O Sentido da Vida

Conheci Carlo num boteco de Luang Prabang no Laos. Em Luang Prabang todos os bares fecham as 11, e depois disso sobram os turistas desesperados para encontrar um lugar para beber, a discoteca que fica fora da cidade, e o BAO LING ( boliche) para onde todo mundo vai dancar e beber enquanto as bolas percorrem tortuosos caminhos. Eu conheci Carlo no bar Lao Lao, bar que tem o nome da pior bebida da Asia ( um whisky feito de arroz que segundo os que provaram tem efeitos colaterais mais graves que tomar gasolina) onde a maior atracao eh a sinuca de graça. Assistimos um lady boy e uma moca Lao jogarem contra dois ocidentais. Como o jogo nao terminava nunca comecamos a conversar.

Carlo tinha 33 anos. Aos 27 se tornou CEO de uma empresa americana da qual ja nem me lembro o nome, aos 31 estava ganhando muito dinheiro, “engajed” para casar e absolutamente infeliz. Resolveu partir. Sua mae que trabalha na ONU teve um ataque. Seu pai neurologista apoiou a ideia. A noiva, bem dessa eu achei melhor nao perguntar. E ele partiu para o que seriam 6 meses de viagem, e quando eu o encontrei no Lao Lao ja fazia 2 anos que ele viajava. No Laos voluntariava por um tempo numa reserva de protecaos aos elefantes. Pelo que ele me contou, o Laos é o pais no mundo que mais tem elefantes selvagens.

Perguntei onde no mundo ele tinha estado, e a lista eh tao extensa que eu ja nao me lembro. Quando ele no entanto me contou que viajou por dois meses a Mongolia, pedi mais detalhes. Eu morro de vontade de conhecer a Mongolia eu expliquei. Carlo tirou a camera do bolso e mostrou me uma foto de dois cavalos lindos. Nao compreendi exatamente o porque dos cavalos ate aparecer as proximas fotos. Eram da Mongolia. Vi as famosas casas/tendas nomades, as pessoas, o deserto, muito terreno inospito.

Entao Carlo contou me que viajou sozinho a cavalo. Comprou dois cavalos um para carregar as coisas, e outro para ele mesmo e cruzou a Mongolia. Sabendo dos riscos que incorrem visitar a Mongolia perguntei a ele. ” I had an Axe and a knife, and the face of someone who is ready to use it.” No mais, saindo das cidades as pessoas sao muito generosas. Sempre te convidam para entrar na tenda delas, para ficar.”

Carlo cavalgou por semanas chegando a ficar ate 2 semanas sem falar com niguem. Falava com os cavalos nessa altura me explicou. E num certo dia no meio dessa cavalgada em silencio por muito tempo parou e pensou ” Qual é o sentido da minha vida nesse segundo? ” “Percebi que era apenas existir, sobreviver, e nesse dia eu soube que para mim isso era pouco, procurei um vilarejo, e encontrei um homem velho. Eu nao sabia falar a lingua dele, nem ele a minha, mas percebi que eu podia ajuda-lo no seu trabalho. Eu o ajudei. E ali a vida ganhou sentido. Faz so sentido existir quando voce se relaciona com outras pessoas.” E essas palavras me fizeram lembrar claramente do final do filme Into the Wild “Happiness is only real when shared.”

Da primeira visita a Vang Vieng- Laos


Eu acabei indo ao Laos duas vezes. E acabei como todos me encantando com o Laos. A primeira vez eu confesso que detestei. Cheguei la depois de ter vindo de Isan, o nordeste pobre da Tailandia, onde eu tinha passado tempo voluntariando no meu pequeno vilarejo rural. De la fui parar na beira do Mekong, em Nong Khai, lugar que se tornou minha casa na Asia, para onde eu voltava todas as vezes que eu tava para desabar 🙂 E na beira do Mekong, de um lugar tranquilissimo, eu enrolei, enrolei, enrolei para cruzar para o Laos. Do Gaia, o bar barco eu olhava para o Laos do outro lado com antecipacao, mas alguma coisa me prendia ali naquela pequena cidadezinha. Depois de 3 meses eu descobriria que eram as pessoas, a calma daquele lugar. Mas ainda nao sabendo eu antecipava todas as noites a minha partida, e todas as manhas eu desistia, por uma ou outra razao, abandonando companheiro atras de companheiro de viagem. Foram mais ou menos 12 dias que eu fiz isso. E quando eu finalmente resolvi partir, eu acordei bem cedo, antes que eu encontrasse qualquer pessoa conhecida e fui para fronteira para encontrar os italianos. Os italianos com quem eu nada tinha combinado, apenas ouvido eles combinarem que se encontrariam as 9 da manha na fronteira.

Os italianos eram: Lucca, uma magico profissional, Michaela e Elisa, bellissimas mae e filha viajando juntas. Tinham conhecido o expansivo Lucca na viagem, e se juntado a ele para cruzar a Asia. Na noite anterior, eu toquei violao no Gaia, e o Lucca fez um show de magica que misturava NLP e nos deixou a todos perplexos. Acabamos ficando no barco ate quase de manha. Na manha seguinte, portanto, no horario combinado Lucca como bom magico desapareceu. Como ele nao estava la horario combinado juntei me as belas italianas fluentes em portugues e juntas cruzamos a fronteira. Rimos muito, de quase tudo que encontramos pelo caminho pois Michaela era assim leve e engracada.

Pegamos uma pequena van para ir direto a Vang Vieng. 4 horas de viagem por tortuosas estradas. Campos verdes, arrozais, montanhas, pequenas casas de madeira, e quase nada. Dentro da Van muitos ocidentais meio mal-humorados. O tipo de ocidental que vai para Vang Vieng fazer o tal do Tubing. O tipo de ocidental que nao ta muito interessado no Laos. Nos rimos, de quase tudo, e principalmente de todo esse mal humor.

La chegando nos separamos. EU queria ficar na Maylin guesthouse. Guesthouse recomendada a mim por varias pessoas, e pelo Lonely Planet. As italianas nao queriam andar de mala e cuia. Entao la fui eu sozinha, rejeitando todas as opcoes que me eram oferecidas pelo caminho. E para chegar ate a Maylin cruzei a ponte privada pela primeira vez. A ponte que custava 4000 kip (£0.30) para indignacao de quase todos. Andei pelas ruas toda cheia de pedra e lama, e logo percebi que aquela ponte mantinha o outro lado intacto, totalmente diferente do lado onde eu tinha chegado. Continuei caminhando ate chegar a Maylin.

O dono, Joe, um Irlandes sarcastico, mal humorado, e rabugento estava tirando meio que sarro dos hospedes. Eu sentei, sem nem saber que ele era o dono e pedi alguma coisa para comer. Eventualmente o rapaz ao lado dele comecou a conversar comigo. Saxon. Um australiano que trabalha como poilicy advisor para o governo da australia. Ficamos amigos quase que imediatamente. Joe disse algumas coisas rudes, mas depois de eu solenemente ignorar a grosseria e ser sarcastica de volta ele virou meu amigo. E ficou por muito tempo na minha mente como a minha melhor memoria de Vang Vieng.

De noite, com Saxon cruzei para o outro lado da ponte para conhecer melhor a “cidade” de Vang Vieng. La chegando fiquei horrorizada. Um bar atras do outro de musica altissima. Ingleses, e australianos e outros ocidentais e israelenses jovens completamente bebados. Todos os bares passavam family guy ou friends. Ao mesmo tempo tocavam musica e a cacofonia era realmente insuportavel. Andei meio que em choque pelas ruas de Vang Vieng. Eu que tinha vindo do meu pequeno vilarejo, eu que tinha vindo do Gaia em Nong Khai nao conseguia acreditar no que tinha acontecido com aquele lugar em tao pouco tempo. Saxon a melhor coisa que tinha me acontecido em VV partia na manha seguinte.

Encontramos Lucca o magico e as italianas sentados num dos mil restaurantes iguais. Ja que era impossivel conversar pedi ao Lucca que fizesse magica ao menino Lao. O garcom que estava ali nos servindo. Lucca nao hesitou e em 3 segundos ja tinha cativado o menino. Eu sentei e olhei. NO meio a todo aquele caos, musica dos bares, as televisoes ligadas, os bebados, os em bad trip, tudo que eu via eram os olhos do pequeno menino Lao completamente desconcertado, enfeiticado, pelas magicas e pela docura do Lucca.

No dia seguinte convenci Saxon a perder sua passagem e ficar comigo em VV. Desta vez desistimos de ir para o outro lado e resolvemos ao invés explorar as cavernas, as trilhas, e a lagoa azul. O tempo nao estava dos melhores. Mas conversamos tanto que os 7km de caminhada pareceram minutos. Passamos em meio aos arrozais, as criancas, os vilarejos, as pontes, as pessoas, e eventualmente chegamos ao lugar certo. Subimos a montanha que nos levaria a caverna e la dentro caminhamos ate encontrar o “reclining Buddha” e as outras muitas formacoes geologicas. Sujos de lama dos pes a cabeca voltamos de tardezinha para a Maylin no dia seguinte partimos. Parti de Vang Vieng sem fazer o tube, esperando por la nunca mais voltar.

Um mes depois voltei. Com minha mae. O tempo lindo. Nenhum nuvem no ceu. Nenhum vestígio da lama que tinha sujado tudo que eu tinha usado em VV. Cruzei a ponte mais uma vez, paguei mais uma vez os 4000 kip e quando cheguei a Maylin senti-me em casa. Tudo daquele lado continuava intacto. E todas as vezes que eu paguei aquela ponte, eu paguei feliz sabendo, que aquele lado de mantem natural do jeito que se mantem por causa da ponte! E eu acabei afinal indo fazer o tal do tubing. E essa estoria fica para o proximo post. Para um dos muito posts que eu tenho que escrever sobre a asia.

The Elephant Ride


I am still in Pai. On Sunday I make my way south first to Chiang Mai, then Bangkok and on Tuesday to Cambodia. After lots of changing of mind I am after all going to Angkor. It seems crazy to be soo close to a place I so wanted to visit and not do it. Pai is still relaxing. Well, apart from today when Maya, my Israeli friend, finally managed to convince me to go on an elephant ride. I did not want to go for numerous reasons, but she wanted so much that I gave into it. So Mickey, a 22 year old Israeli boy, Maya and I rode towards the elephant “farms”. I disliked seeing the elephants tied by chains, did not feel like going, and when someone tried to explain me that riding tourists is nicer than “carrying wood” I was certain I should not do it. Elephants should just be in reservations I think. But Maya could not go alone, so we agreed to go. Neither Mickey or I were really into the elephant tourist trap experience, but Maya not only convinced us but managed to make us get the full experience ” riding through the jungle and bathing in the river!”

We were given a guide that spoke not a single word of English, and led to to climb a platform from which we could get onto the elephant. The nice guide, carried a tool that had something like a hook made of iron to make sure the elephant obeyed him… As soon as we sat on the elephant we cracked up. I have ridden horses and camels, so I was prepared for the moving of the elephants. We did not have a proper seat like you usually see in films, but a blanket. I always sat on the back but Maya and Mickey alternated between middle and head. As soon as we entered the “jungle” the ride became increasingly scaring. I could not breathe so much I laughed. Our guide seemed to enjoy a lot the fact that I could not breathe from laughter. So he chose the most dangerous paths. Over trunks of trees, and land slides, and rocks, and narrow paths and so on. And as he could not speak English we could not explain him that a “reitred florida old couple” ride would be preferable. By the time we were getting close to the river I was convinced I did not want to go into it. So when I saw a big tree I literally jumped from the elephant into the tree and abandoned the ride. I stood in the perfect place to take pictures and and watch Maya and Mickey in total despair. Had I laughed any harder I would have fallen out of the tree.

The elephant did not seem to want to bathe. The guide did not seem to understand that Mickey and Maya did not mind. So he hit the elephant into the laying down. The elephant did not move. Then he lifted his tail and defecated. Still being pulled down he collapsed entirely immersing his head under water. All I could see was M and M scared, and Maya saying ” I think the elephant died!” But then the elephant moved up and collapsed to one side dropping Maya out of his back into his shit. I could not breathe so much I laughed. The confusion was immense. The elephant collapsing, the guide not understanding English, M and M already done with the bathing experience, the guide making the elephant throw water with his trunk over the two of them. I watched from the tree quite relieved I had not joined them.

A Beira Do Mekong!

A Beira Do Mekong!

Do lado de la eu vejo o laos e eu estou aqui numa charmosa guesthouse (Mut Mee Guesthouse) debaixo de uma casinha de sape. Acho que eu adoro beiras de rios, pois a minha memoria mais prazerosa da India era o resturante nepales a beira do Ganges onde todos os dias eu encontrava a Nathalie. Depois de uma semana de calor, voluntariando, banhos frios de balde etc e tal… estar numa guesthouse silenciosa ouvindo o barulhinho de garoa eh indescritivel.

Eu ainda nao estou aqui de vez, e nem para cruzar o rio para o Laos. Estou aqui de passagem para relembrar como eh bom ser turista 🙂 Eu to brincando. Na verdade viemos ate Non Khai pois o Hans ( o dinamarques amigo da Horn) tem que sair do pais para renovar o visto, e eu como nao posso gastar minhas saidas e entradas ( so posso voltar a tailandia nos proprios 90 dias mais 2 vezes), fiquei aqui esperando.

O nosso Tour ate agora esta verdadeiramente caotico. Estivemos em Udon Thani (uma cidade nao muito interessante toda de concreto) pois a Horn tinha que ir a uma conferencia. Fomos ate la so para ela mostrar que nao podia ficar 🙂 Pois eh vai entender as coisas na Tailandia. O futuro do tour eh tao incerto como o comeco.

No vilarejo

Como eu tenho mandado e-mails aos meus amigos contando das noticias do lado de ca e eu nao tenho tanto tempo na internet como eu gostaria ( pois eh uma pessoa viciada eh assim) resolvi postar meus e-mails no meu blog em ingles.

Ja estou no meu pequeno vilarejo rural, um vilarejo de apenas umas 100 casa. Da minha nao se ve nenhuma. ve se muito verde, plantacoes de arroz, um jardim bonito, cabanas de palha, flores e frutas. Minha hostess, Horn, eh uma tailandesa de 48 anos, muito animada, professora na minuscula escola onde eu voluntario. Assim que ela me pegou no primeiro dia me abracou dizendo que eu podia chama-la de Thai Mama. Ele eh verdadeiramente uma mulher excepcional, completamente apaixonada por dar aulas, pelos alunos, me contou que eh tuma escritora e esta escrevendo livros didaticos, e poesia tailandesa.

Para mim que sempre vivi em cidade tem sido uma mudanca e tanto, banho de balde e agua fria, insetos de toda a variedade, comida diferente, e muito calor. O que faz tudo valer a pena sao as pessoas. Que sao sempre de uma amiabilidade\, generosidade, e ternura tamanha.

A escola so tem 50 alunos, de 4 a 12 anos. Ha quatro classes, com duas series por clases. Eh tudo muito informal, e as cirancas parecem muito alegres. De manha todos ficam no patio ouvindo os avisos, e num certo momento se viram para o Budha com uma mao em cima da outra numa pequena meditacao em agradecimento aos que os ajudam. Depois saem correndo para suas classes com aquelas vassouras de “bruxa” para limpa-las. Todo mundo entra na sala sem sapato, e apesar da simplicidade da escola eh tudo super limpo!

Essas criancas sao pobres, de zona rural, normalmente moram com os avos, pois os pais ou partiram, ou morreram, ou trabalham em alguma cidade grande. E elas sao tao alegres. Rindo, cantando, pulando elastico, tentando conversar comigo. As menores, pois as maiores tem mais vergonha. Como elas nao falam quase nada de ingles e eu nada de tai as nossas conversas sao assim de sorrisos e apontando coisas.

Como houve uma competicao de discursos em ingles na provincia ontem , eu acabei passando muito tempo com duas menininhas: Tangmo, e Tangnoi. O que mais me espantou foi ver nao so a persistencia, a paciencia, mas alegria delas. Enquanto passamos o dia juntas praticamente so esperando o tal momento, eu pude observa-las. Tao generosas, tudo que comiam me ofereciam, dividiam. Eu tecnicamente estava com elas, mas sem duvidas elas tomaram bem mais conta de mim do que eu delas.

Meu livrinho de frases em tai eh motivo de muita risada. Elas nunca entendem o que eu quero dizer. Mas Tangmo eh tao inteligente que ela sempre consegue descobrir num dicionario, ou de alguma forma a maneira de me explicar.

Para a total alegria da Horn, do diretor e minha, Tangmo ficou em segundo na competicao! A nossa escola e tao pequena que nao esta nem no Ranking! A primeira colocada veio da melhor escola da regiao, por isso o segundo lugar para Tangmo uma menininha linda e pobre de uma escola minuscula foi motivo de grande celebrcao.Horn na sua enorme generosidade me colocou como professora delas, e por isso eu ganhei um certificado em Tai. Claro que ela ter ficado em segundo lugar nao tem nada a ver comigo,muito mais com a propria tangno que eh muito inteligente e caitvante e a Horn. Eu alias tinha achado essa estoria de competicao de discursos uma loucura. Deixar as criancas estressadas etc… nao sei como eh no resto da tailandia, a Horn, nao fez pressao nenhuma, tudo muito informal, tudo meio relax. Na verdade nem a vitoria da Tangno, nem a nao vitoria da Tangnoi foram muito comentadas. Quando eu perguntei a HOrn se a Tangnoi nao tinha ficado triste ela me respondeu ” Nao ela sabe que tinha muitos canditatos, e que outros foram melhor.” Nao que eu nao ache que a Tang Noi nao tenha ficado um pouquinho triste, mas a casualidade como a Horn pois as coisas que me deixou mais aliviada.

Da viagem

A viagem foi super tranquila. Parei pela terceira vez na minha vida no aeroporto de Abu Dhabi. O aeroporto estava completamente diferente de quando eu la estive nao faz nem sequer um ano. Passeei pelo aeroporto e tive a sorte de presenciar um momento surreal. Um banheiro lotado de mulheres mais velhas muculmanas se lavando para rezar. Todas estavam vestidas de um vesitdo florido azul, com uma etiqueta onde eu pude ler que eram da indonesia, e eram absolutamente devotas. Eu fiquei ali parada completamente perplexa. Ao meu lado uma mulher ocidental mal-humorada resmungava o tempo todo.O aeroporto eh um lugar surreal, voce passa por pessoas de burqa, niqab, djelaba, veus todos coloridos e bordados, todos negros, saudi com aqueles panos quadriculados. Sala da reza, o bar( ?), a boots, burger king, e ate mesmo um radar tipo raio x que mostra as pessoas por dentro, funcionarios de mascara, uma guarda que parecia a guarda iraquiana do Lost. At’e um cara pareciddismo com o Sayid que me greeted dizendo ” Hello Love”.

Bangkok esta quientissimo. Sao 6 horas de diferenca para londres, e eu totalmente jet lagged capotei essa tarde. Depois sai para dar uma pequena volta. Queria ir num mercado para comprar roupas apropriadaspara voluntariar mas o transito era tal que resolvi ir no mercado Kao Sun que eh perto de onde estou. De volta ao meu ja encontrado lugar favorito para comer conheci algumas pessoas. Dentre elas Phillipe um suisso que esta viajando a un ano e meio e ainda viaja ate marco que vem. O cara ja esteve em tudo que eh lugar e tambem ja fez vipassana. Mostrou me basicamente tudo que eu precisava saber e ainda me apresentou a outros desses turistas mais locais. O turista local eh para mim gente que nem a Nathalie que viaja tanto, e por tantos lugares que eles vivem se reencontrando pelo mundo como se fosse a coisa mais natural. Ha tambem os turistas bem jovens que estao claramente no gap year e vem para a Tailandia um pais bem facil de vaijar para beber todas. Esse segundo tipo de turista mostra claramente como eu estou ficando velha 🙂

Ja vi uns mongezinhos laranjas na rua. Os Terevadhas que sao bem diferentes dos Tibetanos que eu conheci na India. Alias Eu recebi um sms to Lama Lobsang me mandando o email dele para eu mante-lo a par da minha viagem 🙂 Esses textos de agora serao assim corridos e com ainda mais erros do que eh de costume ja que o relogiozinho vai ticando enquanto eu escrevo. E os textos serao um pouco repetitivos pois eu tambem estou mandando e-mails em ingles. Acho que vou postar meus e-mails no meu blog em Ingles, quem quiser pode ir la ver. http://www.translatingthoughts.wordpress.com

O Eterno no Efemero

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Eu estou ainda em casa. Ontem sai para caminhar pela primeira vez desde quinta. Hoje estou presa no meu quarto mas por outra razao: um filme. Ou melhor mais uma cena que esta sendo gravada na minha casa. A Alondra miha amiga e flarmate é atriz. E assistir a mesma cena ser gravada e re-gravada um milhao de vezes, me fez pensar em tantos dos meus amigos cineastas, atores e artistas em geral. Lembrei de como quando eu peguei o aviao para ir para o hospital no Brasil, sozinha meio que tendo crises parciais epileticas, abri a revista da Tam e dei de cara com o meu grande amigo Fellipe. Meu amigo que me convenceu a ir estudar em NY. O rosto dele tomava uma página inteira. Lia-se Fellipe Gamarano Barbosa um dos cineastas mais promissores do Brasil. eu olhei e sorri confortada.. confesso que nem tanto por ele ser um dos cineastas promissores do Brasil foi mais por ele estar ali protegendo o meu voo :)E pensar no Fellipe me fez pensar na minha amiga Iraniana Sara com que estudei em NY e que acabou tambem indo fazer mestrado em cinema na Columbia. Ela, que tinha passado tres meses no Iran e que tinha ganhado uma bolsa da Fullbright para fazer um filme em Istanbul , acabara de me escrever me convidando para ir visita-la em Istanbul no ano que vem. Logo Istambul, uma das minhas cidade favoritas, e onde vive uma das minhas melhores amigas. E eu imediatamente comecei a fazer planos para apresenta-la a Nese. Mas a Nese ganhou uma outra bolsa para estudar 6 meses na Finlandia e 6 meses na Inglaterra…Enfim, o fato é que visitando mentalmente esses meus amigos queridos eu resolvi entao dar uma olhada no site da Mounia ( clique aqui) minha amiga marroquina de quem tanto ja falei. O site tava com uma nova cara. E eu comecei a olhar os quadros e fui ficando muito tocada. Eu sei que eu ja escrevi aqui de como ver os quadros da Mounia me nocauteou quando eu cheguei no Marrocos. Como para mim o comeco da minha doença foi no simbolico. Entao ir la olhar o site dela sempre me toca. Me toca pelas cores, pelas memórias que evoca, porque é o jeito mais profundo de estar perto da minha amiga, de saber como ela esta, de ver o que ela cria. E eu olhei bem devagar…reconhecendo os antigos, o que ta na minha casa, efiquei totalmente perplexa com os novos. Meio que nocauteada mais uma vez. Li o que ela tinha escrito em frances, e em ingles. E uma frase me tocou particulamente “I search the eternal in the transitory and the glory in the chaotic.”

Olhei os novos quadros, muito viscerais para mim por alguma razao. E entao resolvi escrever para ela. Contei que tinha visto os quadros, que tinha me sentindo muito emocionada.Disse que existia algo de profundamente triste ali, alguma coisa de profundo que eu nao sabia colocar em palavras. E eis que eu recebo quase que imediatamente essa resposta.

“The work is quite recent im glad you like it, some of the paintings were painted last year and all the ones inside the human brain such as cranium(right brain/left brain dilemna), memoire red background and (B&W faces inside a big head)were very much inspired by what i felt when you told me about that thing you had …i had to explore and depict in a way the microscopic molecules and world that lies beneath the surface of each one of us, in other words u were my inspiration for that whole collection….love you and miss you infiniment
bisous”

E aqui estou eu sem palavras. E tendo que coloca-las para fora, e querendo dividir a emocao. A emocao que eu tinha sentindo sem saber direito porque faz agora total sentido. E o sentido me faz transbordar em lágrimas. A emocao de saber que esses amigos de alma que sao levados para longe por bolsas, e filmes, e gravacoes de cds, mas estão sempre perto de maneira profunda me faz de fato crer que o eterno esta no efemero.

De Cama

Continuo em Londres. E confesso que adiar minha viagem me deu uma alegria tremenda. Eu já não estava me sentindo muito bem na terça, mas quarta depois de finalmente terminar a minha prova, de trazer meus amigos para casa para celebrar e me despedir, de sentir aquele mistura de alivio de ter terminado a prova e tristeza de saber que muitas dessas pessoas eu não verei mais, eu meio que tive um breakdown. Quarta foi um dia e tanto, greve no metro de londres, a prova para qual eu não me sentia preparada, a tensão de ter que viajar no dia seguinte me sentindo assim: letárgica.

A festa aqui em casa foi boa. E ainda sim eu escapei no meio e fui tomar um banho esperando que o banho fosse fazer milagre. A Kica, minha amiga, me perguntou umas 3 vezes se eu estava feliz de estar indo viajar. Eu respondi que estava exausta todas as vezes que ela perguntou. E ela, eu sabia, estava percebendo que não eu NÃO estava feliz de ter que viajar no dia seguinte. E como sempre eu não queria confessar isso nem para ela, nem para mim mesma, nem para os meus amigos, nem para a minha família.

E eis que eu acordo no dia seguinte e decido que nao tem jeito, eu tenho que ir ao medico. É assim, deixei para o ultimo dia, o ultimo momento para ir ao medico e explicar que eu tava com provavelmente uma cistite, e que eu tava com dor no corpo e sei la mais o que. Fui atendida por um senhor de uns 80 anos.

Ele estava vestido todo arrumado, num blazer xadrez, um verdadeiro “gentleman”. Ele me perguntou o que eu sentia. eu expliquei e contei a ele que ia viajar naquela noite para a Sudeste Asiatico.

– Asia? O que voce vai fazer la?
– Vou voluntariar, e viajar.

Eu não sei como foi, eu só sei que ele foi tão doce e tão atencioso que eu acabei contando que tinha feito uma prova no dia anterior, que eu ia voluntariar num vilarejo rural e tudo mais que estava me acontecendo.

– My dear, that all sounds lovely, but I think you should postpone your trip!
– Why? Do you think I have something serious?

E ele me olhou com aquele jeito que só um senhor que já viu de tudo, que já viveu e viu a impaciência dos jovens, a futilidade da pressa e disse:

” No. You have nothing serious. But you should not put yourself in corners like that. So many things happening at the same time! Travelling is already a challenge when one is completely healthy, but feeling unwell is just going to be dreadful!”

E eu comecei a chorar. Nao sei direito porque. Talvez porque estar num hospital me lembre ter estado no hospital. Talvez de total alivio de alguém sensato me dizer “Nao viaje agora”, de nao ter que viajar, e chegar num outro continente e ter que ser simpática com pessoas com quem mal consigo me comunicar quando tudo que eu queria era ficar na cama.

Então ficou decidido ali: eu adiaria a viagem. Ele sugeriu um mês, mas eu ainda sou jovem e ainda não primo por tanta paciência. Adiei por duas semanas. Então agora embarco no 24 (Insh’alla como diria o Abdul).

O Brasil na Tailandia

Ontem fui visitar meu amigo Maciek, meu amigo Polones, que de fato vive como um yogi. Ele é uma dessas pessoas de bondade inacreditável. Uma dessas pessoas que exalam compaixão, paz, calma. Quando eu passei um mês na Romênia ele me alimentou praticamente todos os dias. Vendo como eu me alimentava pouco e mal, me convidou para ir como ele a pequena feira da cidade. Assisti-lo olhar as frutas, vegetais e legumes me marcou muita. Praticamente um ritual. Eu nunca tinha visto alguem ficar tao feliz diante de comida. Parecia uma criança numa loja de brinquedos.

E o Maciek escolhia cuidadosamente o que ia levar, conversava com os vendedores no quase nada que sabia de romeno, e sempre saia sorrindo. Ai voltávamos para a pousada onde ele estava ficando, subiamos para o ultimo andar, onde ficava a cozinha, para cozihar. Ou melhor, eu cantava, cortava legumes desastrosamente, e o Maciek e o Carlo cozinhavam. Eles sempre faziam comida a mais. “Caso alguem mais apareça” explicava o Maciek. E sempre, sempre aparecia.

Ontem fui jantar com ele e a Aneta ( sua namorada e minha amiga) no quarto onde eles vivem em Ealing Common. Ealing Common fica bem longe de onde eu moro, e toda vez que eu vou para la e ando pela rua arborizada onde eles vivem eu me sinto transportada para outro mundo. Parece que tudo para, é tao silencioso por la. Como sempre a comida estava deliciosa, e depois de muitas horas passsadas la, me preparei para ir embora. Assim que me levanto o Maciek me diz:

“Tenho uma coisa para voce.”

Ele me entrega uma sacolinha e dentro vejo dois livros pequenos com fotos do Brasil. Eu olho para ele meio surpresa e ele continua:

” É para quando voce estiver na Asia. Assim voce pode mostrar de onde veio. As pessoas sempre se interessam. Quando voce nao pode falar muito as imagens sao otimas. As criancas vao adorar.”

Eu fiquei ali, boquiaberta…

“Depois voce pode deixar na escola onde voce vai voluntariar.”

Eu me senti tao tocada..eu fiquei tão grata.

“Maciek, quando eu mostrar essas fotos eu vou contar de voce.”

E eu não sei se vou ser capaz de contar em ingles no meu pequeno vilarejo, mas sei que com certeza nao vou conseguir contar em Thai.. Entao eu conto aqui: que meu amigo Maciek, meu amigo Polones vai ser o responsavel por eu poder mostrar um pouco do Brasil na Tailandia