Temos que abandonar o NADA.

Obrigada a todos que me estimularam e disseram que iria melhorar.


Minha mãe me disse varias vezes que eu deveria nadar um pouco. Mesmo porque minha mãe tem 72 anos e ela faz exercício todos os dias, e ela gosta de correr e nadar. Não tinha nenhuma vontade de ir, pensava remedio, hospital etc, pensava tinha me prejudicado muito . Então mesmo sem vontades fui nadar sexta e nadei 500 metros e fiquei exausta.


Ontem vovó e minha mãe disseram que eu deveria nadar de novo. Fiquei na dúvida mas nadei e minha mãe filmou e fez fotos 🙂


Entrei no clube por fora na roda de 2 senhores. Quando pedi a senhora se podia entrar no rodízio deles, essa senhora disse que não podia e ela riu. Demos risadas e entrei. Eu entrei seguindo essa senhora e ela nadava no estilo peito muito diferente.


Como eu ficava cansada eu a seguia e quando parei perguntei a ela se ela não cansava. Ela me disse que tinha se machucado de uma maneira que esqueci como se chama, e ela inventou o estilo que pode nadar usando todo o corpo . Eu fiquei admirando porque os dois nadavam muito e antes de eu entrar. Portanto fiquei com vergonha de eu abandonar de nadar antes dos dois senhores. Então consegui nadar 1200 metros. Esperei eles sairem 🙂 será isso orgulho?
O senhor na roda passava na frente de nós porque ele era super nadador. E eu exausta nadava. E na hora hora que esse senhor estaca partindo perguntei quantos metros ele tinha nadado. Na nossa piscina do clube é fácil de calcular. São 100 km ir e voltar. Ele me contou que tinha nadado 3500 metros. Fiquei chocada.


Contei da minha minha amiga Marta nadava 3000 todos os dias da semana. Esse senhor me contou que ele nadava 5 dias da semana. Quando ele saiu da piscina ele me contou que antes corria mas me mostrou como caiu de perna, então decidiu que melhor era ele nadar.


Como sempre penso quem caiu não deve abandona a esperança. Então agora esse senhor nada 5 dias da semana. Ele ficou nadando por queda, e nadar, não é NADA. É maravilhoso.

Vovó de novo me acompanhar no Hospital de novo :)

Piorou ainda mais minha capacidade de escrever, mas ainda é difícil abandonar escrever. É duro perder o que fazia, mas eu queria escrever para meus amigos porque, para meus amigos do passado é duro eles entenderem eu não lembrar as histórias. Mais duro já era reconhecer rostos, nomes fora de contexto, até de meus pais. O Andre fora do contexto, não reconheço. Queria pedir para meus amigos não pensarem que não é por eu não dar valor.

Não tinha contado, já era ruim, mas voltei ao hospital no mês passado, porque primeiro tirei o Kepra e estava maravilhoso e levou mais de um ano. Então resolvi tirar gardenal sem contar nada a ninguém e, lá em Ubatuba em janeiro, já tinha tirado bastante. Com pouco estava ótima. Quando tirei tudo, veio a dor de cabeça fortíssima. Fui ao Hospital, lá me disseram para ir a São Paulo. Imagina para minha avó me ver por horas à noite e eu ir de cara ao hospital.

De lá não lembro de nada. Mas lá fiquei 5 dias e dizem, com muitos ataques epiléticos. Tão estranho porque não senti nada de eletricidade. E eu disse quando acordei ao meu novo médico, Dr. Rodrigo, que Kepra não tomava nunca mais. E o que mais me toca, minha avó com 95 anos foi me ver no hospital.

E quando eu disse que eu iria a Ubatuba para pegar minhas coisas que ficaram lá, vovó disse que iria junto. Era só por uma semana porque teria que voltar para ver o médico porque ele iria a uma reunião na França. Lá num domingo porque médico era segunda. A caseira da casa da vovó, Anísia convidou para a festa de 100 anos da mãe. Fomos e Anísia que sabe que sou vegetariana fez na festa uma comida vegetariana para mim e, a meu lado pessoas que nunca viram o meu prato comeram e me perguntaram o que era. Vovó esperou muito tempo para ver dona Maria e partimos.

A Anísia que conheço desde que fui a primeira vez a Ubatuba, me tocou demais e ela entende. Os novos sabem que coloco com contexto. Difícil eu não escrever bastante. Só escrevo para que meus amigos não fiquem tristes se não reconhecer o rosto, alguns amigos já me contam umas histórias que passamos no passado e daquilo, algumas ativam bastante o meu cérebro. Honestamente não todas. Espero que as memórias voltem aos poucos. Mais fácil lembrar histórias do passado do que as novas. Nada tem a ver com o valor. Ataque epilético destrói zonas do cérebro e claro André corrige e antes de publicar vou pedir para a vovó ler. Me dou conta que é muito relacionado a emoção. E fico triste de me dar conta de que eu ficar doente deixa vovó muito emocional e claro, triste. Espero que aos poucos vamos voltando.
Com amor, Ju

Beijos Ju