O Respeito a Terra

​Estou super feliz  tanto o Andre , a Paula  e o Konstantin  sempre pensaram muito que nós na terra não queríamos poluir. 

Vovó me deixou uma casa na praia e eu nunca tinha morado perto da na natureza e do Mar.

Sei que aqui pela primeira vez começamos a fazer uma compostagem. Honestamente eu nem sabia como era. Era colocar todo o resto natural na terra.

Kons pensava muito triste que não tinha como reciclar aqui. Do nada encontramos o lugar da reciclagem.

Estamos muito felizes. De fora da terra não sabemos muito. Mas na terra sempre pensei que devemos respeitar. Cada um crê no que foi ensinado. Eu respeito a terra, o Sol, o mar, o Rio, a lua e todos os seres. A todos tem uma fase.

Tive a sorte de ter chegado faz anos em Dharamsala, na India quando Dalai Lama estava dando aulas.

Suas palavras eram, “Não vire budista, respeite todas as religiões, respeite o que sente por dentro.”

Por dentro eu respeito a terra. E o que vejo. Tento sempre aprender mais pois sei que de toda perda tem um aprendizado. 

Neste monento de Covid penso que tivemos que aprender a parar um pouco. Minha avo partiu e eu sou amiga das amigas da vovó.

Foi triste ouvir de uma amiga dizer que nunca pensava que passaria com 93 anos tao parada.

Eu falo com elas e eu que ja tive 2 comas sempre penso que somos como elas, mas é duro as nossas perdas para pessoas mais idosas.

Mas eu que sempre dou sugestoes sugiro respeite a nossa terra e as pessoas hidosas e estão paradas. Tem um milhão de aprendizados que tenho com as amigas da minha avó. Que já me dizem, “esqueça de senhora, sou vc porque você é minha amiga.” 

Do meu coração aprendo muito com senhoras de mais de 80 e 90 anos. Fale com elas.

Bom dia a todos.

Com amor, Ju

Contos dos idosos.

Hoje, falei com a minha amiga que vai fazer 95 anos e ela me disse que eu deveria escrever. Sonia era amiga da minha avó. E claro hoje é minha amiga.

Ela me disse que eu deveria contar contos que passaram comigo. Disse ela que sempre ouvir histórias dos outros e falar. Então conto.

Um desses dias falei com uma outra da amiga da minha avó. Ela me contou que não tinha nenhum filho ou neto, ninguém neste pais. Alguns moram fora, outros foram bloqueados por corona porque estavam trabalhando fora.

Ela tem 93 anos e contou quando sua empregada há 9 anos ficou gravida e foi morar com o namorado. Ela ligou desesperada porque o sangue saia. A senhora disse de longe, “Vá a o hospital”. Quando nasceu o bebê, o namorado que é porteiro perguntou se esse bebê não podia ir a sua casa dela e depois pegava.

Ela aceitou, ele deixou de noite e de manhã pegou e partiram. Um dia dentro da licença maternidade ligou: “Vou morar na rua. Não posso trabalhar”. Isso não fazia um mês que o bebê tinha nascido. Essa senhora me disse, “você está louca? Venha para minha casa”

Quando liguei para falar com ela e essa senhora estava ensinando inglês para o menino, ela disse que ensinava tudo, o duro era matemática. Ajudava em tudo da escola o filho da empregada e que ele a chama de vovó.

Me tocou. Ela lembrava das críticas do pai, sobre matemática. Ela é ruim até hoje, mas fala 6 línguas e sabe das áreas do cérebro. Ela me contou que o menino foi morar com os pais quando nasceu, mas isso não durou nem 1 ano e então veio morar na casa da senhora.

Faz 9 anos que esse menino mora com ela. Quando liguei para falar com essa senhora, ela estava dando aula de inglês para o jovem. Na verdade, estava ajudando em todas as aulas.

Ela me contou sua vida que é um livro. Com 93 anos me contou que muitos acham errado o filho de empregada chama-la de vovó. Ela achava um presente. Sem ele não teria alguém que a acompanhasse até embaixo para tomarem sol. E dele, ninguém tomaria as aulas.

Aquilo me tocou. Mas ainda me tocou mais foi que, enquanto eu escrevia isso, ela me ligou.

O menino sente saudade dos amigos. E eu a cada dia admiro mais os idosos. Têm histórias maravilhosas. Pena que pouco se dão conta.

Hoje quando ele disse a ela: “Vovó chega de ler português”, “verdade hora de ler em inglês”. “Mas eu erro muito vovó”. “Mas é assim que aprendemos. Quem não era na vida? Sempre aprendemos erramos e aprendemos na vida”

Com amor,
Ju

A Paz

Nesse momento de ficar parado tenho evitado ver muito a televisão.

Isso não quer dizer de não procure informação sobre o Coronavirus.

Conheço médicos, e sei que estão passando um momento muito duro.

Eu queria falar que é o momento de alem de ficar em casa, lavar a mão, é o momento de acalmar a mente.

A mente é um poder muito grande no corpo. Eu não sou médica, sei um pouco de cognição mas não te diria que foi de faculdade mestrado e doutorado que abandonei.

Foi das minhas quedas e perder muito o que gosto. Escrever, compor. Tomar remédios que mudaram minha personalidade varias vezes. Caí de Epilepsia mas tenho que dizer que detesto e amo essa queda 🙂

A epilepsia na verdade ninguém realmente sabe de onde vem ou o que realmente causa. Posso falar de mim, faz uma eletricidade que eu senti subindo e perdendo o controle e cair, ou seja sair da paz e cair.

Da queda tem momentos de nem ligar. Dos comas fora de vezes nem estava presente, mas com consciência aumentava o meu nervosismo.

Enfim, no começo na inglaterra há muitos anos me declarou eu tinha epilepsia e eu abandonei o hospital e fui procurar métodos alternativos e aprendi a meditar.

Eu já fazia uma pequena meditação do Yoga. Mas aquilo ainda no Yoga não era meditação.

Para mim meditação era aprender a começar do pé e ir focando no corpo inteiro, a respiração. Até chegar o cérebro.

Sei que agora nesse momento de ficar parado tem muitos desesperados. Acaba de me ligar minha amiga de Israel e ela me conta que era difícil ficar em paz e calma. Contei a ela de meditar.

Me fez lembrar de uma vez ouvi de um homem me contar que era traficante e no Japão foi preso. A prisão não era como no Brasil. É ele sozinho num quarto. Não pode falar. Ficou muito tempo ele com ele, sem nada de se distrair.

No começo me disse que era muito duro. Como pensava era um vipassana mais fortes.

Alguns anos ele preso e só com ele. Quando saiu mudou. Ele aprendeu ele com ele mesmo, aprender o amor a si mesmo.

E parou de fugir de si mesmo. Virou um meditador. Faz anos que o conheci acho que na India. Lembrei só quando falava com Michal de Israel agora no whats.

Talvez esse nosso momento de estarmos a dar valor a nónós mesmos.

Escrevi apenas um dia da paz me fez pensar dos tres pontos do budismo que acredita na reencarnação de todos. 3 pontos, compaixão, impermanência e paz. Antes pensava que a paz era o mais duro. Mas eu até perdendo minha avó me sinto em paz.

Temos que lidar conosco quem está só, mas se está com alguém do lado temos que manter palavras delicadas.

Eu confesso eu as vezes sou brava mas quando isso acontece o outro tem que lidar com si.

É duro perceber. Eu em paz delicada e o outro tem que lidar com si mesmo. Aí tao duro me atacam verbalmente e eu explodo de novo.

Mas quando disse a meu amigo que eu explodo e me liberto dos pensamentos e sentimentos e os calmos sofrem por dentro. Eu percebo que se seu calma aí o calmo fica bravo e então eu explodo mais forte. 🙂

É irônico. Talvez seja a compaixão. Quando na paz e só é mais fácil qualquer do lado temos que tentar manter a paz mesmo que pela primeira vez explodiu o calmo. A vida é irônica. Temos que manter a paz

Com amor,
Ju

Temos que abandonar o NADA.

Obrigada a todos que me estimularam e disseram que iria melhorar.


Minha mãe me disse varias vezes que eu deveria nadar um pouco. Mesmo porque minha mãe tem 72 anos e ela faz exercício todos os dias, e ela gosta de correr e nadar. Não tinha nenhuma vontade de ir, pensava remedio, hospital etc, pensava tinha me prejudicado muito . Então mesmo sem vontades fui nadar sexta e nadei 500 metros e fiquei exausta.


Ontem vovó e minha mãe disseram que eu deveria nadar de novo. Fiquei na dúvida mas nadei e minha mãe filmou e fez fotos 🙂


Entrei no clube por fora na roda de 2 senhores. Quando pedi a senhora se podia entrar no rodízio deles, essa senhora disse que não podia e ela riu. Demos risadas e entrei. Eu entrei seguindo essa senhora e ela nadava no estilo peito muito diferente.


Como eu ficava cansada eu a seguia e quando parei perguntei a ela se ela não cansava. Ela me disse que tinha se machucado de uma maneira que esqueci como se chama, e ela inventou o estilo que pode nadar usando todo o corpo . Eu fiquei admirando porque os dois nadavam muito e antes de eu entrar. Portanto fiquei com vergonha de eu abandonar de nadar antes dos dois senhores. Então consegui nadar 1200 metros. Esperei eles sairem 🙂 será isso orgulho?
O senhor na roda passava na frente de nós porque ele era super nadador. E eu exausta nadava. E na hora hora que esse senhor estaca partindo perguntei quantos metros ele tinha nadado. Na nossa piscina do clube é fácil de calcular. São 100 km ir e voltar. Ele me contou que tinha nadado 3500 metros. Fiquei chocada.


Contei da minha minha amiga Marta nadava 3000 todos os dias da semana. Esse senhor me contou que ele nadava 5 dias da semana. Quando ele saiu da piscina ele me contou que antes corria mas me mostrou como caiu de perna, então decidiu que melhor era ele nadar.


Como sempre penso quem caiu não deve abandona a esperança. Então agora esse senhor nada 5 dias da semana. Ele ficou nadando por queda, e nadar, não é NADA. É maravilhoso.

Vovó de novo me acompanhar no Hospital de novo :)

Piorou ainda mais minha capacidade de escrever, mas ainda é difícil abandonar escrever. É duro perder o que fazia, mas eu queria escrever para meus amigos porque, para meus amigos do passado é duro eles entenderem eu não lembrar as histórias. Mais duro já era reconhecer rostos, nomes fora de contexto, até de meus pais. O Andre fora do contexto, não reconheço. Queria pedir para meus amigos não pensarem que não é por eu não dar valor.

Não tinha contado, já era ruim, mas voltei ao hospital no mês passado, porque primeiro tirei o Kepra e estava maravilhoso e levou mais de um ano. Então resolvi tirar gardenal sem contar nada a ninguém e, lá em Ubatuba em janeiro, já tinha tirado bastante. Com pouco estava ótima. Quando tirei tudo, veio a dor de cabeça fortíssima. Fui ao Hospital, lá me disseram para ir a São Paulo. Imagina para minha avó me ver por horas à noite e eu ir de cara ao hospital.

De lá não lembro de nada. Mas lá fiquei 5 dias e dizem, com muitos ataques epiléticos. Tão estranho porque não senti nada de eletricidade. E eu disse quando acordei ao meu novo médico, Dr. Rodrigo, que Kepra não tomava nunca mais. E o que mais me toca, minha avó com 95 anos foi me ver no hospital.

E quando eu disse que eu iria a Ubatuba para pegar minhas coisas que ficaram lá, vovó disse que iria junto. Era só por uma semana porque teria que voltar para ver o médico porque ele iria a uma reunião na França. Lá num domingo porque médico era segunda. A caseira da casa da vovó, Anísia convidou para a festa de 100 anos da mãe. Fomos e Anísia que sabe que sou vegetariana fez na festa uma comida vegetariana para mim e, a meu lado pessoas que nunca viram o meu prato comeram e me perguntaram o que era. Vovó esperou muito tempo para ver dona Maria e partimos.

A Anísia que conheço desde que fui a primeira vez a Ubatuba, me tocou demais e ela entende. Os novos sabem que coloco com contexto. Difícil eu não escrever bastante. Só escrevo para que meus amigos não fiquem tristes se não reconhecer o rosto, alguns amigos já me contam umas histórias que passamos no passado e daquilo, algumas ativam bastante o meu cérebro. Honestamente não todas. Espero que as memórias voltem aos poucos. Mais fácil lembrar histórias do passado do que as novas. Nada tem a ver com o valor. Ataque epilético destrói zonas do cérebro e claro André corrige e antes de publicar vou pedir para a vovó ler. Me dou conta que é muito relacionado a emoção. E fico triste de me dar conta de que eu ficar doente deixa vovó muito emocional e claro, triste. Espero que aos poucos vamos voltando.
Com amor, Ju

Beijos Ju

A busca de ser presente.

Ontem pedalei bastante para fazer coisas alternativas, não coloquei a internet quando saí. Queria chegar em um lugar e ir aprendendo perguntando para as pessoas. Queria ir mudar de óculos, mas não queria procurar na internet onde havia um ocultista.
Tinha decidido, depois de ter visto fotos, que estamos num tempo presos por um telefone, e raramente presentes com quem está ao lado.
Eu queria mudar meus óculos, que faz tempo que nao estão bons, e eu fico indo sempre no mesmo médico, que nunca leva a sério o que falo, e não resolve o problema.
Fui indo e vi o grão, que é um restaurante vegetariano que adoro. Eu sempre peço o prato do dia que é sempre bom é custa 18 reais.
Lá fui dividir a mesa com uma senhora que me deixou sentar juntas. Na mesa do lado havia uma outra senhora de olho fechado, reclamando de tudo, e quando eu oferecia ajuda, ela não queria. A minha companheira da mesa achou terrivel que ela reclamava de tudo. Eu sugeri que ela estava deprimida. 
A minha companheira me contou que era professora de Tai-chi, que morou na China, que pra meditar não precisa ficar parada, pode ser em qualquer ação em que estejamos presentes. Fiquei impressionada que ela tinha mais de 80 anos. 
Me ensinou que Tinha aula pública terça e quinta. Quando eu contei do óculos, ela se ofereceu pra ir comigo a pé mostrar onde ficava. Como só tinha horário pra hoje, fui procurando na rua, perguntando pras pessoas, e encontrei um optometrista. É aí eu senti que realmente estava voltando ao passado.
Continuei pedalando, fazia muito sol, e quando eu achei o caminho de volta, resolvi tomar um suco bom dia no integrale. Quando cheguei, todos me falaram que minha mãe tinha passado lá, que era muito bonita, que eu era bonita por causa da minha mãe. 
Contei que estava usando o telefone só pra tirar fotos, e contei da senhora do Tai-chi que conheci, Mariza, e que tirei uma foto pra lembrar o rosto. Todos lá conheciam a Mariza. 
Eu que decidi que ia na aula,que me explicaram na integrale que era terça e quinta as 7.00 da manhã. Resolvi dormir as 8 horas. Vovó disse que eram decisões muito radicais. Eu acordei às 4, e com uma dor na perna, mas resolvi olhar o sol. Fiquei encantada com o sol nascendo e fui percebendo que minha perna estava exausta. Tirei foto, dormi mais uma hora, e depois resolvi nadar.
O mar estava maravilhoso, calmo. E agora, depois de horas sem usar o telefone, resolvi contar de como é lindo estar presente. Eu escrevi num caderninho, e pedi ao André para digitar, já que ele ama ficar no telefone 🙂
Com amor,
Ju

A dor as vezes nos faz estar mais presente.

Gente, um desses dias eu andando de bicicleta com o André e o Pitagoras numa rota de subir um morro, e eu rapidamente, quando desci olhando os lugares pensei que tinha que descer porque tinha uma mudança de rota.

O Pitagoras é do Mexico e veio de bicicleta da Bahia a Ubatuba. Ele é fotografo e muito gente boa. Ja aprendeu português e está descendo até o Uruguai.

Bom nesse dia na hora que desci, virei a coluna e começou uma dor fortíssima. E eu não sabia o que fazer, falei para descermos na pequena praia do lado, Lamberto.

Na hora o André levou as duas bikes e quando cheguei lá morrendo de dor, sem acteditar. Sem saber o que fazer pedi uma caipirinha com limão e rum. Quase um mojito. Aquilo me ajudou muito entrei no mar, subi a pedra e voltei pedalando para casa. Até hoje o Andre não entende quanta dor eu senti, porque subi a pedra para fazer uma foto. 🙂

Mas acordei no outro dia com dor de levantar, liguei para minha mãe porque a dor voltou, minha mae, que sempre foi corredora me disse que devia ser nervo cíatico inflamado. Meu pai disse para colocar gelo, banho quente e minha mae disse que deveria fazer exercício de alongamento.

Foi duro demais. Fiquei vendo muitos videos que ensinavam. E até mandavam tomar remedio de dor. Como estou retirando remédios, a ultima coisa que queria era tomar mais remédio. Faz quatro dias e nada da dor diminuir. Mas ontem fui no encontro de familia do André em Cunha. La era o hotel da fazenda. Mil vezes mais bonita do que as fazendas que conheço. Vou deixar fotos no blog.

Tão lindo o lugar e eu andei muito e um corredor lá me disse que hoje a dor iria ser mais forte.

Não acreditei mas o duro é levantar da cama. E hoje pensei em pedir pra Naoko vir fazer acupuntura.

Meu pai falou que eu iria ficar alcoólatra de beber rum para passar a dor. Então pensei em ler tudo. E torcendo para não ficar parada porque isso mantem a dor.

Às vezes na dor eu lembro que o Lama Lobsang dizia “Que bom que tem essa dor, quer dizer que te fez estar presente neste lugar“

Lama Lobsang sempre me dizia, muda de atenção ao outro lugar da dor. Assim é se sentir o corpo. Estar feliz de estar vivo independente da dor. Sempre me faz lembrar da impermanência.

Com amor,

Ju

A beleza de conversar, e começar pedalar.

Vocês sabem que eu adoro hospedar no couch e warm shower. Sei que o último foi um turco que estudou na escola Lycee na Turquia.

Eu fui uma vez à Turquia visitar uma amiga de lá que conheci na Holanda. Estávamos estudando política internacional e eu sei que agora minha amiga mora em Londres. Aqui Kut me deu explicações.

Foi muito legal hospedar o Kut. Ele é de uma pontualidade incrível, não que eu ligue, mas me impressiona. E ele sendo do Lycee claro, nossas conversas são com pensamentos críticos.

Quando ele quis nos dar um jantar de presente eu disse não era necessário. Ele explicou que precisava fazer algo para nós.

Andamos muito. E sei que do nada ele olhou a algo que nós nunca nem olhamos. Ele disse

“ Nossa é Jacques Cousteau?”

Nem eu, nem André sabíamos. E quando fomos olhar era sim.

Kut contou que trabalha em petróleo e tava meio morando num barco, e que é muito duro ele ter nascido na Turquia e ver toda tradição sendo perdida. O poder do Islam estar fazendo um aumento da população. Ele considera que o aumento de religião rouba das pessoas o pensar criticamente. Ele vê como a política funciona lá e aqui tbm. Diminui a educação crítica e aumenta a população por filosofia de igrejas. Assim ele pensa, cria e mantem os governos.

Ele fez intercâmbio antes e fala português super bem. Sei que inventei de andar e de pedalar. Foi ótimo.

Kut está com uma vida de negociação, trabalha como engenheiro de estilo petróleo. Ele é muito legal mas eu nunca entendo como deve ser a vida no petróleo. Ainda mais nessa correria.

Sei que depois de ele ir embora eu quis pedalar mais. Aliás, tenho andado, nadando e pedalado. E pensando mais na alimentação do que medicina que vou me libertando muito de remédio porque realmente é drug.

Sei que esses dias tomo meus sucos na integrale, falei para o Andre, vamos pedalar, das toninhas à praia grande, depois itaguá, depois chegamos nos centro, e o André disse:

“Onde vc quer ir?“

“Mais para frente”

Chegamos no perequê, mas era muito rua etc. Quis ir mais para frente e chegamos na praia vermelha. Depois voltamos tranquilos até fazer um caminho na frente da loja de vinho. Lembrei do vinho do ciclista 🙂

Ontem tomei suco de limão com gengibre, suco de laranja, depois de maçã. E claro como Kiwi, banana, morango, uva, laranja e mais frutas e alimento vegetariano e as vezes em jejum.

Tudo que eu vou fazendo eu vou me sentido de volta. Pena que tantas pessoas não comem bem e nem fazem exercícios, nem meditam. De qualquer forma cada um faz uma escolha.

Mas sabe, antes ficava revoltada de ouvir de médico dizer de aceitar as capacidades limitadas muito de nada de info de como remédio é uma drug. Ontem até conversei com uma senhora que disse que tem uma feira orgânica aqui. Eu aqui há mais de três meses, não sabia. Aliás ninguém de aqui sabia. Mas essa senhora pensa como eu alimentação orgânica é maravilhoso. Ela contou que, como eu, nem vai em médico. Fazia 6 anos que abandonou e está melhor. Quando insistiram ela fez um exame e claro, disse que o dela deu muito melhor do que de todos.

Assim como fico emocionada de ver uma ciclista viajando o mundo depois de um diagnóstico de uma doença neurodegenerativa. Claro na medicina não acharam boa ideia, mas eu a sigo circulando o mundo de bike. Sendo voluntária, passando o tempo devagar. E prestando atenção as coisas. Me encanta ler tudo que ela posta em detalhes.

Mas como disse a Anísia que é caseira da casa de Ubatuba e me conhece desde pequena, quando mostrei meu vídeo de bike ontem até quase 29 km. E quase todos dias pedalava sozinha quando Andre estava em Sao Paulo.

A Anísia disse “Nossa está pedalando como nunca conseguiu antes.”

Fico super feliz porque nada como voltar as loucuras do passado, me sinto feliz. Ou talvez o mais incrível seja que, de repente vc sente o que é necessário por dentro.

Ontem até pedalamos na chuva mas não ficamos com frio. Como disse o ciclista que ficou aqui “Se fosse o sol na cara seria pior” e agora senti isso. A chuva de repente faz vc lembra o valor da água.

Com amor,

Ju

As maravilhosas ironias da vida.

Diziam no meu coma que zonas do cérebro destruídas, difícil eu voltar.

Bom de tudo que perdi não perdi de amar falar com as pessoas e aprender mais delas e dos ciganos 🙂

Honestamente sou péssima de lembrar o rosto e o nome. Portanto, eu sempre coloco por contexto. Tenho amigos que querem me curar disso. Mas eu não ligo, mais importante que o nome para mim é o símbolo.

Anteontem falei para o Luca ( para mim Argentino do couch), vamos andar um pouco aqui. Luca aqui até brinquei que estamos em Ubachuva :). Fazia dias que diziam que iriar chover e não chovia, mas no dia disse que não iria chover, ai começou a chuva e não parou até hoje. Nas misturas de espanhol com português andamos e eu de ‘parachuva’ 🙂 E o André e Luca sem nada.

Andamos quase 14 km. Porque eu sempre inventava coco num lugar alto. Depois tomar café, depois um pastel no lugar dos Venezuelanos. Errei o lugar e comi de novo onde trabalham os Venezuelanos.

Eu amei a Venezuela quando fui, e já mandavam não ir. Venezuelano nos contou de como é trabalhar aqui em Ubatuba. Eu fico triste de ver o estilo de interesse e abuso dos que sabem que é bem duro voltar à Venezuela. Assim como nos ensinou ainda tem muitos ricos lá. E claro tudo em Dolar. Ainda bem que fui no tempo do bolivar. Lá subimos o Monte Roraima com uns argentinos que já estavam havia anos na combi. A deles se consertava na colombia e nos conhecemos na Venezuela e subimos juntos a montanha. Isso faz uns quatro anos. A vida é misteriosa. Sei que eles ainda estão vivendo pelo mundo.

Anteontem tbm la inventei de ver minha Indiana, que não é, mas vende roupas de lá e vai muito à Índia. Gisele eu marco assim, Gisele Uba India 🙂 Lá no caminho vi combis. Sempre adoro falar com as das combis porque amo coisas de ciganos. Eles eram da Argentina e nós conversando ficamos sabendo que estão vivendo viajando por 2 anos. Disse que podiam tomar banho em casa. Fazia isso no Peru tbm.

André exausto de eu falar com tantos do dia até a noite voltamos, e eu paro numa musica ao vivo que não é boa mas Luca disse que tem em espanhol, depois ouvimos em Italiano. Me fez lembrar de uma senhora que me disse que em gestos ja compreendemos o outro. Claro dos latinos é fácil mas vivi por isso quando fui voluntária na Tailândia numa região que uma só falava inglês, mas para se comunicar lingua é menos importante do que eu imaginava. E claro aprender das culturas. Alias do Luca quis me fazer saber cozinhar, e eu não sei 🙂

A vida é tao irônica . E de passarem ontem em casa e por horas conversamos muito. Todos são simpáticos mas me impressionou é um casal viajando com um filho de 12 anos. Ele fazendo a escola de fora e ele aprendendo do mundo. Assim como vi de europeus na Ásia ha anos. Esse menino Valentin é a criança mais jovem que já conheci viajando e extremante educado.

Ele é o mais delicado, inteligente que já vi. Quando contei dos Argentinos que subiram conosoco o monte roraima, os pais os conhecem e sabem onde estão. O Valentin quando perguntei se sentia saudade de algo ele me disse, “ eu gosto de conhecer as outras pessoas e dos animais livres na natureza”

Eles dormiram em kombis e hoje veio o sol. André e Valentim foram surfar. Os argentinos da combi estão vendendo arte que fazem.

No de que já perdi, falar com todos nada mudou. Jogar buraco voltou. Agora essa de andar em Ubatuba a pé na chuva a quase 14 km é realmente novo. Mas adoro. Dos outros aprendemos muito.

Como disse a senhora não se prende no passado. Tente algo novo e dê valor ao que é possível hoje. E vai sempre para frente. Ou seja, não quero a viagem do passado mas continuo no mesmo ponto da vida. Como disse a Carolina, da combi e mãe do Valentin, muitos só percebem quando o tempo está passando ou passou.

Ela disse

“ Meu irmao e eu somos criados iguais, ele é materialista e silencioso, e eu sou de aprender mais coisas e ver o mundo. Aprendo muito dos outros “

Me tocou tudo isso. Como a vida pode ser irônica. Do nada me mostra alguem igual a mim. Assim continua o caminho dela e o meu na rota não do material mas de ver o mundo e se encontrar a si. E acho que nessa rota nunca mudamos, acho que nascemos como somos.

Com amor,

Ju