Pensamentos Ciganos

Ontem a noite fui ao Goodenough College para assistir a London Gypsy Orchestra. Eu ja perdi a conta de quantas vezes eu fui ao Goodenough. Ja fui para visitar amigos morando la, para ouvir musica, palestras, churascos, pique niques, e para é claro as eternas despedidas. Portanto entrar la ontem na sala que a Sabrina se apresentou tantas vezes sem encontra-la, ou encontrar nenhum dos meus usuais amigos foi extremamente nostalgico. É sempre estranho andar por corredores que ja abrigaram tantas pessoas, que ja ouviram tantos murmurios de segredos, fofocas, ou incriveis “post graduate” insights 🙂

A orquestra era incrivel, daquele jeito que so orquestra cigana, ou klezmer, leste europeu consegue ser. Extremamente alegre e extremamente triste ao mesmo tempo. Com melodias que parecem cortar como faca enquanto te fazem dancar. Eles tocaram uma musica do Kusturica e essa musica ainda acordou em mim mais memorias. E é incrivel como o cerebro vai ligando as cores, aos sons, as memorias, numa ordem quase impossivel de ser retracada mas que flui naturalmente como se nenhuma outra linha de leve pensamento fosse plausivel.

E eu sentei la ouvindo os violinos, e as cantoras, os instrumentos de sopro viajando pela Turquia, Romenia, Hungria e a musica que la ouvi, olhando a sala onde a Sabrina tocou, vendo ao meu lado o Chris que eu conheco da LSE que nao faz parte de nenhum dos meus mundos ali ligados. Faz parte do mundo da LSE e mesmo totalmente fora de lugar, foi gracas a ele que eu fui assistir essa orquestra. Quando fui ao banheiro e andei pelo corredor lembrando que esse era o caminho que eu fazia para visitar a Marisa dei de cara com uma menina que saia do banheiro chorando. Hesitei por um segunto se devia perguntar a ela se ela estava bem. Esse segundo durou o suficiente para ela sair e eu entrar. No chao do banheiro estava um teste de gravidez. Positivo. Com as duas listras. Jogado ali por alguem que obviamente estava abalada demais para pensar em qualquer outra coisa. E um estranho pensamento passou pela minha mente. Eu, que nem conheco aquela moca, fui a primeira a saber de uma noticia assim tao importante. Porque o mundo eh assim meio ao acaso, as pessoas vao se encontrando, se conectando, e as memorias vao se formando fluidamente. Talvez a unica coisa que eu me lembre dessa noite seja esse evento, talvez eu me lembre da flautista mal-humorada. O caminho que tomarao meus futuros devaneios hao de ser, eu imagino, nomades e itinerantes como a musica da orquestra.

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