O Grande Desafio da Vida…

Ja tão perto da época do Natal recebo um grande presente. Para alguns não se parece um presente, mas para mim sim. Na minha última seção  de terapia, expliquei a meu psicólogo  que Cre que sempre me acompanha agora tinha sido minha babá desde que eu nasci, e mesmo  antes de eu nascer tinha trabalhado para meu pai.

Assim Aquiles viu a validade dele falar com ela. Eu confesso que nāo lembro de quase nada da minha infância, o que é meio estranho mas não muito, já do meu tempo de bebê ninguém esperava que eu fosse lembrar muito. Por isso isso eu considero um enorme presente ter escutado sobre a minha infância em frente ao meu psicólogo. Valor esse que muitos que não levam psicologia a sério não entenderam.

Entendi internamente também que não dá para nós esperarmos que os outros entendam o que damos valor, mas que sim devemos respeitar ou pelo menos fazer uma força para tentar respeitar o que o outro dá valor, ainda que para nós faça nenhum sentido. Enfim saí da terapia aliviada. A noite caía devagar na Vila Madalena enquanto a lua boiava quase que inteira no céu.

Desde que parti da terapia comecei a re-conectar me com pessoas que foram muito importantes em toda essa jornada.  Seria impossível falar de tudo, mas queria contar algumas coisas que achei muito interessantes.. por exemplo a conversa online que tive com Chi, meu amigo do Taiwan, que está agora no Canadá. Chi é um dos meus amigos que mais  se preocupa comigo. Ele e um amigo meu Italiano medico.

A pergunta que saiu da minha boca foi ” onde você está e quantos países já esteve agora?” enquanto eu perguntava isso,  minha alma estava se perguntando se ele estava virando um consumista de culturas.. e ele me explicava simultaneamente que nunca pensava em quantos países Ía.. simplesmente ía conhecer lugares dos quais tinha curiosidade. Sempre pelo coushurfing e andando sempre com o transporte mais barato que tinha…

Lembro que a última vez que nos vimos ele me contou que o lugar que mais o tocou tinha sido o Irã pela receptividade das pessoas, e o Sudão pela força interna das pessoas, num lugar tão pobre. Falamos da solidão de viajar assim.  Enquanto o lia  eu me perguntava como podia ser que meu amigo Chines do outro do lado entendia bem a fundo o que eu pensava e sentia.

Quando as mensagens apareceram para nós dois , as mesmas curiosidades simultaneamente, sabíamos.. eu ri… nao sei se ele também, já  que ele sempre fora bem mais sóbrio que eu ,talvez não, mas quase que em silêncio sabíamos que tentávamos não consumir culturas pelo mundo. Mas  sabíamos que  viajávamos fundalmentemente  diferentemente , eu sempre me envolvia com as pessoas muito intensamente enquanto meu amigo sempre era de fora.

Perguntei a ele se o fazia intencionalmente., para não deixar um buraco quando ele partia e  ele me  me surpreendeu dizendo que sim. Depois surpreendentemente ele me  contou que sempre se sentia só… mas sua maneira de navegar o mundo era assim sem se penetrar… passaram a minha mente todos os meus amigos sós que passavam pelo mundo assim….

Vagando pelo mundo sem se conectar com nada de fato. Quase que eu via um balão no céu.. Minha prima Lucia que conheceu o Chi ficou perplexa. Como ele podia vagar assim por anos sem propósito ? Para ela tal pena seria o maior dos castigos..

Esses dias eu recebi também mensagens e ausência de mensagens que me mudaram muito. Soube da morte de uma pessoa, que eu nunca conheci mas de quem ouvira falar muito. Sabia  que era só e tinha estado morrendo aos poucos há muito.

A lua boiando no céu  lembrou me da noite em que eu e Michal sofremos um acidente na India. Naquela noite a lua estava também enorme no céu, e a morte se aproximou bem perto de nós . Um perto meio longe já que não sentimos medo de morrer só o calafrio da sua vizinhança. Nos visitou e partiu.

Depois  lembrei-m e de receber um email coletivo da minha supervisora do doutorado falando do suicídio do nosso colega Tom. Na época, eu respondi o e-mail coletivo mas mais direcionado a um amigo Russo que celebrava a morte de Tom e a sua decisão de partir….Na  época, eu simplesmente achava que eu não podia celebrar tamanha solidão. Escrevi sobre isso e recebi de volta um enxurrada de emails de pessoas que se sentiam sós como nos.

Eu continuei viajando o mundo, e  encontrando pessoas que me marcaram até eu ter um ataque epiléptico e me ver de repente provavelmente durante  o estado de com ao qual fui induzida na Asia com uma decisão de partir do mundo. Via tudo negro e eu sentia que eu  podia decidir morrer.

Lembro de decidir que queria ficar porque queria voltar para ver o Edu e a minha avó. E depois lembro de chegar aqui  e o mundo ser outro. Eu ser outra. Não na essência mas no que eu podia fazer.

E assim que a Lua ficou enorme no céu, tudo foi ficando mais claro. Enquanto ela crescia foi trazendo tudo que devia ficar, no seu ápice tinha quase me populado por inteira.

E agora ela vai minguar levando tudo consigo que não tem valor. A morte desse senhor que nunca conheci olhando a lua me pareceu mais doce.

Ele morria há tempos, em alguma parte de mim senti que maior que a morte é viver tamanha solidão. Lembrei de meu amigo médico com quem tenho um trato de vida e morte. E fui dormir esperando que esse senhor tenha encontrado um outro lado da vida para ele se  vasculhar. Ou que tivesse total final de vida. Nenhuma consciência  que tenha virado stardust.

Repensei o Andrey, lembrei das palavras do Chi, do Fe ,Francesco, da Leila e de tantas pessoas e no final entendi o Andrey, meu amigo Russo.No final, achei melhor celebrar a Vida to Tom.  E lembrando o mundo sendo tocado na superfície, e a saudade que eu terei de todas essas pessoas que eu vejo raramente, senti um aperto no coração.. e olhando para o lua decidi por fim que a grande aventura da vida, não era trabalho, doutorados,guerras.

O verdadeiro desafio da vida  é de fato encontrar o outro. Pelo mundo todo, ou na sua propria casa. O grande desafio é de fato dissolver as nossas barreiras.

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