Em direção ao Peru-Mudanças são internas 

Sempre que entro num avião eu já estou meio sem bateria. E sempre escrevo. E sempre me sinto em casa.

Adiantei minha passagem por um dia. O que todos devem achar loucura. Às vezes recorremos ao pedacinho louco e gasta-se  meio à toa mas por muitos sentimentos opostos. 

Saudade do André, cair fora de tanta agressividade do ar, por sentir-me falha e vez ou outra essa braveza entra em mim. Então mudei a passagem.

Pudi até ver a Monja Coen ontem no seu templo que estava tão cheio. Eu sempre me identifico com o budismo e quando ela disse ontem “temos que ser ator e não reator.” Percebi do tanto que na minha vida simplesmente reagi. 
Agi também mas para tal evento precisamos desenvolver uma consciência maior. Precisamos compreender e não nos corrompermos. Como ela disse ser ” corrupto” é literalmente ter o coração corrompido. 

Corrompido de uma forma que só pensamos em nós mesmos e não na humanidade inteira. E isso na verdade é tão triste e solitário que te dá piedade e desfaz a braveza.

Somos seres humanos , parentes de uma forma ou outra. E temos tantos sentimentos nos nossos corpos que quando percebemos que tem uns botões que te ligam o pior é hora de buscar ajuda. Eu estou partindo do Brasil hoje para morar no Peru.

Tem quem acha que é um país péssimo. Tem quem acha que é ótimo. Eu já morei na Argentina, na Austrália, e já adulta uns 6 anos em NY, um na Holanda, mais 6 em Londres e muito tempo viajando pela a Asia. 

O André é português e Brasileiro e nem ele nem eu queremos viver na Europa. Sua irmã muda para Londres e meu irmão para Nova York. E aqui do avião vejo um céu vermelho, amarelo e azul. Estamos acima das nuvens e eu me sinto em casa .

Minha companheira mais legítima é minha avó que diz que vem comigo ao aeroporto tomar café. Meus pais tão pouco acham tão errado eu adiantar um dia a passagem e eles também estão fora de São Paulo. 

Espero não ter nada muito em breve e só voltar em novembro para fazer mais exames. E espero que os que querem saiam do discurso do ódio. 

Sei que as pessoas que amo estarão sempre em países distintos . E sei que desejo a todos que saiam do discurso da luta. Na luta não se ganha nada. 

Pode até ganhar discussões, uns direitos aqui e outros ali mas se perde o maior valor. O valor da vida. O valor de fazer uma auto examinação e perceber que o outro vc não muda, só consegue fazê-lo se vc se mudar. 

Mudando de luta para despertar no outro, ou melhor enxergar no outro algo de belo e talvez ele mude. Não é lutando. Das minhas lutas só perdi. Das lutas na Síria só pessoas perderam. Das lutas no Camboja , na Palestina, tanto eu vi de destruição da coisas mais a profunda: a compaixão.

Eu de fato, parto porque quero aprender de novos povos, de outras pessoas. Quem sabe assim consigo aprender a ser uma pessoa melhor. Tenho a sorte e a benção de ter ao meu lado e agora em países diferentes duas pessoas parecidas minha avó e o André.

São pessoas das ações e não das palavras. E os dois me dão sempre o mesmo conselho:
“Aceite a pessoa como ela é. Não fique tão emocionada.”

Nenhum deles é frio ou indiferente . Eles sabem tão melhor que eu aceitar o outro sem exigir que o outro seja de ética primordial. E eles não se abalam com a falta de caráter de tantos.

Hoje na frente de um aviao  minha avó me deixou e sei que  o André me pegará quando chegar. Dentro do avião penso que tenho que aprender isso. Não posso esperar nada de ninguém. Só de mim posso esperar o meu melhor.

Portanto me sinto feliz logo mais eu estou num novo caminho. Terei novos encontros e não espero nada. Espero que eu seja melhor. Sinto me profundamente grata de estar viva, de andar, de voar, de ter ao meu lado pessoas maravilhosas. 

Aceito que posso errar e que não tem como mudar o passado. Podemos mudar o presente , a cada segundo podemos mudar tudo pela maneira de como olhamos e agimos . 

Espero que todos vocês que me leem e me contam e me dizem que leem saibam que fico muito feliz porque eu sou das palavras e escrevo pois sinto que devo dividir tudo isso que me foi entregue. 

 E quero muito que cada um pare e pense no seu melhor. Que volte a sua respiração e que fique em paz e se perceba como muito privilegiado de estar vivo, de estar bem, de ter pessoas ao seu lado que admira. 

Que saia do que te faça mal. Não fique por rotina, costume, medo do novo. Saia para o novo de coração aberto. O novo não quer dizer mudar nada fora. O principal é mudar dentro.

Eu mudei um pouquinho 🙂 Quando voltamos do Chile no ano passado o André queria comprar um lego de um trailer. E eu disse ” ah André vc é adulto. Que desperdício.” 
Contei para minha avó que inventa de ir ao shopping antes do natal para procurar o trailer para o André .

 E eu digo que aquilo é loucura. E minha avó diz que temos que dar o sonho das pessoas, não podemos destruí-los.

O André ama o lego no natal 🙂 e dias antes de eu partir ela me diz para irmos ao shopping para mandar de presente um lego já que eu não quis levar o trailer. Comprou e fez o seu cartão para o André.

Quando me despedi da minha avó no aeroporto entrei e vi uma loja de lego. Entrei e pensei que tudo que comprei de asiático para o André comprei porque eu amo a Asia mas acho que ele ia gostar mais do lego. 

Comprei um lego também. Copiei a minha avó. E copiei o André que nunca destruiu meu sonho de ir a Birmânia sozinha depois de eu ter um AVC e como vasculite cerebral. 

Lá eu aprendi muito e só pude fazê-lo porque meus sonhos não foram destruídos e dele veio a minha força de dar mais passos para frente.


Com amor, Ju

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