A Minha Casa Na Asia

Durante o meu tempo no Sudeste Asiatio, Nong Khai, como eu ja disse antes se tornou a minha casa. Por isso que depois de cruzar o rio Mekong para chegar ao Laos, atravessar Laos, voltar de barco para o outro lado da Tailandia, visitar o noroeste tailandes descer para Bangkok, Voar para Phnon Penh, visitar as ruinas de Angkor, correr entre Bali , Malasia,, Phuket, Ko Phi Phi, Ko Phan Gan.. eu finalmente completei meu circulo voltando a Nong Khai. Cheguei la acabada. Fisica e emocionalmente. É coisa demais em tempo de menos.

E eu voltei para la desesperada. Nao passei nem se quer um dia em Bangkok. Eu cheguei a BKK de Ko Phang Gan, ilha no sul, e na mesma noite peguei um onibus por 12 horas para chegar a NK. Com o desespero daqueles dos que precisam chegar em casa. Na maior parte da minha viagem eu tomei bastante tempo nos lugares. Mas da cambodia, Indonesia, Malasia, e ilhas tailandesas eu corri, meio como o Gauguin procurando sempre aquele lugar mais “certo”. E aquele lugar para mim de repente ficou claro era Nong Khai.

Peguei um daqueles onibus turisticos que saem de Khao San Road ( A rua de back packers de Bangkok. Kao quer dizer arroz, entao no passado era a rua onde vendia-se arroz) e levam os jovens ocidentais diretamente a Vang Vieng ou ate mesmo a Luang Prabang no Laos. Esses onibus tuisticos sao menos confortaveis que os OTIMOS onibus publicos tailandeses. No entanto, sao convenientes pois saem da rua onde as guesthouse ficam, sem vc ter que se deslocar ate o terminal Mochit, e portanto ou passar horas discutindo com um Taxi ( que eh sempre mais barato do que um Tuk Tuk em Bangkok), ou acabar pagando mais dinheiro entre passagem de onibus publico e taxi, do que os “um pouco mais caros” onibus de turistas.

Nong Khai fica no caminho, na fronteira entre Tailandia e Laos. Eu comprei minha passagem para ir a NK que era um pouco mais barata do que a passagem para Vientiane, e muito mais do que a Vang Vieng. Eu fui a unica no onibus inteiro que queria parar em NK. A viagem ate NK leva umas 12 horas, ate Vientiane do outro lado da fronteira umas 13, e ate VV umas 16. O motorista surpreso me disse na entrada “se voce quiser pode ir direto ate o Laos nao tem problema”. Eu expliquei que nao era um engano eu queria parar em Nong Khai. Ele nao compreendeu assim como os tailandeses nao compreendem quando voce diz “sem pimenta.” Eles entendem a frase mas imagino que achem que vc ta fora do seu perfeito juizo entao colocam um pouquinho. O motorista tbm colocou um pouquinho de pimenta e portanto as 5 da manha, eu acordei num posto no meio da estrada. Desci para perguntar onde estavamos. Ele me explicou que era para descermos e preenchermos os papeis para cruzar para o Laos. Eu expliquei que eu ficava em NK. Ele ainda meio chocado abriu o compartimento para eu pegar minha mala “are you sure, you dont have to pay extra i ll take you to laos”. Eu estava “sure” peguei um tuk tuk, ja me preparando para ter que brigar por um preco certo, mas em NK o tuk tuk me deu o preco certo, carregou minha mal, e ainda me protegeu do temporal. De fato eu estava em casa.

Era cedo, umas 6 da manha. Eu sabia que a recepcao da Mut Mee nao estaria aberta. Chovia cantaros. E eu estava feliz. Entrei no meu jardim preferido de mala e cuia. Coloquei tudo no chao, no mesmo lugar que tinha colocado inumeras vezes antes, e sentei nas mesas debaixo de bungalows de palha. Sentei e lembrei da Liz Gilbert contando de como ela tinha chegado ao Ashram na India no meio da noite ( no livro eat, pray and love), que tinha se sentido como uma galinha que eh colocada ali no meio da noite, para que as outras galinhas ao acordarem nao percebam que a nova nunca tinha estado la. Eu sentei, ouvindo a tempestade, mas minha espera durou pouco, nao mais de 1 minuto. A Pao, dona da Mut Mee, estava na cozinha, e ao me ver sorriu e disse “Welcome Back! Ta muito frio ai fora, voce sabe que quarto voce quer? eu te coloco no quarto e depois vc faz o check in mais tarde” Entao eu escolhi o meu quarto favorito afinal depois de check in and out 6 vezes da ultima vez, eu conhecia muito. E fui dormir o que eu esperava ser o sono dos justos. A ansiedade nao meu deixou dormir e as 7 eu estava desesperada para descer e ver meus amigos.

As sete da manha, o Simion, que trabalhava na recepcao estava chegando mal-humorado, mas ao meu ver o mal humor virou um grande sorriso e um abraco. E entao apareceu a Poon, a massagista, que veio me abracar e carregar! E entao o Julian, marido da Pao e dono da Mut Mee, e pouco a pouco fui encontrando cada pessoa querida que eu tinha conhecido ha mais de um mes atras. Um mes que eu tinha feito tanta coisa.

Eu tinha queimado minha perna numa moto, e portanto estava com uma bandagem. Uma tosse daquelas de tuberculoso que nao para nunca. Mais magra, mais suja, mais queimada, mais cansada. Nao que eu tivesse percebido imediatamente tudo isso. Foram as perguntas que foram me dando essa ideia. “Are you eating well? ” “What happened to your leg?” “How long have you been coughing like that?” E quando eu finalmente encontrei o professor de meditacao. Ele olhou para mim e disse
“We can tell how long a person has been travelling from by how worn out they look.” Eu comecei a rir. “Is it that bad?”. “Julieta voce precisa se cuidar. Isso tudo desgasta muito o corpo, a mente. Voce precisa descansar.” Sim eu estava de volta em casa, tinha cruzado todo o sudeste asiatico para voltar onde minha viagem tinha comecado. Tinha voltado para ficar doente em casa, onde eu podia contar com os cuidados daqueles que na Asia se tornaram a minha familia.

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