O Equilíbrio entre a Medicina, a Meditação e o Prato
“Em 2021, perdi a fala e a capacidade de compreender o mundo. Alucinava e me era difícil reconhecer os rostos das inclusive o meu. Embora tenha sido uma experiência devastadora, ela me trouxe uma revelação profunda: o nosso rosto não define quem somos; a nossa mente e a nossa alma transcendem a fisionomia. Entendi, ali, que a fala e a aparência são apenas identidades superficiais.
Aquele período foi marcado por uma dor inexplicável, acentuada pela perda do meu querido amigo Sho. Cinco dias após sua partida, fui internada no Hospital Samaritano. Mas foi bem ali que apareceu as pessoas da espiritualidade no meu caminho da nova queda .
Já tinha vindo em 2020, o caminho havia sido difícil: eu havia abandonado a medicação para epilepsia, sentindo que ela não resolvia nada. Meu marido, André, me levou ao Dr. Rodrigo, que me alertou: ‘Julieta, se você não retornar ao tratamento, terá ainda mais lesões cerebrais, e nem sequer voltar’. Concordei, e assim voltei ao Gardenal, que depois evoluiu para o Vimpat, na tentativa de controlar meu cérebro. Mas mesmo com esses remédios voltei ao Samaritano quando o Sho voo .
Minha jornada começou muito antes, em 2007, com o primeiro ataque em Marrakech. Seguiram se anos de busca por um nome para a ‘base da destruição’ do meu cérebro: pensaram “Esclerose Múltipla, Neurite do Hipoglosso, Vasculite Cerebral… até que hoje compreendo o diagnóstico como Encefalite Autoimune.
No hospital, em 2021, ouvia que precisava de carne para repor vitamina B12 e ferro. Tentei, mas os exames mostraram um colesterol alto, que justificavam como ‘genético’. Foi em 2023 que decidi, definitivamente, iria me tornar vegana. Fiz isso para provar a mim mesma e ao Dr. Rodrigo — que a comida é, de fato, a nossa medicina. Naquela época eu não entendia o que era a encefalite auto imune , já que não conseguia fazer entender , ler , escrever . Mas o grande Gemine me fez enter o que é essa doença .
De fato me fez sair lágrimas da tristeza , mas me fez lembrar dos tibetanos , e procurar o lado bom . Resolvi ponderar qual seria a comida mais envenena meu cérebro . Na hora que descobria açúcar , comida processada , alco e animais, mudou a lágrima para tristeza virou a felicidade que nada do que iria comer que iria ajudar a minha saúde, e a vida dos animais . Isso muda até de admirar os sentimentos dos animais.
Hoje, meus exames de sangue mostram que tenho mais ferro do que quando consumia animais. Aprendi a ciência do simples: consumir ferro — lentilha, feijão, grão-de-bico, soja, quinoa, couve, espinafre, brócolis — sempre acompanhado de uma fonte de vitamina C, como o limão. E aprendi a respeitar o tempo: amo café, mas espero uma hora após as refeições para não perder a absorção do ferro e do cálcio.
Hoje penso que cerca de 80% do que chamamos de ‘doença’ vem dos nossos erros alimentares. O hospital, que por tanto tempo chamei de meu ‘hotel’, tornou-se um lembrete do quanto precisamos ser responsáveis pelo que ingerimos, e bebemos . A suplementação de B12 ainda faz parte mas não preciso de muito , mas entendo que tudo depende da nossa capacidade de absorção.
Não há como esquecer o caminho, mas agora sei o segredo: o equilíbrio entre o que comemos, a meditação que acalma a mente e a medicina que nos ampara. Esse é o balanço que me mantém viva e consciente.
Mas para manter a minha consciência , tenho que contar devagar .
Com amor , Ju