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Sobre julietafalavina

Eu escrevo da minha vida, e agora sobre a minha recuperação da saúde .

Escorregar mas não cair no fundo do poço.

Já foram tantos lamas, e monges que já ouvi que nem sempre sei de onde foi que veio uma certa informação. Só sei que  uma certa vez me foi dito que devemos ser compassivos, conscientes na busca da iluminação mas com cuidado.  Pois mesmo quando nos cremos conscientes e compassivos podemos nos afundar por não percebermos os nossos limites. Acho que a parábola era de alguém muito elevado que resolvia tirar alguém da bebida e senta-se para beber junto o tal perdido. E claro, uma vez alcoolizados os dois perdem a consciência

 

Estou no Peru. Feliz com o Doutor Pan. E ainda descobri que Chamtrul Rinpoche vinha dar aulas aqui.  Chamtrul é um Tulku Tibetano.  Passei das 10 da manha do sábado as 7 nas suas aulas e não é que no final uma menina Suíça resolve fazer uma pergunta. Todo o tempo falamos de meditação e de física. E ela pergunta “O que se deve fazer quando tenho tanto ciúmes que quero matar o homem por quem tenho tanto ciúmes. “

 

Todos ficaram surpresos. E eu comecei a falar com a senhora ao meu lado, Isabel, que era budista. Tinha lido muito Mathieu Ricard.  Tinha feito inúmeras anotações.  No domingo volto ao centro e tinha pensado toda a noite sobre a menina que era claramente descontrolada e sofria. Na hora do almoço Isabel me convidou para  almoçar com ela e o Rinpoche e mais algumas pessoas e eu na hora pensei que devia procurar a menina porque ela precisava de ajuda.

 

Comemos juntas, ela é uma bomba para explodir e tendo de um tudo. Ela quer ir no seu hotel e quando vamos lá a recepcionista diz que ela tem que partir do hotel. Pede para falar sozinha mas  “M” diz que posso ouvir tudo. Então eu realmente não sei o que fazer e digo. Venha para minha casa.  Assistimos mais horas de ensinamentos tibetanos. André éstá em Juliaca e tem Soroche. E eu a trago a minha casa.

 

Faço algo para comer, cha e abro uma cama para ela na sala. Mostro para ela o banheiro da sala e conversamos. Ela me conta que seu ciúmes era do Rinpoche, me conta dos seus sentimentos do abandono, dos seus pensamentos  de suicídio. Me mostra a sua arte. E quando vai tomar banho acredito que está mais calma.

Antes tinha falado com ela, falo de Dostoyeviski dizendo pela voz de Alyosha que Dmitri está menos longe do caminho da evolução pois conhece a raiva,  o ódio etc. Vou dormir e então enquanto eu não me surpreendo tanto por ela ter tido pensamentos de morrer, porque já os tive e nunca mentiria sobre isso. Nunca tinha estado do outro lado com a preocupação que alguém se matasse, ou morresse do meu lado. Seu banho não terminava. Quando termina ela sai metade pelada e vem ao meu quarto, deita ao meu lado. Eu observo. Ela de repente desperta e não sabe onde está. Quer ir atrás do Rinpoche.

Digo para ela que esta semi nua e ela sai assim mesmo. Desço para portaria e a vemos nas câmeras.  Vamos atrás dela. Ela volta a minha casa e coloca calças e sai. O porteiro me avisa que saiu descalça.

André chega as 2. Ele está cansado e eu me lembro da parábola e  penso que tenho que dormir.  Finalmente pelo menos tinha deixado a porta fechada e a chave com o porteiro para o Andre, só para o André. Tão difícil foi.  Só quando o Andre chega que eu durmo. Acordo ligo para a embaixada da Suiça.

Sabem que ela é um caso estranho.  Ligam de volta e me dizem que posso levar todas suas as coisas para lá. Eu tinha pedido para fazer isso.  Ficaram na minha casa malas, computador passaporte, toneladas de remédios, pinturas, câmera, 5 malas que não abri, não investiguei, só procurei seu passaporte. Tudo que falei era porque estava no chão. Não é da minha personalidade mexer nas coisas dos outros.

Tomo um taxi e quando estou quase lá me ligam da embaixada para me dizer que ela apareceu la. Se quero ou não vê-la. Sei que não posso cura-la mas também sei que não devo ignora-la. Desço e falo com ela.

Está de olho roxo, pé queimado, machucado.  Me olha e diz:

 

“Vamos tomar chá Julieta?

“ Desculpa M eu não consigo. Eu fiquei preocupada,  faz 12 horas que você desapareceu.  Trouxe todas suas coisas para cá e não consigo mais te hospedar e acredito que você tem que voltar ao seu país.”

Conto tudo que se passou com ela. Ela faz perguntas. Ela chora.  Ela pede desculpas. Conta que bateu nos policias. Que brigou na rua. Entende que não posso hospeda-la. Diz que não tem dinheiro para voltar.

Chamo a moça da embaixada para dizer a ela que basta ela dizer que quer votlar.  M sabe disso e confrontada chora. Diz que tem medo de voltar. Não quer psiquiatras. Não quer tratamentos. “Por que sou  tão abandonada?” Percebo que ela quer meu amparo e me lembro que viro o quase iluminado que bebe. O indígena que manda não tirar alguém do buraco pois cai de novo.

Esse foi o ato mais difícil dizer que não ia poder ajuda-la. Ela aceitou com uma dor evidente. E eu parti e liguei para o Andre que foi comer comigo. E eu liguei para Dra Euthymia que me mandou uma mensagem que me trouxe mais amparo. Peguei um taxi e fui ao centro do Dr. Pan.

 

Todo o meu caminho pensava que sou grata por ter Dra. Euthymia sempre aberta a falar ainda que tome um caminho distinto. Dr. Pan e a Talia que faz relfexologia e massagem. O André e que aqui em Lima ainda fiquei amiga da Isabel que pegou meu contato e se ofereceu para me acompanhar até a embaixada. Agora me liga para me convidar para almoçar com o Chamtrul Rinpoche na sexta.

 

Eu desejo do fundo do meu coração que ela parta para Suiça porque não é em transito que encontramos respostas. Nem parada. É na profunda busca de estar presente dentro de nós mesmos. É de termos consciência dos nossos limites.  Confesso que eu escorreguei.  Fiquei tocada pela sua solidão. Pela sua doença que deve ser esquizofrenia.  Por um egoísmo tao latente que não se da conta do tanto que se machuca, do tanto que machuca os outros.

 

Agradeço a todos vocês que são parte da minha vida. Sei que quase sempre minhas mensagens são coletivas mas o sentimento é verdadeiro. Com o milagre do sono, da comida, da meditação, da yoga, acunputura, relfexologia e o amor de todos você eu só escorreguei não caí no fundo do poço.

 

Obrigada.

ps:Conto a Talia que diz que a Leila é meu Anjo. Na mesma hora recebo uma mensagem da Joss. Vivimaos as 3. Joss me conta que chorou muito pensando em Leila e que queria me ver. Joss não é uma pessoa de falar. Meus olhos inundam de emoção. Talia quando conto enquanto ela toca meu pé ela tem certeza que toda minha proteção vem do meu Anjo Leila.

Organizando a casa Interna

Quando muitos dias se passam e eu não escrevo muitas coisas acontecem. E quanto mais dia adiado mais histórias não contadas. Nem sei por onde começar. Talvez pelas palavras da Monja Coen que diz que a raiva é natural e que quando ela vem devemos observar. Engraçado porque para mim em qualquer momento que vejo uma injustiça acorda em mim o pior. Monja Coen fala do comum pensamento budista de que tudo na vida é impermanente e naturalmente essa braveza que é acordada muitas vezes vem de você estar estagnada ainda em algo do passado.

Hoje eu acordei com a notícia da politica no Brasil que naturalmente não tem nada de positivo a se pensar a respeito. Ponderei quão útil seria para mim ler tantas noticias vindo do Brasil de profunda braveza. Post feministas tão assustadores como os posts machistas. De cara me dá vontade de gritar e dizer que somos seres humanos. E claro meu coração se acelera mas nem digo nada penso que é bobagem dizer.

Quando ouço hoje Monja Coen falando me lembro que aqui em Lima tudo transcorre em paz. A raiva me visita pelo facebook e em todo lugar que como orgânico que é permeado de estrangeiros. Mas mesmo sem ouvir a Monja Coen simplesmente mudei de lugar nem quis entrar em historias de terrorismo de muçulmano de alguém que nunca foi ao Oriente Médio. Saí de perto. E para minha surpresa quem estava defendendo os muçulmanos era um senhor americano. Quem estava agora falando mal dos muçulmanos eram homens viajantes que sei lá de onde são. Me percebi estagnada no meu trauma de ter morado em NY em 2001 e ter vistos duas guerras injustas. Irônico, hoje esse senhor que já viveu muitos anos tentava deixar os jovens mais ponderados. Inacreditável que eu saí de perto. Fui conversar com o moço do café que já se tornou meu amigo.
 
Nesse café conheci outro senhor que é Espanhol que morou em muitos países e então quando ele me disse que quando volta para Espanha ele realmente se sente de fora. E eu ri e disse que sentia o mesmo me sentia de fora no Brasil no Brasil. Ponderei e me dei conta que aqui sou de fora e isso é normal mas quando você se sente de fora no pais que nasceu existe uma certa forma de violência maior. Como se todos achassem que o faz por arrogância, ou elitismoe claro quando está fora é melhor acolhida. Sou de fora, tudo bem, não tenho que me justificar. Enfim, com esse senhor Espanhol percebi o que sempre sinto: “que me sinto muito bem fora do Brasil e não tenho nenhuma vontade de voltar ao Brasil.

Todo domingo vamos a feira orgânica e dessa vez conheci um casal de pessoas bem mais velhas que eu e Andre e somos convidados para ir a exposição do Carlos C. Aubain. Passei um tempão conversando com a esposa que era interessantíssima e me convidou para ir a sua casa. Somos vizinhas e para minha surpresa quando entro no site de Carlos descubro que ele não é apenas um senhor que pinta. Ele é talentosíssimo. Ele nasceu na Argentina e começou a pintar com 8 anos . Já ganhou prêmios no começo dos anos 70. Partiram da Argenina em 75, provavelmente por causa da ditadura. Morou na Califonia e meio que expõe nesses três países. Sem duvida iremos nesta sexta.  

http://aubainartgalleries.com/biography.html
 
Um lugar vai se tornando casa quando vai encontrando essas pessoas certas. Katia da feira que me indicou tudo. E passei a comer no Germinando Vida. Comida Vegan, pessoas incríveis que já se tornaram meus amigos. Já até organizamos de fazer yoga juntas na terça quando o restaurante está fechado. Milusca, que é a dona, me explicou que está aprisionada de um lado um médico alopático demais. E do outro um natural demais e não é que sou eu a de fora que conto do médico que encontrei.

O acaso da vida me fez cair nas mãos de Dr. Pan. Fui meio sem saber mas ele me atendeu e fez uma leitura dos meus olhos. Um homem mais velho, e de poucas palavras, eu nem disse nada e de cara ele me diz vc tem um problema de inflamação de veias e de ficar nervosa facilmente. Contei que ele estava certo eu tinha vasculite e que fazia 6 meses que tomava 40 mg de cortisona e que estava tirando. E então ele me diz “não se pode tirar.” Concordo e digo a ele que estou diminuindo. Ele não tenta me empurrar mil coisas. Diz que acupuntura e refleoxologia era suficiente. Eu insisto e ervas? E massagem? Não é necessário de tanto eu insistir me da um cha e fico radiante. Marco de ir duas vezes por semana. Fico ainda mais impressionada na acupuntura. 

Na Asia tinham me explicado que quem coloca muita agulha não sabe oque esta fazendo. Ele colocou pouquíssimas. Na minha cabeça, no meu pé.

Voltei ontem e senhor Pan me surpreende mais quando vejo que ele dá ervas para outros. Cada um tem um tratamento diferente. Faço a relfexologia e de cara a menina que aperta meu pé me diz que eu estou com nervosismo contido. Um ponto meu dói, tão estranho, e ela fala de circulação. Do homem do lado a outra fala de lombar. Quando esse homem partiu converso com a Talia que me conta que tratou da sua avó. E que estudou reabilitação. Contou sua vida. Como era trabalhar de vendedora com 17. Da saudade que sentia da sua avó que já tinha partido. E que ali ela estava no trabalho certo. Eu fico emocionada. Jovem e me diz “quanta energia presa no seu corpo. Seja qual for a sua preocupação esqueça. De repente chega o Dr. Pan.
 
Sendo eu digo olá e ele visivelmente tem muitos clientes pede para eu soletrar o nome. Busca seu papel com meu nome. Confirmo ele olha o que ele escreveu em Chines e me diz que vai fazer Acupuntura e um outro tratamento que é meio Mocha mas diferente. Diz que pareço estar comendo melhor mas que ainda parece para ele que como pouco. Concordo com as duas coisas. E o abraço porque este realmente era o médico que eu queria. Poucas palavras. Calmo. Asiático. Mais velho.


 
Digo que quero vir todos os dias e ele diz que isso é exagero. Sugiro 3 dias. E ele me diz que se puder é melhor. No entanto, ele nunca tenta enfiar mil coisas. Sua clinica tem massagem, tem tudo. E ele realmente é um homem especifico sobre a realidade das coisas. Na hora de partir pedi para tirar uma foto com ele. Mostrei a ele a foto da minha avo comigo. Minha avó de blusa Chinesa, calça Thai. E Eu de lenço do Laos e Blusa da Thailandia. Ele olha e diz… vc está ficando parecida com sua avó. Fiquei feliz.

Dos mistérios da vida descubro por acaso que Chamtrul Rinpoche viria ao Peru. Escrevo para minha amiga Denise que conheci na frente de SS Dalai Lama e me levou a Karmapa e tantas outras coisas budistas. E não é que no milagre das coisas a internet funciona do seu WhatsApp e ela está no Tibet. Ela o conhece. Eu o escrevo e hoje ele da uma palestra na embaixada da India.


. Sinto-me verdadeiramente abençoada. Deixo vocês com as sabias e curtas palavras da grande Monja Coen. 


Com amor, Ju

O Tao que muitos não compreendem mas que eu peço ajuda da sua fé e se nao há tem só o seu respeito. 


Querido amigos,

Primeiro eu no meu eterno contar peço de cara que se você já experienciou isso e tem uma opinião oposta não me conte porque eu não to conseguindo dar conta. Não, não é uma questão politica, nem cultural nem religiosa. É a cortisona que estou tomando e a vasculite que carrego.

 
Muitos de vocês sabem que eu tive um AVC que acabou finalmente mostrando ao mundo que tenho vasculite cerebral. Vasculite Cerebral é uma doença auto imune. De cara me mandaram tomar um imunossupressor e eu recusei depois tomei, e recusei e resolvi ficar so com a Cortisona e fui para Asia.

 
Quando estava por lá encontrei com o Pancho que é um senhor americano quem mora na Asia há mais de 30 anos. De cara ele me contou que ele foi me procurar em 2013 para dizer que sentia que eu tinha fadiga Adrenal. Eu dessa vez, disse, pancho quase morri em 2013 mas to bem e estou tomando cortisona.


De cara ele me deu uma aula da qual não ouvi por dentro. Falou do fato crucial que tomando cortisona meu sistema de produzir cortisol estava parado. Parti e disse que aceitava o que tinha e ele me disse que o caminho é de evolução e que eu estava apática. Não liguei muito.


Sei que começaram entrar em mim desgates emocionais, nervosismos, desejo de sal, de açúcar, um sono que tomava meu dia, e um acordar pela noite. E a parte mais assustadora foi o encontrar então o desejo frequente de morte. Sei que eu aqui em Lima sozinha me veio a cabeça o cansaço, a fadiga e veio o Pancho e eu tao acordada numa noite fui ler tudo de Fadiga da Adrenal e caia em quase tudo daquela descrição.
Fui ler sobre a Cortisona e vi que um dos seus efeitos colaterais era o Glaucoma. Fazia dias que meu olho estava pesado. Entao decidi que ia parar de tomar. Primeiro não ia contar a ninguém. Entrei na net e de cara soube que não produzo cortisol entao tinha que fazer de maneira equilibrada e aos poucos.

 
Contei ao André e a minha mae e a minha avó. E debati conto ou não conto para Dra Euthimia e Karen. Claro que contei. Comecei ontem a redução. Sabendo que tenho vasculite e que ela pode deflagrar de novo com consequências muito graves. No entanto, na cortisona não consigo bancar. Dra. Euthymia é um presente do universo falou comigo ontem e ficou claro preciso re-estruturar a maneira de dormir das 11 as 7. É claro ela tem verdadeiras preocupações e tenta. Trazer de alguma forma para mim uma maneira de pensar como uma médica.

 
A partir de ontem reduzi o remédio 5 gramas. Ou seja estou tomando 35 gramas. Dormi apenas meia hora pela tarde e fui dormir as 9 e claro acordei as 1,20 mas voltei a dormir 1,30 ate as 6 da manha. Devo ter dormido mesmo 9 horas o que está ótimo.

 

Voltei a busca do Yoga. E hoje e ontem pratiquei sozinha em casa. Pratiquei meditação. Andei e tive sim oscilações de emoção. Mas consegui observa-las mais de fora.

Conto tudo isso simplesmente porque escrever me faz bem, contar a verdade da dificuldade que é um caminho também me faz. Fico extremamente feliz de estar em Lima.

Claro, que meus pais queriam que eu voltasse ao Brsail mas estar num lugar calmo onde não tenho obrigações e nem ninguém que apareça na minha casa é maravilhoso. Quase parece um retiro.

Vi que o Mujica diz que precisamos priorizar viver.


Vi que o Papa Francisco disse “ser feliz é reconhecer que vale a pena viver a vida, apesar de todos os desafios, incompreensões, períodos de crise. Ser feliz não é uma fatalidade do destino, mas uma conquista para aqueles que conseguem viajar para dentro de si mesmo. Ser feliz é parar de sentir-se vítima dos problemas e se tornar autor da própria história. É atravessar desertos fora de si, mas conseguir achar um oásis no fundo da nossa alma.”


Vi monja Coen falando que uma criança se machuca e sozinha se cura e vai brinanco e nós vamos criando carapaças para sentir a dor e nos prendermos a ela. Ficarmos nas nossas doenças , nossos sofrimentos.

Dalai Lama diz da importância que é desenvolver a paz interna que não pode ser comprada num supermercado. Budismo ensina ter uma experiência realista da vida. A vida é sofrimento. Se Existe um problema, temos que tentar entende-lo. Uma vez que conseguimos entender um certo problema. Isto não atrapalha mais a nossa mente.

Então é isso que estou tentando fazer. Entender a origem da minha doença auto-imune. Fiz uma decisão que não vem sem medos, mas vem sem dúvidas. Não é feita pelo caminho do risco total de simplesmente jogar a cortisona fora depois de 5 meses tomando diariamente tomando 40mg além de infusões. Estou tentando tira-la leio muito a respeito e pedi ajuda a todos. A ajuda não é ninguém vir para cá. É o oposto é entender que me deixa em conforto estar num lugar pacifico , parece um  retiro maravilhoso.

Peço sua oração, e o seu respeito pela minha busca de cura pelo caminho de outra estrada. Entendo todos que querem tomar o caminho profundamente alopático. Eu entendo isso mas eu não o quero.

Hoje quando meu coração palpita, quando vejo mal, quando fico confusa não sei se é consequência do remédio ou da vasculite. Prefiro saber a origem. E apenas eliminando a cortisona é que saberei que o que virá é de mim mesma. Então escolho mudar minha alimentação, fazer meditação, yoga.


Sei que todos nos vamos morrer um dia. Sei que posso ficar paralisada sem tomar o remédio. Mas também meu corpo pode se confundir muito por tantos remédios jogados nele que tbm posso ficar paralisada. Sei dos riscos. Não o faço porque acho que sou heroína.

O faço porque quero evoluir como disse o Pancho e sei que nesse caminho que estou eu acabo por me jogar pela janela. E isso eu não quero faze-lo. Eu quero aceitar a minha vida como ela é. E buscar os caminhos da cura dentro de mim.
E do fundo da minha humildade peço sua ajuda por reza. Pois eu confio nelas. Ninguem nuncas imaginou que eu sobreviveria depois de 2013. Ninguem achava que era solido ir a Birmania mas me trouxe mais paz ir para lá e mais fé. Então o meu caminho é esse o da fé e o da busca do interno.

http://www.translatingthoughts.wordpress.com
http://omundosegundoadenilson.wordpress.com
https://descolonizandoamente.wordpress.com/

Aprendo um pouco de Quechuas e Peru em Barranco.

Hoje é domingo e tinha ficado marcado que viria aqui a Vilma para limpar. Naquele dia já tinha conhecido ela e Fernando seu filho de 10 anos. Acabaram de partir daqui. Mais de cinco horas de trabalho e conversas dos quais eu e o André nos sentíamos mal por ela fazer tanto. Eu tentava estimula-la a fazer menos, em vão.

 

Íamos tentando fazer umas coisas para ajudar nao ajudou muito. Saímos daqui para almoçar tarde no lugar orgânico e convencidos que não estariam mais aqui na volta. 

Deixamos dinheiro, falamos que podiam comer o que queriam mas quando voltamos ela tinha lavado, secado e passado as roupas. Organizado a casa. Feito de um tudo. Uma limpeza de uma sujeira que deve ser da idade da casa.

 

Quando chegaram antes do nosso almoço contei ao Fernando que tínhamos uma surpresa para ele. Demos o lego que eu tinha comprado para o André e ele ficou encantado. Depois sentaram os dois montando e o Fernando lê o manual atentamente. Andre brinca com ele. 

E no final ele tira o seu saco de tesouro. Lá havia um outro lego e brincam mais. Quando fomos almoçar fora de cara o porteiro confirma a minha intuição “O Fernando não tem pai.” Eu tinha ficado impressionada pela sua atenção e pela amizade instantânea que se desenvolveu com o André.

 

Como ela está aqui na volta para nossa surpresa converso muito com ela que me conta que aquele canto do filme da peça que contei é Quechua. E ela e sua família também são. Conta que foi abandonada gravida e que partiu para essa cidade sem contar para ninguém que estava gravida. Ela e é de Puno. Trabalhou na casa de uma senhora de 90 anos até o bebe nascer. Volta para Puno e fica lá ate o Fernando ter 4 anos. Tem uma família que os acolhe. E me conta que a exploração dos trabalhadores em Puno é maior por isso voltou para cá.

 

Eu conto que quase morri na Ásia em 2013 e que tinha tido um AVC mas que nao tinha medo de morte mas tinha de semi-vida. Ela me conta que não tinha e me conta que num único ano quando ela tinha 13 perdeu dois irmãos. Um que pediu a ela caramelos e ela deu 4 e ele insistiu e naquele dia disse queria mais e disse um tchau de alguém que não volta. Não voltou. Morreu afogado num rio aos 15. 
Seu outro irmão morreu numa mina. Uma pedra desabou. Contei a ela que minha avó também tinha perdido um irmão num rio. Pode tudo parecer tenebroso mas falamos disso normalmente vida-morte como dizem os budistas.

 

Insisto para ela fazer menos coisas porque está ficando tarde para ela ir embora e já está mais limpo do que necessário. Conto para ela que tinha percebido que Fernando se sentia carente de pai. Ela me diz que a escola diz que ele não tem que ir no dia dos pais. E ela diz para ele ir porque um dia ela vai ser pai. Ela pede para ele cuidar das plantas como se fossem filhos. E ele não se esquece de colocar a agua na quarta feira.

 

Fernando me agradece tudo que eu dou. Chocolate, Laranja, Chá. Não pede nada. Semana que vem perguntei se ele não quer ir comigo na feira das flores para comprar vasos porque está faltando aqui. De Fernando ela não se separa. Não teve novos namorados. Sua atenção é para seu filho e a dele é calada e doce para tudo que ele toca. E claro que na feira pode e quer ir no domingo que vem.


Esse feriado era o dia do Peru. Andamos todos os dias e o sol se apresentou. As casas são tao coloridas nesse bairro que eu escolhi pela internet.




 Uma cidade plana. No centro tem um lugar de escadas em direção ao mar. E as noites são populadas de musica e barres e cafés. Há bandeiras do Peru por todos os lados. É lei. Nesse tal dia se não colocar a sua bandeira é multado. Tem quem ache que o nacionalismo venha de uma grande luta pela independência. Já as leis parecem mais claras.

Tudo que vi nesse festival foi bonito. Todas essas cores me inundam de felicidade. No entanto, o que mais me tocou foi conhecer a Vilma tão melhor. O que mais me tocou foi ele dizer

 

“Sofrer é um luxo que nunca pude me permitir. Cai e levantei e continuei caminhando. Fiquei feliz de te conhecer”

Ouagadougou- Descolonizando a Mente.


Cheguei em Nova York alguns dias antes de 11 de setembro. Na minha natural vontade de falar com todas as pessoas logo de cara eu já era amiga de pessoas do mundo todo. Muitos deles eram do mundo muçulmano então quando caíram as torres em vez de desejar a morte de todos os muçulmanos eu me perguntava o por que aquilo tinha se passado.

 

Lembro-me bem que fazia um belo dia, da minha amiga Caroline Suíça que vinha me contar do evento. Ela apavorada que seu pai que trabalhava para Unesco. Lembro de dizer que aquilo era provavelmente uma historia mal contada e de ver ao seu lado na televisão a segunda torre ser atacada. Lembro de apesar ter 19 anos dizer para ela. Não se preocupe, seu pai é muito importante para estar lá essa hora.

 Eu que fui para estudar cinema graças ao Felipe Gamarano Barbosa, mas  sai bem rápido de interesse em cinema para me dividir pelo meu encanto pela musica e pela politica do Oriente Medio. Como nos Estados Unidos você meio que tem liberdade e obrigação de pegar aula de muitas áreas.  E assim cai na aula descolonizando a mente. Ensinada por Mustapha que considero até hoje o meu melhor professor, o homem que mais tinha mais capacidade de transformar o outro que já conheci. Aquele que sempre dava ao outro a capacidade de mudar sozinho.


 

Das ironias vida foi graças a Jocelyne que conheci o Mustapha. Jocelyne é americana e seu pai diplomata e quando seu pai foi transferido para Burkina Faso ela ficou numa escola interna fora de Burkina Faso pois os EUA não recomendavam levar crianças para esse lado. Mustapha Masrour é meu amigo até hoje e Mustapha é Marroquino.

 

A vida é tao bela e complexa que eu cheguei num pais que se inunda de guerras ilegais e absurdas e eu  acabo me tornando amiga de Leila Alaoui. Morávamos as 3. Leila, Jocelyne e eu. Pela Jocelyne eu e Leila fomos parar na aula do Mustapha. E o tempo continuou.

 

Quanto mais eu me interessava pela ciência e pela politica, pela filosofia, antropologia, historia mais eu ia me convertendo num ateísmo fundamentalista.  Quando ia ao Brasil até queria convencer minha avó a ler os livros ateus. Ela os lia e dizia “tem tantas cores não precisamos gostar da mesma. Tudo bem de você ser ateia e de eu acreditar em deus.”


Esse longo post é para explicar porque faço agora uma página no facebook do meu blog que se chama descolonizando a mente. Sei que por eu ter chegado num principio de guerra, de ter visto o que se passa em tantos países onde houve lutas. O valor pela luta se desfez em mim. Associou-se a destruição, estimulo de ego e uma perda enorme há muitos.

Eu sempre escrevia e-mails coletivos e a lista foi ficando tão grande, e as pessoas me pediam para mandar o que tinha visto quando fiquei na casa de palestinos, de indianos, e da kashemira, na Ásia que coloquei muito em dois blogs.






Tenho em inglês, e em português. Do meu celular não conseguia mandar sempre nas listas, mas conseguia tag, e do Peru nem isso consigo. Então resolvi criar essa pagina onde os colocarei. Fiquei muito impressionada de saber que tantas pessoas me liam. E grata. 

Sinto que precisava explicar o porque o do descolonizando a mente. E isto tem a ver a cada dia com mais coisas. O nome é pelo Mustapha. Quem me levou a ele foi a Jocelyne e ela me levou também aos Tibetanos.

Leila Alaoui foi morta em Burkina Faso nesse janeiro. Leila é minha amiga. Seus atos vão muito além do que está escrito nas mil matérias de jornal. Leila assim como a Jocelyne não via diferença entre as pessoas. Não sei quanto disso já veio de antes mas sei que muito disso vem de uma solidão que nos três sentíamos, da tristeza que foi para nós três vermos guerras se darem, destruições de culturas, famílias, de sonhos.
 
Sei que Burkina Faso, ou mais especificamente Ouagadougou também é uma coisa que nos liga as 3. Jocelyne ainda criança foi afastada de sua família quando seus pais moravam lá, Leila foi tirada com 33 anos dessa de lá quando tentava defender os direitos das mulheres pelas suas belas fotografias, e de mim também é um segredo vergonhoso. Era a senha de um e-mail mais secreto do que tantos outros. Era Ouagadougou. Era a senha de tudo que era conta falha que eu tinha criado e que já desfiz. Como poderia eu escrever mais uma vez Ouagadougou no mundo do segredo?

Esse post é para explicar que o ato mais de tentar me descolonizar é confessar isso. Reconhecer a falha é mais fácil do que aceitar o mistério de Ouagadougou. Sei que pelas mãos de Leila, Joce, Mustapha e eu estão as crenças e culturas de África, Américas, Ásia e Europa.  Nesse caminho se desfez qualquer fundamentalismo. E aumentou a minha admiração pela mente e pelo mundo metafisico.


 

 

 

 

Os preços baixos pago pela desvalorização dos trabalhadores e já o meu casaco de Alpacas …

Estou de volta no sofá café o lugar que adoro e tomo café diariamente. Hoje acordei morrendo de frio e enrolei e coloquei um monte de blusas embaixo de um vestido. Lenços e meia e vim tomar café bem mais tarde que o André foi trabalhar.

Na hora, que fui pagar perguntei se a gorjeta é incluída , já que no outro lugar me pediram e quase em todos os outros o André que pagou. E eu tinha pago achando que estava incluída. Não é.

Quando eu cheguei aqui e já do meu lado “elitistinha”de acordo o André já quis ficar amiga do porteiro e dar o tapete que ele nem tem coragem de dar ou jogar fora.


Eu sugiro perguntar. E tbm dar uns tipo lustre que por comprar pela net vieram uns 10 e só precisamos de 1. É claro, ainda elistinha fui procurar uma moça para limpar esse micro apto.

André diz que aqui é quase escravidão . Preços de coisas de empresas é o mesmo preço que no Brasil. O estado quase inexistente portanto podem construir como querem. O novo governo da uns “tais” avanços mas os trabalhadores peruanos obviamente são os que pagam tudo por não receberem quase nada.

O André me diz que a moça que trabalha na casa do seu amigo cobra 50 soles, ou seja 50 reais. E ele diz que é muito pouco. Concordo. E decidimos que apesar do nosso apto ser micro pagamos 70.

Quando pergunto do tapete e levo ao porteiro ele fica tão encantado que me liga para dizer algo que não entendo. Desço e ele me agradece e diz que adoraram o tapete e a luz.
Ele arruma a senhora da limpeza que me pergunta o que quero que ela faça e eu digo que só precisa limpar. Pergunto quanto ela cobra e ela diz 50.

Não queria inflacionar de todos então digo. ” Tenho uma ideia se a senhora dobrar e guardar as roupas do André te pagamos 70″. Ela fica radiante e eu também mesmo porque somos desorganizados.

Então quando pergunto aqui no café da gorjeta e eles me contam que não é obrigado, então  eu deixo gorjeta e saio para procurar meu casaco. Vou andando e já ouço meu nome. Claro, já esqueci meu telefone no sofá café. Agradeço e me pergunto o que será que faz nossa realidade? As nossas ações ?
Ou são simplesmente diferença de cultura? E sem duvida eu tenho que parar de deixar coisas para trás ? No entanto, ganhei novos amigos por isso.

Minha mãe me diz para comprar um casaco de esporte mas no fundo esses eu nunca usaria e quando chego no shopping de Mira flores eu vou de loja em loja e de repente entro numa linda .

Cara como qualquer loja boa em São Paulo e colorida como qualquer loja asiática e me apaixono por um casaco de alpaca de mistura de preto com roxo, vermelho, azul e quando o visto tenho até medo do preço. Tudo nessa loja é lindo.

De tanto que eu hesitei e fiquei vestindo o tal casaco que fico até morrendo de calor. A vendedora explica que a alpaca  mantém a temperatura do corpo. Nem sei o preço mas sei que eu o adoro pelas cores, pelo calor, pela qualidade, pela maciez , por ser tão único e confortável. E por saber que a Alpaca é a base da indústria Andina. No cartãozinho colado ao casaco fala dos Incas, da criatividade dessa indústria de como hoje essa fibra tem um papel tão fundamental, fala até da alta variedade de cores cromaticas nesse tecido que diz ser a maior no mundo. Nem sei se é verdade, mas sei que vem dos Andes. E sei que amo montanhas.

Compro e volto andando. Faço economias de não tomar Uber ou taxi para pelo menos sentir que economizei em algo. Vou me perdendo um pouco mas vendo mais a cidade e de repente quem está do meu lado?

O sofá café 🙂 entro e digo a moça que to morrendo de calor de tanto andar, que sem meu cel que ela tinha me devolvido eu tinha ido a pé até a Bolívia mas fazias poucos minutos que tinha lembrado do mapa.

O que deveria tomar? Pergunto a moça do sofá café e ela me faz uma sugestão e aqui estou eu sentada na cadeira roxa e tomando um suco de mistura de frutas vermelhas e ervas verdadeiramente delicioso.



E nesse final de semana pelas confusões do visto do André vamos até a Bolívia 🙂 eu sabia que tínhamos um feriado e que eu ia passar frio para qualquer lugar que fosse. Agora tenho certeza que com essa bela alpaca posso até passar calor 🙂 De qualquer maneira, meu amigo Gabriel que é Peruano e estudou comigo na London School of Economics está aqui.  Acaba de ter um filho e me convida para ir lá agora….. então lá vou eu de volta para Mira flores e dessa vez, ja tirei os casacos inúteis e já coloquei meu lindo novo casaco.

Lima e o tanto que se aprende da cultura numa peça na feira orgânica

Estou em Lima. E de cara já tenho um monte de coisas para contar.  Talvez começa pelo fato que eu não sou o tipo dona de casa, minha mãe nunca cozinhou e eu já criança saia da escola para almoçar em restaurante e eu meu irmão detestávamos. Hoje eu amo comer fora e tomar café da manha fora de casa.


Gosto mais de café da manha do que das outras refeições , então achei fundamental descobrir o lugar certo do café da manhã daqui. Achei no sábado meu lugar favorito. E hoje o André que foi criado numa família mais estruturada prefere comer em casa. Sugeriu que fôssemos a feira.

 

Eu acordei as seis e dizia-se que havia Tai Chi aqui do lado. Acordei o André empolgadíssima. Disse para ele que não se surpreendesse com minha mudança de humor mas que estava tomando muita cortisona e dizia lá na bula dos mil efeitos colaterais.

 
André ,como sempre, não liga muito, mesmo porque ele não toma remédio é calmo e homem das ações. Levanto animada passo frio na rua, os Chineses não estão lá e é do lado da futura feira. O moço peruano diz que devem chegar mais tarde. E eu digo “Vamos embora está frio.”

 

Na minha versão mais honesta volto e durmo e acordo e vamos tomar café num lugar que só tem no domingo? O André  sugere a feira e eu inundada de um novo sono digo “ por que ?? Como diz meu pai isto é arcaico e deixa a cidade suja.”

 

Vamos ao café e pagamos uma fortuna para comer aquela comida boa mas logo o café é sem graça.


André quer ir no supermercado. Vamos e na volta eu digo para ele ir a feira se gosta tanto que eu fico em casa. E ele me pergunta “xuxuru, porque vc não vem?” Eu vou meio achando inútil  e segundo ele agora “contrariada porque bem no fundo sou uma elitistinha” diz rindo. E eu naturalmente me reconheço preconceituosa e errada.

É uma feira orgânica e tem de tudo lá. E eu é claro já fiquei amiga da senhora que vende pastas de azeitona e pimenta e de tanta conversa somos amigas de face e ela é da linha da meditação, do Ayurveda etc e tal.



No entanto, do que mais queria contar, era do teatro para as crianças feito no final da linda feira orgânica .


Eram fantoches. Uma mulher cozinhava e quando saía do palco ( para baixo) uma vaca fantasma aparecia e roubava a comida. Ela sempre perguntava as crianças quem era que tinha feito aquilo e as crianças contavam. Ela não acreditava  e então pedia ajuda o que  as crianças sugeria que ela deveria usar par se proteger do ladrão.

As crianças dizem

“Faca, revolver.”

E o fantoche da mulher diz “Que isso, não sou assassina sou uma campesina.”

Ela pega um pau para lutar com alguém que rouba. Quando eventualmente consegue ver o fantasma da vaca sai correndo e conta ao marido. Ele se propõe a cuidar. E manda ela ir embora porque ela é mulher e ele é homem. E ela como mulher naturalmente é medrosa.

Aparece o fantasma da vaca e o homem se desespera. O fantasma desaparece e ele chama a mulher e diz.

 

“Vamos para casa da sua mãe.”

Ela diz que de jeito nenhum. E vão brigando para baixo e volta só ele que começa a se assustar quando vê o fantasma da vaca. Ele cai no chão e ela o joga para baixo do palco. Volta a mulher e pergunta “Onde esta meu marido e o público das crianças conta  que ele caiu.”

Eu ia ficar cinco minutos mas é claro que de cara vi que podia ver muito da cultura e fiquei até o fim. Então para minha surpresa a mulher diz. “Eu vou vencer pela nossa cultura. Peço ajuda. Cantem comigo. E ela canta um canto que não é espanhol e a vaca vai ficando pequena e cai.

 

Então a mulher diz “minha mãe me ensinou quando o mal se queima ele desaparece.”

 

Ela transforma a vaca em fogo para fazer comida e vai buscar o marido e chora porque está morto. Revive. E quando ele acorda e ela mostra o fantasma morto pede ao publico para contar quem foi. E então ela diz:

 

“As mulheres podem ter medo, como tem os homens ou qualquer um. Isto é normal mas quando se metem com a nossa família, nós as mulheres ficamos bravas como o Puma.”

A peça termina com o homem pedindo perdão a mulher por não ter confiado na sua força. E dizendo que é a parte romântica.  Tem beijos. Por sorte fiz o vídeo do final e vocês podem ver.

 

Fiquei emocionada vendo a peça. Lembrei que muita braveza tinha vindo em mim pela cortisona, pelo clima brasileiro, questões de família e achei de alto valor o pensamento de uma peça de reconhecer que o medo é comum a todos.

 

O André passou a me chamar de Xuxuru porque eu o chamo de Cocoru. Assim como o homem pediu desculpa de não confiar na mulher em proteger a família, eu reconheci que ir na feira era bem melhor que o lugar do café de hoje. E no final não tem nada como reconhecer os seus erros e não ficar querendo ser perfeita.  E agora até o sol apareceu uns segundos aqui. Quanta alegria.

 

 

 

 

 

Em direção ao Peru-Mudanças são internas 

Sempre que entro num avião eu já estou meio sem bateria. E sempre escrevo. E sempre me sinto em casa.

Adiantei minha passagem por um dia. O que todos devem achar loucura. Às vezes recorremos ao pedacinho louco e gasta-se  meio à toa mas por muitos sentimentos opostos. 

Saudade do André, cair fora de tanta agressividade do ar, por sentir-me falha e vez ou outra essa braveza entra em mim. Então mudei a passagem.

Pudi até ver a Monja Coen ontem no seu templo que estava tão cheio. Eu sempre me identifico com o budismo e quando ela disse ontem “temos que ser ator e não reator.” Percebi do tanto que na minha vida simplesmente reagi. 
Agi também mas para tal evento precisamos desenvolver uma consciência maior. Precisamos compreender e não nos corrompermos. Como ela disse ser ” corrupto” é literalmente ter o coração corrompido. 

Corrompido de uma forma que só pensamos em nós mesmos e não na humanidade inteira. E isso na verdade é tão triste e solitário que te dá piedade e desfaz a braveza.

Somos seres humanos , parentes de uma forma ou outra. E temos tantos sentimentos nos nossos corpos que quando percebemos que tem uns botões que te ligam o pior é hora de buscar ajuda. Eu estou partindo do Brasil hoje para morar no Peru.

Tem quem acha que é um país péssimo. Tem quem acha que é ótimo. Eu já morei na Argentina, na Austrália, e já adulta uns 6 anos em NY, um na Holanda, mais 6 em Londres e muito tempo viajando pela a Asia. 

O André é português e Brasileiro e nem ele nem eu queremos viver na Europa. Sua irmã muda para Londres e meu irmão para Nova York. E aqui do avião vejo um céu vermelho, amarelo e azul. Estamos acima das nuvens e eu me sinto em casa .

Minha companheira mais legítima é minha avó que diz que vem comigo ao aeroporto tomar café. Meus pais tão pouco acham tão errado eu adiantar um dia a passagem e eles também estão fora de São Paulo. 

Espero não ter nada muito em breve e só voltar em novembro para fazer mais exames. E espero que os que querem saiam do discurso do ódio. 

Sei que as pessoas que amo estarão sempre em países distintos . E sei que desejo a todos que saiam do discurso da luta. Na luta não se ganha nada. 

Pode até ganhar discussões, uns direitos aqui e outros ali mas se perde o maior valor. O valor da vida. O valor de fazer uma auto examinação e perceber que o outro vc não muda, só consegue fazê-lo se vc se mudar. 

Mudando de luta para despertar no outro, ou melhor enxergar no outro algo de belo e talvez ele mude. Não é lutando. Das minhas lutas só perdi. Das lutas na Síria só pessoas perderam. Das lutas no Camboja , na Palestina, tanto eu vi de destruição da coisas mais a profunda: a compaixão.

Eu de fato, parto porque quero aprender de novos povos, de outras pessoas. Quem sabe assim consigo aprender a ser uma pessoa melhor. Tenho a sorte e a benção de ter ao meu lado e agora em países diferentes duas pessoas parecidas minha avó e o André.

São pessoas das ações e não das palavras. E os dois me dão sempre o mesmo conselho:
“Aceite a pessoa como ela é. Não fique tão emocionada.”

Nenhum deles é frio ou indiferente . Eles sabem tão melhor que eu aceitar o outro sem exigir que o outro seja de ética primordial. E eles não se abalam com a falta de caráter de tantos.

Hoje na frente de um aviao  minha avó me deixou e sei que  o André me pegará quando chegar. Dentro do avião penso que tenho que aprender isso. Não posso esperar nada de ninguém. Só de mim posso esperar o meu melhor.

Portanto me sinto feliz logo mais eu estou num novo caminho. Terei novos encontros e não espero nada. Espero que eu seja melhor. Sinto me profundamente grata de estar viva, de andar, de voar, de ter ao meu lado pessoas maravilhosas. 

Aceito que posso errar e que não tem como mudar o passado. Podemos mudar o presente , a cada segundo podemos mudar tudo pela maneira de como olhamos e agimos . 

Espero que todos vocês que me leem e me contam e me dizem que leem saibam que fico muito feliz porque eu sou das palavras e escrevo pois sinto que devo dividir tudo isso que me foi entregue. 

 E quero muito que cada um pare e pense no seu melhor. Que volte a sua respiração e que fique em paz e se perceba como muito privilegiado de estar vivo, de estar bem, de ter pessoas ao seu lado que admira. 

Que saia do que te faça mal. Não fique por rotina, costume, medo do novo. Saia para o novo de coração aberto. O novo não quer dizer mudar nada fora. O principal é mudar dentro.

Eu mudei um pouquinho 🙂 Quando voltamos do Chile no ano passado o André queria comprar um lego de um trailer. E eu disse ” ah André vc é adulto. Que desperdício.” 
Contei para minha avó que inventa de ir ao shopping antes do natal para procurar o trailer para o André .

 E eu digo que aquilo é loucura. E minha avó diz que temos que dar o sonho das pessoas, não podemos destruí-los.

O André ama o lego no natal 🙂 e dias antes de eu partir ela me diz para irmos ao shopping para mandar de presente um lego já que eu não quis levar o trailer. Comprou e fez o seu cartão para o André.

Quando me despedi da minha avó no aeroporto entrei e vi uma loja de lego. Entrei e pensei que tudo que comprei de asiático para o André comprei porque eu amo a Asia mas acho que ele ia gostar mais do lego. 

Comprei um lego também. Copiei a minha avó. E copiei o André que nunca destruiu meu sonho de ir a Birmânia sozinha depois de eu ter um AVC e como vasculite cerebral. 

Lá eu aprendi muito e só pude fazê-lo porque meus sonhos não foram destruídos e dele veio a minha força de dar mais passos para frente.


Com amor, Ju

Um chá e lavar as mãos.

O meu silêncio não foi exatamente porque estava mal, ou ótima. Era mais porque você entra num hospital e lá vê de tudo. E não importa o quanto você se esforce para não estar fazendo os erros de sempre. Volta e meia vem o hábito . Então eu escrevi uns 30 posts e nem publiquei.

Fiz questão de não tomar imuno supressor e claro que isso não vem sem dúvida  e claro dúvida  vem com a liberdade de escolha e de saber que a outra talvez fosse a melhor. Enfim, sei que hoje eu estou na minha casa. Ontem vim e ainda fiz um monte de coisas e fiquei exausta mesmo.

Então apelei a Monja Coen que tive a sorte de ver ao vivo uma vez, mas são  os seus videos que vez ou outra eu apelo e lembro. Condição humana é essa.  Buscar um caminho mais sagrado nao elimina de você a raiva de ver a injustiça e se você analisa e entra numa discussão,  já perdeu. Tudo bem,então  pedimos perdão. E fazemos uma outra escolha.

Hoje eu comecei a fazer uma organização da minha total des-organização. Eu sou muito des-organizada. O André também  é então vai ficando cento e ciquenta papeis na mesa. E hoje eu aqui sozinha apelo ao lixo. E ao dar coisas que tem demais. E nao é que de repente vejo esse papel 🙂


Todo onibus que voce entra em Myanmar, Burma ou Bámar 🙂 que é fechado te dão água  e te dão um saquinho para limpar as mãos.

Olho o saco e rio. Lembro do senhor Win me dizendo para lavar a mão antes de comer com ela. Lembro da famosa frase do Gandhi de que comia com as maos e dizia que suas maos ele sabia que tinha lavado, já os talheres??? 🙂

Lembro, de que em todo lugar que entrei na Birmânia eles te dão chá.  Uma infusão que eu tenho fotos e na verdade que nem sei o que é.  


E lembro que eu adoro infusoes e que no deserto do Sahara te dizem que nao devemos esfriar o corpo para perder mais energia num lugar de comida escassa.

E claro, quando vem tudo isso a minha mente, vem o Marrocos.


Vem a minha  mente minha amiga Leila Alaoui.


Vejo na página do seu irmao que ele está triste.  Foi o Soulaimane que foi buscá-la em Burkina Faso.


Sei que foi aniversário da Leila esses dias.Escrevo uma mensagem para ele contando que tinha escrito  duas cartas e deixado em dois templos  na Birmânia.

Contei que na segunda tinha explicado a Leila que Dra. Euthymia havia me explicado que havia 4 fases de luto. 1. Negacao. 2 Braveza. 3 Era falta de sentido na vida sem aquela pessoa ali. Essa fase podia durar 6 meses e se nos percebermos nesta fase precisamos de ajuda. E eventualmente chegaria a quarta fase. Aceitacao. Saudade. Pensamentos positivos. Alegria e a vida presente.


Escrevo nessa minha carta a Leila que sinto que ela está bem mas que eu estaria sempre aqui aberta a sua família para protegê-lo -los como ela me protegeu quando quase morri.

E não é que sua mãe  me conta que estava muito difícil esses dias porque Leila nasceu no 10 e sua mae no 11 e naquele dia ela nao ouviria nunca mais  “Maman Joyeux Aniversaire.”

Isso me trouxe ao hospital na mente, pensando na minha revolta das pessoas que reclamavam de quase nada. E de eu até dizer ao um menino que reclamava de ser um final de semana e ser emergência  e ele ter que esperar tanto.

E eu nao aguentei levantei e disse “De fato, minha avo Lucia está aqui me acompanhando com seus 91 anos porque ela adora vir ao hospital.”


Ele ficou sem graça e nao me disse nada. E eu também me senti mal porque isso nao acorda nada de bom em lugar nenhum. E é só o princípio  de você cair nos seus velhos costumes que te deixam desnorteado. E em segundos eu desligo mas é difícil.

Busco a monja coen e me dá tanto alivio ouvir ela explicar coisas básicas que eu sei mas esqueço. E faço minha mala. Semana que vem é hora de ir para o Peru. No meu lixo eu coloco um monte de coisas materiais, e pensamentos. Faço uma coletania de coisas que tenho demais e pergunto se a Netinha e minha avó querem.

Lavo minhas mãos. Aceito os meus erros. Tento melhor.  E faço um chá e faço como me explicou Lama Lobsgang.
Peço libertações    de sofrimentos a todos os seres sensientes, todos envolvidos no processo de tudo isso que passa por nós, aceito a impermanência. Aceito a falha.

Aceito que a minha a escolha foi uma escolha e de nada adianta pensar em outra. Na hora que quiser outra eu a faço.


Nesse meu chá está a minha eterna memória que eu aceito a temperatura que ele está. A eterna gratidao que tenho pela Leila e pelo Getulio. E o meu profundo desejo de que todos nós vivamos melhor.

 

Um Tao Sem Luta.

Primeiro preciso agradecer as pessoas que me leem e que me escrevem. E desculpe se não respondo para todo mundo. 
Primeiro eu to com meu horário muito dividido. Um horário Peruano, um asiático, e um brasileiro.  Segundo porque eu cheguei com cento e cinquenta  missões para fazer.  

E finalmente pegar aqueles mil resultados de ressonância e eletro que eu entendo por cima, e fico com ummilhão  de dúvidas  internas que sao na verdade medinhos calados.


 

Então, quando finalmente eu leio o resultado e a Dra. Karen diz que está ótimo eu fico muito feliz. Minha avó chora de emoção o que é raro, eu chorar é igual a rir…. os dois vem juntos sempre e demais.


 Só sei que Dra. Karen me diz para eu tomar cortisona e imunosupressor.  E eu digo que a cortisona eu imaginava. O imuno-supressor nao mudei de opiniao. E Dra. Karen me diz que Dr. Getulio teria me dado. E eu penso. Que graças a deus ele nunca deu. E foi assim que entre quedas e levantando, cortisonas, e nada que eu fui me construindo.

Não sou médica, não repudío a medicina ocidental, nem a oriental. Eu simplesmente penso que todos temos uma certa liberdade de aceitar o não saber. Aceitar o que vem. E aceitar o arrependimento do vai que eu fico paralisada sem tomar imuno. Pode ser que eu morresse tomando. 

Entao. por hora eu nao tomo. Isso não  significa que aquele medinho calado nao se manifeste em mim.

Significa, que eu ando pensando, quero andar para trás. Me atrapalho com as pessoas a volta que falam aqui no Brasil o tempo todo de Luta. 

Como disse ontem para Dra. Euthymia eu volto me sentindo muito de fora e não conseguindo adotar e nem querendo adotar um discurso de Luta.  Ou seja, eu volto mais eu mesma.

Dra. Euthymia me contou que as pessoas o usavam como vencer. E não  tem jeito, eu vejo vencer como derrotar algo. Derrotar no meu micro mundo nao parece ser positivo. Nem a minha doença auto-imune quero vencer, quero entendê-la. Quero saber como é que ela é parte de mim e convida-la para ficar da maneira que nós duas vivamos bem.
Penso que segundos de interação com ocidentais no Oriente me despertaram coisas ruins. Medos, braveza, luta. Na Ásia , talvez por eu ser de fora, eu tente mais me ver no todo. 

Eu tento me encontrar ali naquilo que eu acho horrível. E sei que não posso ter liberações químicas no meu corpo dessa enormidade. São vícios que  vão lutando pela força e apagando a compaixão.

Então eu chego num Brasil onde tem pessoas que reclamam da mala demorar, da fila de taxis ter gente. Pessoas que na rua falam das suas identidades independentes. Feministas, duras como os mais duros machistas. No hospital particular mais pessoas reclamando de tudo, de nada. 

Isso acorda em mim o meu pior e quero ir lá e lutar para dizer que já são privilegiados.  

Graças a deus, vem na minha mente, que isso se passou no aeroporto então, eu desligo o botão  ouvir, lutar e quando é minha vez eu acho  as coisas belas que ali estão  para comentar.

Assim  ganho um taxista que para de reclamar para me contar de quando ele ficou paralisado. Da força da vida nas coisas bobas.  Assim a gerente do banco que minha avó vai me liga e quando vou ver lá  o que é em vez de ligar ela me pergunta da Birmânia. Eu nem tenho conta no Itau. E  se fosse só pela Sueli eu ficava lá porque ela é uma mulher exepcional.

Assim qunado eu  vou ver a Dra. Euthymia ficamos pensando como vamos fazer quando eu estiver no Peru na semana que vem.
Eu sei que quero estar como eu estava na Ásia . Quero estar como quando eu estava na Birmânia. Todo dia era um presente. Eu ando. Eu aprendo. Eu escuto. Eu falo mas eu nao disputo. Eu nao luto.


Sei que para muitos parece fraqueza, apatia, indiferença. Para mim, esse é o único caminho que acho que me faz bem. Posso estar errada. Por enquanto me sinto privilegiada de poder andar,  de conhecer as pessoas, ajudar e ser ajudada, de trocar o meu melhor. Isso eu quero ter aprendido mais fortemente.

 Como dizem os tibetanos dor é inevitável, sofrer é uma opçao.  Tenho dorzinha da dúvida, mas eu tento escolher nao sofrer. E claro ter consciência do medo.

De qualquer maneira amanhã eu tenho que ser internada mais uma vez. E isso nao é nada demais. Tenho que tomar cortisona o demais são as nossas emoções que nem sempre nos ajudam.
Sento e penso que sempre  e por anos sinto falta do sol se pondo no  Mekong. 


Sento e passam na minha cabeça os conselhos dos sábios do caminho. 



Penso no Dalai Lama dizendo que devemos pegar do budismo o que fizer sentido e dar valor ao que temos, pois de onde somos sempre tem valor, e mudar dá tanto trabalho. Ele disse “Sou apenas um ser humano, Tibetano porque nasci no Tibete.

Lembro da Denise que conheci diante do Dalai Lama e que me levou ao Karmapa. E eu que nem dava valor, e nem acreditava em nada quando fiquei sabendo que ele era um Tulku como o Dalai Lama.

Em poucas palavras,um Tulku é alguém  que na hora de iluminaçao faz um voto de voltar para ajudar todos os seres sensientes. Essa tradição é parte do Budismo Tibetano.

Na época achei absurdo mas fui. Sem nem imaginar quão grande presente aquele era. Era seu encontro privado. E eu munida de pre-conceito, e educacao fiz o ritual corretamente. Só nao estava preparada para desabar de emoçao.

Anos depois  contei para Denise que tinha tomado Ayahuasca no meio do Brasil e que tinha uma foto do Karmapa nesse lugar. E que eu tomei 7 vezes e nao senti nada. E ela me disse “voce se lembra o que SS Karmapa te disse?”


“Sempre estarei com voce. “E eu de fato o senti em mim. Eu de fato quando escrevo ou conto eu o sinto. 


Eu a ateia fundamentalista que fui atrás de todas as religiões do mundo hoje sinto isso. Uma presença tão divina  onde a permitimos. Nao afastada da nossa humanidade. Nem carregada de regras e pre-conceitos.


Vem na minha mente um menino Palestino que me perguntava o que eu achava dos muçulmanos. E eu dizia que tinha muitos para eu saber, dos que eu conhecia, eram muitos boas pessoas. E ele perguntava do Islã e eu ponderava no meu ateísmo total, e sindrome de dizer a verdade disse

“Nao sei se Deus existe. Se existir ele ou ela. Nunca se importaria por pequenas coisas mundanas tipo do que voce come, ou veste etc. E se preocupasse eu nao o/a respeitaria.”
Terminei a frase em estado de choque. E Fayez ficou quieto. Eu me arrependia por saber quão ofensiva era aquela frase. No entanto, esse menino me disse.

“Voce já sentiu frio? Calor? Dor? Alegria, Fome, etc etc etc”
“Sim Fayez. Por que?”
“Quando vc sente, voce esta com alguém ou sozinha?
“Sei lá. As vezes com alguém, as vezes sozinha.”
“Julieta, voce é muito boa pessoa. Eu vou rezar para um dia você nunca sentir nada sozinha. Por que talvez o que siga nao seja o certo, mas eu o faço pela gratidao de nunca estar sozinho. Deus sempre está do meu lado.”
Eu já escrevi sobre isso. E o Fayez é meu amigo até hoje. Ele é mais jovem. Tem conflitos no seu país. Ele tem problemas na sua vida mas é grato pela vida.

Eu sou grata pela minha. Por todas as pessoas que considero que realmente são parte da minha vida. Por todas as vertentes da busca do divino que parece pode ser manifestada carregada de pre-conceitos ou de total compaixao e beleza. 
As opções podem não estar nas nossas mãos mas como aceitamos o que vem muda tudo, de como sentimos, vivemos e como encontramos os outros, que é nós mesmos. 

Eu espero que eu fique no Tao ( que é caminho) em qualquer lugar que eu esteja. Consciente que tudo é impermanente. Que nao construamos mais sofrimentos a toa.