A Minha Casa Na Asia

Durante o meu tempo no Sudeste Asiatio, Nong Khai, como eu ja disse antes se tornou a minha casa. Por isso que depois de cruzar o rio Mekong para chegar ao Laos, atravessar Laos, voltar de barco para o outro lado da Tailandia, visitar o noroeste tailandes descer para Bangkok, Voar para Phnon Penh, visitar as ruinas de Angkor, correr entre Bali , Malasia,, Phuket, Ko Phi Phi, Ko Phan Gan.. eu finalmente completei meu circulo voltando a Nong Khai. Cheguei la acabada. Fisica e emocionalmente. É coisa demais em tempo de menos.

E eu voltei para la desesperada. Nao passei nem se quer um dia em Bangkok. Eu cheguei a BKK de Ko Phang Gan, ilha no sul, e na mesma noite peguei um onibus por 12 horas para chegar a NK. Com o desespero daqueles dos que precisam chegar em casa. Na maior parte da minha viagem eu tomei bastante tempo nos lugares. Mas da cambodia, Indonesia, Malasia, e ilhas tailandesas eu corri, meio como o Gauguin procurando sempre aquele lugar mais “certo”. E aquele lugar para mim de repente ficou claro era Nong Khai.

Peguei um daqueles onibus turisticos que saem de Khao San Road ( A rua de back packers de Bangkok. Kao quer dizer arroz, entao no passado era a rua onde vendia-se arroz) e levam os jovens ocidentais diretamente a Vang Vieng ou ate mesmo a Luang Prabang no Laos. Esses onibus tuisticos sao menos confortaveis que os OTIMOS onibus publicos tailandeses. No entanto, sao convenientes pois saem da rua onde as guesthouse ficam, sem vc ter que se deslocar ate o terminal Mochit, e portanto ou passar horas discutindo com um Taxi ( que eh sempre mais barato do que um Tuk Tuk em Bangkok), ou acabar pagando mais dinheiro entre passagem de onibus publico e taxi, do que os “um pouco mais caros” onibus de turistas.

Nong Khai fica no caminho, na fronteira entre Tailandia e Laos. Eu comprei minha passagem para ir a NK que era um pouco mais barata do que a passagem para Vientiane, e muito mais do que a Vang Vieng. Eu fui a unica no onibus inteiro que queria parar em NK. A viagem ate NK leva umas 12 horas, ate Vientiane do outro lado da fronteira umas 13, e ate VV umas 16. O motorista surpreso me disse na entrada “se voce quiser pode ir direto ate o Laos nao tem problema”. Eu expliquei que nao era um engano eu queria parar em Nong Khai. Ele nao compreendeu assim como os tailandeses nao compreendem quando voce diz “sem pimenta.” Eles entendem a frase mas imagino que achem que vc ta fora do seu perfeito juizo entao colocam um pouquinho. O motorista tbm colocou um pouquinho de pimenta e portanto as 5 da manha, eu acordei num posto no meio da estrada. Desci para perguntar onde estavamos. Ele me explicou que era para descermos e preenchermos os papeis para cruzar para o Laos. Eu expliquei que eu ficava em NK. Ele ainda meio chocado abriu o compartimento para eu pegar minha mala “are you sure, you dont have to pay extra i ll take you to laos”. Eu estava “sure” peguei um tuk tuk, ja me preparando para ter que brigar por um preco certo, mas em NK o tuk tuk me deu o preco certo, carregou minha mal, e ainda me protegeu do temporal. De fato eu estava em casa.

Era cedo, umas 6 da manha. Eu sabia que a recepcao da Mut Mee nao estaria aberta. Chovia cantaros. E eu estava feliz. Entrei no meu jardim preferido de mala e cuia. Coloquei tudo no chao, no mesmo lugar que tinha colocado inumeras vezes antes, e sentei nas mesas debaixo de bungalows de palha. Sentei e lembrei da Liz Gilbert contando de como ela tinha chegado ao Ashram na India no meio da noite ( no livro eat, pray and love), que tinha se sentido como uma galinha que eh colocada ali no meio da noite, para que as outras galinhas ao acordarem nao percebam que a nova nunca tinha estado la. Eu sentei, ouvindo a tempestade, mas minha espera durou pouco, nao mais de 1 minuto. A Pao, dona da Mut Mee, estava na cozinha, e ao me ver sorriu e disse “Welcome Back! Ta muito frio ai fora, voce sabe que quarto voce quer? eu te coloco no quarto e depois vc faz o check in mais tarde” Entao eu escolhi o meu quarto favorito afinal depois de check in and out 6 vezes da ultima vez, eu conhecia muito. E fui dormir o que eu esperava ser o sono dos justos. A ansiedade nao meu deixou dormir e as 7 eu estava desesperada para descer e ver meus amigos.

As sete da manha, o Simion, que trabalhava na recepcao estava chegando mal-humorado, mas ao meu ver o mal humor virou um grande sorriso e um abraco. E entao apareceu a Poon, a massagista, que veio me abracar e carregar! E entao o Julian, marido da Pao e dono da Mut Mee, e pouco a pouco fui encontrando cada pessoa querida que eu tinha conhecido ha mais de um mes atras. Um mes que eu tinha feito tanta coisa.

Eu tinha queimado minha perna numa moto, e portanto estava com uma bandagem. Uma tosse daquelas de tuberculoso que nao para nunca. Mais magra, mais suja, mais queimada, mais cansada. Nao que eu tivesse percebido imediatamente tudo isso. Foram as perguntas que foram me dando essa ideia. “Are you eating well? ” “What happened to your leg?” “How long have you been coughing like that?” E quando eu finalmente encontrei o professor de meditacao. Ele olhou para mim e disse
“We can tell how long a person has been travelling from by how worn out they look.” Eu comecei a rir. “Is it that bad?”. “Julieta voce precisa se cuidar. Isso tudo desgasta muito o corpo, a mente. Voce precisa descansar.” Sim eu estava de volta em casa, tinha cruzado todo o sudeste asiatico para voltar onde minha viagem tinha comecado. Tinha voltado para ficar doente em casa, onde eu podia contar com os cuidados daqueles que na Asia se tornaram a minha familia.

O Teletransporte

Faz quase duas semanas que eu voltei do sudeste asiatico. Passei um pouco mais de 3 meses entre Tailandia, Camboja e Laos. Levou mais de uma semana para o meu horario se ajeitar. Como eu ja vivi em muitos paises, e desde os 15 anos vivo nessas eternas idas e vindas, minha volta a Londres foi menos traumatica do que a dos muito viajantes que conheci. A unica coisa mais dificil é que o facebook é um constante “reminder” do mundo dos viajantes que eu dexei para tras. Todo dia eu leio alguem que ta chegando em algum vilarejo de algum lugar remoto do mundo. E o mundo é tao grande e tão cheio de vilarejos…e viajantes.

Hoje eu tenho a impressao que foi tudo tao facil. O sudeste asiatico é muito facil de viajar. Ainda mais quando comparado a outros lugares que ja estive sozinha como o Marrocos ou a India. A verdade, no entanto, é que a minha viagem comecou para la de dificil. Eu ja comecei doente tendo que posterga-la por causa de uma infeccao urinaria. E ai cheguei num calor alarmante em Bangkok, sentindo uma letargia total. Lembro de pegar o taxi em direcao a Khao San Road pensando ” onde eh que eu estava com a cabeca quando escolhi ir voluntariar num vilarejo rural na area mais pobre da Tailandia? “. Lembrei de uma amiga que sempre diz “essas coisas sao melhores pensadas”.

Deitada numa rede meses depois, num dos lugares que visitei, conversando com dois alpinistas que planejavam a construcao de alguma coisa que a minha leiguice em engenharia e alpinismo nao permitiu entender eu propus que eles construissem uma maquina de teletransporte. O tal do teletransporte é uma ideia que ficou na minha cabeca gracas a um inesquecivel vendedor de cachorro quente em ubatuba. Consiste basicamente em voce pensar e se teletransportar para onde quer.

Brendan, o engenheiro alpinista, olhou para mim e disse ” Can we focus on feasible plans?” Vencidos pelo meu desejo filosofico de discutir o teletransporte comecamos a pensar. Nos teletransportariamos para onde? Para a guesthouse. Direto da rede para a Maylin Guesthouse! Mas como ficariam as nocoes de privacidade? E as fronteiras? E se vc pensasse num quarto de hotel que esteve, e alguem que tbm la ja esteve tbm quisesse o mesmo quarto, no mesmo minuto? Afinal as memorias sao distintas, e infinitas mas os lugares nao! Entao, comecamos a pensar nas regulamentacoes que seriam necessarias com o advento do teletransporte. Os problemas eram infinitos. Tao infinitos que saimos do bar, andamos toda a cidade e eles nao acabavam.

Em meio a discussao o outro alpinista percebeu ter perdido sua chave. Brendan e eu sentamos na calcada. Iriamos espera-lo busca-la. Passaram por nos bebados perdidos. Gente que nao sabia em que guesthouse tinha ficado. Passaram bicicletas assim no meio da noite. Tendo que esperar olhamos para tudo que tava a volta. Os cachorros, o ceu que estava todo estrelado, as placas, as pessoas, tudo. Quando a chave foi reecontrada recomecamos a nossa caminhada. Chegamos a famosa ponte de Vang Vieng. A ponte que nos separava de todo aquele caos do outro lado. Cruzamos ainda falando do teletransporte.

Se ele existisse nos provavelmente nao cruzariamos essa ponte. Eu nao teria passado 2dias num barco no Mekong e mais um dia de onibus para cruzar do Laos a Tailandia. Eu nao teria pego os muito onibus porcaria, nas muitas estradas tortuosas. Consequentemente nao teriamos conhecido todas as pessoas que encontramos pelo caminho. Nao teriamos visto todos os vilarejos. E ficou evidente que o que importa é a jornada. Abandonamos o plano ali na ponte, nao porque ele era impraticavel. Simplesmente porque nao nos interessava. Andamos cansados as ruas enlamacadas, no escuro felizes por ter essa experiencia.

A minha amiga tinha razao. Alguma ideias sao melhores pensadas. Nao a ideia de viajar, ou de voluntariar num lugar remoto. Essas sao as que vividas valem sempre a pena. As ideias que sao melhores so pensadas sao as que reduzem os caminhos, as dificuldades, e os prazeres da jornada.

Pensamentos Ciganos

Ontem a noite fui ao Goodenough College para assistir a London Gypsy Orchestra. Eu ja perdi a conta de quantas vezes eu fui ao Goodenough. Ja fui para visitar amigos morando la, para ouvir musica, palestras, churascos, pique niques, e para é claro as eternas despedidas. Portanto entrar la ontem na sala que a Sabrina se apresentou tantas vezes sem encontra-la, ou encontrar nenhum dos meus usuais amigos foi extremamente nostalgico. É sempre estranho andar por corredores que ja abrigaram tantas pessoas, que ja ouviram tantos murmurios de segredos, fofocas, ou incriveis “post graduate” insights 🙂

A orquestra era incrivel, daquele jeito que so orquestra cigana, ou klezmer, leste europeu consegue ser. Extremamente alegre e extremamente triste ao mesmo tempo. Com melodias que parecem cortar como faca enquanto te fazem dancar. Eles tocaram uma musica do Kusturica e essa musica ainda acordou em mim mais memorias. E é incrivel como o cerebro vai ligando as cores, aos sons, as memorias, numa ordem quase impossivel de ser retracada mas que flui naturalmente como se nenhuma outra linha de leve pensamento fosse plausivel.

E eu sentei la ouvindo os violinos, e as cantoras, os instrumentos de sopro viajando pela Turquia, Romenia, Hungria e a musica que la ouvi, olhando a sala onde a Sabrina tocou, vendo ao meu lado o Chris que eu conheco da LSE que nao faz parte de nenhum dos meus mundos ali ligados. Faz parte do mundo da LSE e mesmo totalmente fora de lugar, foi gracas a ele que eu fui assistir essa orquestra. Quando fui ao banheiro e andei pelo corredor lembrando que esse era o caminho que eu fazia para visitar a Marisa dei de cara com uma menina que saia do banheiro chorando. Hesitei por um segunto se devia perguntar a ela se ela estava bem. Esse segundo durou o suficiente para ela sair e eu entrar. No chao do banheiro estava um teste de gravidez. Positivo. Com as duas listras. Jogado ali por alguem que obviamente estava abalada demais para pensar em qualquer outra coisa. E um estranho pensamento passou pela minha mente. Eu, que nem conheco aquela moca, fui a primeira a saber de uma noticia assim tao importante. Porque o mundo eh assim meio ao acaso, as pessoas vao se encontrando, se conectando, e as memorias vao se formando fluidamente. Talvez a unica coisa que eu me lembre dessa noite seja esse evento, talvez eu me lembre da flautista mal-humorada. O caminho que tomarao meus futuros devaneios hao de ser, eu imagino, nomades e itinerantes como a musica da orquestra.

O Sentido da Vida

Conheci Carlo num boteco de Luang Prabang no Laos. Em Luang Prabang todos os bares fecham as 11, e depois disso sobram os turistas desesperados para encontrar um lugar para beber, a discoteca que fica fora da cidade, e o BAO LING ( boliche) para onde todo mundo vai dancar e beber enquanto as bolas percorrem tortuosos caminhos. Eu conheci Carlo no bar Lao Lao, bar que tem o nome da pior bebida da Asia ( um whisky feito de arroz que segundo os que provaram tem efeitos colaterais mais graves que tomar gasolina) onde a maior atracao eh a sinuca de graça. Assistimos um lady boy e uma moca Lao jogarem contra dois ocidentais. Como o jogo nao terminava nunca comecamos a conversar.

Carlo tinha 33 anos. Aos 27 se tornou CEO de uma empresa americana da qual ja nem me lembro o nome, aos 31 estava ganhando muito dinheiro, “engajed” para casar e absolutamente infeliz. Resolveu partir. Sua mae que trabalha na ONU teve um ataque. Seu pai neurologista apoiou a ideia. A noiva, bem dessa eu achei melhor nao perguntar. E ele partiu para o que seriam 6 meses de viagem, e quando eu o encontrei no Lao Lao ja fazia 2 anos que ele viajava. No Laos voluntariava por um tempo numa reserva de protecaos aos elefantes. Pelo que ele me contou, o Laos é o pais no mundo que mais tem elefantes selvagens.

Perguntei onde no mundo ele tinha estado, e a lista eh tao extensa que eu ja nao me lembro. Quando ele no entanto me contou que viajou por dois meses a Mongolia, pedi mais detalhes. Eu morro de vontade de conhecer a Mongolia eu expliquei. Carlo tirou a camera do bolso e mostrou me uma foto de dois cavalos lindos. Nao compreendi exatamente o porque dos cavalos ate aparecer as proximas fotos. Eram da Mongolia. Vi as famosas casas/tendas nomades, as pessoas, o deserto, muito terreno inospito.

Entao Carlo contou me que viajou sozinho a cavalo. Comprou dois cavalos um para carregar as coisas, e outro para ele mesmo e cruzou a Mongolia. Sabendo dos riscos que incorrem visitar a Mongolia perguntei a ele. ” I had an Axe and a knife, and the face of someone who is ready to use it.” No mais, saindo das cidades as pessoas sao muito generosas. Sempre te convidam para entrar na tenda delas, para ficar.”

Carlo cavalgou por semanas chegando a ficar ate 2 semanas sem falar com niguem. Falava com os cavalos nessa altura me explicou. E num certo dia no meio dessa cavalgada em silencio por muito tempo parou e pensou ” Qual é o sentido da minha vida nesse segundo? ” “Percebi que era apenas existir, sobreviver, e nesse dia eu soube que para mim isso era pouco, procurei um vilarejo, e encontrei um homem velho. Eu nao sabia falar a lingua dele, nem ele a minha, mas percebi que eu podia ajuda-lo no seu trabalho. Eu o ajudei. E ali a vida ganhou sentido. Faz so sentido existir quando voce se relaciona com outras pessoas.” E essas palavras me fizeram lembrar claramente do final do filme Into the Wild “Happiness is only real when shared.”

Da primeira visita a Vang Vieng- Laos


Eu acabei indo ao Laos duas vezes. E acabei como todos me encantando com o Laos. A primeira vez eu confesso que detestei. Cheguei la depois de ter vindo de Isan, o nordeste pobre da Tailandia, onde eu tinha passado tempo voluntariando no meu pequeno vilarejo rural. De la fui parar na beira do Mekong, em Nong Khai, lugar que se tornou minha casa na Asia, para onde eu voltava todas as vezes que eu tava para desabar 🙂 E na beira do Mekong, de um lugar tranquilissimo, eu enrolei, enrolei, enrolei para cruzar para o Laos. Do Gaia, o bar barco eu olhava para o Laos do outro lado com antecipacao, mas alguma coisa me prendia ali naquela pequena cidadezinha. Depois de 3 meses eu descobriria que eram as pessoas, a calma daquele lugar. Mas ainda nao sabendo eu antecipava todas as noites a minha partida, e todas as manhas eu desistia, por uma ou outra razao, abandonando companheiro atras de companheiro de viagem. Foram mais ou menos 12 dias que eu fiz isso. E quando eu finalmente resolvi partir, eu acordei bem cedo, antes que eu encontrasse qualquer pessoa conhecida e fui para fronteira para encontrar os italianos. Os italianos com quem eu nada tinha combinado, apenas ouvido eles combinarem que se encontrariam as 9 da manha na fronteira.

Os italianos eram: Lucca, uma magico profissional, Michaela e Elisa, bellissimas mae e filha viajando juntas. Tinham conhecido o expansivo Lucca na viagem, e se juntado a ele para cruzar a Asia. Na noite anterior, eu toquei violao no Gaia, e o Lucca fez um show de magica que misturava NLP e nos deixou a todos perplexos. Acabamos ficando no barco ate quase de manha. Na manha seguinte, portanto, no horario combinado Lucca como bom magico desapareceu. Como ele nao estava la horario combinado juntei me as belas italianas fluentes em portugues e juntas cruzamos a fronteira. Rimos muito, de quase tudo que encontramos pelo caminho pois Michaela era assim leve e engracada.

Pegamos uma pequena van para ir direto a Vang Vieng. 4 horas de viagem por tortuosas estradas. Campos verdes, arrozais, montanhas, pequenas casas de madeira, e quase nada. Dentro da Van muitos ocidentais meio mal-humorados. O tipo de ocidental que vai para Vang Vieng fazer o tal do Tubing. O tipo de ocidental que nao ta muito interessado no Laos. Nos rimos, de quase tudo, e principalmente de todo esse mal humor.

La chegando nos separamos. EU queria ficar na Maylin guesthouse. Guesthouse recomendada a mim por varias pessoas, e pelo Lonely Planet. As italianas nao queriam andar de mala e cuia. Entao la fui eu sozinha, rejeitando todas as opcoes que me eram oferecidas pelo caminho. E para chegar ate a Maylin cruzei a ponte privada pela primeira vez. A ponte que custava 4000 kip (£0.30) para indignacao de quase todos. Andei pelas ruas toda cheia de pedra e lama, e logo percebi que aquela ponte mantinha o outro lado intacto, totalmente diferente do lado onde eu tinha chegado. Continuei caminhando ate chegar a Maylin.

O dono, Joe, um Irlandes sarcastico, mal humorado, e rabugento estava tirando meio que sarro dos hospedes. Eu sentei, sem nem saber que ele era o dono e pedi alguma coisa para comer. Eventualmente o rapaz ao lado dele comecou a conversar comigo. Saxon. Um australiano que trabalha como poilicy advisor para o governo da australia. Ficamos amigos quase que imediatamente. Joe disse algumas coisas rudes, mas depois de eu solenemente ignorar a grosseria e ser sarcastica de volta ele virou meu amigo. E ficou por muito tempo na minha mente como a minha melhor memoria de Vang Vieng.

De noite, com Saxon cruzei para o outro lado da ponte para conhecer melhor a “cidade” de Vang Vieng. La chegando fiquei horrorizada. Um bar atras do outro de musica altissima. Ingleses, e australianos e outros ocidentais e israelenses jovens completamente bebados. Todos os bares passavam family guy ou friends. Ao mesmo tempo tocavam musica e a cacofonia era realmente insuportavel. Andei meio que em choque pelas ruas de Vang Vieng. Eu que tinha vindo do meu pequeno vilarejo, eu que tinha vindo do Gaia em Nong Khai nao conseguia acreditar no que tinha acontecido com aquele lugar em tao pouco tempo. Saxon a melhor coisa que tinha me acontecido em VV partia na manha seguinte.

Encontramos Lucca o magico e as italianas sentados num dos mil restaurantes iguais. Ja que era impossivel conversar pedi ao Lucca que fizesse magica ao menino Lao. O garcom que estava ali nos servindo. Lucca nao hesitou e em 3 segundos ja tinha cativado o menino. Eu sentei e olhei. NO meio a todo aquele caos, musica dos bares, as televisoes ligadas, os bebados, os em bad trip, tudo que eu via eram os olhos do pequeno menino Lao completamente desconcertado, enfeiticado, pelas magicas e pela docura do Lucca.

No dia seguinte convenci Saxon a perder sua passagem e ficar comigo em VV. Desta vez desistimos de ir para o outro lado e resolvemos ao invés explorar as cavernas, as trilhas, e a lagoa azul. O tempo nao estava dos melhores. Mas conversamos tanto que os 7km de caminhada pareceram minutos. Passamos em meio aos arrozais, as criancas, os vilarejos, as pontes, as pessoas, e eventualmente chegamos ao lugar certo. Subimos a montanha que nos levaria a caverna e la dentro caminhamos ate encontrar o “reclining Buddha” e as outras muitas formacoes geologicas. Sujos de lama dos pes a cabeca voltamos de tardezinha para a Maylin no dia seguinte partimos. Parti de Vang Vieng sem fazer o tube, esperando por la nunca mais voltar.

Um mes depois voltei. Com minha mae. O tempo lindo. Nenhum nuvem no ceu. Nenhum vestígio da lama que tinha sujado tudo que eu tinha usado em VV. Cruzei a ponte mais uma vez, paguei mais uma vez os 4000 kip e quando cheguei a Maylin senti-me em casa. Tudo daquele lado continuava intacto. E todas as vezes que eu paguei aquela ponte, eu paguei feliz sabendo, que aquele lado de mantem natural do jeito que se mantem por causa da ponte! E eu acabei afinal indo fazer o tal do tubing. E essa estoria fica para o proximo post. Para um dos muito posts que eu tenho que escrever sobre a asia.

The Elephant Ride


I am still in Pai. On Sunday I make my way south first to Chiang Mai, then Bangkok and on Tuesday to Cambodia. After lots of changing of mind I am after all going to Angkor. It seems crazy to be soo close to a place I so wanted to visit and not do it. Pai is still relaxing. Well, apart from today when Maya, my Israeli friend, finally managed to convince me to go on an elephant ride. I did not want to go for numerous reasons, but she wanted so much that I gave into it. So Mickey, a 22 year old Israeli boy, Maya and I rode towards the elephant “farms”. I disliked seeing the elephants tied by chains, did not feel like going, and when someone tried to explain me that riding tourists is nicer than “carrying wood” I was certain I should not do it. Elephants should just be in reservations I think. But Maya could not go alone, so we agreed to go. Neither Mickey or I were really into the elephant tourist trap experience, but Maya not only convinced us but managed to make us get the full experience ” riding through the jungle and bathing in the river!”

We were given a guide that spoke not a single word of English, and led to to climb a platform from which we could get onto the elephant. The nice guide, carried a tool that had something like a hook made of iron to make sure the elephant obeyed him… As soon as we sat on the elephant we cracked up. I have ridden horses and camels, so I was prepared for the moving of the elephants. We did not have a proper seat like you usually see in films, but a blanket. I always sat on the back but Maya and Mickey alternated between middle and head. As soon as we entered the “jungle” the ride became increasingly scaring. I could not breathe so much I laughed. Our guide seemed to enjoy a lot the fact that I could not breathe from laughter. So he chose the most dangerous paths. Over trunks of trees, and land slides, and rocks, and narrow paths and so on. And as he could not speak English we could not explain him that a “reitred florida old couple” ride would be preferable. By the time we were getting close to the river I was convinced I did not want to go into it. So when I saw a big tree I literally jumped from the elephant into the tree and abandoned the ride. I stood in the perfect place to take pictures and and watch Maya and Mickey in total despair. Had I laughed any harder I would have fallen out of the tree.

The elephant did not seem to want to bathe. The guide did not seem to understand that Mickey and Maya did not mind. So he hit the elephant into the laying down. The elephant did not move. Then he lifted his tail and defecated. Still being pulled down he collapsed entirely immersing his head under water. All I could see was M and M scared, and Maya saying ” I think the elephant died!” But then the elephant moved up and collapsed to one side dropping Maya out of his back into his shit. I could not breathe so much I laughed. The confusion was immense. The elephant collapsing, the guide not understanding English, M and M already done with the bathing experience, the guide making the elephant throw water with his trunk over the two of them. I watched from the tree quite relieved I had not joined them.

A Beira Do Mekong!

A Beira Do Mekong!

Do lado de la eu vejo o laos e eu estou aqui numa charmosa guesthouse (Mut Mee Guesthouse) debaixo de uma casinha de sape. Acho que eu adoro beiras de rios, pois a minha memoria mais prazerosa da India era o resturante nepales a beira do Ganges onde todos os dias eu encontrava a Nathalie. Depois de uma semana de calor, voluntariando, banhos frios de balde etc e tal… estar numa guesthouse silenciosa ouvindo o barulhinho de garoa eh indescritivel.

Eu ainda nao estou aqui de vez, e nem para cruzar o rio para o Laos. Estou aqui de passagem para relembrar como eh bom ser turista 🙂 Eu to brincando. Na verdade viemos ate Non Khai pois o Hans ( o dinamarques amigo da Horn) tem que sair do pais para renovar o visto, e eu como nao posso gastar minhas saidas e entradas ( so posso voltar a tailandia nos proprios 90 dias mais 2 vezes), fiquei aqui esperando.

O nosso Tour ate agora esta verdadeiramente caotico. Estivemos em Udon Thani (uma cidade nao muito interessante toda de concreto) pois a Horn tinha que ir a uma conferencia. Fomos ate la so para ela mostrar que nao podia ficar 🙂 Pois eh vai entender as coisas na Tailandia. O futuro do tour eh tao incerto como o comeco.

No vilarejo

Como eu tenho mandado e-mails aos meus amigos contando das noticias do lado de ca e eu nao tenho tanto tempo na internet como eu gostaria ( pois eh uma pessoa viciada eh assim) resolvi postar meus e-mails no meu blog em ingles.

Ja estou no meu pequeno vilarejo rural, um vilarejo de apenas umas 100 casa. Da minha nao se ve nenhuma. ve se muito verde, plantacoes de arroz, um jardim bonito, cabanas de palha, flores e frutas. Minha hostess, Horn, eh uma tailandesa de 48 anos, muito animada, professora na minuscula escola onde eu voluntario. Assim que ela me pegou no primeiro dia me abracou dizendo que eu podia chama-la de Thai Mama. Ele eh verdadeiramente uma mulher excepcional, completamente apaixonada por dar aulas, pelos alunos, me contou que eh tuma escritora e esta escrevendo livros didaticos, e poesia tailandesa.

Para mim que sempre vivi em cidade tem sido uma mudanca e tanto, banho de balde e agua fria, insetos de toda a variedade, comida diferente, e muito calor. O que faz tudo valer a pena sao as pessoas. Que sao sempre de uma amiabilidade\, generosidade, e ternura tamanha.

A escola so tem 50 alunos, de 4 a 12 anos. Ha quatro classes, com duas series por clases. Eh tudo muito informal, e as cirancas parecem muito alegres. De manha todos ficam no patio ouvindo os avisos, e num certo momento se viram para o Budha com uma mao em cima da outra numa pequena meditacao em agradecimento aos que os ajudam. Depois saem correndo para suas classes com aquelas vassouras de “bruxa” para limpa-las. Todo mundo entra na sala sem sapato, e apesar da simplicidade da escola eh tudo super limpo!

Essas criancas sao pobres, de zona rural, normalmente moram com os avos, pois os pais ou partiram, ou morreram, ou trabalham em alguma cidade grande. E elas sao tao alegres. Rindo, cantando, pulando elastico, tentando conversar comigo. As menores, pois as maiores tem mais vergonha. Como elas nao falam quase nada de ingles e eu nada de tai as nossas conversas sao assim de sorrisos e apontando coisas.

Como houve uma competicao de discursos em ingles na provincia ontem , eu acabei passando muito tempo com duas menininhas: Tangmo, e Tangnoi. O que mais me espantou foi ver nao so a persistencia, a paciencia, mas alegria delas. Enquanto passamos o dia juntas praticamente so esperando o tal momento, eu pude observa-las. Tao generosas, tudo que comiam me ofereciam, dividiam. Eu tecnicamente estava com elas, mas sem duvidas elas tomaram bem mais conta de mim do que eu delas.

Meu livrinho de frases em tai eh motivo de muita risada. Elas nunca entendem o que eu quero dizer. Mas Tangmo eh tao inteligente que ela sempre consegue descobrir num dicionario, ou de alguma forma a maneira de me explicar.

Para a total alegria da Horn, do diretor e minha, Tangmo ficou em segundo na competicao! A nossa escola e tao pequena que nao esta nem no Ranking! A primeira colocada veio da melhor escola da regiao, por isso o segundo lugar para Tangmo uma menininha linda e pobre de uma escola minuscula foi motivo de grande celebrcao.Horn na sua enorme generosidade me colocou como professora delas, e por isso eu ganhei um certificado em Tai. Claro que ela ter ficado em segundo lugar nao tem nada a ver comigo,muito mais com a propria tangno que eh muito inteligente e caitvante e a Horn. Eu alias tinha achado essa estoria de competicao de discursos uma loucura. Deixar as criancas estressadas etc… nao sei como eh no resto da tailandia, a Horn, nao fez pressao nenhuma, tudo muito informal, tudo meio relax. Na verdade nem a vitoria da Tangno, nem a nao vitoria da Tangnoi foram muito comentadas. Quando eu perguntei a HOrn se a Tangnoi nao tinha ficado triste ela me respondeu ” Nao ela sabe que tinha muitos canditatos, e que outros foram melhor.” Nao que eu nao ache que a Tang Noi nao tenha ficado um pouquinho triste, mas a casualidade como a Horn pois as coisas que me deixou mais aliviada.

Da viagem

A viagem foi super tranquila. Parei pela terceira vez na minha vida no aeroporto de Abu Dhabi. O aeroporto estava completamente diferente de quando eu la estive nao faz nem sequer um ano. Passeei pelo aeroporto e tive a sorte de presenciar um momento surreal. Um banheiro lotado de mulheres mais velhas muculmanas se lavando para rezar. Todas estavam vestidas de um vesitdo florido azul, com uma etiqueta onde eu pude ler que eram da indonesia, e eram absolutamente devotas. Eu fiquei ali parada completamente perplexa. Ao meu lado uma mulher ocidental mal-humorada resmungava o tempo todo.O aeroporto eh um lugar surreal, voce passa por pessoas de burqa, niqab, djelaba, veus todos coloridos e bordados, todos negros, saudi com aqueles panos quadriculados. Sala da reza, o bar( ?), a boots, burger king, e ate mesmo um radar tipo raio x que mostra as pessoas por dentro, funcionarios de mascara, uma guarda que parecia a guarda iraquiana do Lost. At’e um cara pareciddismo com o Sayid que me greeted dizendo ” Hello Love”.

Bangkok esta quientissimo. Sao 6 horas de diferenca para londres, e eu totalmente jet lagged capotei essa tarde. Depois sai para dar uma pequena volta. Queria ir num mercado para comprar roupas apropriadaspara voluntariar mas o transito era tal que resolvi ir no mercado Kao Sun que eh perto de onde estou. De volta ao meu ja encontrado lugar favorito para comer conheci algumas pessoas. Dentre elas Phillipe um suisso que esta viajando a un ano e meio e ainda viaja ate marco que vem. O cara ja esteve em tudo que eh lugar e tambem ja fez vipassana. Mostrou me basicamente tudo que eu precisava saber e ainda me apresentou a outros desses turistas mais locais. O turista local eh para mim gente que nem a Nathalie que viaja tanto, e por tantos lugares que eles vivem se reencontrando pelo mundo como se fosse a coisa mais natural. Ha tambem os turistas bem jovens que estao claramente no gap year e vem para a Tailandia um pais bem facil de vaijar para beber todas. Esse segundo tipo de turista mostra claramente como eu estou ficando velha 🙂

Ja vi uns mongezinhos laranjas na rua. Os Terevadhas que sao bem diferentes dos Tibetanos que eu conheci na India. Alias Eu recebi um sms to Lama Lobsang me mandando o email dele para eu mante-lo a par da minha viagem 🙂 Esses textos de agora serao assim corridos e com ainda mais erros do que eh de costume ja que o relogiozinho vai ticando enquanto eu escrevo. E os textos serao um pouco repetitivos pois eu tambem estou mandando e-mails em ingles. Acho que vou postar meus e-mails no meu blog em Ingles, quem quiser pode ir la ver. http://www.translatingthoughts.wordpress.com