Precisamos ter menos medo e fazer o caminho que acreditamos é melhor a todos.

Voltar a escrever é interessante. De repente me vêm coisas na mente.

Lembro que Dr Getulio me dizia que eu deveria escrever.

Dr Getulio meu médico querido com quem sempre tinha conflitos de ideias.

Getulio morreu de correr. Teve um infarto e foi parar no hospital e como eu, ele ficou em coma, mas ele não voltou.

Dr Getulio sempre dizia que cada ataque epiléptico ia fazer meu cérebro ser destruído.

O primeiro ataque epilético foi quando eu estava no Marrocos, na casa da minha amiga Mounia ( Moon).

Tem tres pessoas do Marrocos muito importantes na minha vida.

Mounia, Leila e Mustapha. Mounia é uma grande artista, Leila uma fotógrafa incrível e Mustapha um professor incrível na minha vida. Fez a aula “decolonizing the mind” que quer dizer descolonizando a mente.

Conheci os 3 em Long Island em NY. Fui fazer faculdade na Hofstra e tinha ganhado uma bolsa do Ibeu.

Cheguei 10 dias antes de 11 de setembro. Até de Long Island dava para se ouvir a explosão.

Aquilo me mudou. Meus amigos do Marrocos tinham que explicar que não eram terroristas. Todos os alunos de países muçulmanos tinham que explicar e eu fiquei mais interessada de aprender o que se passava no oriente médio.

Acabei ganhando outra bolsa da Hofstra para estudar politica internacional em Amsterdam na Holanda.

Lá conheci o Haiko. Haiko foi meu primeiro marido. Até hoje é meu amigo. A separação eu inventei para abandonar meu doutorado que era na LSE em Londres. Meu doutorado era sobre Israel e a Palestina.

Antes do meu doutorado e mestrado eu vivia em Londres e fui para o Marrocos para conhecer o país dos meus amigos.

Mounia arrumou uma viagem incrível para mim Haiko e nossa amiga Adriana para ir ao deserto do Saara . Foi incrível.

Fomos a outros lugares lindos juntos como Marrakech, Rabat, Casablanca

mas Haiko e Adriana tinham que voltar para trabalhar e eu resolvi ficar para conhecer a cidade que Felipe tinha me dito que era linda.

Felipe tinha ganhado a mesma bolsa e foi ele que me escrevia para eu ir a Hofstra. Eu fresca mesmo podendo não queria ir. Felipe me inspirou.

Ele tinha ido ao Marrocos muitos anos antes de eu ir. Ele tinha amado e me disse de que era lindo Chefchaouen.

Fui e amei. Conheci dois senhores espanhóis que ficaram chocados que eu viajava sozinha. Eles compravam coisas do Marrocos e vendiam na Espanha.

Expliquei que tinha costume desde de jovem e eles se ofereceram de me dar carona para ir a Espanha.

Eu nem sabia mas aprendi que a Espanha tinha tomado terra na Africa. Aceitei.

Os senhores foram muito legais a e me fizeram ver muitos lugares até chegar a fronteira. Cruzei para Ceuta. Quando cruzei de carro ninguém da fronteira olharam nada para mim. Só olharam o passaporte.

Fiquei triste e chocada com Celta. Fiquei no hotel e voltei a pé para voltar ao Marrocos. Então vi o que já contei e escrevi e nunca vou esquecer.

Muita fila mas me mandaram passar na frente. Africanos voltando para africa com o rosto da tristeza. O sonho de ter uma vida destruído. Quando cruzei fui ver os que tentavam cruzar para europa com o sonho de melhorar a vida.

Tomei um taxi. Na fronteira tinha muitos deles. E eu nem sabia onde ir. Fui de cidade a cidade e voltei a Marrakech.

Vi minha amiga Leila, vi Mounia. Passeamos.

E de repente dos meus últimos dias no Marrocos vou dormir e começo sentir eletricidade no corpo. Nunca tinha tido. Ela vem no corpo e vai subindo. Da vontade de fugir de si mesmo.

Não há como fugir de si mesmo. E de repente vai até a cabeça e cai na cama onde já estava.

Sem jamais ter estado doente no Marrocos. Jamais tendo estado triste ou brava. Eu estava no lugar das minhas amigas tudo era perfeito na minha viagem.

Lembro que quando acordei e contei a empregada da Moon. Ela rezou de uma maneira do Marrocos. Islâmico ou da terra. Falei com a médica e não achou que era nada.

Mounia e Leila eram minhas amigas da época de faculdade.

Mounia veio ao meu primeiro casamento na Holanda. Leila morava comigo em NY. Mustapha sempre me fez pensar em descolonizar a mente. Trabalhei com ele na faculdade.

No meu primeiro coma Leila me ligava para me ajudar voltar a falar francês. Mustapha também sempre queria saber de mim. No meu segundo casamento com meu amor André, Leila veio aqui ao Brasil.

Casei em Setembro 2015. Leila foi morta em Ouagadogou em Janeiro 2016. Dr Getulio morreu em fevereiro em 2016. E eu fui parar no hospital de novo. Me sentia mal. Não sabiam o quê tinha. Acharam que era Vasculite. Me deram cortisona. Me visita o Felipe

E eu vou a Burma. Mudo para o Peru e de novo me induzem ao Coma no Brasil. Dessa vez sem Dr Getulio e Leila voltar.

Conto tudo isso para dizer que Dr Getulio procurou por anos e morreu fazendo o que ama. Leila estava fazendo oque ama.

Felipe um grande cineasta está fazendo um filme agora sobre a Leila.

Escrito tudo isso para contar que não sabemos muito da nossa vida. O mais importante é dar valor a todas as nossas ações.

Espero que todos nós possamos fazer o que acreditamos que é o melhor não só para nós, mas para o mundo.

Espero que a gente entenda que as pessoas têm percepções distintas. Todos vamos partir da vida.

Precisamos ter menos medo. E aceitar o caminho. Mesmo da enorme saudade que tenho da Leila e do Getulio mas sei que morreram fazendo o que amam e pensando nos outros.

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