Dr. Getulio e o Caminho.

 

Esses dias o renomado professor Fábio Comparato me perguntou se eu conhecia um bom neurologista.

 

Respirei fundo e disse que tinha conhecido O neurologista. E que infelizmente ele tinha partido da terra.
Dr. Getulio Daré Rabelo entrou na minha vida em 2008 e hoje vejo que desde o primeiro dia escrevia Vasculite. De alguma maneira resolveu observar se não era esclerose múltipla.

 

Dou graças a Deus porque na dúvida dele viajei o mundo e é só quando vinha ao Brasil que fazia exame e não dava nada. Isso não significa que vez ou outra eu não sentisse coisas. Só não falava e nem ia no hospital.

Quando volto em 2012 acordo com a língua torta e sou internada e injetada com tratamento para esclerose múltipla. Sou testada de tudo e até levo choques e furos e digo que não faço mais nada.

“Dr. Getulio você não tem a menor ideia!”

“Julieta eu errei. Eu achei que fosse esclerose múltipla e que já chegava na sua boca. Por medo de te perder eu te injetei isso. Eu errei mas foi porque não queria te perder.”

 

Naquele dia o DR. Getulio me ganhou. Não foi por ele ser o renomado médico de quem tantos falavam. Foi por ele assumir seu erro e seu cuidado comigo.
Depois disso que quase morri e nada nunca ficou claro. Eu nunca fui clara. E nem se quer quase nunca fazia mais exame. Sei que quando eu acordei outra pessoa ele me disse para ir ver a Dra. Euthymia Brandão de Almeida Prado. Lá fui ver uma psiquiatra que ele tanto respeitava e parei de ir nela logo. Mesmo ele me explicando que ela era incrível é que ele nem acreditava em coisas emocionais.

 

Passava no Dr. G para dar uns olas, mandava escritos e ligava para conversar. Contava das minhas peripécias. Das percepções cerebrais. Resgate de drogados de craque. Dr. Getulio me ajudava nesses casos que achava que não ajudaria. Disputávamos sobre escalar, a Ásia, a África. Um dia ele virou meu amigo de facebook e discordávamos de política e ele me dizia para colocar seu nome completo nos meus posts. Ele virou um grande amigo.
No dia que passei no seu consultório para dizer olá e me disseram que estava em coma meu mundo passou a desabar. Eu tinha certeza que não voltava. Certeza que você não queria ter. E fui a pé ao Samaritano e fazia uma hora que ele tinha morrido.
Subi e abracei sua mulher e Janete, a secretaria do Getulio, e ela me disse para pegar a Dra Karen Faria Coracini Fernandes.

 

Eu disse. “Imagina, não preciso. Estou ótima.” e ao mesmo tempo eu soluçava. E então passo a ver as tais luzes. 2 semanas depois sou internada e Dr. CAio Simioni me interna e descobre por um Angiograma que tenho uma vasculite.
“Que pena que o Dr. Getulio não está aqui.” Dr. Caio Simioni
De alguma forma o buraco fica em mim e eu vou procurar a Janete, poço de informação, de conhecer bem os pacientes do Dr. Getulio que se tornou pela regência getuliana uma amiga. Faço minha consulta com a Dra. Karen. Então me sinto realmente acolhida. Olhamos aqueles garranchos do Dr. Ge. Falamos dele.

 

Volto a Dra. Euthymia e a vejo semanalmente. E ela me faz buscar raízes mais fundas. Usamos Mindfulness. Conto a ela que Professor Comparato tinha me perguntado de um neurologista e que eu tinha pensado em Eduardo Genaro Mutarelli. Dra. EUthymia me mostra que o vi falando no Memorial do Getulio. Eu nem sabía.

 

 

” Não quero menosprezar todos os outros neurologistas mas Getulio é insubstituível.” Mutarelli.

De fato, me lembro, nao sabia que era o  Eduardo Mutarelli… Ele estava certo, Dr Ge é tao raro, insubstituível. Esses dias Dr. Fernando Freua me disse que antes quando tinha dúvida ligava para o Dr. Getulio mas agora não tinha mais ninguém para ligar.

 

Eu entao escrevi um longo e-mail ao Fábio dizendo que eu consegui o milagre de estar muito amparada. Tenho 100% de confiança nas Dras Euthymia e Karen. Além de serem grandes médicas elas também são extremamente humanas, compassivas e dedicadas. Elas me viram no hospital, no WhatsApp. São tão raros os que fazem tanto.

Mandei uma mensagem ao Fábio Comparato com todos os nomes e telefones. Afinal cada um é cada um. E agora todos nós temos que aprender como trilhamos os nossos caminhos. Dr. Getulio centralizou tanto e sabia tanto que nos deixou assim perdidos mas no fundo ele nos preparou para o caminho.

Que fique registrada aqui a minha gratidao eterna por Dr. Getulio. E aos médicos que conheço:

Quem precisa de Neurologista. Em Sao Paulo confio e conheço:
Dra. Karen Faria Coracini Fernandes
Dr. Caio Simioni
Dr. Fernando Freua
Dr. Eduardo Mutarelli (recomendado pela minha amiga Neuro)
Laura Silveira Moryama

Psiquiatra:
Dra. Euthymia Brandão de Almeida Prado
Pois é ele nos fez saber nossos caminhos.

2 thoughts on “Dr. Getulio e o Caminho.

  1. Que bonito o que você escreveu, Julieta. Tão ele! E, sim, ele continua nos mostrando os caminhos, mesmo ausente! Tenho certeza de que, se ele pudesse ter escolhido, não teria abandonado todos nós que dele dependemos, família e pacientes ou, talvez, pacientes e família. Ele sabia que só ele conseguia resolver alguns casos e ele adorava ser médico.
    Lembro vagamente de você no hospital, indo me abraçar, tão forte, tão carinhosa, sabendo de tanto…foi um momento estranho mas me consolou um pouquinho. Sabe, eu achei que você fosse algum tipo de anjo que vinha nos salvar da dor…quem sabe, dizer aos médicos o que fazer para trazê-lo de volta…
    Fique bem, viu Julieta! Obrigada por suas palavras e por seu carinho.
    Ivonete de Souza Rabello

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