Conhecimentos das senhoras

Hoje fui almoçar com minha avó e mais uma vez aprendo mais coisas das pessoas mais velhas.

A minha avó tem quase 95 anos. Era para eu ir nadar mas quando ia minha avó me diz para ir comer, e lá fui eu.

Eu nao sou típica brasileira. Não ligo para tradições, coisas materiais e gosto de aprender da vida das pessoas. Sei que isso vem das possibilidades que tenho.

Hoje estava eu conversando com uma amiga da minha avó que tem 88. Ela me contou que ficou querendo saber porque moro com minha avó .

Contei que veio desde os meus conflitos políticos e ideológicos que temos desde de jovem e até de eu fugir com 18 anos sozinha para o Espirito Santo.

Contei que também morei muito fora do Brasil e da liberdade. Sozinha Australia, EUA, Holanda e viajando. E tbm com marido ou familia Argentina, UK e Peru.

Essa senhora me contou que a neta queria morar com ela e a filha não queria deixar. Que se aceitasse ela não falaria mais com a sua filha ( mãe da neta).

Essa mãe tinha dito à filha, quando chegou 2 da manha que se fizesse de novo, não poderia ficar mais em casa dela. Essa jovem com 22 anos, ficou revoltada e ligou para a avó.

Essa senhora de 88 disse à mae.

« Vocé tá louca? Quer deixar sua filha na rua? Essa tradição é do passado. Por isso casávamos jovens. Era para nós fugirmos da família. Como vc não percebe? Agora é a época de morarmos juntas antes de nos casarmos. Assim temos ideia. »

Fiquei tocada. Eu nunca fui na loucura de casar sem experiência . Já casei duas vezes. E eles até ficaram amigos. Mesmo porque a brava e chata, sou eu. Mas nunca na minha vida ia me prender assim nem por doença, nem por medo. E muito menos por machismo.

De onde será que vem essa loucura dessa mãe, de fazer controle de alguém?

O que mais me tocou é ver uma senhora de mais de 80 anos já saber disso. E sua filha ainda presa em controlar alguém.

Sábia ainda é minha avó que nem liga para as disputas das minhas brigas com meus pais. Nunca seria de me abandonar de ser neta. E nem deixaria mae. O mais belo é que minha avó sempre aceita as escolhas dos outros.

Sábia ainda mais porque a minha avó quando dá qualquer coisa, sabe que aquilo já não é mais dela e não é para controlar o que se faz com aquilo.

Incrível como a vida é livre mas alguns ficam na ilusão que podem controlar. Pena que alguns caem no controle e perdem o melhor único de cada ser humano: A Liberdade

Saudade Interna do Tibete

Hoje estava vendo as fotos do Tibete que a Denise postou, me deu uma saudade que não sei explicar.

Conheci a Denise em DharamSala na Índia. Mais incrível foi que eu a conheci quando fui ver aulas do Dalai Lama por sorte.

Quando eu conheci por um acaso, ou de maneira espiritual que me dizem. Se é tive a sorte enorme de ela me convidar para conhecer Karmapa.

Eu aceitei e nem sabia o que aquilo queria dizer. Marcamos nos ver no dia seguinte.

Isso foi em 2008. Estava eu com o Haiko, e nós agnósticos, não religiosos e não sabíamos nada do Tibet.

Quando eu fui ler na internet quem era Karmapa. Li que enquanto o Dalai Lama estava 14ª reencarnação, o Karmapa já estava na 17ª reencarnação. Por isso são conhecidos como HH (SS) Dalai Lama, e HH ( SS) Karmapa.

Eu que nunca acreditei no que era escrito das religiões, eu nunca parava de gostar mais de aprender sobre elas.

Fomos encontrar Denise, que estava com Rita e elas me contaram que iriamos a um lugar mais longe, para irmos no Templo onde ficava Karmapa.

Eu não sabia o que seria. Pegamos um transporte e eu fui pensando que era mais interessante. Quando chegamos havia muitas pessoas. Havia ocidentais e muitos tibetanos. Aquilo me impressionou. Fiquei feliz de estar naquela aula.

Na minha total surpresa Denise me contou que tinha um encontro privado. Eu fiquei surpresa. Expliquei a um Lama tibetano que estava lá que não tinha lenço do estilo que Denise e Rita estavam usando.

Quando perguntei onde comprar e como fazer quando iria ver Karmapa. Um Lama me deu seu lenço, e ensinou a quando entrar, baixar a cabeça e por no chão e abaixar 3 vezes. Que eu deveria sentar e fazer uma pergunta a Karmapa e ele responderia.

Entramos eu, Haiko, Denise e Rita. Lembro que na hora de pergunta uma coisa. Eu disse “Não sei o que é, o que tenho do meu problema.”

Karmapa levantou e foi tocar na minha cabeça. Nunca vou me esquecer

“ O seu problema é elétrico e eu sempre vou estar com vc”

Eu chorei, me tocou demais. Eu que não acredito em nada, e tenho epilepsia, fiquei tocada demais.

Hoje me faz lembrar que não era apenas epilepsia, é uma solidão interna.

Só sei que assim comecei a me aproximar dos Tibetanos. Eu nunca tive uma coisa que não fosse profunda dos Tibetanos.

Isso não quer dizer é uma palavra carinhosa. Era sempre uma palavra de ser mais consciente.

Quando conheci Rinpoche e lagrimas saíram sem eu vê-lo. E ele de longe disse

“Se saiu uma lagrima é porque nos conhecemos de outra vida”

E eu a mais ateia e descrente, não sabia explicar.

Como diria HH Dalai Lama respeite todas as religiões, mas aceite o que é o natural.

Meu amigo Sho nunca entende porque não acredito em reencarnação.

Tudo que eu sei é que vendo o Tibete me sinto em casa, mesmo nunca tendo ido.

Tudo que sei é da minha eterna dúvida de dizer “ Isso é assim. “

Eu sempre serei da duvida, e sempre com saudade dos Tibetanos. Quase tudo na nossa vida é um mistério.

E sempre com saudade do Tibete.

Com amor, Ju

Sair da prisão

Hoje aconteceu uma coisa forte. Fui na feira orgânica com o André e a Josélia. Enquanto eu olhava os ingredientes e eu explicava que não sabia o que era para Josélia, uma senhora veio falar alto comigo.

“ Se você não reconhece esses legumes porque vem nessa feira?”

Disse de uma maneira forte. E eu respondi delicadamente.

“É que eu já tive 2 comas. Perdi muitas áreas do cérebro. Se um dia soube não sei mais.”

Ela disse fortemente.

“ Você se prende”

Eu fiquei revoltada. E comecei a dizer:

“ A senhora não entende. No segundo coma, eu não abria olhos, falava, andava, não estava presente. Tenho falhas no cérebro, e a senhora não entende.”

E ela mais forte:

“Veja como você se prende. E gosta.”

Eu fiquei revoltada, e o André e a Joselia partem para fazer as compras na feira, eu fico e essa senhora me diz,

“ Vou te ensinar uma coisa.”

Ela segurou minha roupa pelo lado de traz. E ela disse:

“ Julieta anda!”

Eu expliquei que não dava.

Ela me diz

“ Você precisa aprender meditar e abandonar o passado”

E eu explico que eu já fiz vipassana, fui à Índia, conheci Dalai Lama, e já fiz a meditação etc.”

E ela ainda fortemente me disse,

“ Você vê que ainda esta se colocando presa no passado???”

Confesso que fiquei brava. E falei calmamente mas revoltada,

“ A senhora não me entende.”

“ Sou Neurologista e tenho 80 anos.”

“ Qual seu nome?”

“ Qual é a diferença? Espero que uma hora você aprenda a não se aprisionar!!”

Sai revoltada. Indo a Joselia e André.

Levou horas para entender e ficar grata.

Na outra semana uma outra médica na feira me ensinou a fazer o que nunca tinha feito para ativar meu cérebro. Foi delicado e maravilhoso. Hoje foi tão duro que me fez horas entender e pensar aquela senhora de 80 anos, que me dá o tempo dela para me fazer estar presente.

Nem disse obrigada, saí correndo e só escrevendo me sinto grata. Porque será que é tão duro abandonar o passado e ser presente? Espero que um dia saberemos nos libertar de nós mesmo.

Com amor Ju

Lições da vida

Me emociona quando leio o que escrevi no passado. Que ainda está presente. Eu contando sobre Lama Lobsang que se tornou meu amigo. Ele estava ensinando budismo no mundo. Ele era do Tibete, se mudou para a Índia e eu o conheci em Londres quando ele estava morando lá e eu também. Eu não o conheci nem para aprender o budismo. Foi para trazer um presente de uma nova amiga que conheci na Índia. Como eu estava lendo agora, isso me faz lembrar muito bem.

Ele se tornou um amigo. Ele costumava vir a minha casa. A primeira vez que fui convidado para ir a sua casa. Foi num dia difícil. Eu estava muito perdida, sem saber se meu cérebro estava doente e estudando algo que me levou cada vez mais longe de minhas buscas pessoais. Naquele dia, Lama Lobsang me ligou. Eu me senti tão perdida, e ele me convidou do nada pela primeira vez a ir para a casa dele. Eu decidi ir, embora todo o meu corpo não tivesse vontade de ir. Eu não senti vontade de falar sobre a teoria budista naquele dia. Quando cheguei a casa dele, entrei e pela primeira vez falei algo muito pessoal. “Lama Lobsang, me sinto tão perdida. Partes de mim pesquisam na medicina, outras na cognição. Não tenho certeza se estou realmente doente. Estou tão perdida. ”Ele não respondeu, apenas me convidou para ir à cozinha. Ele começou a cozinhar algo tibetano feito de água e farinha. Eu apenas sentei assistindo ele. Nós mal nos falamos. Ele cozinhou algo como uma sopa de macarrão. Esqueci minha tristeza enquanto observava e esqueci completamente de tudo quando a comi, e quando fomos para a sala eu estava tão relaxada que senti que estava prestes a cair no sono. Lama Lobsang disse de repente,

Julieta, você não deveria se sentir mal. Você é muito abençoada. Você é linda, inteligente, tem uma vida muito boa. ”“ Lama, não sei se meu cérebro está se destruindo ou não. ”“ Julieta, aprenda isso: seus inimigos são seus melhores amigos. ”Perguntei se Foi no sentido de impermanência e ele concordou, mas também disse: “Seus inimigos, ou quaisquer adversidades que você experimente, são as únicas coisas verdadeiras que permitem que você pratique a compaixão e a paciência. Somente quando você praticar a compaixão em relação ao seu inimigo manifestado, você entenderá que seus “inimigos” são apenas um reflexo de seus inimigos internos. Eles vão com você onde quer que você vá. Então, quando você encontra um inimigo manifestado, você tem uma chance real de praticar a compaixão e compreende que o verdadeiro inimigo vem de dentro. Essa é a coisa mais difícil de fazer, ser compassivo consigo mesmo. E somente quando você puder sentir compaixão por si mesmo, poderá começar a se libertar do sofrimento ”.

Como eu li isso hoje aqui na África do Sul. Eu posso até lembrar o lugar, a comida, os detalhes. Assim como eu sei com 2 comas, pesquisas em todo o mundo, não sabemos de nada. Hoje eu disse ao meu pai que ele era meu forte inimigo e eu sorri. Aqueles que estão pertos nos fazem lidar com nós mesmos. Esse é o caminho da vida. Nós nunca entendemos completamente. Nós sempre preferimos deslocar a responsabilidade. Eu serei para sempre grato a Lama Lobsang. Espero que um dia eu seja realmente com um presente interior. Para lidar com momentos difíceis sem fugir de mim mesma. E isso mesmo com o meu cérebro com áreas destruídas para não esquecer as melhores lições da minha vida.

Eu sempre consideraria Lama Lobsang e Mustapha meus melhores professores da vida.

Como eu com dúvidas para vir viajar com meus pais, Mustapha disse que perdeu seu pai quando ele tinha 10 anos e sua mãe quando ele tinha 20 anos. Como explicou sobre nossas discussões, ele disse. “Eles não vão mudar, nem você vai”

Sua aula era descolonizando a mente, como é o nome do meu blog. Então percebo as duras discussões acontecem entre os membros da família, todos nós devemos lidar com nossos problemas internos, os de perto nos demostram muito mais.

Beijos

Ju

Falas de flores :)

Eu que estava deprimida de ficarem todos no telefone, vovó em livro, inventei debvoltar ao Ó do Borogodó segunda. Quem não conhece, é um lugar de música e dança e eu ia sempre.

André disse, vai estar fechado. E eu vi no face que dizia aberto e então pego um uber e fui.

Pro taxista da ida perguntei da vida e ele me contou que agora tudo é sobre ficar em telefone. Eu rio e vou aprendendo como veio do nordeste e, quando chego no Ó e, como disse o André, estava fechado 🙂 O André estava em casa vendo com a Vovó o Soprano. Voltei.

Quando chego em casa digo ao porteiro que conheço há muitos anos que cansei de televisão, de internet e pedi para me contar algo da vida dele.

“ Do que vc quer que eu conte de família? Isso é duro. Sempre há conflitos. Mas nunca nos separamos.”

Ri e disse “ Me conta de religião. “

Esse senhor porteiro da noite me conta.

Essa é fácil. Imaginei que como muitos de hoje, deve ser evangélico. Ele me contou que ele era católico, sua mulher espirita e os filhos evangélicos.

Perguntei se tinham virado evangélicos por causa do Bolsonaro, e ele disse que nasceram indo à casa do lado, de evangélicos e se conectaram.

Me fez lembrar o Dalai Lama que respeita o que parece natural. E me tocou um porteiro de mais de 50, que já é avô, e me contou que o pai tem 98, quase 99 e a mãe já partiu. Pai bem, consciente.

O pai da Bahia e a mãe de Minas. Me contou é uma família enorme, seu pai com 17 filhos. E ele fugiu com 14, e com 16 começou a trabalhar para igreja católica. O fez por mais de 20 anos e aprendeu que religião não é diferente de politica.

Quando eu disse que era sempre sobre dinheiro e ele concordou e contou as historias do que passou.

Eu o admiro. Quando disse que não acredito em nada ele completou. “ Eu sempre penso que é escrito pelo ser humano. Acredito em Deus, mas não em religião.” E eu digo, é duro para nós realmente sabermos como funciona o universo.

Passei horas conversando com esse senhor e ele que sabe que eu viajo me perguntou do Islã, e eu que passei por tantas de aprender, voltam as memorias. Foi das melhores conversas que tive.

Sempre me impressiona como tantas pessoas ponderam sobre as coisas. Passam por tantas coisas.

Quinta voltei ao Ó do Borogodó para ver o Zé Barbeiro. Quando chego conhecia todos mas é duro não lembrar.

O senhor que trabalha me diz “que bom que veio. Oi André.”

Eu fiquei tanto tempo a pensar se até o André que foi pouco, e ele sabe eu devo conhecer bem. O André diz de cara. Ju é o presidente.

Nossa a memória veio. Eu lembro. Eu vou lá e digo, presidente sou péssima de rosto e memória. E ele disse “como está sua avó?”

A memória veio, “presidente vc é da Bahia!” Fiquei impressionada, dançar, falar com os que trabalham. Fui falar com o que cuida do som, o Zé.

Tantas coisas são impermanentes. Tantas coisas não mudam nada, saem e voltam.

Assim pensei que algum dia ia conseguir ficar presente. Minha avó quis ir comer no clube com meus pais e eu na duvida. Fui porque minha avó sabe que nos sempre discutimos.

Meus pais levaram duas garrafas de vinho e uma adorei. Perguntei de onde era, meu pai disse que da África do Sul. Contei que compramos ótimas da Nova Zelândia.

E de repente ouço um cara do clube dizendo para meus pais terem boa viagem.

Eu nem sabia. Perguntei para onde? África do Sul.

Apesar das nossas discussões pedi de cara, vou comprar passagem, quero ir com vocês.

Meus pais na dúvida.

Eu falo mil vezes eu quero ir. Vcs conhecem a África do Sul. Eu nunca fui.

“ Só concordo se você fizer o que a gente tá indo fazer. Vamos pelo vinho.”

Compro minha passagem e na hora de sair disse “ nada de discussões de politica”

Meu pai diz

“ Falas de flores”

Como disse o porteiro:

“ Do que vc quer que eu conte, de família? Isso é duro. Sempre há conflitos. Mas nunca nos separamos.”

Feira orgânica

Todas as vezes que eu e o Andre vamos na feira orgânica eu fico feliz e tocada.

É impressionante como as pessoas são conscientes de nós voltarmos.

Um dia uma senhora que vende saladas , verduras , legumes contou que aquilo era o sonho do marido de um

dia conseguir comprar uma fazendinha, e que seria de coisas orgânicas.

Demorou tempo para conseguir mas quando conseguiu em pouco tempo ficou viuva.

Fiquei tocada e perguntei se tinha desistido, se era duro e ela disse com orgulho

“ Vc acha que coloco uma maquina eletrica para regar? Eu rego com a mão, eu planto e eu vou vendo todos os dias como crescem.”

Fiquei tocada e perguntei numa outra semana se fazia e ela me mostrou uma filha que fazia junto.

Na feira tudo me toca, descobri por acaso e eu e o Andre amamos ir la.

Tem tantos detalhes de coisas. Eu que já tinha aprendido melhor ir cedo. As pessoas que plantaram vêm de fora as 4 da manha e nos vamos umas 9.

Sempre tomo chá, e dessa vez um pãozinho. Na hora que fui pagar o jovem disse “ Obrigada por vcs sempre pagar em debito.”. Eu contei que eu sei que se pagar em cartao vc ganha pouco. Ele me disse que poucas pessoas pensam nisso.

O senhor onde também compramos sempre nos da mais frutas de presente.

Eu que tenho péssima memória visual, e que olhava na curiosidade contei para uma outra senhora me diz para tentar aprender.

Expliquei a ela do meu coma e rápido percebi que é médica e ela me disse aprenda coisas novas. Essa senhora e o marido conhecia o Dr Getulio, até os irmãos do meu medico que partiu. Ela me contou uma coisa que me tocou de uma senhora de 60 anos depois de destruição do cérebro resolveu aprender piano. Essa medica que não é jovem foi clara “ aprende algo novo para ativar a mente.

Me tocou aquilo. O que devo fazer que não fiz? Deve ser Mandarim, ? Artesanato? Passei um tempo conversando com o casal e lembrei que deveria visitar um senhor de Manaus.

Esse senhor sempre me impressiona. Tem tantas pessoas que passam para falar com ele.

Na hora eu contei que o Andre dizia para não comer muita castanha do Pará. Ele que vende me contou casos que passam mal de ser viciados de castanha.

Como ele disse “ tem alcoólatra, chocólatra, do sexo, de fumar, e agora tem tbm o do castanhólatra 🙂 Ou seja pode ser viciado de qualquer coisa até de agua , agua demais acaba se afogando :)”

Eu dessa vez acreditei. Ouvindo ele que vende disse, pode pagar mais de 100 reais que não vendo porque vcs ja têm em casa.

Isso me impressiona, não porque eu queria comprar é ouvir suas historias de pessoas que diziam “ vc não pode me controlar, eu vou comprar”

Mas esse senhor não controla, só não quer ser responsável por alguém como muitos passam mal porque ele vende. Isso me toca, também é pensar nos outros.

Esses dias tudo me tocou, outro dia conto os do Uber e do porteiro da noites. As pessoas tem coisas muitos interessantes a contar.

Beijos

Ju

Vipassana

Tenho um forte desejo de voltar a Asia e fazer de novo Vipassana que está pelo mundo. E eu fiz a primeira na Inglaterra.Li oque escrevi no passado li e me tocou.

Vipassana é baseada no seguinte: a ideia que sofrimento vem do padrão da nossa mente de nunca estar no presente. De sermos jogados do passado ao futuro por nossas emocoes e pensamentos o tempo todo. Sempre reagimos com aversao ao que nao gostamos e com apego ao que queremos e como tudo é impermanente sofremos. Mas tudo que existe no presente sao sensacoes. Por isso, Buda acreditava que se aprendessemos a nos tornar totalmente conscientes das nossas sensacoes e aprendessemos a ficar equanimes ( nao reagir com apego ou aversao a elas) quebrariamos profundamente o padrao de reacao da mente. Vipassana, portanto, treina voce a ficar consciente das sensacoes corporais ( calor, dor, formigamento, vibracoes etc) e a praticar equanimidade ( nao reagir, observar as sensacoes “como um cientista” objetivamente).

Entao, durante os ultimos 7 dias aprende-se a observar o corpo todo. Comecando pela cabeca, e pedacinho por pedacinho scaneando o corpo e observando as sensacoes até chegar as pontas dos dedos do pé. 3 vezes ao dia, faz se uma determinacao de sentar-se por uma hora sem se mexer observando o que é que se passe, o que é que se sinta com desapego, pois tudo é impermanente. Durante o retiro, observa silencio nobre. Silencio de fala, gestos, pensamento etc…

Eu tive é claro muitas duvidas filosofico cognitivas. Ficar em silencio foi facil. Uma vez la ha uma sensacao de enorme apoio, de enorme gratidao. Como nao se paga nada para ir quando vc chega, e conforme os dias passam, e observa-se como tudo é bem mantido, fica cada vez mais evidente que tudo aquilo so é possivel porque as pessoas que la estiveram antes de vc doaram dinheiro para que essa oportunidade tambem fosse dada a outras pessoas. Toda a deliciosa comida que se come é preparada por voluntarios que além de meditar acordam ainda mais cedo para cozinhar para vc.

Eu tive muita sorte com o tempo. Os dias estavam lindos. A primavera estava chegando e simbolicamente eu sentia a vida voltando. Confesso que nao reparei nas flores quando cheguei. Talvez tenha sido no terceiro dia quando eu ja estava realmente concentrada que reparei que as cerejeiras na frente do meu quarto estavam florescendo. Compreendi profundamente dessa vez Kurosawa num dos seus “Sonhos”. Entendi mais os japoneses que falam tanto da beleza das cerejeiras em flor. As festas (hanami) para ver as cerejeiras em flor(sakura) acontecem no Japao desde o seculo VII.

Há alguns preceitos que se observa quando se pratica Vipassana, e um deles é nao matar. Nos meus tres primeiros dias eu passei mal, tive diarreia, e muita dor de estomago, mas observando o silencio, e nao tendo muito o que fazer fiquei em silencio. Minha companheira de quarto que deve ter reparado minhas massagens no estomago, colocou ao lado da minha cama um pequeno vidrinho. Quando eu voltei ao quarto, sem olhar para ela, evitando qualquer comunicacao reparei a presenca de um vidrinho verde desconhecido no meu lado da mesinha. Fiquei surpresa, peguei o vidrinho e vi que era um remedio natural para dor de estomago.

É incrivel, como pequenos gestos como esses te tocam. Fazia 3 dias que eu estava em silencio e eu sabia que apesar do silencio estavamos ali uma no apoio da outra, e todos mutualmente se apoiando em silencio. Eu nao podia dizer obrigada, nao podia escrever obrigada, resolvi que em agradecimento colocaria uma flor no seu lado da mesa. Como eu não queria matar nada, inclusive uma flor, procurei uma flor que estivesse caida. Coloquei-a do lado da mesa que ficava perto a cama de Liz.

Os dias foram passando, e a cada dia eu olhava para as cerejeiras para ver como elas estavam naquele dia. Sentia-me tocada por meu retiro acompanhar o desabrochar das cerejeiras. No final dos 10 dias elas estavam completamente em flor. Eu finalmente entendi ali toda a literatura japonesa que eu ja tinha lido. Não é apenas que elas sejam lindas, mas é o processo que acontece todos os anos, um processo impermanente, onde nehum dia é igual ao outro, onde, as petalas voam, onde tudo se move em direcao a perfeicao, ao que pode parecer um momento fugaz de beleza, ao qual vc nao pode se apegar. Eu observei o processo, e entendi experiencialmente a beleza de uma cerejeira em flor. A breve, fugaz, impermanente beleza da cerejeira apesar de “breathtaking” não é o seu maior poder. O mais tocante é observar o processo diario. O mais poderoso talvez seja a permanencia do impermanente. Observar as cerejeiras desabrocharem, e saber que apesar da primavera ser todas as vezes diferente, ela é sempre primavera. Observar uma cerejeira em flor é observar a coexistencia do tempo cronologico e o ciclico.

No decimo dia, quando o silencio foi levantado Liz veio me dizer obrigada pela flor no seu lado da mesinha. Expliquei a ela que tinha pegado uma flor morta pois nao queria matar uma flor. Ela eh claro ja tinha compreendido isso no nosso silencio. E é claro que se eu tivesse colhido uma flor viva, ela teria sido morta no ato. No entanto, de alguma maneira ali a impermanencia da vida e da beleza da flor se mesclaram. A gratidao, no entanto, simbolizada na impermanencia do material se dissociou do material.