Quanto de dinheiro vc tirou e da para ficar quanto tempo?”

Bom, então para eu responder essas perguntas melhor fazer esse post….

Talvez a coisa mais cara que tenhamos feito foi subir o Monte Roraima. Todo mundo deve saber que a economia aqui está colapsada. Na prática isso quer dizer que troquei 1 real por 55 bolivares. A última vez que vi, há duas semanas no mercado negro de santa elena aqui na net, dizia-se que 1 real já era 71 bolivares.

Ou seja, vc troca mil reais e sai com sacolas de dinheiro. Troquei meu dinheiro na fronteira. Verifiquei e de fato tive o melhor cambio do dia. A próxima pergunta sempre é: ” mas tudo não aumenta de preço toda hora?”

Até agora não. Todos que vinham do norte da Venezuela explicaram que lá do outro lado tudo era mais barato. Em Santa Elena tudo era inflacionando por causa do turismo do Brasil e graças ao contrabando do petróleo.

Ainda que 99% por cento das pessoas do Brasil acharem que ir ao Norte da Venezuela fosse uma loucura quisemos vir. Mesmo porque tínhamos muito dinheiro depois de passar 7 dias no Monte Roraima, e muito tempo em Santa Elena. Além do mais eu nunca acredito muito no que está na Mídia. Queria ver como era para esse lado. E já que trocar aquelas sacolas de bolívares para real de volta não faria nenhum sentido, também assim não veríamos a verdadeira Venezuela.

E aí o que temos descoberto depois de cruzar a Venezuela? Nossa, muitas coisas.  Quase todas tentamos verificar. Por jornais ou varias pessoas.Nem todas meio por preguiça.

Não tem como dizer que não tenha insatisfação da classe media alta nas grande cidades. Tampouco se pode dizer que não haja MUITOS chavistas aqui.

Por que isso?

Vou enumerar as razoes que as pessoas dão aqui. Nas palavras delas.

1.” A oposição diz que quer democracia mas quando perde a eleição não aceita o resultado e diz que foi manipulado. Não há sistema mais confiável que o da Venezuela que é eletrônico e mecanico.”

(Pesquisamos. De acordo com a Forbes parece mesmo. Aqui http://www.forbes.com/sites/forbesleadershipforum/2013/05/14/venezuelas-election-system-holds-up-as-a-model-for-the-world/)

2. “Os países Imperialistas dizem que aqui a Mídia é censurada mas a única coisa que se passou foi a não renovação da licença do canal. Todos os países tem concessões com período definido.”

( aqui no meu hotel tem CNN, o Chavez del 8 e Chavez el Comandante, e mais um milhão de canais.

Aqui sobre a não renovação do canal RCTV

http://www.theguardian.com/media/2007/may/23/venezuela.broadcasting

3. “Graças a Chavez as crianças tem internet em todas as escolas e ganham um computador quando entram na escola.”

(Perguntamos a muitas mães

e disseram que é verdade. Aqui na BBC http://news.bbc.co.uk/2/hi/technology/7642985.stm

Também conseguimos entrar em todos sites que quisemos ver.”

4. “Agora há saúde publica de graça. Direito a licença maternidade. Aposentadoria e empréstimo de dinheiro sem precisar mostrar que já tem.”

(Parece ser verdade mas não fiz pesquisa. É o que as pessoas dizem.)

5. Antes não havia controle de pesca de grandes companhias e não havia peixes para pescadores autônomos. Agora há peixes na costa. Qualquer um pode pescar.

( a ser verificado.)

6. “Dizem que falta remédio mas ainda existe fora das farmácias. Isso acontece pq Chavez colou valores limites o que leva a industria farmacêutica esconder  remédios para vender por fora. As vezes são abertos depósitos com remédios vencidos. Isso também é parte da guerra econômica. Acontece com a comida e o petróleo”

(Confesso que não pesquisei)

7.” A direita diz que Chavez dava petróleo a outros países. Isso é mentira. Chavez fazia escambo. petróleo por comida, remédio, médico etc.”

8. “Chavez era um homem muito politizado e a favor da educação para todos. Criou a constituição de bolso para que todos soubessem seus direitos, além de ter tornado livros mais acessíveis.”

9. “Chavez cancelou e refez todos os contratos com as empresas que exploram petróleo. Usando termos mais favoráveis ao pais. Há empresas que assinaram esses contratos. Agora o perigo vem do fato que a Exxon assinou um contrato com a Guyana para explorar petróleo num território disputado pelos dois países.”

(https://www.google.co.ve/url?sa=t&source=web&rct=j&ei=Kl0IVd71C8SnyASqsYGIDA&url=http://www.kaieteurnewsonline.com/2015/03/14/exxonmobil-oil-drillingtensions-rise-as-venezuela-issues-subtle-threat-to-guyana/&ved=0CDIQFjAG&usg=AFQjCNGCqptcE2uKIQTOXTPGeRcJZS0A-g

………….

Bom, tem tanta coisa que as pessoas dizem que é difícil de não entender porque tantas pessoas amem e odeiem el Comandante.

Conheci uma Francesa que mudou para cá há 5 anos. Perguntei a ela se gostava do Maduro. Ela que mora em Caracas disse que era Chavista então sim, melhor do que os outros de antes para população geral, disse ela. Pior para quem gosta de sociedade estratificada, concluiu.

“Você teve esse bebê aqui? Faltam as coisas no supermercado e farmácia, há filas? Violência em Caracas? Vc fica brava?”

” Sim. Há hospital privado e público. Minha irmã que veio visitar foi no hospital público também e pode usar e não pagou nada. Todo mundo odeia fazer filas. Elas existem porque tem gente que compra muito para revender. E gente que tem dinheiro e paga mais para não fazer fila. Mas novos sistemas estão sendo desenvolvidos para não permitir alguns lucrarem da falta do resto.

“Mas você odeia as filas!”

“Sim. Mas não o sistema. Para população geral é melhor. Claro que para quem quer viver numa sociedade desigual é o pior lugar do mundo.”

” você como francesa gosta então do Chavez.”

“Claro. Chavez é único. Lutou pelo seu povo. Pela unificação da America latina. Mudou a vida de toda uma população. Trouxe consciência de justiça a todos. Por isso é amado e odiado.  Por isso seu governo continuará sempre ganhando. O povo agora sabe seus direitos.”

Por isso quando me perguntam quando volto para o Brasil nunca sei responder. De fato, não sei, aqui parece ter muito menos ódio que no Brasil nesse momento.  O dinheiro que troquei um mês atrás, que eu achava que dava para umas 2 semanas, não foi usado nem metade. Não me falta nada. Todos os dias eu gasto metade do que seria possivel para ficar ate o final do mes.

Nunca sentimos medo. A vida corre tranquila num pequeno vilarejo a beira mar fundado em 1600. Cada dia as pessoas te contam mais sobre suas vidas já que percebem que você está aqui faz muitos dias. No final de semana aparecem turistas locais que tem dinheiro para pagar hotel. Esses, é claro, odeiam o governo.

Quanto a guerra civil parece mais possível no Brasil do que aqui. Aqui nas ruas as pessoas falam o que querem e não vi ninguém brigando com elas como vi nos videos do facebook dos protestos no Brasil.

Meu conselho continua sendo sempre o mesmo: Não acredite nem nisso, nem na globo vá no lugar e veja sozinha/o. Em geral vai perceber que a verdade vem da história pessoal e não dos escritos que são financiados.  Jornal a cada dia parece mais que é feito para nos des-informar.

De qualquer maneira sabendo que o salário minimo não é nem 7 mil bolivares fico sempre me perguntando essa enorme aprovação de tantas pessoas pobres do Chavez é um milagre , falta de sentido ou muita consciência política? Sei lá.. Vem ver e me conta. Que é impressionante isto é.