Da Poesia, Da Música e do tempo que querem eliminar…..

Tenho pensado sobre o tempo…. não sobre o meu tempo, tão quebrado de repente, e tão distinto internamente… mas no tempo do mundo. Nessa correria interna que se instaurou…. da musica erudita que apresenta linhas melódicas e  a re-apresenta depois em outro tom, com pequenas mudança e que exigem de um, um tempo cuidado, pequeno, de observação.
Não é novidade para quase nenhum que o mundo correu, e que tem alguns que acham o mundo  melhor. De fato, é inegável que a tecnologia e a ciência avançou, já a nossa compreensão do ser humano é quase que a mesma. Qualquer um que leia os gregos percebe isso.  No entanto, quase ninguém tem paciência de ler os gregos ou os Russos, a não ser que fosse como exercício de acumular cultura.  Seria esse o grande mal da modernidade? A obsessão por acumulo, e a falta de tempo interno? Não sei….
Ontem eu assisti na casa do Núcleo poetas declamarem enquanto Benjamim Taubkin e um percussionista que não sei o nome tocavam. Depois enquanto esperava minha prima me buscar ouvi a conversa de uma mesa.

Achei a noite linda…. E, enquanto eu fiquei naquela mesa, ouvi alguém dizer que achava que a noite devia ter sido mais organizado, que devia ter tido um tópico para as poesias.  Eu ouvi o ponto mas confesso que eu fiquei aliviada que não houvesse um tópico, uma linha, uma regra…. que tinha sido quase que um jamming de música a poesia  que seguia o ritmo dos que lá estavam no palco.  Nós éramos apenas espectadores do processo da arte. Meros e afortunados espectadores. 

 
Até tentei explicar meu ponto, mas foi meio em vão… Mas já que eu cheguei em casa e resolvi escrever ao Benjamim, e a um dos poetas. Era tarde, mas ainda assim eu escrevi…
 
Será mesmo que até a poesia precisa de um roteiro, de um tópico?  Pareceu-me bobagem, mesmo porque um tópico fixo seria quase que uma prisão…. a não ser que o tópico fosse a vida em si. Nada mais, nada menos….
 
Eu achei lindo porque fluiu…. assim como flui as rodas de choro do Isaias ( de quem estava toda a história na parede da casa do Núcleo)…. Suas rodas são todas as sextas….. acontecem sem ensaios, sem planejamento…. simplesmente  o tempo, o ritmo e a interação dos que lá estão.Lembrei, que uma das críticas que eu ouvi sobre o  filme do qual o Benjamim fez a trilha o “Eu Maior” era essa….. ” Não tem estrutura. Tinha que ter para as pessoas saberem e não se desinteressarem.”Eu não disse quase nada  sobre isso para essa pessoa…mas pensei até agora…..  será  mesmo que no mundo é necessário ter uma narrativa com começo e meio e fim a tudo?Na hora eu pensei, que  aquilo era uma concepção ocidental do mundo… principalmente dos EUA…. primeiridade, secundidade, e resolução……

Quando eu vi, O EU MAIOR, como eu disse ao Benja, eu fiquei tocada porque ele não era assim. Ele era livre…. me fez pensar na Asia…. na maneira que os Tibetanos, e asiáticos em geral contam histórias…. tāo sem  estrutura… tão dando voltas……a própria poesia é assim…. vem da experiência da vida…. da liberdade…. dos desencontro e encontros… dos mistérios., do irônico, do triste….do quase nada que é tudo.. por isso talvez seja que lugares como o Oriente Médio tenha tantas poesias… talvez fuja do conformismo da explicação de todo resto….. talvez seja a única possibilidade do novo, do subversivo… 

 
Um “Esteves sem metafísica,” e um que tem toda liberação numa fumaça, no olhar de uma menina comendo chocolate…
 
A poesia, e a manifestação dela não pode ter tópico, ter estrutura, ter ritmo para agradar a falta de atenção de um mundo que vive regido pelo mundo da propaganda… 
 
Por isso eu agradeço poetas e músicos, muito obrigada pela música que foi sentida, do percussionista que ouviu e tocou,ao Benja… e aos  poetas que se comunicaram entre eles. Nós, no fundo, somos uns privilegiados de ter podido ver a reprodução do sagrado… o que acontece quando a arte se encontra, se divide…
 
E é apenas por isso que eu digo que eu até entendo que para muitas pessoas é melhor uma estrutura… e escrevi a um deles “pelo amor deus, por vocês se encontrem então a sós,  e convidem só quem de fato sabe ouvir em silencio, sem ser parte, sem precisar de resolução.
 
E de fato, nós não avançamos muito emocionalmente. Perdemos a paciência do tempo interno….Não todos nós, mas infelizmente muitos de nós.

A Dama Da Noite e um Chapéu

Dona Inah

Passei a noite inteira, numa daquelas situações que a música é tão bela, que não se sabe se deve dançar para reverencia-la ou se parar bem quietinha para ouvir cada detalhe, todos os contrapontos, todas belas linhas melódica da flauta, o preciso ritmo da percussão, a minúcias do bordões do violão. Mais difícil ainda é quando está na sua frente a Dona Inah, a Dama da Noite.

Faz tempo que eu ouço a Dona Inah.  Menos tempo que sento e converso com ela. Eh sempre, no entanto, verdadeiramente impressionante. Como ela já disse muitas vezes a música deu a vida para ela.  E nessas vezes que ela está diante de mim, ela da para mim e imagino para muitos outros também.

Na maior parte das vezes que vi Dona Inah foi no Bar do Cidão, bar que ela me explicou muitas vezes  ajudou a abrir. Ela que cantava lá há décadas e de graça. Desde da morte do Cidão raramente Dona Inah passava por lá, me disse que doía, chegar lá e não ver o seu amigo. Hoje em dia me dói passar na porta e não ver nem o Cidão, nem o Bar.

Todas as ultimas vezes que encontrei com Dona Inah ultimamente era bem depois de eu ter saído do hospital.  Sempre sentava com ela, e ela me contava das suas próprias viagens ao hospital. No passado, contava tudo isso com o copo de cerveja. Tinha até me explicado que detestava água e que só a bebia porque seu novo marido a convencia. Hoje em dia, disse me, que não bebe mais.

Tentei ver Inah todos esse dias em vão. Alguma coisa ou outra sempre acontecia. Dona Inah tinha me garantido, bem na noite que o Cidão se fechou, que ainda cantava no Ó do Borogodó todas as quartas. Quando finalmente cheguei lá, na semana passada, ela não estava lá. Se preparava para um show na Sexta.

Finalmente, vi dona Inah ontem e por isso que acordei hoje tão tarde. Porque com seus mais de setenta anos, muitas stents no coração Dona Inah ainda canta até tarde. Alias muito tarde para uma quarta Feira.

No entanto, não sou só eu, desocupada, que pode ficar dançando até as 4 da manhã! Tem gente de tudo que é tipo. Estrangeiros, estudantes, professores,músicos e até gente do mercado financeiro.

Eu que cheguei cedo ( as 22:00), vi os músicos passarem o som e sentei com Dona Inah para conversar com ela. E das mil coisas que ela me contou, teve uma que me deixou particularmente tocada.

“Julieta, Voce foi no funeral do Cidão?”

Expliquei que não, que nem estava no Brasil naquela época. Então Dona Inah continou, inabalada com isso.

“Eu estive no Marrocos. Muito bonito la. E lá eu vi um chapéu muito bonito.”

Dona Inah descreveu o chapéu, me explicou como tinha trazido aquele chapéu numa caixa bonita e tinha dado para o Cidão. Era um presente escolhido a dedo para ele.

“Ele ficou muito emocionado. Na hora, não soube o que dizer e de repente disse: Inah, eu vou ser enterrado com esse chapéu!”

Fiquei tocada, ali no Ó, e de repente eu me senti conversando com um Tibetano, ou um Chines que começa lá longe para te contar uma estória clara no final. Clara desde o principio mas que se você não prestar atenção não percebe.

Eu já sabia a resposta mas ainda assim perguntei a ela.

“E ele foi enterrado com esse chapéu Marroquino?”

“Claro, por isso que eu te perguntei se você tinha estado no enterro. E sabe, que o Cidao me disse outras vezes, que aquele era o melhor presente que ele tinha recebido na vida.”

Um chapéu que vinha de um continente de onde seus antepassados tinham vindo, na mão de uma amiga.

Migalhas do Choro….

cidao

Dizem que tudo tem um fim. Já eu, prefiro sempre achar que tudo transita de um estado para o outro. O próprio Cidāo, dono do “bar do Cidão” já tinha tido que mudar o bar de lugar uma vez… ele transitou, mas o bar sempre ficou aqui no mundo. O bar até eventualmente voltou ao mesmo lugar e foi então que o inesperado aconteceu: ele mesmo o Cidao deixou a terra.

Na época, eu estava no meio do leste europeu quando recebi dezenas de mensagens me contando do acontecimento.

Coloquei o pensamento de lado, e voltei para o Oriente Médio querendo voltar depois para a Asia. Mas o Cidão não saia da minha cabeça.

Aos poucos fui me conformando com aqueles pensamentos entrando em minha mente, e aos poucos eu tive que observa-los mais claramente para entende-los melhor.

Um dia eu finalmente percebi que o bar do Cidão tinha virado de alguma maneira a representação de casa para mim no Brasil.

Então  voltei  pois presa nesse sentimento, percebi um medo de que talvez um dia a minha verdadeira casa desaparecesse do mundo. Primeiro achei que  tinha medo perder minha casa em São Paulo… La da Palestina, do lado de pessoas tão presas a terra e de onde suas casas foram roubadas foi o que me veio a cabeça na hora. Eu errante…tive medo de ficar perdida pelo mundo… Mas ainda mais claramente ficou em Israel do lado de minha amiga Michal, de repente  ficou obviou que o meu  sentimento de casa deveria ser fincado em laços.. às pessoas. Voltei assim, me sentindo quase que uma refugiada de mim mesma.

Então logo visitei o Bar do Cidao. O bar continuava lá. Sem o Cidāo. Ele fazia falta ..sempre despachado, dando broncas nos clientes, mudando as pessoas de mesas para que coubesse todo mundo naquele pequeno boteco, vez ou outra estava dançando pelo micro espaço no meio das mesas.

E então foi a Rose sua viúva que passou a tomar conta do bar. Nesses últimos tempos eu fui tanto lá que fiquei amiga da Rose. Brincava frequentemente com “Zé”Maria, o pequeno filho deles.

O Zé, um privilegiado que antes mesmo de fazer 10 anos cresceu com a melhor música de Sao Paulo. Todos os dias o Bar estava aberto, na maior parte dos dias tocava choro. Alguns outros ritmos também soaram por lá.

Sempre me perguntavam porque eu Gostava do bar. Tão simples e tão difícil de explicar. Talvez, porque fosse quase que um refúgio dos grandes músicos que apareciam por lá de re pente, ou simplesmente porque parecia meio casa.

Claro que era o Cidão, claro que era a Rose ou mesmo a Dona Inah que lá tantas vezes esteve, e que me disse que estava lá desde o começo. Donah Inah que um dia desses me confessou que doía para ela ir ao Bar agora desde a morte do seu amigo Cidao.

É injusto eu falar de apenas de alguns incríveis músicos que ouvi por lá. É bobagem eu  contar para voces quantas vezes eu pedi para  eles tocarem para mim  Migalhas de amor, Vibrações, Doce de Coco..dentre outras do Jacob e muitos outros….  eles tocavam porque alguns ficaram meus amigos.

Com a partida do Cidão ficou diferente, mas Rose cuidou com maestria do bar. Eu conheci o Bar do Cidão tarde, mas nesses últimos anos eu fui muito lá. Quem foi tanto como eu, começa reconhecer até seus usuais frequentadores.

Perguntei a Rose uma vez  se ela estava cansada de cuidar do bar sozinha. E ela me respondeu que a noite quando os músicos chegavam era a hora do dia que ela mais gostava.

E nesse domingo,  o bar do Cidao abriu-se pela sua  última vez. Cheguei lá as 7 da noite para ter mesa para ficar um pouquinho mais na “nossa” casa. Não fui a primeira a chegar. Nos saudamos e aos poucos foram vindo todos.. Um a um… rostos familiares dos quais o nome eu já não me lembro mais.

E música foi rolando.. eu as vezes não conseguia conter minhas lágrimas. Por sorte o Tom estava lá para me consolar um pouquinho.

Até esse domingo eu nāo sabia exatamente porque o Bar do Cidao se fechava? Rose me contou que depois iria abrir uma loja de bolo.

“Rose, mas pq voce está fechando?”

“O prédio foi pedido de volta, e vai ser demolido.”

A esta altura as migalhas do choro devem estar agora no chão rolando pela vila.

Quando as coisas terminam é difícil,  mas quando elas sāo demolidas sem explicação parece bem pior.

Ainda bem que o que conseguia sair, saiu do prédio pela noite a dentro, saiu chorando por tudo que era instrumento, sambou para que os que precisassem dançar pudesem  faze-lo. Eu enxerguei o Cidão ali no meio daquela barulheira dançando. E assim amanheceu a segunda- feira .. la mesmo no Cidao.

Se nada termina estou ansiosa para que se transforme logo porque nós os refugiados estamos sem casa….

No tempo do (M)ar

Faz poucos dias vimos na televisão os desastres que se passavam em Portugal. Escrevi a um amigo que lá no Porto uma vez encontrei. Dele já escrevi no meu blog em Ingles. Graças ao Jorge, naquela época, ouvimos o mais belo fado. Na epoca escrevi sobre isso aqui http://translatingthoughts.wordpress.com/2013/07/03/the-fado-saudade-and-joy-in-porto-portugal/http://translatingthoughts.wordpress.com/2013/07/05/portugal-rio-douro/

Tínhamos além de amor pela música, também um  encanto por viagens. Graças ao Jorge tambem vi lugares belissimos em Portugal. Logo soubemos que Jorge tinha acabado de estar na India. Alí no seu restaurante escolhido pelo destino ficamos amigos pela primeira vez.

Digo pela primeira vez porque acho que vamos conhecendo as pessoas por etapas. Algumas nunca passamos da primeira, noutras em poucos segundos as etapas são passadas. Assim que ficamos em pouco tempo verdadeiramente amigos.

Portanto quando soube do que estava acontecendo no Porto escrevi para ele.

” as ondas nada mais eram que o mar a protestar porque estavam invadindo o seu espaço..:)”

Sorri inundada pela poesia da resposta e tocada por tudo que venho recebendo do mundo.

Pensei  e  boiei em pensamentos  e senti que o mar as vezes tem dessas coisas ….tomar mais espaço do que se espera… noutras tem uma enorme escassez  de água.. tenho por mim que o mar vive num outro tempo, então essas oscilações em nós, reles mortais, não percebemos..ou pior não entendemos muito bem… boiei pelas águas do meu corpo lembrando que um dia o Himalaya já foi mar..

De fato o Jorge tem razão, as vezes ” as ondas são o mar a protestar porque estão invadindo o seu espaço..:)”

Nesses dias quando não há o que fazer… quando você está tão apertado ou tão solto  é melhor como dizem “fazer uma festa.”.. ou ouvir os novos trovadores que me foi deixado de presente aqui pelo caminho…

http://www.youtube.com/watch?v=p0J5C5q7j1I

Os últimos dias em Sao Paulo…

São Paulo está ficando cada vez mais vazia e ainda assim não conseguimos transitar as ruas calmamente. Dizem por aí  que muitos que trabalham em Sao Paulo voltaram para suas cidades para celebrar o nata e o Ano Novo. No entanto, eu fico sempre presa pelos caminhos.  Também é verdade que simultaneamente as pessoas que estudam ou trabalham fora também estão vindo de voltar para ca .. Mas o numero de doutorandos,e meus amigos que vem e aparecendo infelizmente nāo justificam todas essas mil horas no transito.

Sabrina chegou da Holanda ainda que eu enxergue nela tudo que há de Ny, de Londres, e até da Suiça.  Ela toca suas músicas do lado do Fernando de La Rua… eu sinto a Espanha, enquanto ela vai passeando por tocas as incongruências que fazem parte de nos cidadãos do mundo.

Felipe aparece em casa de tarde, vindo do Rio, falando dos seus filmes, e eu que conheço Laura, fico desejando ver Casagrande. Enquanto ele tira o livre com esse nome, da minha prateleira a minha mente vaga no novo filme que ele faz… e que se passa na Africa.. Conto ao felipe meus projetos.. será que eu os tenho?

Rimos enquanto ouvimos eu falar das minhas bobagens… tantos anos faz que nos conhecemos. Tiro uma foto não muito clara enquanto ele toca piano, lembro de como há mais de década Felipe me explicava que era um multi-instrumentista frustrado. Rimos disso. Que tolo. Posto a foto meio errada e para minha surpresa até do Marrocos sabem que somos nós dois.

Na minha mente vêm as fotos de Leila e dos refugiados da Siria, ela la no Líbano. Não há nada de similar com a nossa foto. Nada além do que um pequeno toque que nos conecta. Eu tiro a foto e aquela foto uma década depois me faz dar gargalhadas.. mostro ao felipe as minhas musicas velhas… mostrar minhas ultimas composições…

Acabo até mantendo a minha alma nômade aqui. Até conhecendo desconhecidos pelos caminhos enquanto vou revendo pessoas do passado. Claudia propõe um ultimo encontro. Temos jantares e ainda por cima devemos ir  ver uma meio cigana indígena encenar Ofelia em Hamlet lá em Pinheiros.

Chegar lá de Higienópolis é uma missão que demora 3 dias. Como sempre diz minha avó “teatro da mais trabalho que o cinema”. No entanto, mesmo tendo falhando nas nossas primeiras tentativas vovó nāo se desanima. Uma vez tinha me dito que não devíamos recusar um convite. Devíamos sempre ir e nos sentirmos gratos  ao outro por desejar a nossa companhia.

Dessa vez então, chegamos com uma hora e meia de antecedência Pegamos os ingressos e  fomos procurar um café para esperar.  Achamos um boteco de ultima categoria para esperar uma hora. No entanto ele era próximo e vovó, olhando as paredes constatou que por ser tão velho e ter garçons antiquíssimos  devia ter boa comida. Como sempre… vovó tinha razão.

Chegaram os pasteis e os bolinhos de camarão, o meu chá, a agua da Lúcia e a Cerveja de vovó. Logo mais apareceu meu amigo e ex professor marcelo e juntos fomos ver Hamlet. A peça foi muito bem feita, e adaptação muito interessante e eu surpreendentemente não quase adormeci. Hoje em dia sempre me da muito sono graças aos remédios que me engordam e me dão muita fome. Graças a deus estão diminuindo e logo mais terminarão. Enquanto isso vou tomando os remédios cada vez mais tarde e mais tarde para voltar a velha vida 🙂

Ontem a noite resolvemos passear a pé pela noite, pudemos de fato ver a tal misturada das coisas que é  o Brasil, passando desde lugares  de judeus, A igrejas católicas e até a uma igreja evangélica onde cantavam algum ritual de natal. Parei para ver, depois continuei a caminhada e na volta as pessoas continuavam lá cantando muito alto, e ainda havia mais gente.

Eu já tinha me surpreendido muito  vendo na Globo um batismo evangélico muito longo na novela das 8. Agora na volta da nossa caminhada a celebração continuava ainda mais intensa e havia também um carro grande tocando um tipo de um axe bem na frente da Igreja.  Fomos naturalmente convidados para entrar na Igreja… Lúcia agradeceu e imediatamente  recusou e me convenceu a partir também…. já para o Axé nos não fomos convidados…massem dúvida atras do trio eléctrico nos teríamos ido 🙂

O Grande Desafio da Vida…

Ja tão perto da época do Natal recebo um grande presente. Para alguns não se parece um presente, mas para mim sim. Na minha última seção  de terapia, expliquei a meu psicólogo  que Cre que sempre me acompanha agora tinha sido minha babá desde que eu nasci, e mesmo  antes de eu nascer tinha trabalhado para meu pai.

Assim Aquiles viu a validade dele falar com ela. Eu confesso que nāo lembro de quase nada da minha infância, o que é meio estranho mas não muito, já do meu tempo de bebê ninguém esperava que eu fosse lembrar muito. Por isso isso eu considero um enorme presente ter escutado sobre a minha infância em frente ao meu psicólogo. Valor esse que muitos que não levam psicologia a sério não entenderam.

Entendi internamente também que não dá para nós esperarmos que os outros entendam o que damos valor, mas que sim devemos respeitar ou pelo menos fazer uma força para tentar respeitar o que o outro dá valor, ainda que para nós faça nenhum sentido. Enfim saí da terapia aliviada. A noite caía devagar na Vila Madalena enquanto a lua boiava quase que inteira no céu.

Desde que parti da terapia comecei a re-conectar me com pessoas que foram muito importantes em toda essa jornada.  Seria impossível falar de tudo, mas queria contar algumas coisas que achei muito interessantes.. por exemplo a conversa online que tive com Chi, meu amigo do Taiwan, que está agora no Canadá. Chi é um dos meus amigos que mais  se preocupa comigo. Ele e um amigo meu Italiano medico.

A pergunta que saiu da minha boca foi ” onde você está e quantos países já esteve agora?” enquanto eu perguntava isso,  minha alma estava se perguntando se ele estava virando um consumista de culturas.. e ele me explicava simultaneamente que nunca pensava em quantos países Ía.. simplesmente ía conhecer lugares dos quais tinha curiosidade. Sempre pelo coushurfing e andando sempre com o transporte mais barato que tinha…

Lembro que a última vez que nos vimos ele me contou que o lugar que mais o tocou tinha sido o Irã pela receptividade das pessoas, e o Sudão pela força interna das pessoas, num lugar tão pobre. Falamos da solidão de viajar assim.  Enquanto o lia  eu me perguntava como podia ser que meu amigo Chines do outro do lado entendia bem a fundo o que eu pensava e sentia.

Quando as mensagens apareceram para nós dois , as mesmas curiosidades simultaneamente, sabíamos.. eu ri… nao sei se ele também, já  que ele sempre fora bem mais sóbrio que eu ,talvez não, mas quase que em silêncio sabíamos que tentávamos não consumir culturas pelo mundo. Mas  sabíamos que  viajávamos fundalmentemente  diferentemente , eu sempre me envolvia com as pessoas muito intensamente enquanto meu amigo sempre era de fora.

Perguntei a ele se o fazia intencionalmente., para não deixar um buraco quando ele partia e  ele me  me surpreendeu dizendo que sim. Depois surpreendentemente ele me  contou que sempre se sentia só… mas sua maneira de navegar o mundo era assim sem se penetrar… passaram a minha mente todos os meus amigos sós que passavam pelo mundo assim….

Vagando pelo mundo sem se conectar com nada de fato. Quase que eu via um balão no céu.. Minha prima Lucia que conheceu o Chi ficou perplexa. Como ele podia vagar assim por anos sem propósito ? Para ela tal pena seria o maior dos castigos..

Esses dias eu recebi também mensagens e ausência de mensagens que me mudaram muito. Soube da morte de uma pessoa, que eu nunca conheci mas de quem ouvira falar muito. Sabia  que era só e tinha estado morrendo aos poucos há muito.

A lua boiando no céu  lembrou me da noite em que eu e Michal sofremos um acidente na India. Naquela noite a lua estava também enorme no céu, e a morte se aproximou bem perto de nós . Um perto meio longe já que não sentimos medo de morrer só o calafrio da sua vizinhança. Nos visitou e partiu.

Depois  lembrei-m e de receber um email coletivo da minha supervisora do doutorado falando do suicídio do nosso colega Tom. Na época, eu respondi o e-mail coletivo mas mais direcionado a um amigo Russo que celebrava a morte de Tom e a sua decisão de partir….Na  época, eu simplesmente achava que eu não podia celebrar tamanha solidão. Escrevi sobre isso e recebi de volta um enxurrada de emails de pessoas que se sentiam sós como nos.

Eu continuei viajando o mundo, e  encontrando pessoas que me marcaram até eu ter um ataque epiléptico e me ver de repente provavelmente durante  o estado de com ao qual fui induzida na Asia com uma decisão de partir do mundo. Via tudo negro e eu sentia que eu  podia decidir morrer.

Lembro de decidir que queria ficar porque queria voltar para ver o Edu e a minha avó. E depois lembro de chegar aqui  e o mundo ser outro. Eu ser outra. Não na essência mas no que eu podia fazer.

E assim que a Lua ficou enorme no céu, tudo foi ficando mais claro. Enquanto ela crescia foi trazendo tudo que devia ficar, no seu ápice tinha quase me populado por inteira.

E agora ela vai minguar levando tudo consigo que não tem valor. A morte desse senhor que nunca conheci olhando a lua me pareceu mais doce.

Ele morria há tempos, em alguma parte de mim senti que maior que a morte é viver tamanha solidão. Lembrei de meu amigo médico com quem tenho um trato de vida e morte. E fui dormir esperando que esse senhor tenha encontrado um outro lado da vida para ele se  vasculhar. Ou que tivesse total final de vida. Nenhuma consciência  que tenha virado stardust.

Repensei o Andrey, lembrei das palavras do Chi, do Fe ,Francesco, da Leila e de tantas pessoas e no final entendi o Andrey, meu amigo Russo.No final, achei melhor celebrar a Vida to Tom.  E lembrando o mundo sendo tocado na superfície, e a saudade que eu terei de todas essas pessoas que eu vejo raramente, senti um aperto no coração.. e olhando para o lua decidi por fim que a grande aventura da vida, não era trabalho, doutorados,guerras.

O verdadeiro desafio da vida  é de fato encontrar o outro. Pelo mundo todo, ou na sua propria casa. O grande desafio é de fato dissolver as nossas barreiras.

No Tempo Do Vento…

Deixo o piano de lado, sento à mesa, antiquíssima e não sei direito o que escrever. Olho para a mesa e não sei quão antiga é, está marcada por copos e rabiscos..  quantas pessoas e quantos sentimentos se marcaram aqui em quanto devaneios? Eu paro e penso em Neruda, ou melhor penso no filme ” o carteiro e o poeta”.  Queria eu lembrar mais poesias… Queria eu estar a beira do mar num pequeno vilarejo a escrever. Nao assim só… num mundo interno… preferivelmente, queria estar com o Edu escrevendo ao lado.  Hoje em dia raramente me vem a mente o nome de um poeta ou um livro que eu conhecia bem. Penso vagamente nos autores arabes e iranianos que tinham sempre na frente de um capitulo um verso, algo de Rumi… e nesse livros  sempre eram populados uma personagem alem do bem e do mal.

Eu tenho essa personagem assim na minha vida. A Cre, minha babá desde infancia que tem mais de 70 anos e que voltou para cuidar de mim agora quando tudo ficou misturado. Cre  que responde tudo com “é”.  Ou seja, nuncca se sabe se ela de fato está sempre em cima do mundo, ou fora dele, mas sem duvida teve uma vida que só puxou seu pé debaixo dos panos  o tempo inteiro.. por isso nao sei escolher se ela simplesmente não entende. Mas tenho por mim que ela sabe de tudo.. e decide em silencio o tanto que escolhe viajar o mundo assim em silêncio.. com muito eh. Ou contando casos meios estranhos. Cre me leva pelo tempo a lados opostos, sendo eu mais sua cuidadora que de mim.

Fui fazer yoga de novo!  E hoje a yoga foi tão direcionada a meditacao. Eu tentei explicar ao Cezar, professor de Yoga, sobre Vipassana http://www.dhamma.org/pt/ mas na hora nem se quer consegui me lembrar os nomes do site… Mas me lembrei o nome do Goenka yogi que começou essas escola. Goenka que vem de Burma. Burma lugar que tanto quis ir.

Vipassana é muito parecida com a tecnica de  meditacao mindfulness, meditacao que não requer nenhuma fé, apenas a habilidade  de sentar e observar a propria mente sem julgar-se. Mas devo dizer que apesar de nao pedir fé  requer a forca de vontade de ir a um retiro de vipassana que dura 11 dias, com 10 dias em silencio. Eu já fiz esses retiros assim algumas vezes…. e é sempre distinto e mas eu recomendo a todos..Hoje em dia o bem promovido por meditacao tem sido muito estudada nas grandes universidades dentro de departamaentos de medicina. No NHS da Inglaterra já foi até introduzida.

Mas como eu dizia fui a yoga, e logo em seguida enquanto eu falava sobre a meditacao tao usada na aula. E enquanto eu explicava chegou o professor de capoeira. Perguntei entaose eu podia entrar ba aula sem saber nada… Ele disse que sim e pelos proximos minutos eu fui tentar aprender a gingar. Fiquei exausta e aprendi male-mai mal mas me diverti  muito.

Hoje eu acordei com pressa para o ano que vem e saudade do ano passado.. Sinto me presa num tempo lentissimo. Eu que já tanto meditei nao sei ficar parada assim…nao agora. não internalizei o tempo presente:  que é o único que existe.  Enquanto o relógio ainda mais antigo que a minha mesa dáva as badaladas, eu soube que  era quase a hora do almoço. Relógio, esse que tem que ser lembrado de sua função todas a semanas. Todas as semanas alguém deve ir la dar as suas cordas.

O relógio é quase como o Aquiles que me lembra todas as semanas que o processo é esse lento eh ,ele que me faz a perguntas certas. Ele que percebe a força da minha conexao conexão com minha avó, o quanto a minha saúde se abala com a sua saúde.

Aquiles que me faz as perguntas certas. O que é que eu devo fazer para trabalhar? Eu desejo estar melhor para trabalhar, ainda que eu nao saiba fazer nada… Os únicos  trabalhos que me fez fizeram feliz foram trabalhar  na recepcao da Mut Mee para ganhar quase nada. E quando trabalhei com o Mustapha num job de escola. O trabalho com os dois eram faceis e mal remunerados. No entando, eu aprendia sobre a vida, eu escrevia e tinha e encontrava humanos exceptonais. Fazia me prazer estar com eles.

Entao sento aqui escrevendo quase nada, mas sentindo que aos poucos estou me recuperando, gostaria de poder só escrever… mas ultimamente até isso é tão difícil… entao vou visitando medicos, exames, e muitos amigos visitando, enquanto as badaladas vão batendo nesse bairro antigo de Sao Paulo. Hoje em dia populado por muitos Judeus que vieram muito deles na segunda Guerra. Soube esses meses que muito tambem vieram tambem para a Amazonia. Meu novo vizinho  é Libanes, e no verdadeiro estilo Arabe até me convidou parar ver a sua casa e no final ainda me prometeu zaatar.

O tempo voa lentíssimo enquanto eu e a minha avó nos recuperamos, mas ela ja tem direito de beber cerveja, vinho, cognac etc…. e eu nao 🙂 tudo bem nunca nem ligar de beber.. O antigo Bairro vai se transformando e numa volta ou outra tudo volta a sua velocidade e quem sabe nesse dia vou até jogar capoeira… mas agora eu devo voltar a sala para celebrar o aniversario da minha mae.

Menos silencios, muitos pensamentos…e alguns sons :)

AAmusica metafisica filosofia (1)

O Piano não faz mais sentido como antes, eu nunca soube tocar piano. No entanto, nas ultimas vezes o piano fluía por mim e para mim. Hoje não, o piano é entanho, é estranho como fora outrora.

Chateio-me, o piano tinha se tornado tão familiar, e tão belo quando eu ficara doente na segunda vez,  na terceira…eu sabia toca-lo mesmo sem ter de fato prestado nenhuma atencao naquelas mil regras do 5. Sem jamais  nem lembrar o nome da professora de piano. Quando tudo colapsou o piano fazia sentido…. eu sentava e musica fluia…. e era bela..

Hoje nao. Hoje não, ele é raro como também é rara  a sanfona que desapareceu desse quarto meu. Quarto construído em detalhes com todas as minhas escolhidas relíquias .. coisas simples mas feitas a mão pelo mundo. Aprendi com minha avó, que trazia algo de suas viagens feito a mão. Fico muito no meu quarto e na sala com minha avó. Ando muito a pé e  de ônibus com minha cuidadora, minha ex babá de infância, a crê.

A cre ė mais perdida que eu, já que jestá bem velha e teve uma vida de livro dos passados.  Um tempo eu conto mais da Cre que agora está no dia de folga.

Passo tempo entre ir a milhões de exames e médicos e no meu quarto entre passando filmes do Michael Pailin com minha avó. Vejo muito muito prima Fe, em casa tentando escrever e tentando tocar o piano..  Esse dias como expliquei o piano não é mais familiar…. Alguma coisa desinflamou no cérebro e junto com essa desinflamação partiu a minha conexão ao piano.

Mas claro que não é tudo ruim. Eu  decido escrever.. mas aí a luz pára no prédio. O que fazer sem net ? Eu pego então um livro… tento escrever não tenho muito o que falar. Então faço algo corajoso pego o  meu violão, este que eu não conhecia mais! Que mostrava a mim tão claramente que eu não sabia mais o meu corpo,ele que tinha vivido comigo desde a infância. Ultimamente parecia soar sempre errado.

Alguma coisa tinha se dado quando todos os fios do meu cérebro se rebelaram e eu não sabia mais nem fazer acordes simples e maiores, e nem sabia cantar nada… nem as notas nem as melodias… um sonho disforme saía de mim.

Parecia que não importava o que fosse as linhas que saiam da minha voz, e das mãos eram invariavelmente separados. Caminhos em paralelas sem a menor chance de se encontrar.

Hoje no começo eu não soube cantar, mas eu soube ouvir, finalmente eu cantarolava na mesma linha e  tom que saía do meu instrumentos… difícil de explicar… como se aquelas melodias não estavam mais paralelas, finalmente entoávamos e cantávamos finalmente juntos.  e  e a letra toda eu não sabia lembrar, esquecia.. palavras inteiras.murchas.. apertadas.. mas eu sabía cantarolar fluidamente..

Eu então a luz voltou e eu pude olhar a t  e pude cantar  e tocar enquanto as linhas passavam umas pelas outras. Senti-me muito feliz.

Mais tarde fui a yoga e la meu corpo mal se lembrava dos assanas que eu fiz tantas vezes, por muitos anos antes.. Cezar seu professor foi me ajudando, mas  interessantemente  a dificuldade foi só na primeira seqüência , quando fizemos o lado esquerdo. No lado direito tudo foi perfeito…eu me lembrava… não . Mas não parecia que era preferencia de lado mas simplesmente apenas parecia que meu corpo estava sendo relembrado tudo e que amanha será tudo de volta…

Voltei para casa e resolvi tocar piano. A internet estava de volta. Pedi ajuda ao Cesar da internet ( o site de violão com letras e acordes 🙂

E o violao que tinha sido tao raro veio flutuando a direção ao cais. Eu o aguardo aberta para cantar com voz e acorde… e com ajuda da net eu canto o que cantarolava Caetano

” que Apenas a matéria vida era tão fina”

e então o telefone toca e me de lembra então do “Esteves sem metafísica” do mundo real que se passa a volta a todos.  Tomo um banho e resolvo que já é hora de dormir nessas horas meu cérebro vai se recuperando mais e mais..

Muitos silencios e Muitos pensamentos…

Vejo o mundo em pedaços… mas, como eu passei por muitos mundos nesses anos, hoje depois de mais um incrível colapso do meu corpo sento-me aqui e uso quase toda força que eu tenho para escrever mais uma vez.

É duro,  eu fiquei fora do mundo por dias. Cheguei no no brasil em Setembro. So agora em Dezembro comecei a navegar  de volta este mundo direito. Não sei bem de onde…. não sei bem com quem.. nem bem a direção….  Ou melhor, tem horas que as palavras se apresentam naturalmente, palavras curtas que não exigem de mim muito, e se escrevem mais comumente . Flutuam naturalmente de onde aparecem , flutuam para a direita como um rio na  Amazonia,  já noutras horas me sinto no Oriente Medi(c)o/  🙂

Então, eu acho que devia começar  pela esquerda e fico voltando a cabeça para esquerda, tentando   encontrar todo o passado que eu vivia em silencio, quase um olhar para um deserto distante. Esse olhar sempre da-se sempre para Esquerda

Isso quando eu ainda lembro a grafia das palavras. Eu nunca soube escrever direito, e muito menos pontuar  nada de acordo com o Prof Pauscuale…hoje, a minha grafia será assim insólita, não por estilo, não por experiência …É a  verdadeira simples incompetência… talvez no passado eu defendesse saramago, o ou  grande  pessoal da acadêmico do processo de post colonial thinking ( que eu nem sei como se chama em português) que  afirmam  dentre muitas outras coisas coisas que a norma culta nada mais é que um elitismo.

Continuo concordando  com muitas de suas criticas… mas temos que reconhecer que uma norma culta  é uma misto de elitismo ( na escolha do que é escolhido) mas também uma maneira mais uniforme na  busca de um processo de deixar as coisas mais eficientes e em mais lugares….

Todas essas viagens e estudos me levaram a  ir para um milhão de pessoas em mil línguas, com mil sociedades que se encontravam e se manifestavam de mil maneiras em mil  maneiras… Religioso ou Ateu devemos pelo menos devíamos concordar numa coisas: a vida normalmente luta pela vida. Então se vc acha que eu to escrevendo isso para eu pregar já eu já aviso que nao é isso.

Isto me deixa exausta tenho que reler muitas vezes. Vou aos poucos tenteando voltar e escrever o que o que eu sinto. Tive uma vida dizer buscando sentido, de uma forma ou outra  acadêmica, no amor , na religião não sei porque tanta vulnerabilidade.. (totalmente produtos da minha mente)  meu corpo teve colapsos eles foram no meu cerebro. Pedidos de ajuda talvez.  Meu corpo sempre no meu cérebro

que nessa vez me deixou com uma consciência de possível escolha de morta. Mas hoje eu já escrevi demais… eu escrevo mais para frente.

Escrever me ajuda me trazer de volta ao mundo daqui, foi um pedido  do grande Dr Getulio, ele sabia que me ajudaria a entender os processos que eu eu observo, faço em português pelo Aquiles, pois imagino que o veria como uma busca, um volta a minha casa interna, familiar da minha infância.

Eu tenho até babá, com nome agora cuidadora. A Crê que cuidava de mim quando eu era criança… e dormia do lado da minha cama. Cuida de mim como de criança, as vezes  me ajuda muito noutras me desespera, e sinto-me que sou eu que está a cuidar dela. Com o direitos de uma menina pequena não levada à sérios .

Escrevo mais  para frente.  e noutra hora.  É difícil, é tudo aos poucos, então  paro aqui com as ultimas coisas importantes.

Eu tive o primeiro colapso no Marrocos quando eu viajava só.  A principio íamos eu e o Haiko meu ex, e a minha amiga Adriana. Passeávamos pelas cidades importantes, pelo o deserto etc… mas no separamos cidades em Fez, quando eles tinham que voltar para o UK para trabalhar…. e eu podia ficar mais.  Então eu fui olhando tudo, eu que nunca gostei de comprar nada, e nem gosto de mercados, acabei me encantando com as estórias dos tapetes, as comidas e o mistério daquele Ramadã.

Cheguei mesmo até à fronteira cruzando para a Espanha ali absurdamente a Espanha no continental Africano. Foi quase que lá eu creio que em toda aquela ambiguidade, vulnerabilidade, complexidade se acordou no meu corpo. Ali naquela fronteira de pessoas tao perdidas e tao soltas, tao livres e tao buscando tao gravemente algo que se soltou em si.

Voltei eventualmente para passar mais tempo em Marrakesh  com Mounia e tive o primeiro colapso depois de viajar durante Ramadam na casa de Mounia , ja escrevi sobre isso no passado, o quanto a simbologia  da sua pintura me devasto.

Foi naquela noite vendo aquele quadro um corpo que se comprima e tentava sair daquele lugar…. como naquela noite eu tive um ataque epiléptico sem bem saber bem o que era, pois eu estava dormindo e nao queria sabia e nem queria pediar ajudar….

Essa rota é longa e vou fazer esse exercicio para voltar

Eu tive 3 ataques muito distintos desde 2007. Todos meio sem explicação. Vou tentando escrevendo aos poucos porque tudo isso aqui me deixa assim com um novelo que se afrouxa e ao mesmo tempo abrocha.

Obrigada  a todos que sempre ficam me dando um baita ajuda. Agradeco todos os deuses e todos os cientistas. Ju