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Sobre julietafalavina

Eu escrevo da minha vida, e agora sobre a minha recuperação da saúde .

Já me sentindo em casa em Mandelay.


Hoje é o sétimo dia 🙂 O meu plano era ver o palácio real. Era porque resolvo pelo menos dizer bom dia ao senhor Win.

Ando livremente e tenho anotado que é na rua 31 com a 84. E vou virando e virando e vendo uma loja atrás da outra de telefone, eletrônico, comida, roupa etc e tal.  Vou pedindo se posso tirar fotos das pessoas. Todas dizem sim. Mostro para elas depois.
Estou na Mandalay antiga. Para ser honesta não tirei fotos da parte nova. Fico encantada com a parte antiga, o trânsito maluco de motos, pessoas e ônibus. E a cada esquina me perguntam se quero um táxi. 

E eu sorrio, digo ” Minga Lá Bá”. Um bom dia, tarde noite. Faço gestos que gosto de caminhar. Eles sorriem e me perguntam para onde é que vou e se tenho destino digo e eles sempre me ensinam o caminho.

“Tchê Su Bê”

E não é que estou hesitando se vou primeiro  ao palácio ou ver seu Win e ouço “Julieta”

Estou passando perto deles e nem sabia. Fico radiante. É tão bom ser reconhecida. Então começa mais história. E eu desisto de ir no palácio porque senhor Win me explica que é bonito por fora, 10 dólares para entrar num espaço militar. 


Ele me explica que ele está de jejum no dia de hoje mas que os meninos  estavam me esperando chegar. Eu fico tão inundada de felicidade que abro meu post e traduzo o que eu escrevi e ele fica muito feliz e diz que de errado só o nome do irmão da Su Chi que se chama Au San U e não Au San Ku 😉

Os meninos vem me falar do Dunga, robaldinho, e eu digo que gosto do Messi. E ele mal entende inglês menos ainda eu torcer para a Argentina 🙂

Senhor Win me diz para lavar as mãos já que vou comer como eles. Sento e acho que vou ganhar todo peso que perdi doente e mais um pouco pelo tanto que gosto da comida.

Falamos de política. “A democracia é jovem aqui.” E ele vai me surpreendendo mais e mais quando fala que do lado do capitalismo parece para ele que só existe para os ricos, e o mundo financeiro. “A China não é perfeita , nem é os EUA mas pelo menos tem mais equilíbrio dois lados poderosos.

Eu também percebo que a Tailândia e a China seja lá por qual interesse permite que agora aqui todos possam saber do resto do mundo. 

” A democracia é jovem mas agora nos falamos mais e temos esperança.”

Senhor Win perdeu a mãe com 84 anos e no último ano morou com ela. Tão caro foi o tratamento que ele agora mora com os monges. 

Se oferece para me levar para ver os lugares bonitos. Sugiro maneira barata e ele consulta um menino que diz para irmos de ônibus. 

Concordo e pergunto quanto eu dou para ele ser meu guia. ” Nada.” Insisto a comida, o transporte faz dois dias que como aqui!!! 

“Julieta , ótimo. Você gosta do meu país, você fala com as pessoas. Quero que se lembre bem daqui. Vamos tomar sorvete hoje as 7?”

Concordo é claro. E amanhã embarcamos para o topo da montanha do lado e eu pago a comida para ele. Amparada por seu Win que sabe de um tudo e volto para esse hotel. 

“Senhor Win vamos e voltamos e no outro dia eu vou para Kalaw e Inle Lake. Quando voltar fazemos o que o senhor achar boa ideia.”

” Sorvete as 7 e agora você devia fazer uma siesta. Importante depois de comer.”

Chove torrencialmente e eu coloco meu guarda chuva e vou para a sorveteria mesmo assim. Chego 5 minutos antes. Se não tiver lá eu entendo.

Mas nem ele , nem eu temos medo de chuva. E ele me encontra só para beber água. Está de jejum hoje 🙂 E amanhã devemos estar com saúde perfeita.

Pergunta se preciso comer. Digo que não. Diz para eu trazer um casaco de chuva, um guarda chuva e me explica a rota. Conto a el a história do russo. Ele também leu Dostoyevski. 

Julieta amanhã eu vou te contar a minha história. 

Como eu gosto do Senhor Win!

Mandalay- Semhor Win e Lone Lone.


Obrigada pelos que me escreveram dizendo que estão lendo o meu nao parar de tentar contar. 
Hoje é dia 6 na Birmânia. Eu que sou dos números tenho que começar pelo inusitado fato de eu gostar do número 9 e 3. 3 que é 3x 3 ou 3+3+3 🙂

Então cheguei em Yangon no quarto 9 tirei foto e fiquei feliz. Em Bagan me colocaram no quarto 702. Que são 3 números que dão 3. E aqui em Mandalay me colocaram 102. O 3 🙂

Bobo né? Mas para mim é mágico assim como todo encontro que tenho. Hoje era o dia de encontra com minha amiga da sorveteria que é escrito por ela Lome Lome. Já tinha me adicionado. E já marcamos  para as 5.

Eu acordo e saio andando sem rota. Olhando as coisas que o André ia gostar de ver. Falando com tantas pessoas. Sou eu , né?

Vejo pessoas sentadas na rua e comendo. Pergunto se posso tirar uma foto. Não só posso como também sou convidada para comer a comida local.

Não hesito, me sento no chão e descarto a colher quando vejo que eles comem com a mão. Senhor Min me diz que é apimentado. Fala inglês perfeito. É professor. E eu digo que amo Pimenta. 

Acho que faz anos que não como uma comida que me dá tanto prazer. Peixe, molhos, arroz, temperos, e eu como de um tudo. No princípio por educação, normalmente não gosto de arroz, depois da primeira colherada vejo que tem gosto de Ásia .Abandono a colher e como como eles, ou seja com a mão . E repito 4 vezes!!!! 

Eles se impressionam que eu como as 3 pimentas puras.
Quando conto que sou Brasileira os meninos se encantam e trazem a revista do futebol 🙂

Senhor Min me dá uma aula. Para quem não sabe da Birmânia vamos lá, eu anotei oque ele me disse:

Esse país se chamou Burma, Birmânia até 1988 e então com a revolução da Junta vira Myanmar. Tem 14 estados e divisões. Tem mais de 100 grupos culturais.

 
 
Antes disso foi colonizado pelo Reino Unido e em 1948 eles ganham a independência do Reino Unido.

Em 1947 o General Aung San é morto com apenas 32 anos e deixa dois filhos.

Aung San Su Ch e Aung San Koo.

De acordo com o que me diziam o filho era a favor da Junta. De acordo com senhor Min ele mora nos EUA e não se interessa com a política daqui. 

Com a revolução de 88 a Su Chi que estudou em Oxford volta para Birmânia e fica 6 anos em prisão doméstica.

Em 2011 teve eleições que senhor Min também acha que não foi realmente real dando poder por “votos” a Junta.

Senhor Min me contou que tem eleição em 2020 e que ele tenta manter esperança.  Acredita des-acreditando.

Me explica que o nome Aung San ( família pai), Su ( mãe) Chi ( avó).
Falamos de muitas coisas e ele me convida para mostrar um lugar esta noite. E eu não posso aceitar porque já tenho hora marcada para as 5 🙂

Fica para outro dia e eu volto a pé correndo para não perder o meu horário.

As 5 Lone Lone está aqui na sua moto 🙂 Ela me leva para conhecer a cidade toda de moto e conhecer o shopping. Me leva para uma lanchonete moderna e eu tento rapidamente pagar… Em vão!

 Insisto para que me deixe levá-la para comer amanhã. Ela concorda. Vamos ver se dá certo.

Passeamos no shopping moderno. E ainda que eu não goste de shopping fico encantada com os Tamei feito à mão. Não tem jeito vou vendo tantos que experimento mais e compro. 

Lome Lome tem vida mega ativa. Aula de inglês 7 às 8 da manhã diariamente. Sua família tem loja de roupas de monges onde trabalha de manhã.

A tarde ela é corretora. Passamos por várias casas e ela tira uma mala de dinheiro para pagar o chefe. Não entendo muito bem. Só sei que ela está feliz de me ver e eu de conhecê-la. 

Ela tem 38 e não é casada e nem nunca teve namorado. É muito ativa , divertida e passamos um dia de gargalhadas tentando nos entender.

Ela tira uma foto da gente comendo e já coloca no facebook e o senhor Win também. E eu também. A cada segundo vou gostando mais desse país.
Até hoje Su Chi, ou Su Ki é a esperança de todos que conheci. Até achei que as pessoas falaram comigo livremente e não como teriam me dito que seria.

Minha avó me liga aqui no meio da madrugada e eu não paro de pensar que a internet faz coisas incríveis. Minha avó aos 91 consegue sozinha me ligar do Brasil falar comigo na Birmânia, meus pais falam pelo WhatsApp da Sardenha , o André do Peru e Lone Lone do outro lado da cidade marca um encontro e eu acabo de voltar vendo que ela já me tagged no Facebook.

 
Os que pensam da inutilidade dos breves encontros que fiquem com isso. Eu fico na profundidade da alegria e gratidão do agora. O templo muçulmano me faz lembrar nos meus amigos palestinos, marroquinos, turcos. E senhor Win me faz pensar na aceitação e na impermanência de tudo. Pronto tenho que ver os dois de novo. E estou ótima aqui. 

Mandalay, a Internet e o caminho da evolução.

Acordo as 4. Tinham me dito que o ônibus saia as 5. Arrumo tudo e vou lá fora mas não tem nenhum funcionário. Deixo a chave na mesa e a conta por sorte já paguei.
Quando é 15 para as 5 eu saio do hotel. O senhor que aluga motos está lá. Ele não fala muito inglês e eu nada da linha local. Ou quase nada . Ele pega o telefone e liga e me diz para esperar. 
Terra do mistério completo. Eu lembro que tinha comprado uma lata de batata frita lá na estrada de Yangon. Já que não vou tomar café como uma. Aparece um outro senhor da Birmânia . Tampouco é o meu táxi para me levar à rodoviária. Ofereço batata para os dois. Eles dizem não e eu insisto e tiro umas da lata e ofereço.

Eles aceitam e eu me pergunto se aceitaram por educação. Comem rápido e eu ofereço mais e não é que eles pegam a lata e tiram mais algumas. Eu fico encantada pelo tanto que vai se percebendo sem usar língua.

Devem dizer não porque é batata cara da marca americana. Dizem por respeito. E ele liga pela segunda vez ao suposto taxi. E chega uma vã aberta. Eu fico super feliz. Um dia lindo está começando. Dou o resto da lata para ele. Me dizem para ter uma boa viagem.

Venho na tal meio aberta Van. O rapaz me leva e quando vou pagar me diz que não precisa. Insisto. Tenho dúvidas e ele diz que não precisa. Será que eu já paguei? O onibus é simples. Ainda assim me dão garrafa de água. Ônibus que parece local. Vai pegando gente nas ruas deixando no próximo vilarejo. 

Do meu lado senta uma menina e então eu fico com uma certeza Huawei, telefone chinês, é possível a todos. Ela não fala inglês e entende que quero tirar foto e diz sim. Ela também entra no seu facebook. Aliás todo mundo nesse super simples ônibus está no Cel .

Param numa barraca e entram e a honestidade que encontro aqui me emociona. Como na Tailândia vem pedaços de manga num saquinho e noutro sal é uma forma de pimenta. A moça me diz 300 kyiat. Diz que são dois sacos e eu quero um e entendo que ela quer 600. Digo só um. Como e quando acabo e ainda estamos parados eu resolvo que queria mais.

Saio quando vou comprar mais uma escolho outra menina. A primeira insiste para eu comprar dela. Ou melhor eu acho. A segunda diz 200 um saco. 300 dois sacos. Eu pego um. Só então entendo que seu desespero é porque já paguei 300. Tenho direito do segundo dela. Eu já tinha dito não achando que era só interesse. Percebo-me tão mais falha. E eles sempre tão honestos. Fico desesperada que brasileiros não venham e se aproveitem disso. Por agora sabem só de poucos e ronaldinho.

Escolho um hotel barato e aparece um taxista. Ele me diz que é moto. Parece tão boa pessoa que digo sim. Coloco mochila nas costas e pergunto se aqui pode ter moto. 
“Sim , em Yangon não “.

Segundos na moto e vejo famílias numa pequena moto. Como me lembro é na Tailândia. Chego no hotel e durmo e penso. Acho que já vi muito. Volto para Tailândia. Queria que o André tivesse aqui. Durmo e saio para andar.

Era umas 8 da noite. Todo mundo fala comigo. E meu pior me visita. Querem me vender algo. Querem sei lá o que. Então sou abordada por um ocidental. Eu vejo um lugar de sorvete e digo que vou lá.

Ele vem junto. Rosto de mais velho. Cara do autor do livro que saiu da prisão e fugiu para India. Senta comigo. E eu falo. Ele observa e eventualmente me conta que é Russo. Pergunto se ele mora lá ? Ele me diz que as vezes lá, às vezes na Tailândia.

Tem um rosto desgastado. E eu conto para ele que saí do hospital faz 3 semanas. E ele me conta que faz um tempo que teve um acidente. Não quer explicar. Diz que das coisas horríveis vem coisas boas. Ele na Tailândia, no hospital conheceu sua nova família nesse mundo. 

Na minha mente tenho quase certeza que ele é possível traficante de drogas ou mulheres. Não me abalo. Pergunto a ele do meu livro favorito, os irmãos Karamazov. E ele me diz que tem pessoas que não gostam. Ele leu.

Conto da parte do livro de quando Dimitri diz a Alyosha que no caminho da evolução só quem passou por ódio , medo, dor etc está à frente. Conto de dona Fátima e fico verdadeiramente emocionada. Pergunto seu nome. E é Alexei.

“So you are Alyosha” ( Alyosha é um dos apelidos de Alexei 

Para quem não leu, Alyosha é o irmão quase santo. Então esse estranho Russso, que não parece nada com os meus amigos Russos que conheço na sua inteira integridade, pede a conta. Pede desculpa e diz que está se sentindo mal. Paga seu sorvete a mais e quando volta o troco ele desapareceu.

O garçom Daqui fica desesperado. Eu digo que pode ficar para ele. Ainda mais desesperado. Pego na minha mão. Olho para o menino e dou para ele. Ele se intriga, sorri e aceita.

Fico sozinha e aquele sentimento já vi demais se desmancha. Sempre se pode ver mais e da próxima vez o André vem junto. 
Uma menina me olha e eu digo boa noite. Ela fala um pouco de inglês. Senta comigo. Sua mãe aparece. 

Peço conselhos e nas nossas micro palavras ela escreve tudo num papel. Pergunto se tem facebook e fica super feliz. Somos amigas de face agora. Digo para ela pegar meu contato pois não é sempre fácil achar alguém. Ainda não achei a Daiene. Apenas encontrei a Elena porque tinha seu e-mail.
Ontem conheci duas irmãs de 20 e 24, Valeria e Luciana. Pai argentino e mãe Brasileira. Falamos e nos deliciamos em Bagan. Uma fotógrafa e uma estilista. Encontramos os engenheiros e eu posso até ler meu post para eles 🙂 não devem ter ficado felizes.

Concordamos que língua não é fundamental. É fundamental para conversas filosóficas, e não comum a tantos. 

Um birmanês se apresenta e diz que é cristão e eu digo que sou budista. Vejo muitos muçulmanos da Birmânia hoje aqui em Mandalay. Nas pouquíssimas palavras Song da sorveteria já me adicionou… 

Minha amiga Michal me diz que tudo está diferente. Nos vínhamos em 2012 e ela cruzou a Ásia para me ajudar de pé quebrado. Quando ela veio não tinha internet. Seu irmão veio e tem. Ela estava decepcionada, eu acho.

Penso muito nisso. E hoje tenho certeza que o tempo deve avançar para todos. A saudade dos hábitos antigos podem sim voltar para umas férias pequenas. Para o estilo de vida alguns poucos.

Na internet está a capacidade de nos inundarmos de informação e des-informaçao. Hoje sei que pessoas pobres têm seus telefones com internet. Sei que acorda desejos de compra que não é bom. 

Ainda assim acho que é no mínimo justo que as opções sejam para todos. As informações para todos. Ainda seja muito mais fácil para alguns.

A internet é espaço de tudo. Abandono os pensamentos antigos antropológicos daqueles que querem tudo como no passado mas viajam como eu, tirando fotos, telefones. Todos esses usam computadores, câmeras, telefones e internet.

Nada tem que ficar estagnado para a admiração dos poucos que podem. Em qualquer sociedade tem conflitos dentro dela.

Acho que Alexei ficou tocado por eu  pensar em Alyosha. Livro que ele conhece tão bem. E eu não fiquei nenhum pouco preocupada com seu passado. Eu penso sempre no presente. E que presente. E concordo com o Dostoyevski e com o Alexei às vezes precisamos perder muito para dar valor a coisa mais importante que existe… Para mim é a nossa humanidade, seja lã em que passo dela você esteja. 

Todos têm que poder pelo menos tentar entrar na estrada de evolução. 
Sem duvida a Internet, os Chineses aqui, eu e os outros podemos estar despertando na sociedade da Birmânia corrupção, falhas etc e tal. 

Ainda assim um pai que protege muito um filho o deixa dependente. Ninguém é pai filosófico de outra sociedade. 

Todos somos falhos. Num caminho de pensamento livre podemos cair profundamente. Já caí muito e levantei mais forte.  A cada dia me percebendo mais falha mas sem carregar culpa e sim consciência de que cada ato tem consequência. E eu me sinto muito grata pela minha vida. Por todas as pessoas que troquei palavras, olhares, abraços.  

Da Beleza da Humanidade de alguns.


Chegouei a Bagan ontem a tarde e aproveitei a piscina. Depois jantei com três engenheiros. Um americano, um alemão e um búlgaro. 

Passamos horas debatendo o Tesler e eles sempre eram de uma visão a vida de cada um é insignificante. Reconhecendo seus privilégios por documentos e cor. 

E eu reconhecendo o meu privilégio de não me sentir tão diferente de ninguém. De sim ter mais direitos que muitos e debatendo que mesmo dos ricos do capitalismo a fAlta flutua. 
E não é que eles me convencem de ir com eles de manhã bem cedo de moto ver os templos pagodas etc .

Eu sou a primeira a estar aqui. Eu nem sei andar de moto. Pego a menor e eles saem correndo. O Búlgaro para mais para me ajudar. E os outros desaparecem. Estou eu lá indo sozinha quando aparece Paulkyi.

Ele me vê perdida e pergunta o que busco. Eu digo que não é nada e ele me diz que pode me acompanhar. Eu explico que não quero dar trabalho.

Ele vem comigo e me dá uma aula de esculturas, de buddhas, de tudo. E eu conto da minha família e ele me conta da dele. E me convida para conhecê-los.


Conto da Leila e coloco a carta que escrevi para ela num Buda que vi por acidente . Ele se diz que posso por lá. Foi monge três vezes. Por esses lados enquanto lá viram do exército aqui eles viram monges.
Conta me que sua família é de 5 gerações aqui. E quando pergunto o que faz me diz que é pintor. Peço para ver e ele diz que sim, não é esforço dele. Sou eu que quero ver. 
Oferece de me mostrar até sua família e eu tenho necessidade de tomar café da manhã. São as 5 e não tinha comido.

Trocamos o contato e ele me mostra seu vilarejo e me pergunta se quer que ele me trague no hotel. Eu digo que não. Eu dou conta.
Me perco um montão mas com a chave do hotel todos me ajudam. Vejo todo o vilarejo. 
Na hora de me despedir pergunto ” como te agradeço?” E ele me diz eu que agradeço você tem um bom coração. Insisto mas ele nega a necessidade.

Ele estava de boné do Brasil e na hora de dizer adeus eu queria gritar para o Americano como é triste a visão do mundo que ele tem. 

Para ele a dona Maria sente minha falta pela comida não pelas palavras. Para ele esse homem queria me cobrar e eu até achava mais do que justo pagar. Mas não , na profundidade da humanidade á coisas que valem bem mais que uns reais. Ele me ensina a saber não cair.


São as palavras. É o respeito pelo o outro. É se reconhecer similar e não privilegiado por coisas materiais. 

Partindo de Yangon

Eu acordo quase 5am. A mala já está pronta. Posso tomar banho, pagar a conta. 7 mil kyat. Pelos dois almoços, jantar, garrafas de água, coca colas, e chás. Na conta considerando 1000Para o kyat da 7 dólares. Conta exagerada deve dar uns 5. Conto 1000 pq sei que é fácil e assim acho que gastei muito mais do que gastei 🙂

Hoje pego as 8 um ônibus para Bagan. Café da manhã as 6. Taxi até o ônibus as 7. E dizem que chego lá às 5 da tarde. Tento um hostel que também tenha net e que não seja muito extravagante. Não apenas por economia mas porque as pessoas são mais legais nesses e agora minha avó até sabe me ligar pelo face talk 🙂


Pronto hora de café. Todos limpando tudo muito cedo. E eu agora vou comer e é hora de partir de um lugar que já gosto.


Conto da viagem depois 🙂 de lá!

Na primeira manhã e eu já de Tamei :)

9:00 da manhã e eu já escrevendo pois já  ganhei carona ao mercado local. 

Esqueci minhas calcinhas em São Paulo então eles me ensinaram o mais perto que por final era o mais barato. Aberto as 7. Eu acordada às 6.

Tomei café da manhã com mangas maravilhosas. Ovo frito. Sucos. Café e eles me levaram e eu disse que voltava caminhando.

E consigo comprar calcinha mesmo pq estou sem e ninguém entende e eu mostro. As mulheres é claro se Matam de rir. É mercado aberto e eu nem sei achar nem perguntar de banheiro.

Então eu passo um tempão de conversas risadas e comprando os meus Long Ti e Tamei. E elas colocam por cima da minha calça indiana. E eu ando radiante. 
Colorida e cheia de novas roupas.
Minhas amigas do hotel acham linda e ficam impressionadas que achei tão baratas. Tiramos fotos. Aprendo palavras de Burmese. E sou convidada a não partir hoje. Ir amanhã durante o dia para ir vendo o caminho. Sábios conselhos 🙂


Elas me explicam tudo. Os outros turistas nem falam com elas. Elas são Burmeses e me explicam que há Ka Yin, Ka your, kachin, Chan, Mon, Shan e muitas outras. Escrevem no meu livrinho.
Já sei: Tchi Siá é vc é bonita.

EIndá pé má lé . Onde é o banheiro
Yê Bê Pá. Quero água. 

E a melhor 🙂
Ná mê lê Bu

( não entendo)

O dia está calor e é hora de eu voltar para essas maravilhosas ruas. Como riem e são felizes os Burmeses 🙂 como se impressionam que eu rio de tudo. E em pouca língua até mostro que tava no hospital, mostro fotos. E eles me dizem que sou linda. Respondo que sou feliz. É a tristeza que deixa alguém feio.

Querem conhecer o André 🙂 “Que casal lindo” não param de me dizer e pedir para eu mostrar fotos para todos. Eu já tinha esta noite de hoje paga e disse que ia e não precisavam me devolver dinheiro. Ainda assim me dizem “fique!”. Digo que é melhor para eles o quarto livre já pago e eles dizem que não e que querem que eu volte 🙂

Como eu gosto desse país 🙂

Tchê Zu Bê eu cheguei em Burma


Claro que no voo já falei com as pessoas por perto. Havia um senhor de Burma, um Indiano, um Japones e um Thai. E por coincidência o Tai, Sith, estava no mesmo hotel que eu.


Na embaixada mil formulários para preencher mas até fiquei Amiga to moço da imigração quando pedi para ele me ensinar como se dizia obrigada.
Varía de pessoa para pessoa. Ficou registrado a versão mais aceita “tchê zu bê”.

Do lado de fora me esperava o menino do hotel de sarongue e com uma plaquinha . Havia mais 4 pessoas para virem comigo. O sarongue já aprendi com ele se chama Lang ti de homem e Tamei o das mulheres.


Assim conheci melhor Sith, o Tailandês que está no meu hotel. Os outros dois eram australianos e inglês. Falei pouco com eles. Um transito enorme e eu que falava com o nosso receptor. Contou que é proibido para locais de andarem de bikes. Vimos algumas. E eu imaginei que era para estimular a compra de tantos carros. E era na verdade bicicleta podia e motos não em Yangon pelo tanto de acidente que havia.

Sith me convidou para ir com ele a famosa Pagoda Swedagon. E que presente, e que maneira para chegar em Yangon numa Pagoda e do lado de um budista da regias.


Ela é uma obra de arte e leva horas para passear nela toda. São tantas escadas, e partes que não dá para explicar. São tantos os detalhes e Sith me mostra que tem um “corner” de cada dia e que era para eu achar aquela do dia do meu aniversário. Eu não sabia e descobri que nasci numa quinta-feira.

Explicou que tinha que colocar água nas vazilhinhas e regar o Buda, a figura que está por trás e o animal embaixo. Eu faço o ritual e ele me fotógrafa e eu faço para ele. Depois faço para minha avó e o André os dois nasceram numa sexta 🙂 


A Pagoda é enorme e eu não paro de pensar que o André a Maria Tereza gostariam ainda mais. Também ficariam inundados de informações mas ficariam impressionados porque é incrível e eles vêm os detalhes.


Não tem como ver tudo. E tem outras do lado e vendinhas de flor, esculturas, terço budistas e tudo mAis. Tem lago e crianças jogando pipoca para peixes e tartaruga e o meu micro ” tchê zu bê” me faz criancinhas sorrirem para mim.
Todo mundo ri aqui do meu lado. Todos esses daqui que eu nem sei se são Burmeses ou de outra tribo. Falam sua língua e riem e eu quero chorar de alegria. A internet não parece ser boa mas vou tentar postar 🙂  


Tudo que eu tenho a dizer ao mundo é ” Tchê Zu Bê”

Estou em Abu Dhabi

Sempre que chego num aeroporto eu me sinto em casa. E quando eu chego no céu eu sempre rio lembrando que passando as nuvens o céu sempre é bonito. Vejo as estrelas.

Sei que não posso postar agora e em poucos minutos, eu sendo eu, já tenho um milhão de coisas para contar.

Pessoas que falam árabe na fila e ao meu lado um senhor Japones e falamos de budismo.

Eu conto que vou para Burma. Myanmar ele me pergunta? E eu digo que sim. 

O nome oficial desde de 2011 diz o Lonely Planet é Republic Of the Union Of Myanmar. Em 1989 a Junta militar derrubou o nome Burma, ou Birmânia em português, comum desde o meio do século 19. A ONU reconhece o nome porque a população de Burmenases não são 100% da população.

Do outro lado tem uns 135 grupos étnicos dentro de Burma sendo que muitos deles se opõem à Junta e continuam chamando o país de Burma, ou Birmânia. E eu sou uma delas, pelo menos antes de ter ido lá.

Quantas pessoas me perguntaram porque queria tanto ir lá. E eu nem sabia mais o porque das outras vezes. Sei que dessa vez eu sento no avião e quero chorar de emoção quando leio das suas antigas tradições, e tenho um frio da barriga quando leio de Bagan.
É o conselho número 1. Subir, o templo mais calmo para ver as nuvens pairando sobre 4000 templos budistas. Penso que pode chover e rio. Penso que posso ficar cansada e rio mais. Talvez nenhuma outra vez eu quisesse tanto ir a Bagan. Talvez fosse um conselho de outra vida. Talvez de um neurônio perdido. Seja como for dessa vez ele chegava me emocionando.


Senhor Yoshihar, o senhor Japones ao meu lado, me conta da sua tradição Soka Gakka. Conta me do Buda Nichiren. Peço a ele que me ensine o mantra.

Nam Myoho Rengue Kyo

Peço que escreva para mim no meu livrinho. E ele o faz. Eu já tinha ouvido esse mantra antes. Fico tocada mesmo eu sendo da linhagem Tibetana Kagiupa. Respeito todas. Ainda mais um senhor Japones que me explica tanto no português que consegue falar.

Pego meu telefone para escrever enquanto ele dorme. Estou inundada de gratidão. 
Minha avó, Netinha e seu Julio nos levou ao aeroporto. Eu estou em casa, no caminho e em direção do leste. Logo logo eu estou no Oriente Médio. 

Acordei e agora eu estou em cima de Karthoum. Dormi muitas horas e quando fui fazer xixi fiquei lá com as aeromoças. Daiene Paixão que é carioca e uma Indiana que para nossa surpresa se chama Martina Bonita Pereira 🙂 

Aprendi dos seus voos depois de dois voos longos tem dois dias de descanso. Das suas viagens. Gostam de trabalhar na Etihad. Daiene me conta que em Abu Dhabi tem a segunda maior Mesquita do mundo. Ela gosta mais de lá do que de Dubai. 

Fico horas lá. Tomo agua, café, e faço novas amigas. Dou meu contato, facebook, meu blog e conto que faz duas semanas que estava no hospital. 

Elas me contam que no aeroporto tem net então eu já vou poder publicar e eu continuo me sentido bem e muito feliz. O céu está tão azul e as nuvens estão lá embaixo. 
Meus novos amigos Japones, Indiana, Carioca, e Portuguesa. Ganhei mantras, e uma carteirinha de ganhar milhas 🙂 chegamos em Abu Dhabi.

Abraço e tiramos  fotos. Trocamos contatos. Entro no aeroporto e pronto em poucos minutos já é hora de entrar no outro avião. E então chegarei na manhã do 31 em Bangkok. 

Do Que Será Que Valem As Categorias?


Essa enorme violência que está instalada no mundo, e agora no Brasil. De um lado acorda muitos para o fato que aqui nunca foi de fato terra onde tudo transcorria em paz. Era mais a terra onde as relações  sexuais por opção ou falta dela fez com que a população Brasileira tenha ficado miscigenada.  Enquanto nos EUA eram famílias, casais que iam para lá, para o Brasil eram homens sozinhos. Então por amor e estupro houve mistura com os indígenas e os africanos e todas outras culturas.

Tanto nos EUA como aqui com os colonizadores ficaram os maiores direitos. As terras. Muitas populações   Indígenas  foram mortas por doença e por intenção. E no Brasil de tanta mistura crescemos com menos pre-conceito aberto e escancarado que nos EUA. E isso nao quer dizer que nao houvesse.

E por todos os lados do mundo mulheres tinham menos direito. Tem um livro legal do Edward Said que fala como a colonizacao ajudou as mulheres inglesas ganharem poder. Os homens estavam fora e elas tinham que tomar a rédia das coisas. Isso também aconteceu durante as guerras. Na Alemanha depois da guerra também tem um outro livro de como se transformou a sociedade porque de um dia para o outro foram de admiradoras do Hittler, dos seus pais, maridos, para homens presos, e mortos para quem não  tinham direito nem de fazer funeral. Então no leste da alemanha as mulheres ganharam ainda mais poder que no ocidente porque nem viam porque casar com um homem, e faltavam os homens.

Escrevi no Facebook esses dias porque ao mesmo lado que me choca, intriga, me entristece ver o que fizeram com as mulheres, foi ler os comentários de mulheres e homens dos dois lados. As que viraram feministas da vertente homens não sao necessários, e da vertente dos que querem todos mortos, os homens estupradores é claro.

Não tem jeito, eu não consigo acreditar que nada se constrói de tortura, de morte. Sempre vi pelo mundo a fora que violência gerava mais violência. Sempre falei até com os tais violentos e nunca aviolência  deles tinha vindo do nada. Vinha de alguma opressão.

Lembro que quando cheguei em NY em 2001 dias antes de 11 de setembro fiquei amiga de cara de Iranianos, Iraquianos, Marroquinos, Israelenses, Saudis, Chineses, Europeus e Americanos.Então  quando aquelas torres caíram eu  me perguntei “Por que será?”e Nunca “Tem que matar esses caras.”. De cara fui parar nas aulas de Oriente Medio, História , Antropologia, e de cara eu tinha que preencher qual era minha categoria.

Branca, Negra, Ispanica, indígena, asiática, do Oriente Medio. Nao me via em nenhuma. Nos EUA os brancos são os descendentes de Ingleses, e Irlandeses.  Perguntei a moça que me perguntou de onde eu era. Quando disse Brasil me mandou colocar “Hispanic”. Expliquei que eu falava portugues. E já uma nao cumpridora de regras absurdas coloquei  escrito “HOMO SAPIENS SAPIENS”

Então eu conheci o Mustapha que ensinava Descolonizando a Mente. Essa aula deu informação e  possibilidade de conversa a todos. Cheguei no primeiro dia e estavam sentados brancos para um lado e negros para o outro. Eu fiquei surpresa e sentei na frente do lado da Leila. Na frente dele. Mustapha criou uma página  onde podíamos escrever. No começo ninguém o fazia. Depois todo mundo começava a perceber a discriminação do outro e escrevia-se .

Um dia como contei no Face percebi lá que eu nasci numa casa que nunca teve diferença de mulher e homem. Ou seja de mim e do meu irmão .  O Mustapha pediu que escrevêssemos uma carta imaginando como teria sido o nosso dia se acordássemos de outro género . Eu passei um dia pensando e pensei que nada mudaria , conseguia até fazer xixi de pé. Só no sexo pensei que físicamente  o homem penetraria o outro, mas não significava que não penetrasse o outro como mulher. Enfim, quando li a minha carta em NY todos se chocaram. E eu me surpreendi com a carta deles. Todas as mulheres viam a vida de homem mais fácil e nesse dia imaginado fariam mil coisas distintas, que na minha mente podiam fazer como mulher, e os homens achavam que suas vidas seriam mais dificil como mulher. Quase todos preferiam nascer como homem.

Aquilo me fez perceber a importância que tinha sido não ter essa diferença na minha casa, ou seja na minha mente. Por isso eu fui sozinha para a Palestina e Israel, norte da África , América Latina, Índia, Europa etc… E de fato em alguns lugares era mais intenso e eu sempre falava com o Palestino, o cara do capão , da kashemira, do Marrocos e ali naqueles segundos de troca eles viraram o seu melhor e eu também.

Já confrontei cara armado etc e tal. Nunca fui atacada, ou melhor um principio de ataque era desconstruído.  No princípio  pela minha calma e por perguntar ao outro sobre a sua vida e depois por pensar que os Tibetanos dizem que uma vez que vc tem consciência você   tem responsabidlaide por aquele que nao tem.

Acredito que é fundamental que todos aprendam a tratar as pessoas como seres humanos . Às vezes novas classes podem gerar mais violência . Na verdade qualquer coisa pode porque essa violência já está dentro. À transformação que precisamos fazer é de sim denunciar, repudiar mas tenho medo que mais violência venha disso. Talvez o melhor seja ajudarmos o outro a ter consciência. Temos que fazer um trabalho de artista de acordar o melhor de nós e do outro. Porque atacando, o outro sempre se defende, e de cara vira violento. É um princípio de muitos de nós acordarmos. E de todos nós reconhercermos as nossas falhas. Sempre as temos.

Reconheço que tenho privilégios. O maior de todos foi esse e sou grata a minha mae, e meu pai por nunca terem dito “Voce é menina não  pode fazer isso.”. Então, enquanto eu estou aqui quase voltando para a Ásia  eu deixo este desejo a todos vocês. Se tem filhos não  os faça pensar que só uma categoria pode fazer coisa.

Eu sou primeiro ser humanos, e nas mil categorias (mulher, tenho vasculite cerebral, budista, com  respeito a tantas outras religioes, antropologa, compositora, escritora, brasileira,  de sao paulo, viajante, casada, casamento aberto, divorciada, amiga do ex marido, novos namorados, em coma na Asia, abandonada, apaixonada, casada de novo, com amigos gyas, lesbicas, hetero, um AVC faz 2 semanas. E tanto faz tudo isso. Hoje eu pego, “Insh’ allah ” um voo para Bangkok para ir a Birmania. Uma ditadura, um país Budista que sempre quis ver. E nenhuma categoria me deixou mais capaz.
Sou grata a minha mae e meu pai que me deram uma ótima educaçao e eu nao virei nada do que eles queriam que eu fosse. Ainda assim eu sou grata porque eu sou livre. Eu tenho coragem de dar um passo para frente sem ter medo. Tenho coragem de recomeçar mesmo caindo. E tendo o amparo que tem mais valor que tudo: minha avó, meu marido, e meus amigos que estão espalhados no mundo. Controlam as suas preocupações para me respeitar.

A vida é curta. O hoje é um presente. Se eu como mulher, com uma doença auto-imune, tendo tido um AVC ( moderado)  faz  duas semanas, estou tomando cortisona tenho nao só coragem mas gratidão, e felicidade de poder fazer o que mais quis fazer e que deu errado tres vezes. Uma vez minha mãe  foi la e quis ir ao Laos, na segunda eu quebrei o pé dias antes, lá na beira do Mekong, na terceira eu tive um ataque epilético na embaixada da Birmania e fui induzida ao Coma em Bangkok. Quase morri. Perdi neurônios. Ninguem sabia se eu ficava bem de novo.

Fiquei. Fiquei ainda mais grata. Com mais coragem e levantei nessas duas semanas com ajuda do mundo todo. E hoje eu vou. Nao é categoria nenhuma que permite isso. É o respeito pelo ser humano e por mim mesma.

 

 

 

De Volta na Estrada.


Não aceitamos o goveno do Temer. Tão pouco tenho tanta coragem de ir para as ruas para lutar. Existem mil razoes para isso. A primeira é porque nao tenho filho, nao tenho casa, nao sou nacionalista e na verdade me sinto uma turista no Brasil, não tem porque lutar para ficar aqui.

A segunda é porque eu visitei muitos países onde teve luta, morte, prisão e não sei o quanto se ganhou disso. Talvez o Camboja tenha sido o lugar que mais me tocou.

A terceira é o meu forte sentimento que eu sou um ser humano. Nao muito diferente deninguém  que conheci pelo mundo a fora. E pela vida que vivi as pessoas que mais sinto falta são daqui e de outros países e não estão onde nasceram. Nunca esteve na minha mente “minha casa, meus pais, meus filhos, deus.”

Portanto a minha maior luta ela é interna contra minha doença auto-imune e contra as minhas sinapses. Então a minha força se alia ao meu desejo de conhecer outras culturas.  Se alia de ter encontrado pelo acaso da vida o André. Nao só meu amor, marido, mas meu companheiro, e dos mesmos valores que eu. Pensamos sempre nos outros. E ele também se sente um abandonado como eu me sentia. Nao sentimos mais.

Talvez desse abandono nós tenhamos nos encontrado tão profundamente. Andamos a pé para resgatar alguem de craque, andamos de carro de janela aberta porque nao temos medo, subimos o Roraiama e cruzamos a Venezuela e só vimos belas coisas.  Observamos os dois lados do discurso e da prática.

Então partimos. Ou melhor, o André já está em Lima. Foi  ontem. 
Ja vi fotos de onde comeu, a casa do amigo,a falta do sol. Hoje já era seu primeiro dia de trabalho. E eu, eu na minha eterna vontade de voltar para a Asia, volto ( insh’allah) dia 29. Do hospital eu comprei a passagem e estou bem. Espero que dê tudo certo. Se não der será lá que termina meu  camiho. Não aqui.

Se eu ficar bem, eu volto e em Julho estou em Lima. Minha casa, já combinamos é aberta a todos. E já temos muitos amigos dizendo que vem. E estará no Couchsurfing tbm para que  sempre acolhamos os viajantes que sempre acolhi, e que sempre me acolheram.

Meus queridos amigos brasileiros, nao sintam que a nossa partida queira dizer que nao gostemos de voces. Sintam que os amo, como amo meus amigos espalhados no mundo. De outras culturas, de outros tempo.

 Lembrem-se que somos Homo Sapiens Sapiens e que tem tanta coisa bela para se viver que nao tem porque viver lutando para sobreviver.

Tudo é impermanente. E antes que digam “tudo bem vc tem dinheiro, voce pode” saibam que dos muitos que conheci,  não tinham. Podia falar de um milhão de histórias . 
Falo de um para nao ser um post enorme. O casal de argentinos que conhecemos num trailer  na  Venezuela. Estão já há quase 5 anos pela estrada. Deixaram de se fechar num escritorio o dia inteiro para pagar contas de aluguel etc, para vender o poco do que tinham e comprar um traileir e no caminho viraram artistas, consertos de coisas e nós os conhecemos no Monte Roraima e depois estavam na Colombia, e eu olhei agora e estao na Bahia. 

A vida nao acaba pelo abuso do governo. A vida acaba quando paramos de ter sonhos. Quando tudo que temos é medo do outro. Quando nos fechamos para o mundo. Cada um faça o seu caminho. A nossa partida já começou de começar mas a vejo mais como uma volta para o caminho. Cansei de ficar estagnada.