Da Poesia, Da Música e do tempo que querem eliminar…..

Tenho pensado sobre o tempo…. não sobre o meu tempo, tão quebrado de repente, e tão distinto internamente… mas no tempo do mundo. Nessa correria interna que se instaurou…. da musica erudita que apresenta linhas melódicas e  a re-apresenta depois em outro tom, com pequenas mudança e que exigem de um, um tempo cuidado, pequeno, de observação.
Não é novidade para quase nenhum que o mundo correu, e que tem alguns que acham o mundo  melhor. De fato, é inegável que a tecnologia e a ciência avançou, já a nossa compreensão do ser humano é quase que a mesma. Qualquer um que leia os gregos percebe isso.  No entanto, quase ninguém tem paciência de ler os gregos ou os Russos, a não ser que fosse como exercício de acumular cultura.  Seria esse o grande mal da modernidade? A obsessão por acumulo, e a falta de tempo interno? Não sei….
Ontem eu assisti na casa do Núcleo poetas declamarem enquanto Benjamim Taubkin e um percussionista que não sei o nome tocavam. Depois enquanto esperava minha prima me buscar ouvi a conversa de uma mesa.

Achei a noite linda…. E, enquanto eu fiquei naquela mesa, ouvi alguém dizer que achava que a noite devia ter sido mais organizado, que devia ter tido um tópico para as poesias.  Eu ouvi o ponto mas confesso que eu fiquei aliviada que não houvesse um tópico, uma linha, uma regra…. que tinha sido quase que um jamming de música a poesia  que seguia o ritmo dos que lá estavam no palco.  Nós éramos apenas espectadores do processo da arte. Meros e afortunados espectadores. 

 
Até tentei explicar meu ponto, mas foi meio em vão… Mas já que eu cheguei em casa e resolvi escrever ao Benjamim, e a um dos poetas. Era tarde, mas ainda assim eu escrevi…
 
Será mesmo que até a poesia precisa de um roteiro, de um tópico?  Pareceu-me bobagem, mesmo porque um tópico fixo seria quase que uma prisão…. a não ser que o tópico fosse a vida em si. Nada mais, nada menos….
 
Eu achei lindo porque fluiu…. assim como flui as rodas de choro do Isaias ( de quem estava toda a história na parede da casa do Núcleo)…. Suas rodas são todas as sextas….. acontecem sem ensaios, sem planejamento…. simplesmente  o tempo, o ritmo e a interação dos que lá estão.Lembrei, que uma das críticas que eu ouvi sobre o  filme do qual o Benjamim fez a trilha o “Eu Maior” era essa….. ” Não tem estrutura. Tinha que ter para as pessoas saberem e não se desinteressarem.”Eu não disse quase nada  sobre isso para essa pessoa…mas pensei até agora…..  será  mesmo que no mundo é necessário ter uma narrativa com começo e meio e fim a tudo?

Na hora eu pensei, que  aquilo era uma concepção ocidental do mundo… principalmente dos EUA…. primeiridade, secundidade, e resolução……

Quando eu vi, O EU MAIOR, como eu disse ao Benja, eu fiquei tocada porque ele não era assim. Ele era livre…. me fez pensar na Asia…. na maneira que os Tibetanos, e asiáticos em geral contam histórias…. tāo sem  estrutura… tão dando voltas……a própria poesia é assim…. vem da experiência da vida…. da liberdade…. dos desencontro e encontros… dos mistérios., do irônico, do triste….do quase nada que é tudo.. por isso talvez seja que lugares como o Oriente Médio tenha tantas poesias… talvez fuja do conformismo da explicação de todo resto….. talvez seja a única possibilidade do novo, do subversivo… 

 
Um “Esteves sem metafísica,” e um que tem toda liberação numa fumaça, no olhar de uma menina comendo chocolate…
 
A poesia, e a manifestação dela não pode ter tópico, ter estrutura, ter ritmo para agradar a falta de atenção de um mundo que vive regido pelo mundo da propaganda… 
 
Por isso eu agradeço poetas e músicos, muito obrigada pela música que foi sentida, do percussionista que ouviu e tocou,ao Benja… e aos  poetas que se comunicaram entre eles. Nós, no fundo, somos uns privilegiados de ter podido ver a reprodução do sagrado… o que acontece quando a arte se encontra, se divide…
 
E é apenas por isso que eu digo que eu até entendo que para muitas pessoas é melhor uma estrutura… e escrevi a um deles “pelo amor deus, por vocês se encontrem então a sós,  e convidem só quem de fato sabe ouvir em silencio, sem ser parte, sem precisar de resolução.
 
E de fato, nós não avançamos muito emocionalmente. Perdemos a paciência do tempo interno….Não todos nós, mas infelizmente muitos de nós.

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