Talvez o evoluir é aceitar as percepções dos outros e o a do nosso maior inimigo é nos mesmos.

Depois de tantos anos falei com a minha amiga Petlis. Pet é de HongKong e estudava na Hofstra em Long Island en NY. Nessa época era ano 2001. Por isso estava no 11 de Setembro.

Falando depois de mais de 10 anos rimos muito. Percebo que não mudamos quase nada, pensando que evoluímos com os ensinos, e com as perdas ou de estarmos envelhecendo 🙂 Portanto rimos porque falamos no Whatsapp com o mesmo estilo. Faz anos que nao falávamos e nem tinha face e Whats 🙂

Pet veio aqui ao Brasil e eu fui para HongKong faz muitos anos. Fomos juntas da faculdade também para conhecer Paris e Londres. Isso também faz anos.

Pet me lembrou que em HongKong eu fiquei doente de comer. Eu não lembrava de nada disso.

Quando contei a minha avó que tem 94 e ela se lembrava. Disse que eu tive febre e fiquei mais impressionada que minha avó me contou que ha mais de 10 anos que eu tinha ficado impressionada que o pai da Pet tinha comprado centenas de filmes para eu ver e ler.

Minha avó me dizendo e ouvindo me fez eu me lembrar de cara. Veio a memória. A casa que eu fiquei em Hongkong. A cama que sentei e deitei pois o pai da Pet achava que eu devia descansar antes de eu passear.

Agora me lembro. Filmes em ingles, alemão, francês e em outras línguas que eu não sabia que línguas eram. Todas do estilo do ocidente.

Hoje entendo. Tendo indo tantas vezes à Asia ja me acostumei de ver em letras que não fazem sentido para muitos ocidentais. Portanto não era fácil para o Pai da Pet me dar livros e filmes.

Imagina como nos compramos para alguém do Laos, de Vietnam, Burma, China, Thailandia 🙂 Claro na lingua deles. Portanto aquilo era de uma bondade maravilhosa.

Ai me fez me lembrar que aprendi a não tomar agua gelada lá. Tomar chá. E até hoje não gosto de beber algo gelada.

E a adoro Chá e café. E diz a Pet e minha avó que fiquei dias sem comer e eu não lembrava. Sei que aqui em Ubatuba agora quando fiquei me sentido com dor de estômago e fazendo muito cocô. Não tomei remedio.

Resolvi ficar sem

comer um dia. Tomar suco e frutas no segundo dia e no terceiro comi um pouco. Portanto fiquei ótima.

Quando falei com a Pet, Ri muito. Rimos muito porque do que eu lembro dela, ela não lembra e eu não lembro do que ela se lembra. Assim é amizade profunda. Em vez de se defender e dizer que é diferente. É aceitar que as nossas percepções sempre são diferentes por mil razoes.

Quando abandonamos nossa vaidade de pensar que assim sempre sabemos melhor começamos a dar risadas e gratidão de voltar a memórias e de entender que sempre prestamos atenção em coisas distintas.

As vezes no nosso egosimos em si, mas quando lembramos do outro é de vermos que pensamos nos outros. Nosso egosimo é de pensar é que num ato ha uma unica realidade 🙂

Também veio aqui a minha amiga Angela que tambem não tinha visto faz tempo e só de nos vermos, nós voltamos a falar com o sotaque que inventamos em Itaunas de antes de 2001.

Como é maravilhoso retornar dos contatos do passado. Do nada veio a minha mente saber da minha amiga Maya de Israel.

Nos conhecemos na Asia e eu ja fui na casa dela faz uns 6 anos em Israel. Agora ela é mãe. Continua com o mesmo namorado e eu me lembro tanto disso.

Confesso das minhas perdas de coma e pergunto se nao fomos para eles comprarem uma casa na fronteira de Israel com Líbano. Fiquei chocada aquele dia.

Ela me manda mensagem no face e ri. E diz não mudei nada e ela lembra dessa casa que eu tinha dito que não era boa ideia.

Acho que do que tem um sentindo profundo. Não esquecemos.

Ontem fui comprar um livro para minha avó que ama ler todos os dias. Olhei, olhei , olhei e quando vi aqui em Ubatuba um livro do meu escritor favorito. Em vez de comprar um novo, achei um livro do Dostoiévski.

Escrevendo aqui eu ri. Eu amo tanto os Irmãos Karamasov. Não comprei esse porque esse minha avó conhece bem do tanto que falo desse livro e minha avo ja leu.

Pego um e vou dar uma olhada e vejo que tem a história dele. Eu sabia que ele tinha estado na prisão. Sabia que tinha escrito livros que eu amo. Sabia que tem epilepsia no meu livro favorito de Irmãos mas eu não sabia que ele também era epiléptico.

Aquilo me fez entender muito mais seus livros. Seu ultimo livro é o que oque mais amo. Lendo sua historia para ver como estão tanto lá.

Escrevo isso rindo porque não mudamos nada. Continuo amando as mesmas coisas.Falando e vemos as mesmas coisas.

Dizia meu amigo Lama Lobsang que nosso maior inimigo era nosso melhor amigo. Eram nós mesmos. E lógico que as pessoas mais próximas sabem melhor o nosso real pelas suas percepções.

Quando nos confrontamos com o que pensam que dizem que somos, ficamos infelizes ou bravos. Tenho percebido que imaginamos que mudamos muito. O duro é aceitar que não mudamos muito. Nossas qualidades são as mesmas, e os nossos erros são os mesmos.

Talvez o evoluir é aceitar as percepções dos outros e o a do nosso maior inimigo é nos mesmos.

Precisamos ter menos medo e fazer o caminho que acreditamos é melhor a todos.

Voltar a escrever é interessante. De repente me vêm coisas na mente.

Lembro que Dr Getulio me dizia que eu deveria escrever.

Dr Getulio meu médico querido com quem sempre tinha conflitos de ideias.

Getulio morreu de correr. Teve um infarto e foi parar no hospital e como eu, ele ficou em coma, mas ele não voltou.

Dr Getulio sempre dizia que cada ataque epiléptico ia fazer meu cérebro ser destruído.

O primeiro ataque epilético foi quando eu estava no Marrocos, na casa da minha amiga Mounia ( Moon).

Tem tres pessoas do Marrocos muito importantes na minha vida.

Mounia, Leila e Mustapha. Mounia é uma grande artista, Leila uma fotógrafa incrível e Mustapha um professor incrível na minha vida. Fez a aula “decolonizing the mind” que quer dizer descolonizando a mente.

Conheci os 3 em Long Island em NY. Fui fazer faculdade na Hofstra e tinha ganhado uma bolsa do Ibeu.

Cheguei 10 dias antes de 11 de setembro. Até de Long Island dava para se ouvir a explosão.

Aquilo me mudou. Meus amigos do Marrocos tinham que explicar que não eram terroristas. Todos os alunos de países muçulmanos tinham que explicar e eu fiquei mais interessada de aprender o que se passava no oriente médio.

Acabei ganhando outra bolsa da Hofstra para estudar politica internacional em Amsterdam na Holanda.

Lá conheci o Haiko. Haiko foi meu primeiro marido. Até hoje é meu amigo. A separação eu inventei para abandonar meu doutorado que era na LSE em Londres. Meu doutorado era sobre Israel e a Palestina.

Antes do meu doutorado e mestrado eu vivia em Londres e fui para o Marrocos para conhecer o país dos meus amigos.

Mounia arrumou uma viagem incrível para mim Haiko e nossa amiga Adriana para ir ao deserto do Saara . Foi incrível.

Fomos a outros lugares lindos juntos como Marrakech, Rabat, Casablanca

mas Haiko e Adriana tinham que voltar para trabalhar e eu resolvi ficar para conhecer a cidade que Felipe tinha me dito que era linda.

Felipe tinha ganhado a mesma bolsa e foi ele que me escrevia para eu ir a Hofstra. Eu fresca mesmo podendo não queria ir. Felipe me inspirou.

Ele tinha ido ao Marrocos muitos anos antes de eu ir. Ele tinha amado e me disse de que era lindo Chefchaouen.

Fui e amei. Conheci dois senhores espanhóis que ficaram chocados que eu viajava sozinha. Eles compravam coisas do Marrocos e vendiam na Espanha.

Expliquei que tinha costume desde de jovem e eles se ofereceram de me dar carona para ir a Espanha.

Eu nem sabia mas aprendi que a Espanha tinha tomado terra na Africa. Aceitei.

Os senhores foram muito legais a e me fizeram ver muitos lugares até chegar a fronteira. Cruzei para Ceuta. Quando cruzei de carro ninguém da fronteira olharam nada para mim. Só olharam o passaporte.

Fiquei triste e chocada com Celta. Fiquei no hotel e voltei a pé para voltar ao Marrocos. Então vi o que já contei e escrevi e nunca vou esquecer.

Muita fila mas me mandaram passar na frente. Africanos voltando para africa com o rosto da tristeza. O sonho de ter uma vida destruído. Quando cruzei fui ver os que tentavam cruzar para europa com o sonho de melhorar a vida.

Tomei um taxi. Na fronteira tinha muitos deles. E eu nem sabia onde ir. Fui de cidade a cidade e voltei a Marrakech.

Vi minha amiga Leila, vi Mounia. Passeamos.

E de repente dos meus últimos dias no Marrocos vou dormir e começo sentir eletricidade no corpo. Nunca tinha tido. Ela vem no corpo e vai subindo. Da vontade de fugir de si mesmo.

Não há como fugir de si mesmo. E de repente vai até a cabeça e cai na cama onde já estava.

Sem jamais ter estado doente no Marrocos. Jamais tendo estado triste ou brava. Eu estava no lugar das minhas amigas tudo era perfeito na minha viagem.

Lembro que quando acordei e contei a empregada da Moon. Ela rezou de uma maneira do Marrocos. Islâmico ou da terra. Falei com a médica e não achou que era nada.

Mounia e Leila eram minhas amigas da época de faculdade.

Mounia veio ao meu primeiro casamento na Holanda. Leila morava comigo em NY. Mustapha sempre me fez pensar em descolonizar a mente. Trabalhei com ele na faculdade.

No meu primeiro coma Leila me ligava para me ajudar voltar a falar francês. Mustapha também sempre queria saber de mim. No meu segundo casamento com meu amor André, Leila veio aqui ao Brasil.

Casei em Setembro 2015. Leila foi morta em Ouagadogou em Janeiro 2016. Dr Getulio morreu em fevereiro em 2016. E eu fui parar no hospital de novo. Me sentia mal. Não sabiam o quê tinha. Acharam que era Vasculite. Me deram cortisona. Me visita o Felipe

E eu vou a Burma. Mudo para o Peru e de novo me induzem ao Coma no Brasil. Dessa vez sem Dr Getulio e Leila voltar.

Conto tudo isso para dizer que Dr Getulio procurou por anos e morreu fazendo o que ama. Leila estava fazendo oque ama.

Felipe um grande cineasta está fazendo um filme agora sobre a Leila.

Escrito tudo isso para contar que não sabemos muito da nossa vida. O mais importante é dar valor a todas as nossas ações.

Espero que todos nós possamos fazer o que acreditamos que é o melhor não só para nós, mas para o mundo.

Espero que a gente entenda que as pessoas têm percepções distintas. Todos vamos partir da vida.

Precisamos ter menos medo. E aceitar o caminho. Mesmo da enorme saudade que tenho da Leila e do Getulio mas sei que morreram fazendo o que amam e pensando nos outros.

Controverso, mas é oque vejo e penso.

Esses dias têm me dito para eu voltar a escrever. Perdoe os meus erros que vêm pelo último coma, mas tento.

Tenho muitas coisas a contar. Confesso que nem sequer acredito muito na medicina ( pois sei que apesar dos estudos sabemos muito pouco do cérebro). Quando todos acharam de novo que não podia voltar. E eu acabo de voltar de novo da Asia. Lá andei, nadei, bicicleta, falei ingles, frances, espanhol e micro thailandes, laos, vietnam, canbodia e como sempre aprendi mais da vida e das pessoas.

Então penso que antes de ser cuidado e tratado em hospital privado, faça uma análise do que tem comido, do tanto que tem ficado nervoso por bobagem, do quanto tem andado e feito alguma forma de mobilização. E do tanto você acha que o sistema da organização do mundo e pondera se quer ou não ser parte desse sistema.

Antes de ser classificado por personalidade de doença neurológica ou psiquiátrica que te ajuda conseguir ficar dentro do sistema, faça uma avaliação interna. E aceite que qual seja a sua decisão deve ser sua porque da consciência sabemos muito pouco. Todos nós. Mas as nossa escolhas são as nossas.

Sei que muitos não ficam felizes de ler os meus pensamentos. Não é só de mim. É de varios que eu conheço.

Eu que ja estive tanto no hospital privado, penso que ja que nem se sabe o que tenho, mesmo analisando no mundo. Tenho admirado os costumes do passado e dos que não fazem nada por medo ou egoísmo .

Vejo que tendo feito yoga e meditação e aprendido línguas jovem parece que é me ajuda muito no retorno do impossível.

Cada um faz sua escolha mas observe o que come. Quanto viciado as coisas somos e reflita ao que te faz bem.

Posso contar milhões de historias e vou tentar contar mais.

Normalmente me admiro das pessoas velhas que conheço, mas hoje vou contar de uma menina que conheci no Cambodia. Vou dar um nome qualquer para mantê-la em segredo. Xe 🙂

Demorou alguns dias para eu aprender a sua historia mas me tocou.

Xe é da Malásia e fala ingles muito bem. Me contou que era de uma familia de onde os pais eram muito violentos. Com 15 anos fugiu de casa e sua mae aceitou porque tinha certeza que ela voltava rápido.

Xe arrumou trabalho ilegal porque pela lei so podia trabalhar com 16 anos. Trabalhou e depois de 2 anos passa para coca cola fazendo propaganda.

Começou a ganhar muito dinheiro e arrumou um namorado drogado e traficante. Ficou mais rica.

Ela apanhava do namorado e aceitava, às vezes ia ao hospital. Um dia a melhor amiga de Xe ficou grávida. Essa amiga era de familia evangélica da África.

Quando nasceu o filho da sua amiga, passou um mês e morreu a mãe da amiga. Ela pediu a Xe que ela cuidasse enquando ela iria ao enterro da mãe na Africa. A melhor amiga de Xe disse que Voltaria em duas semanas para pegar de volta seu filho de 1 mês.

Não voltou. Xe disse que se ela não voltasse, ela iria ligar ao pai dela. Xe jovem não tinha como cuidar. Ela tinha que trabalhar.

Xe ligou ligou ao pai da melhor amiga. Falou com o pai que é pastor na Africa e avô agora. Ele foi à Malasia. Ele foi e não pegou o neto, mas deu dinheiro para ela dar a uma babá.

Uma vez chegou em casa e viu que a Baba usava droga. Ela decidiu declarar na policia. A baba mais velha disse que era mentira.

Ja fazia uma ano e meio que Xe ja estava com esse bebê. Sua maior culpa é que deu o bebê à Babá que na policia declarou que era dela.

Nem sei se tem registros. So sei que me contou que apesar de ser acostumada com a violência, teve que aguentar o namorado bater nela na frente de todos os amigos. Ninguém a protegeu e ela foi parar no hospital e ali ela pensou.

“ This is the top. I can’t support”. Esse é o topo. Não aguento mais nada.

Ela tinha conseguido comprar casa, carro, coisas. Ela disse que nada disso tem valor.

Ela resolveu partir. Resolveu ser voluntária no Vietnã. Ficou ensinando inglês e morando numa casa onde as pessoas não eram violentas. Lá eles cozinhavam juntos. Comiam juntos. Aquilo naquela experiencia era o melhor.

Quando a conheci ela trabalhava num hostel. Ela estava feliz.

“As pessoas dão muito valor a casa, carro, coisas e isso não significa nada na nossa vida. “

Voce pode pensar assim porque ela é jovem. Vi tbm e conheci velhos que cansaram do sistema que obriga acabar aceitar uma percepção clinica para algum remedio que os fazem ficarem funcionando nesse sistema.

Eu sinto que esse sistema tem criado muitas percepções de continuar igual. Eu percebo que prefiro ser fora das regras do medo e do egoísmo.

Cada um escolhe seu caminho mas acho que achar o que naturalmente em paz para mim é melhor. Mesmo com as quedas.

Comer cachorro?

Hoje recebi de um amigo ingles que mora pelo mundo. Mandou essa foto. Fiquei chocada.

Ele foi convidado de comer na casa de pessoas no Vietnã. É um cachorro.

Fui ler e vi que é legal comer cachorro na China, Vietnã, Korea e Nigeria.

Fiquei chocada. E eu que não como muita carne. Falei para minha mãe e ela me disse que na França se come cavalo.

Pensei, fui vegetariana tantas vezes. E amo muito a comida da India que é bem vegetariana.

Resolvi tentar voltar ao vegetarianismo. Porque qualquer bicho é bicho e eu prefiro tentar voltar ao que fazia antes, como o andre.

Cada um escolhe o que quiser mas acho que ser vegetariana para mim é muito melhor. Prefiro não matar um bicho.

Quais são as nossas escolhas no mundo?

Estou na Asia. Ja vim tantas vezes e sempre digo que amo a Ásia. Dessa vez eu penso e digo a todos, eu amo o mundo. onde nascemos não representa nada das nossas escolhas pessoais.

Então sempre aqui digo.

“Prefere trump ou Xi ?” Caso não saiba, Xi é a China, Trump é os EUA. Rio e sei que não há nenhuma diferença. Não há diferença politica. Ha uma competição econômica no mundo.

Fiquei impressionada de ver quanto a China controla esse lado. Aliás muito o mundo.

Quem sabe da China sabe que o poder do ocidente é por poucos anos. A história da china é muito mais longa 🙂 Por isso Laos tem medo, Vietnã tem medo, Camboja tem medo, e há 3 anos em Burma ( Myanmar) já tinha medo.

Estamos vendo quantas construções de novos hoteis, trem, casas, estradas, cassinos por e para Chineses.

Você deve pensar. vc é contra o comunismo? Pois é a china tem medo de alunos interessados em comunismo. Vietnam é comunista e nao tem hospital publico, escola so não paga por militar.

Aqui em Camboja é um pais budista, como Tailandia e grande parte do Vietnam.

Eu passei a aprender sobre o Budismo porque tive a sorte de chegar na cidade da India quando Dalai Lama dava aula.

Dalai Lama não pede a ninguém a ser budista. Diz para aprender e ficar com oque fizer sentido.

O que tem o pensamento é mais profundo é compaixão. Compaixão não é ser bom. É se colocar no lugar do outro.

Talvez a coisa mais forte do budismo é nao deslocar a responsabilidade. Deve ser por isso que a China detesta Dalai Lama. Talvez por isso Thich nhat hanh foi mandado embora do Vietnam quando teve guerra.

Nenhum Monge de compaixão iria aceitar ser parte de guerra.

Tem muitas religioes que aprovam guerras, mortes. Como me contou aqui um senhor negro dos EUA que disse. “ Papa Nicolau V em 1452 abençoou a escravidão. Esse senhor diz que o Trump pelo menos mente menos que o Obama.

Esse senhor me impressiona. Trabalhou na Arabia Saudita, a China e tantos países. E sempre teve que lidar com racismo mas não reclama. Prefere falar da realidade. Contou que poucos falam com ele. Eu e o André adoramos falar e aprender dele.

Tenho tantas historias para contar.

Conheci uma mulher alegre e de perguntar aprendo que é da Malásia. Começou trabalhar com 15 anos para fugir de casa e achar trabalho. Ilegal mas ja conseguiu comparar casa, carro etc. Ja teve que cuidar de uma filha da amiga que ficou gravida e não podia contar à familia evangélica. Enfim cuidou até mais de um ano e a mae da criança nunca pegou de volta. Ela jovem obrigou o avô evangélico a saber e ajudar pois ela jovem tinha que trabalhar. Essa historia é enorme o mais profundo é com tudo de coisas horríveis aprendeu que esses valores” ter carro, casa, comprar muita coisa não significa é nada.

Partiu e virou voluntaria e morando simplesmente no Vietnã. Agora no Camboja, arrumou um simples trabalho de uma coisa que a deixa feliz. Amigos e não é sobre ser rica. O tanto de trabalho de competição trouxe dinheiro junto com tristeza. Na simplicidade vem a compaixão e felicidade que é independente de religiões, dinheiro. Relacionado a ser parte de ajudar o mundo a ser melhor.

Percebo que começo a estar voltando. Eu amo viajar não é pelos lugares, não é pela natureza. É pela chance de conhecer pessoas de todos do mundo. Nenhum preso por tradições.

Vejo como eu fico no telefone. Agora tentando menos.

Tenho dó dos jovens desse tempo de ser tudo sobre o tel. Não se vê mais como antes de estarmos presentes e aprender da vida. Não dos que escolheram ser presos numa tradição.

Amo ver os mais velhos que continuam viajando e arrumando micro trabalho para continuar indo. Desses se aprendem melhores historias , e as escolhas que tiveram e eu sempre tive.

Nao faz a menor diferença onde vc nasceu, em que classe, em que cor, que doença. O que mais faz diferença são as nossas escolhas.

Compaixão

Este domingo coisas me tocaram profundamente. Fui ouvir João Carlos Martins. Enquanto esperava minha prima chegar, eu e André não entramos. Ficamos por fora e veio do nada um senhor que mora na rua, falar comigo.

Eu e o André nunca fomos pessoas que temos medo de falar com as pessoas da rua que não conhecemos, e que têm problemas na vida. Para mim sempre é melhor ouvir a estória. Esse senhor começou a falar que ele não era do reino de deus. Ele disse que era universal. Olhou para o André e disse que o conhecia de outras vidas. Falou uma palavra da Índia.

Aquilo que me tocou. O André nunca foi à Índia, mas eu amo a Índia. Não há meio termo. Ou ama, ou odeia. Eu amo a Índia apesar dos problemas profundos que há por lá. Como todos nós temos. Na Índia eu conheci Dalai Lama.

Dalai Lama não pede para ninguém virar budista. Pede para pegar o que fizer sentido. Dar valor à terra. Respeitar as opiniões do oposto. Quando esse senhor do nada me fez lembrar que agora o mundo está cansado de aceitar o oposto.

Quando fui ouvir o João Carlos Martins me lembrei que minha avó tinha contado que sua irmã era vizinha de praia da familia de João e que a sua mãe dizia que ele seria um grande músico. Minha avó contou que quando o viu, faz anos, ele contou de suas quedas e que era a ultima vez que tocaria. Neste domingo ele falou que precisamos estar no momento da paz. Isso me tocou. Ainda me tocou mais quando ele disse das suas perdas, e que quer tocar para sempre. Isso me toca. Todos nós já caímos e o duro é reconhecer a nossa queda, as nossas perdas e nos adaptar ao que é possível.

Nesse domingo eu fui a Paulista e de repente uma bela mulher diz Julieta!!!! Vc lembra de mim? Eu tentei, e disse que minha memória é tão fraca. Meu coma me fez esquecer, travar etc. Ela me disse que gostava de ler o que eu escrevo e eu nem imaginava. Ela me contou quanto a ajudei. Eu fiquei tocada e com vergonha de não conseguir lembrar. Marcamos contatos e fui perguntar desde quando nos conhecemos e ela me contou que era antes de eu ir morar em NY.

A minha maior dúvida dos meus dois comas era de como eu era antes. E de repente é de alguém que não me lembro que me conta de antes.

A vida é tão inexplicável. As vezes ajudamos muito uma pessoa e nem percebe, assim como as vezes machucamos sem perceber. Vai por todos os lados.

Estive falando com outros amigos e que estão falando de como está duro falar com as pessoas que vira uma briga. As ideias são sobre o oposto que não pode mudar. Talvez isso me faz lembrar Dalai Lama.

Aprendi ações e reações. Impermanência, paciência e compaixão. Compaixão muitas pessoas pensam que é bondade. Eu tive a sorte de conhecer Karmapa e Lama Lobsang que ensinava budismo na Europa. Virou meu amigo porque fui levar um presente que me deram da Índia para Europa. Virou meu amigo sem saber me pedir para eu virar budista só me dizia coisas que realmente me mudou. Lama Lobsang me explicou que compaixão não é bondade. Compaixão é se colocar no lugar do outro. É não deslocar o problema ou o sofrimento a outro lugar, é pensar na ação e não reação. Conheci muito lama lobsang. E ele partiu. E eu sempre ficando aprendendo sobre o budismo.

Um dia como já contei para tantos, um homem estava armado do lado de outro sem arma, em Belém do Pará. Eu tentava achar a casa da avó de uma amiga. Vi parei e pensei. O que faço? Lembrei do que o homem tinha me dito um dia anterior, jamais devia usar telefone na rua, que eu seria roubada. Eu no calor, com telefone, perdida parei e pensei se cruzo .carro para dois lados…. morro. Se corro eu estou dizendo “Vc é ladrão.” Resolvi falar com o homen armado. Fui andando sem olhar a arma dizendo a verdade.

“Estou perdida, estou tentando ir visitar a avó da minha amiga que não consegue viajar para vê-la, estou perdida.” Ele ficou chocado, eu imagino e disse que ele não era dessa cidade. Eu disse “Então você é como eu. Perdido. Quer usar o mapa no meu telefone? Eu não desejo a ninguém ficar perdido nesse calor.” O homem ficou chocado levantou o rosto e abriu o olho e me perguntou o meu nome e disse que não precisava e o amigo disse que eu estava indo certo e que eles não tinham visto a rua que eu buscava. Perguntei se não quiseram pegar meu telefone mas não e eles atravessaram a rua, e eu morri de medo que eles fossem ser atropelados.

Dei três passos e veio a adrenalina de ver o risco que tinha tomado. Fui num lugar comprar água e uma senhora começou a dizer que eu estava nervosa, perguntou se eu estava bem. Quando contei o caso, a mulher ficou revoltada. Me contou de quantos são mortos, assaltados por ali. Eu fiquei chocada da raiva que ela sentiu mas ouvi. De repente um senhor que ouviu tudo, disse do nada

“Ela é sabia. Deu uma possibilidade de bondade para alguém que não conhecia.”

Isso é a compaixão. Esse senhor não é da Ásia que eu amo. Ele era um senhor que sabe o que é perder, sabe o que é lidar com o que é possível. Por isso eu amo a Ásia, por tanto dar valor por envelhecer.

Envelhecer é como o senhor da rua, como o músico, minha avó, e eu, é aceitar os erros das perdas.

André e eu vamos para Ásia para ele conhecer. E espero que na nossa vida sempre nos coloquemos no lugar do outro em vez de só criticar o diferente. O nosso momento está evoluindo. Alguns voltando aos egoísmos do passado, e outros evoluindo para compaixão. Assim é o tempo. Como aprendi é Impermanente, e o nosso mundo, como disse o senhor da rua, é universal. O sol está de todos os lados.

Como é duro estar presente.

Dias desses, eu vi um vídeo sobre o fato de que esse tempo que estamos vivendo é de alto vício a internet, ao telefone, ao facebook, whatsapp, e isso me tocou.

Já sabia. Mas me fez lembrar de uma amiga que tem um restaurante e de que ela tinha me contado algo. Sempre faço perguntas.

Sempre pergunto as pessoas o que as tocam.

Minha amiga disse que para ela, era ver pessoas que iam ao restaurante e que todos ficavam no telefone. Aquele dia decidi que ia tentar sair disso.

Tenho visto que é considerado uma doença, um vício e que tantos jovens estão doentes. Estão sempre fora do presente.

Resolvi não usar telefone por 3 dias, e então percebi que é verdade. Estou viciada no telefone e tentando me libertar.

Portanto estou eu aqui tentando escrever. Do segundo em que comecei tive que olhar para o presente. Como é duro estar presente!

Eu estive em coma duas vezes. Já tive as perdas, e até no coma estamos nos deslocando.

Lembro do meu último coma, e desde que eu passei por ele, todos os países no qual estive estão meio misturados. Me toca, pois lembro do lugar da música que apesar de eu saber que existe não sei onde.

O cérebro é algo muito complicado. Nesse meu tempo buscando estar no presente vejo minha avó lendo, e o André também. Porque será que ler, dançar e outras coisas do gênero não são consideradas vício?

Lembro-me que uma vez fui fazer Vipassana. Já que minha mente não está com boa memoria e tento não usar internet, escrevo do que me lembro…

Aprendi que fazer Vipassana era comum entre os Budistas e que é para conhecer a realidade e estar presente.

Pelos mistérios da vida eu fui à Índia, conheci e tive ensinamento com o Dalai Lama. O Dalai Lama nunca pede para ninguém ser Budista. Ele diz que é mais fácil não mudar de religião, e que se pode pegar do budismo o que fizesse sentido .

Conheci a Denise na Índia e fui com ela conhecer o Karmapa. Eu não sabia quem era ele, mas aprendi que era considerado HH (his holiness) como Dalai Lama. HH é muito importante para os Tibetanos. Fui sem saber, achando que era um encontro com muitas pessoas. Denise com a Rita, me levaram a um encontro privado. Eu, ateia tentei aprender e ser educada, fazer as coisas corretas.

Denise me lembrou esses dias que o Karmapa conversou diretamente por um longo tempo comigo e disse que eu ficaria bem e que ele estaria sempre comigo. Eu a ateia na hora não me toquei. Isso anos antes do meu primeiro Coma.

Karmapa á algum tempo atrás declarou que esteve deprimido . Minha admiração por ele por aceitar demonstrar nossa humanidade em comum me fez aumentar ainda mais a admiração por ele.

Via a Denise, conheci Lama Lobsang Dargye , que ensinava budismo na Europa e virou meu amigo. Quando estou quase indo para o retiro de Vipassana recebo as explicações de como seria. Eu já tinha me inscrito umas 9 vezes e cancelado por medo.

Não poderia ficar uns 10 dias sem telefone. Sem falar, comendo pouco, podendo apenas meditar, andar. Eu sempre me inscrevia e cancelava.

Quando fiquei amiga do Lama Lobsang , mais uma vez eu tinha feito a inscrição para esse retiro e mais uma vez estava desesperada. E ao encontrar o Lama Lobsang , esperava que ele me dissesse palavras boas de motivação e incentivo para fazer o retiro de vipassana, para minha surpresa ouvi o oposto:

“ É duro e difícil, não é fácil , é duro estar presente. Ou seja vá!”

Esse é Lama Lobsang meu amigo, Lama Tibetano que já partiu da terra.

Lama Lobsang me ensinou tantas coisas e graças a minha amiga Denise, que me deu tudo isso, também me disse que eu devia escrever.

É verdade que eu aprendi muito pelo mundo e o mais duro é estar presente.

No retiro de Vipassana , la pelo terceiro dia eu quis partir. Vou falar e explicar. Decidi deixar o retiro e fui conversar com uma senhora da organização. Disse tudo de filosofia, antropologia política que sabia para essa senhora. Explico todas as razões do mundo que haveria para justificar minha partida. Ela não diz nada. Eu penso que talvez ela seja burra, não educada, coloco tudo que havia para ser dito e ela se manteve em silencio e me diz apenas: “ É duro estar presente.”

Me lembro que aquilo me fez quase cair. Por orgulho decidi que ia ficar, para provar no final que era fácil. Como foram duros os dias!

E de repente eu comecei a ver as flores que caíam. As que nasciam. Eu dividia o quarto com uma moça e fiquei menstruada, tive cólica e sem dizer nada a menina do lado deixa de forma natural um remédio para cólica. Aquilo me tocou muito. Não havia reclamações, estávamos presentes.

Ficamos até o fim, e vimos tudo que se passava com o outro. Pessoas de várias idades. Em silêncio dava para ver quão duro era, e variava o nível de dificuldade de um para o outro. No final as pessoas foram liberadas para começar a falar e nos abraçamos, e eu podendo falar fiquei em silencio por profunda admiração. Você pode imaginar que então ficou fácil.

Quando voltei para o Brasil fui fazer o retiro de Vipassana novamente e parti. Me contei que era de uma qualidade pior. Hoje me dou conta que aquilo foi mais uma vez uma fuga de estar presente.

Acharam que meu coma foi devido á epilepsia e por anos tentaram descobrir porque? Hoje dizem que é encefalite autoimune.Escrevo tudo isso porque tento não usar a internet. E o que acontece? Volto ao presente. É duro mas vale muito.

Vovó e minhas idéias controversas.

Vixe consegui escrever ontem e contei toda a história da minha grave queda, mas hoje vou falar de outras coisas da minha avó.

Primeiro quero contar do presente e passado. Um dia conheci HH Dalai Lama e lá ouvi ele dizer que não estava falando para virarmos budista. Devíamos dar valor onde estamos pois é mais fácil e pegar o que achar que faz sentido do Budismo. Eu peguei tentar a paciência, compaixão e impermanência.

Com o tempo fui conhecendo muitos Tibetanos falando de ações e reações. Acima de tudo aprendi sobre em vez de descolocar problemas, aprender ser presente e se auto avaliar.

Eu passei por tudo. Oriente Médio, África, Ásia Europa e América. O mais duro é estar presente e ser presente sem deslocar o problema para algo. Também aprendi que cada pessoa tem um caminho, cada um tem uma língua, personalidade e, portanto, mais fácil aceitar as pessoas como são em vez de dar culpa em ninguém.

Enfim vim contar tudo isso para falar da minha avó Lucia que sempre foi católica e sempre foi paciente. E apesar de eu ter sido ateia, budista etc. etc. nunca me forçou nada. Sempre deixou eu ser como eu sou.

Minha avó tem 93, quase 94, e um dia ficou com artrose, depois Herpes Zoster, Perdeu a visão de um olho e de repente no natal, do ano passado minha avó quebrou a perna. Operou e ficou num quarto. Tudo foi deslocado para seu quarto. Empregadas ficavam no quarto e minha avó sentava na cadeira para ver televisão e ler.

Minha avó sempre fez ginastica, sempre leu, sempre gostava de ler em várias línguas e se adaptou a ficar no quarto.

Minha avó é calma e eu, sou muito brava.

. Resolvi em poucos meses dizer a minha avó para colocar um chamador e ela chamar quando quisesse algo, pois pensei que minha avó devia se sentir bem.

A história é longa. Minha avó fazia tudo nesse quarto e eu disse

“Vó, você não é tetraplégica, não é prisioneira, volta para o resto da casa.”

Minha avó disse que ela tinha 93 anos e eu não entendo. Eu disse

“Vó, você consegue ler e eu travei. Eu no meu coma perdi o andar, o olhar o falar, o memorizar, lembrar. Você sabe ler, sabe falar e consegue andar. Pode dizer a qualquer pessoa, menos para mim. Se você acha mesmo que é ótimo ficar como uma prisioneira num quarto eu vou embora e volto ao Peru, mesmo não me sentindo muito bem.”

Minha avó começou a ver que estava melhor e quis vir comer na mesa. Portanto começou a andar. Quando vovó pedia para alguém escolher a roupa eu fiz minha avó olhar as roupas dela e ela escolher. Minha avó então quis até ver seus sapatos. Começou a querer ver suas amigas. Foi convidada para uma festa de 90 anos de uma amiga da ginastica. Fomos e ela adorou. Começamos a ir a restaurantes.

Voltamos tudo para sala quando o Andre voltou, minha avó só deixou quando o André voltasse. Eu pedi férias dele para nós aproveitarmos a vida. Nunca sabemos o quanto vamos viver. E eu que já quase morri duas vezes sinto profundamente que devemos dar valor ao que temos do nosso lado e nem damos valor até perder.

Eu não tenho medo de morrer. Eu só não quero ser dependente e deslocar problemas. Por isso já disse aos meus pais e Andre que se eu quase morrer, me deixe morrer não lute tanto porque me querem por perto. Não digo porque eu não amo a vida. Eu amo a vida que estamos presentes, não prisioneiros e com medo de morrer.

Também sei que cada um tem um caminho. Só digo tudo isso pois eu sei que minha avó agora está feliz. Minha avó foi ouvir música clássica comigo e Andre. Minha avó adora sair.  Sei que tem muitos que pensam que deve deixar fechada para viver mais, mas nunca vou achar isso já tenho passado por isso.

Minha avó é a pessoa que mais amo no mundo e por isso queremos festa, musica e prazer, e nem minha avó nem eu temos medo de morrer. Eu sei porque eu fico com minha avó. Por isso digo a todos se tem alguém ao lado não ponha para baixo. Não tire os valores, os sonhos por causa do seu medo. Lide com o seu.

Quando os outros deslocam os seus medos o valor da vida também parte.

Tudo que eu escrevi aqui minha avó leu.

QUE O BRASIL NAO TERMINE COMO A VENEZUEL

venezuelaVoltei ao francês, as aulas de francês, onde tenho que contar historias.

O professor ficou impressionado de eu pagar para falar uma lingua que ja sei. Tento voltar.

Por isso, voltei as historias da minha vida 🙂

Hoje me lembrei do meu profundo amor pela Venezuela. Hoje quando vejo tanto ser falado da destruição dos políticos , Penso na venezuela.

São tantas pessoas que pensam que foi o comunismo que destruiu a Venezuela. Eu tenho uma visão que se relaciona ao mundo. Eu e o André, atravessamos o país e fomos prestando atenção que não vimos nada de construção, de fazendas, de arvores, foi ficando claro no supermercado que tudo era importado.

Para comprar era necessario entrar numa fila. Fiquei impressionada de saber que dependiam de vender óleo. Por isso, dependiam do valor, em outras palavras, dependiam do dólar. Agora, quando vejo tantas brigas na politica, penso que nunca precisamos disso, depender do dólar. Em outras palavras, precisamos defender a Amazônia e a auto produção. Destruir as montanhas, as águas, as vegetações, leva o que já vemos: A mudança do tempo, no mundo.

Torço para que o Brasil não fique como na Venezuela, mas mais profundamente, eu penso no mundo. Espero que nunca ficamos dependentes de uma unica produção. Espero que independente de que lado de vida política tenhamos, tenhamos mais compreensão do que destruiu a Venezuela. Nunca  acredite que foi só político .

Monte Roraima

O belo monte Roraima continua lá, já meus amigos venezuelanos tiveram que partir. Estão sem dinheiro, sem trabalho. Os que conheço e que ainda estão na Venu, me escrevem dizendo que estão tentando  partir.

Espero que independente da nossa percepção política, respeitamos a terra, a água, a natureza.

Que sejamos autossuficientes, que respeitamos a terra.

As palavras do caminho

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Ano passado estava morando uma parte do ano no Peru. Com tanto tempo em coma e tempo de pensar, pensei no passado e no presente.

Lembrei de como fui parar pela primeira vez no Peru.  Faz anos, e foi quando comecei a viajar sozinha.

No começo era com o meu amigo Sho. Sho nasceu no Brasil, mas sua família é da Índia, e foram morando por todas as partes do mundo. Eu o encontrei nos estados unidos. Acho que nunca vou me esquecer de quando o conheci. Ele me perguntou o que eu faria se estivesse numa casa que estava no desastre de pegar fogo.

Eu respondi que buscaria as pessoas e sairia.  Ele me perguntou o que eu faria se tivessem bichos esquecidos. Eu, na minha frieza! Disse que deixava a lei da natureza. Perguntei a ele se ele teria se esquecido dos animais.

Ele me disse que pensaria no valor da vida que disse, “era independente de como nasceu””.

Anos depois, minha amiga Luciana esteve na situação de incêndio. Eu morava na Europa e ela manda mensagem que tinha voltado para ajudar as pessoas. E o fogo ia fechando todas as saídas e minha amiga teve que pular para sair com os outros com alto risco. Aquilo me tocou muito. Quando pensamos sem saber, sem ter passado por aquilo.

Sei que Sho era assim. Sempre será meu amigo com e a Lu pela enorme generosidade que tem.

Só sei que é viajando com ele, o Sho que começam minhas viagens só. Estamos na Bolívia quando conhecemos uma senhora que não falava espanhol. Nás estávamos ali ouvindo a música. Somos só 3 pessoas para assistir a apresentação de umas cem pessoas. Até podemos cancelar mas a falta de dinheiro pedem para continuamos. Os do país quer que o pouco dinheiro paga por centenas de pessoas e que deve ajudar famílias. Então ouvimos a beleza da cultura da Bolívia.

Levanto e vou falar com a senhora pois ela está sozinha. Pergunto a ela o que está fazendo e ela me diz o que me mudou também.

“Já tenho mais de oitenta e viajo a cada 2 anos para mostras as minhas filhas que ficaram viúvas, que a vida não termina. Eu viajo para mostrar isso. Pego um guia local às vezes e continuo andando pelo mundo a cada 2 anos”

Eu fiquei tão impressionada e disse ao Sho.  Meu amigo. você precisa trabalhar, mas essa senhora me explicou que o Peru é lindo. Vou me separar de você que tem que trabalhar. E eu quero cruzar para o Peru.

Sho, meu amigo, achou que era ótima ideia. Ele já estava a viajar sozinho. La fui eu e descobri que não tem nada de ficar sozinha, quando vai com ninguém conhece melhor o lugar. Conhece as terras e os viajantes. Ali foi minha primeira vez ao Peru.

Essas palavras e ações foram e são muito importantes para mim.  Uma é sobre a confiança nos outros. De ver o melhor do outro. De si.

Tenho algumas falas que me tocam mesmo.  Minha amiga de Ubatuba por exemplo, teve um enorme sucesso com os hambúrgueres que faz. Perguntei a Camila 🙂 Perguntei:) o que mais vê no seu restaurante? E ela me disse: “pessoas que se sentam juntas e ficam no whatsapp”.

Meu deus como me tocou isso. Quantas vezes esquecemos o real para ficar no telefone? Quantas pessoas já não fiz isso 😦 Quantas vezes já não vi isso até criança para mandar mensagem para whatsapp da pessoa do lado. Que triste pensei… Quão perto disso estou eu? Falei para meu amor….. Chega pelo menos no almoço não vamos fazer mais isso. Quanto valor isso tem, essas palavras.

Feliz ano novo. Meu último ano foi difícil. Fiquei pela minha segunda coma, perdi minha avó Jandira, que já sofria fazia anos. Eu queria nesse ano da minha avó Lucia que me ajudou sempre mesmo quando era contra as coisas que eu fazia, eu viajar para lugar que não é na europa:]. Nunca me disse para não ir. Dava um saco de limpeza para eu ir para a Asia, a Africa. Jamais disse não disse para não ir.

Nesse ano, bem no natal minha avó caiu e se quebrou e teve que voltar ao Hospital. No começo não queria se operar. Dizia não tenho pressa de morrer, mas não tenho vontade de lutar pela vida.  Hoje diz que estava feliz que tinha operado. E gosta de viver, mas não tem medo de morrer

Minha avó não tem medo de morrer, mas gota de viver. Minha avó é como eu. Não temos medo de morrer, mas amamos viver.

Amamos estar perto de quem amamos e respeitamos. Desejo a todos o melhor da vida. Acima de tudo que respeitem que os caminhos dos outros são diferentes e sim espero que todos nós sejamos mais presentes.

Essa foto é minha volta na Birmania (Burma), que para onde fui depois  de uma travada no hospital. Fui para lá enquanto o André estava no Peru. Em Burma, Birmania voltei ao caminho de continuar! e é isso que me desejo profundamente. Não se entregue ao medo. Continuemos nossos caminhos.