Da primeira visita a Vang Vieng- Laos


Eu acabei indo ao Laos duas vezes. E acabei como todos me encantando com o Laos. A primeira vez eu confesso que detestei. Cheguei la depois de ter vindo de Isan, o nordeste pobre da Tailandia, onde eu tinha passado tempo voluntariando no meu pequeno vilarejo rural. De la fui parar na beira do Mekong, em Nong Khai, lugar que se tornou minha casa na Asia, para onde eu voltava todas as vezes que eu tava para desabar 🙂 E na beira do Mekong, de um lugar tranquilissimo, eu enrolei, enrolei, enrolei para cruzar para o Laos. Do Gaia, o bar barco eu olhava para o Laos do outro lado com antecipacao, mas alguma coisa me prendia ali naquela pequena cidadezinha. Depois de 3 meses eu descobriria que eram as pessoas, a calma daquele lugar. Mas ainda nao sabendo eu antecipava todas as noites a minha partida, e todas as manhas eu desistia, por uma ou outra razao, abandonando companheiro atras de companheiro de viagem. Foram mais ou menos 12 dias que eu fiz isso. E quando eu finalmente resolvi partir, eu acordei bem cedo, antes que eu encontrasse qualquer pessoa conhecida e fui para fronteira para encontrar os italianos. Os italianos com quem eu nada tinha combinado, apenas ouvido eles combinarem que se encontrariam as 9 da manha na fronteira.

Os italianos eram: Lucca, uma magico profissional, Michaela e Elisa, bellissimas mae e filha viajando juntas. Tinham conhecido o expansivo Lucca na viagem, e se juntado a ele para cruzar a Asia. Na noite anterior, eu toquei violao no Gaia, e o Lucca fez um show de magica que misturava NLP e nos deixou a todos perplexos. Acabamos ficando no barco ate quase de manha. Na manha seguinte, portanto, no horario combinado Lucca como bom magico desapareceu. Como ele nao estava la horario combinado juntei me as belas italianas fluentes em portugues e juntas cruzamos a fronteira. Rimos muito, de quase tudo que encontramos pelo caminho pois Michaela era assim leve e engracada.

Pegamos uma pequena van para ir direto a Vang Vieng. 4 horas de viagem por tortuosas estradas. Campos verdes, arrozais, montanhas, pequenas casas de madeira, e quase nada. Dentro da Van muitos ocidentais meio mal-humorados. O tipo de ocidental que vai para Vang Vieng fazer o tal do Tubing. O tipo de ocidental que nao ta muito interessado no Laos. Nos rimos, de quase tudo, e principalmente de todo esse mal humor.

La chegando nos separamos. EU queria ficar na Maylin guesthouse. Guesthouse recomendada a mim por varias pessoas, e pelo Lonely Planet. As italianas nao queriam andar de mala e cuia. Entao la fui eu sozinha, rejeitando todas as opcoes que me eram oferecidas pelo caminho. E para chegar ate a Maylin cruzei a ponte privada pela primeira vez. A ponte que custava 4000 kip (£0.30) para indignacao de quase todos. Andei pelas ruas toda cheia de pedra e lama, e logo percebi que aquela ponte mantinha o outro lado intacto, totalmente diferente do lado onde eu tinha chegado. Continuei caminhando ate chegar a Maylin.

O dono, Joe, um Irlandes sarcastico, mal humorado, e rabugento estava tirando meio que sarro dos hospedes. Eu sentei, sem nem saber que ele era o dono e pedi alguma coisa para comer. Eventualmente o rapaz ao lado dele comecou a conversar comigo. Saxon. Um australiano que trabalha como poilicy advisor para o governo da australia. Ficamos amigos quase que imediatamente. Joe disse algumas coisas rudes, mas depois de eu solenemente ignorar a grosseria e ser sarcastica de volta ele virou meu amigo. E ficou por muito tempo na minha mente como a minha melhor memoria de Vang Vieng.

De noite, com Saxon cruzei para o outro lado da ponte para conhecer melhor a “cidade” de Vang Vieng. La chegando fiquei horrorizada. Um bar atras do outro de musica altissima. Ingleses, e australianos e outros ocidentais e israelenses jovens completamente bebados. Todos os bares passavam family guy ou friends. Ao mesmo tempo tocavam musica e a cacofonia era realmente insuportavel. Andei meio que em choque pelas ruas de Vang Vieng. Eu que tinha vindo do meu pequeno vilarejo, eu que tinha vindo do Gaia em Nong Khai nao conseguia acreditar no que tinha acontecido com aquele lugar em tao pouco tempo. Saxon a melhor coisa que tinha me acontecido em VV partia na manha seguinte.

Encontramos Lucca o magico e as italianas sentados num dos mil restaurantes iguais. Ja que era impossivel conversar pedi ao Lucca que fizesse magica ao menino Lao. O garcom que estava ali nos servindo. Lucca nao hesitou e em 3 segundos ja tinha cativado o menino. Eu sentei e olhei. NO meio a todo aquele caos, musica dos bares, as televisoes ligadas, os bebados, os em bad trip, tudo que eu via eram os olhos do pequeno menino Lao completamente desconcertado, enfeiticado, pelas magicas e pela docura do Lucca.

No dia seguinte convenci Saxon a perder sua passagem e ficar comigo em VV. Desta vez desistimos de ir para o outro lado e resolvemos ao invés explorar as cavernas, as trilhas, e a lagoa azul. O tempo nao estava dos melhores. Mas conversamos tanto que os 7km de caminhada pareceram minutos. Passamos em meio aos arrozais, as criancas, os vilarejos, as pontes, as pessoas, e eventualmente chegamos ao lugar certo. Subimos a montanha que nos levaria a caverna e la dentro caminhamos ate encontrar o “reclining Buddha” e as outras muitas formacoes geologicas. Sujos de lama dos pes a cabeca voltamos de tardezinha para a Maylin no dia seguinte partimos. Parti de Vang Vieng sem fazer o tube, esperando por la nunca mais voltar.

Um mes depois voltei. Com minha mae. O tempo lindo. Nenhum nuvem no ceu. Nenhum vestígio da lama que tinha sujado tudo que eu tinha usado em VV. Cruzei a ponte mais uma vez, paguei mais uma vez os 4000 kip e quando cheguei a Maylin senti-me em casa. Tudo daquele lado continuava intacto. E todas as vezes que eu paguei aquela ponte, eu paguei feliz sabendo, que aquele lado de mantem natural do jeito que se mantem por causa da ponte! E eu acabei afinal indo fazer o tal do tubing. E essa estoria fica para o proximo post. Para um dos muito posts que eu tenho que escrever sobre a asia.

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