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Sobre julietafalavina

Eu escrevo da minha vida, e agora sobre a minha recuperação da saúde .

III

Eu é claro mudei a cor da calcinha, os livros que eu lia. Tentei parar minha mente a cada pensamento critico. No fundo, eu estava sempre com medo. Sempre sem saber o que estava acontecendo com meu cérebro. Meu cabelo caia. Eu tentava eliminar qualquer pensamento que pudesse ser negativo. Comecei a ir as aulas de Yoga. Elas eram distintas. Falavam de Tantra. Falavam de Deus. Meus olhos reviravam. Eu achava que aquelas interpretações eram sócio-construídas. Odiava ouvir a palavra Deus numa aula de Yoga. Eu estava com medo. Tinha que ir la. Aos poucos, fui parando, parando, parando.

Em fevereiro, depois de passar o mês viajando, liguei para minha mãe. Estava conversando com ela, quando de repente, perdi minha fala. Nao perdi o discurso mental. So não fui capaz de articular. Foi travando. Travando. E eu fiquei nervosa. E soube imediatamente ” É meu cérebro! Eu não posso mais fingir que nada está acontecendo.” Meus pais, mandaram me para o aeroporto imediatamente, e 4 horas depois eu ja estava voando. Na manha seguinte internada.”

De fato eu estava com uma anomalia. Não se sabia o que era. A minha perda de fala era uma crise parcial epilética. Façamos então todos os exames. Assim que eu entrei no hospital perdi o medo. Façamos então. Não adianta ficar evitando. Meu Yogi me ligou e disse o que ele já tinha dito antes, que achava que meu sistema imunológico estava lutando contra meu cérebro. Parecia sintomas de Esclerose Múltipla. As explicações dele eram é claro esotéricas.

Fiquei 11 dias internada. Depois de tudo que é tipo de exame, meu neurologista, um homem da ciência, contou me que eu tinha inflamações. Perda de mielina. Como isso acontece ? Era o meu sistema imunológico que lutava contra mim. Por que? Não havia respostas medicas muito claras. Se isso se repetisse seria uma doença cronica, eslcerose multipla, se nao, teria sido uma versão aguda, também sem muita explicação.

Eu nao quero dizer aqui, que eu acho que os médicos não sabem o que dizem. Nem que eles não tenham me ajudado muito. Nem encorajar alguem a não ir no medico. Cada caso é um caso. Aqui eu só posso dizer do meu caso. Do que significou para mim ouvir o medico me dizer que o meu sistema imunológico estava lutando contra o meu cérebro. Para mim, foi como olhar as pinturas da minha amiga marroquina. Foi como se o evento em si transcendesse tudo. Não me importava qual era a explicação cientifica, o fato de não existir uma explicação muito concreta. Para mim foi o momento que dentro de mim aconteceu um clic. Um clic de responsabilidade.

“Meu deus, como é que o meu corpo luta contra o meu corpo? O que é que está errado.” E não precisou de quase nenhum segundo para eu perceber quão infeliz eu era. Não que ninguém me fizesse infeliz. Não que houvesse alguma tragédia na minha vida. Simplesmente, observei com eu tinha abandonado aos poucos o sentir. Como eu tinha amputado tudo que eu sou, meio por acaso. Como eu não ria. Como eu não tocava. Como eu não fazia nada. Como eu na verdade acordava todos os dias sem um propósito. Como eu estava esperando os dias passarem. E pronto.

Para mim foi um momento de mudança, pois eu decidi dentro de mim que não importava o que custasse que eu iria me buscar. Buscar o que era me sentir viva. Com o corpo todo. Que eu não ia abandonar o meu cérebro, mas usa-lo ao meu favor e não para criticismo a toa. Ali no Hospital eu comecei a mudar.

II

Naquela noite, tive um choque na mão. NãO sabia o que era. Eu estava dormindo. Isto aconteceu um dia antes de eu voltar para Londres. Já em Londres fui ao medico que me pediu para ir ao Hospital. Fui. Depois da tomografia, uma senhora com cara de pesar, me pediu para dormir no hospital. Havia uma anomalia no meu cérebro. “Uma o que? Como assim? Onde. Eu sei tanto sobre o cérebro?!?!?!? Meu marido é neuro-cientista. Como assim??? Como assim??” Sem respostas. Fiquei. No dia seguinte, eu devia fazer a Ressonância Magnética. Fiz. A “anomalia” se confirmava. Eu teria agora que fazer uns outros exames. Uma punção lombar. Ou seja, retirar um liquido da minha espinha. Não. Eu não queria. Não queria fazer de jeito nenhum. Entendam eu não estava com medo de morrer, de ter tumor. Eu estava com medo do exame! E portanto, resolvi que ia embora. O medico desesperado me explicando que era importante, eu fazendo perguntas e mais perguntas. Eles poucas respostas.

E eu pensei dentro de mim ” O que é que eu posso fazer.” Dentro das minhas possibilidades eu só via uma. Eu queria ir embora do Hospital e ignorar tudo! O que eu podia fazer. Onde eu podia encontrar essa saída?? De repente ficou claro, como ateia militante o meu único caminho era abandonar meu ateísmo. O único jeito que podia abandonar o caminho cientifico era substitui-lo por outro. No entanto, é importante perceber, que eu não o fiz porque eu estivesse de repente sentindo algo dentro de mim. Eu o fiz para fugir do meu medo. E como eu descobriria mais tarde: isso não da certo.

Sai do Hospital. E liguei para um único amigo meu espiritualizado. Ele, por coincidência ou sincronicidade, depois de 7 meses sem vir a Londres estava vindo para o encontro do Ashram da Yoga que ele frequentava. Perguntou-me se eu queria ir. Não hesitei. Cheguei e em pouco tempo o “líder” da casa veio falar comigo. Tivemos uma conversa de 3 horas. Onde ele só de me olhar me resumiu. Disse que eu tinha que mudar, que eu estava me sabotando. Falou de coisas que eu achava pouco cientificas. Debateu as comigo. Discutimos. E eu estava tão disposta a aceitar qualquer coisa que disse a ele ” Diga-me o que fazer.” Ao que ele respondeu ” Vá fazer o exame. O que esta manifestado no orgânico precisa ser lidado no orgânico. Para as causas estruturais volte aqui. Comece a fazer Yoga. ” Eu já fazia Yoga ha anos. Não entendia como isso poderia possivelmente mudar alguma coisa. Disse a ele, que não voltaria ao medico. E ele foi categórico. ” Julieta, Não adianta você mudar tudo a sua volta. A mudança tem que ser interna. Enfrente os seus medos.”

I

Como a Charo me deixou uma mensagem muito delicada, perguntando se eu tinha estado doente, resolvi responder em forma de post. Não é exatamente que eu tenha evitado fazer isso, mas é que durante todo o processo do que aconteceu eu fui escrevendo e tinha a impressão que fosse claro. Vou escrever por partes. Pois o que aconteceu, que alias hoje eu considero uma benção, nao pode ser contado assim em uma frase. Bom quer dizer, pelo menos não por mim 🙂 Então, lá vai. Eu vou começar de quando começou para mim. Que é claro, no simbólico.

Há um pouco mais de um ano atras eu fui para o Marrocos. Viagem que eu esperava ha anos. Lugar de onde tenho amigos queridos. Pessoas que de diversas maneiras foram muito importantes para mim. So que quando eu fui para o Marrocos eu já não era a mesma pessoa que tinha sido quando tinha conhecido esses amigos. Eles me conheciam carregando um violão, eu cheguei la achando que arte era uma perda de tempo. Que tudo que não fosse politico, que não fosse justo, que no fosse preocupado com resolver a desigualdade do mundo não tinha valor. Não sei direito como fui parar nisso, mas foi entre abandonar musica, me perder na antropologia e enveredar na politica internacional. Cheguei la, vivendo no meu cérebro. So no meu cérebro.

Deparei-me com minha amiga, pintora, linda, que veio me buscar de tomara que caia no aeroporto. Fiz analises sobre como as classes baixas e altas nunca seguem as regras da sociedade. Observei os rituais. Tive conversas intelectuais, e me senti muito bem com isso. E eu fiquei la no Marrocos 35 dias. 20 deles sozinha. Participei do Ramada, peguei trem, camelo, andei a pé, charrete, carro, e tudo que é meio de transporte. Quando depois de ter estado em muitos lugares voltei para casa da minha amiga. Vi seus quadros. Levou uns 20 dias para eu VE-LOS.

Eram corpos que se soltavam das telas. E eu tendo viajado naquela sociedade. Sentido a coerção e coesão social. A contenção, a tensão. A aflição. O nervosismo. Quando eu voltei e olhei para os quadros eu senti uma coisa arrebatadora dentro de mim. Aquelas imagens transcendiam tudo. Transcendiam o politico, o real, o concreto. Aqueles quadros não precisavam de palavras ou analise para ir no amago. Eu olhei. Olhei. Olhei sentindo me arrebatada por dentro. Pequena. Tola. Sem palavras. E talvez tenha sido ai, que tudo começou.

Das Idas E Vindas

Um mês no Brasil. Em algumas horas volto para Londres. Mais uma estadia que se encerra. E com meus amigos que partem da casa, com as risadas que ficam, com os abraços apertados fica um pedaço meu. Difícil. Difícil voltar para Londres. Era para eu já estar acostumada, com todas essas idas e vindas, e eu sei que assim que chegar em Londres e encontrar todos aqueles que fazem parte de mim lá, tudo volta a fazer sentido. Agora não. Agora eu sinto a vontade de ficar aqui. De falar com minha prima com quem não falei o suficiente, de trocar mais palavras com o amigo silencioso, de abraçar mais o que saiu cedo, de ouvir mais estorias de todos. Agora que eles todos partiram de mais uma festa de despedida minha, mais uma das muitas festas de despedida nesses últimos 8 anos, fica um vácuo. O vácuo de quem queria mante-los todos aqui. De quem queria ficar.

Essa temporada foi profunda. Eu estive no médico, e pude ver toda aquela mudança que eu já sentia no meu corpo materializada ali na minha ressonância magnética. Todo aquele ano que vocês que aqui estiveram bem conhecem produziu em mim uma recuperação espantosa. E eu que já a sentia, já a intuía, ao vê-la num exame médico chorei. Em celebração a vida dancei. Dancei a noite toda. Busquei resolver estórias mal resolvidas. Viajei, encontrei com um amigo querido que há tempos não via. Fui a praia, subi arvore, cachoeira, fiz yoga, karaoke, nadei, toquei violão, cantei. Fui ao samba no Rio. Encantei-me com a musica, com o musico, com os que cantavam, encantei-me comigo. Com quem sou. Com o que voltei a ser.

Então eu sento aqui, nessa madrugada tendo fechado a porta para os últimos convidados. E no anseio de manter tudo isso comigo escrevo. São tantas essas pessoas que amo, que chega a ser espantoso.Como são belas… Não quero partir. Já não entendo como é que vivo sem elas? Mas eu sei que é tolice, e claro que eu não vivo sem elas. Elas são sempre parte de mim. Agora eu só sei disso mentalmente, meu corpo mesmo ainda não se lembrou. Mas logo logo ele se lembra. Ele lembra quando eu encontrar as pessoas que eu amo no outro lado do Atlântico. Mas agora não precisa, agora ainda não.

"Anjos da Guarda"

Semana, que vem estou indo para o Brasil, e portanto, acho que vou ficar sem atualizar o blog por pelo menos um mês. Eu na verdade, não tenho muito o que contar ultimamente. Fato esse decorrente de eu estar passando muito tempo na LSE. Estava eu aqui pensando que eu queria escrever alguma coisa e o fato de não ter muito o que contar por causa da universidade me fez lembrar de uma estória muito bonita, que eu venho adiando há muito tempo. Talvez por um certo medo de não fazer justiça a estoria original. Essa estória, é a estória de como eu comecei a estudar antropologia.

Quando eu fui para NY estudar, eu tinha de fato ido para estudar cinema. Não que isso fosse uma idéia muito profunda, e pensada, foi meio por acaso. Diga se de passagem que quanto mais eu converso com as pessoas mais eu vejo como nossas escolhas por uma área são muitas vezes por acaso, por ter empatia por algum professor, pela idéia daquela profissão, as vezes até pelo lugar físico ( conheci uma menina que foi estudar na FAU pois quando era adolescente tinha visto um menino pichando o muro da FAU e achado lindo. Naquele minuto decidiu “é aqui que quero estudar!”). O engraçado é que essas escolhas lá atrás acabam definindo muito do que somos, muitas vezes sem nem percebermos. Eu vejo isso claramente hoje em dia, na minha aula de antropologia do aprendizado e da cognição. É simplesmente incrível, colocar os antropólogos, psicólogos, filósofos e neurocientistas e ate uma bióloga juntos numa classe. Nos entramos la, com os preconceitos da nossa área, com perguntas distintas, com interesses completamente diversos, e muitas vezes super passionais. E é difícil de se abrir de verdade para uma nova visão. Aliás até o fato de ter ido a uma universidade ( no meu caso nos EUA) e estar agora na Inglaterra muda tudo. Mas já divago.

O fato, é que eu tinha ganhado uma bolsa, e tinha que escolher uma área de estudo. Quando eu cheguei em NY, mandaram me falar com um “advisor”, e como o sistema de ensino é completamente distinto ( os alunos tem que pegar aulas de diversas áreas independente do major- área de especialização) ele me aconselhou a pegar aulas de inglês, teoria da música ( para satisfazer créditos de arte), cinema, e astronomia ( créditos de ciência). Bom, sai de lá, e liguei para meus pais para contar sobre o meu primeiro dia. Quando desliguei, um professor que estava ao meu lado, se dirigiu a mim, dizendo que era brasileiro, e que dava aulas de antropologia. Convidou-me então a ir assistir a uma aula dele. Perguntei sobre o que era a aula, e ele me respondeu que era sobre os Nambikwara, e outra populações indígenas da América do sul. Lembro-me de ter agradecido, dito que tentaria ir, mas pensando. ” Nossa, de jeito nenhum. Não tenho interesse nisso.”

Como a vida da voltas, acabei mudando de idéia e resolvendo ir assistir a tal aula de antropologia.

O professor, começou a aula por contar sua estória. Tinha estudado música e antropologia. E quando foi fazer seu trabalho de campo, resolveu ir estudar a tribo como musicólogo. Passou um ano com os Nambikwara e quando achou que já sabia tudo que tinha para saber sobre a música para os Nambikwara partiu para escrever sua tese. Assim que voltou a sua universidade (americana se não me engano) resolveu que queria voltar a morar com os Nambikwara, afinal, agora que ele já falava a língua poderia estudar outros aspectos da tribo mais profundamente. Queria estudar religião.

Voltou e passou um bom tempo observando. E num dia, quando finalmente sentiu que era capaz de falar o suficiente para fazer uma pergunta elaborada. Foi até o Xamã para perguntar se eles tinham esta palavra. Este conceito. Lembro-me que ele disse que levou meia hora para fazer a pergunta, explicou que religião vinha de religere, religare.. do latim.. conectar-se. Explicou sobre as religiões no ocidente. Enfim, levou um tempão, e no final da pergunta, disse ” e vocês, tem essa palavra religião?” ao que o Xamã, sem hesitar respondeu ” Claro: Música!”

Eu me lembro de estar sentada na minha mesa. Prestando enorme atenção na estória. E de repente sentir-me completamente nocauteada. Eu nunca tinha sido religiosa, mas se existia um momento que eu me sentia em outro mundo, ou conectada com algo além, era tocando, compondo. Naquele minuto eu soube que eu queria ficar. Eu queria aprender sobre outras culturas. Eu queria aprender sobre esse dialogo entre populações que tece a nossa humanidade. Eu queria conectar-me com o outro. Aprender as outras mil linguagens que explicam a existência.

Ironicamente, eu acho que é muito fácil perder esse verdadeiro interesse pelo outro na universidade. Vira meio que aquela visão do “analisador” X “analisado”. Explicações muitas vezes funcionais das outras linguagens. Isso no entanto não vem ao caso para esse post. Meu professor e querido amigo Marcelo Fortaleza Flores foi responsável por despertar em mim o interesse pelo o outro. Que eu já tinha é claro, mas um interesse num outro plano. Anos mais tarde, ele foi responsável por me fazer voltar a música. Essas pessoas que aparecem assim nas nossas vidas, meio por acaso, acabam de fato transformando quem somos. E o engraçado é que as vezes são pessoas que nos levam para bem longe do que somos, mas tenho cá para mim, que os mais transformadores, e as melhores e mais profundas transformações ocorrem quando encontramos pessoas que nos trazem para dentro, mostrando o que já intuímos (sem nem saber) numa outra linguagem.

Universo Paralelo

Bom, como eu ja disse antes eu sempre me surpreendo quando alguem diz que le meu blog! E é óbvio que se eu o escrevo e coloco na rede isso não deveria ser um fato em si tão estranho. Mas eu me surpreendo porque eu fico tocada eu acho. Sei la, de certo modo, eu acho incrivel que alguem leia o que eu tenho para dizer. Ainda mais alguem que nem me conhece. Eu já nao me lembro mais como foi que eu comecei a escrever o meu primeiro blog. Eu ainda morava em NY, e acho que tinha mais a função de manter meus amigos informados das minhas andanças. Depois eu mudei de blog, o blog foi mudando, até que chegou nesse formato, que é meio sem formato. Um pouco de viagens, de analises, um pouco do dia a dia. E eu vou escrevendo meio sem saber onde meu texto vai parar. São reflexoes, tenho vontade de dividir algumas das experiencias que tenho. Tenho vontade de contar sobre as pessoas incriveis que eu encontro pelo caminho, e das estorias incriveis que elas me contam. Ultimamente tenho recebido muitas mensagens. E eu fico feliz. Feliz mesmo. Obrigada!

Um dos meu melhores amigos, André, que é a pessoa que mais me cobra atualizações, me pediu uma vez que eu colocasse as musicas que eu componho no Blog. Bom, eu expliquei para ele, “André eu nem componho mais”. Ele achou impossivel. É que eu o conheci, quando morava em NY, estudavamos juntos, ele jornalismo e eu … bom deixa para la… foram tantos os departamentos que eu visitei. Naquela época eu vivia grudada ao meu violão. Não ia a lugar nenhum sem ele. E tudo, tudo que me acontecia virava música. E eu não sei como foi, mas parei de compor. Nesse meu ultimo ano, de que tanto ja falei, uma das minhas buscas, é reencontrar a música dentro de mim.

E vou seguir o conselho do Andre. e vou colocar aqui a minha ultima musica. A primeira desde muito tempo que vem de dentro. Chama-se Universo Paralelo. E foi gravada aqui em casa com a maquina de fotografia, portanto a qualidade é para la de duvidosa.

No Meio do Caminho

Faz três semanas que eu comecei a voluntariar numa escola pública aqui de Londres. Faz parte de um programa da LSE, e tirando eu e uma meia duzia de gatos pingados, eu tenho a impressão que a maioria dos voluntários esta fazendo isso só para ficar bonito no curriculum. Pelo menos foi a impressão que eu tive, mesmo porque na apresentação do programa la na LSE, a coordenadora passou 5 minutos falando na importância da experiencia para o individuo, mais 5 na diferença que faz para os alunos da escola publica, e uns 50 citando estatísticas que mostram que empregadores preferem empregados que tenham voluntariado. Enfim, o importante é que ela conseguiu muito voluntários, que tanto faz a motivação, ajudarão pela simples presença, e atenção que dispensarão com alunos.

Na minha primeira visita a escola, encontrei mais 7 estudantes da LSE. Eu estava um pouco preocupada que a escola fosse muito rígida ( eu sou muito mais da linha de escolas democráticas). La chegando meus medos se dissiparam, a escola uma bagunça, a diretora uma simpatia, e a alegria que ela estava de nos receber era evidente. Nos perguntou com qual idade queríamos trabalhar, e tirando eu, todo mundo escolheu o ultimo ano da escola primaria, os alunos de 11 anos. De fato, eles tem bastante necessidade, por causa de um exame que tem que fazer nessa fase. Eu pedi para ficar com as crianças de sete anos, porque eu acho fascinante essa fase de estar aprendendo a ler, escrever, compreender um texto. Enfim, a minha escolha foi meio intuitiva, guiada por um interesse em cognição, por querer ver esse processo de “socialização”, “hopefully” ajudar nessa fase de fundamento de base, e é claro porque as crianças de 7 são umas fofuras!!!

A diretora nos levou para visitar, a escola, e nos fomos interrompendo classe, depois de classe, e quando finalmente chegamos na classe dos de 11. Ela nos apresentou. Eles estavam assistindo um discurso do Obama :), e ela parou e disse: ” Guys, eu quero apresentar vocês a essas pessoas, eles são voluntários, eles são especialistas na área deles, estudam na UNIVERSIDADE, e vão vir aqui no tempo livre deles, para ensinar VOCÊS, ajudar VOCÊS !!!” Ela falou isso, super dramática, e eu fiquei meio sem saber o que achar, mas ao ver a reação daquelas crianças de 11 anos, que eu imaginei que ia ser tipicamente de pré-adolescente (ou seja: nem ligar, ou bufar, e ficar infeliz com mais uns adultos na aula deles), fiquei super emocionada. TODAS as crianças da classe, gritaram “YES!!!!! Really????? para estudar conosco??? todos eles??? aqui??YES!!! YES!!!!”

Assim, que na próxima, semana cheguei e fui recebida por uma mulher de pijama. Era um dia especial na escola, para arrecadação de dinheiro para uma caridade. Fui levada a minha classe, e obviamente me apaixonei. Não, sério, tudo que eu sei é teórico. De ler. De estudar. Tudo que eu sei é de ver crianças de amigos, crianças de escola privada, de pais informados. Agora, numa classe pobre, de criança de tudo que é lugar. Nossa, isso é outra coisa. Por que aqueles processos cognitivos que ficamos discutindo na minha aula, de domínios específicos, e não sei mais o que, de repente ganham outra dimensão. E a politica, e o processo violento que é ser educado , socializado ( e aqui eu digo em qualquer sistema, em qualquer escola), da para ver..ali na pratica. É incrível.

Eu não quero falar hoje, das coisas que eu acho erradas. Ou das praticas que eu questiono. Especialmente, porque hoje o professor da minha classe, um bonito e motivado professor que no primeiro dia mal tinha falado comigo se aproximou. Perguntou se eu estava fazendo curso para ser professora. Eu disse que não, que era voluntaria. ” A voce é da Universidade então?” Eu confirmei. e ele disse meio que brincando, “você esta aqui para ver o que a gente faz de errado ? :)”, “e ali meio brincando ele expôs o medo dele, da intrusa.” Eu disse ” Não! eu to aqui porque eu estudo cognição, e eu quero ajudar, e por que eu me interesso em educação” “Eu na verdade devia ter dito, ” nao na universidade a gente não sabe nada, você que devia ir ver la as coisas que dizemos sobre aprendizado!!!!” ” E ele sorriu e me disse “se você quiser fazer alguma coisa, uma atividade, ensinar alguma coisa, ou pesquisar fique a vontade! ” Depois disso ele me envolveu em todas as atividades, eu ajudei crianças a ler, a escrever, a inventar frases, a fazer ginastica. E eu sai radiante de la.

Só quando eu cheguei em casa que eu pensei no significado de tudo isso. Eu nunca imaginei que um professor tao exuberante pudesse estar intimidado por causa de uma aluna. Ele estava intimidado pelo fato de eu estar na universidade, uma universidade reconhecida. E que eu sem pratica nenhuma fosse juga-lo. E ele estava certo. Pois é o que nós fazemos. Nos julgamos, teorizamos, sem ter muita noção da realidade. Mas ele veio até o meio do caminho para sondar ao que eu vinha, e eu fui até o meio do caminho para dizer que eu não sou um perigo. E nesse meio, pudemos nos unir para dar mais atenção para varias crianças.

Estar Presente

Ontem foi meu aniversario. E como eu já falei aqui antes, eu adoro, fazer aniversário. Nunca liguei para datas formaturas, casamentos, natal, pascoa etc.. Mas fazer aniversario me toca. Me toca, pois é a celebração da vida. De mais uma volta em torno do sol. E como (quase) tudo é cíclico, estou aqui de novo falando disso 🙂 Eu gosto tanto de fazer aniversario que ate calculo que horas é o horário certo que eu nasci. (Esse ano por exemplo, levando em conta que o ano é bissexto, o momento exato do meu aniversario cairia no dia 20 as 5:35 da manha, e nao no dia 19 🙂 )Eu nunca vou conseguir colocar em palavras o que isso realmente significa para mim, pois os fatos banais,são os mais difíceis de se explicar. Então, todo ano, eu paro, naquele momento, e fico imaginando mais uma volta, mais uma volta desde a primeira vez que eu respirei no mundo. E para muitas tradições, “a respiração” é a própria vida. Mais uma volta ao redor do sol se completando, mais um ciclo terminando, e portanto mais um novo começo.

Para mim, depois de ter ficado doente, no ano passado isso ganhou especial significado. Pois a vida em si, se tornou mais preciosa. Então, nesse aniversario, o meu objetivo era estar presente. Presente no momento, como dizem os budistas. Eu meditei por uma hora nos estados de compaixão e alegria. Acima de tudo tentei estar presente. E estar presente, é um ato difícil, pois invariavelmente estamos no passado ou no futuro. Que é para muitas tradições a razão do nosso sofrimento. Desejo é sempre no futuro, angustia também, raiva eu acho que fica nos dois. No presente, não, é tudo perfeito.

Então, eu comecei o meu novo ciclo invocando buscando estar no momento e invocando a compaixão. E a noite, convidei alguns amigos para vir em casa. Comprei um monte de baloes coloridos, comprei flores, e a casa ficou colorida. Meus amigos foram chegando, um a um. Eles de mundo tão distintos, amigos de lugares diferentes foram se conhecendo. E tocamos violão, e cantamos. E jogamos todas os balões para o céu, brincamos, e rimos a noite toda. E eu que não tinha comprado bolo, recebi um bolo feito por um casal de amigos queridos. E quando cantamos parabéns. E olhei para todas aquelas pessoas numa quarta feira a noite na minha casa eu fiquei tao tocada. Tao bonitas. Tao únicas. Tao diversas. Matemáticos, yogis, filósofos, artistas, antropólogos, consultores. Que são é claro muito mais do que isso. Olhando, aquelas pessoas que fazem coisas tão diferentes durante o dia, que são de países distintos, que sentem em línguas diferentes. Olhando para toda aquela alegria estampada no rosto de cada um, eu me senti incrivelmente grata. Incrivelmente presente. Devastadoramente feliz.

Pois esse meu ultimo ciclo não foi fácil, foi profundo, foi de busca, foi de procura por um caminho. Eu exagerei. Eu oscilei. Eu fui to ateísmo militante, a todos os templos. Da Europa a Índia. Do Tantra ao Budismo. Dos mitos a ciência cognitiva. Eu mudei as cores das roupas. Mudei os livros que lia, buscando mudar no exterior, uma coisa que só pode acontecer dentro. E ela tem acontecido: eu tenho me re-encontrado. E essa busca, tem sido para abandonar a ilusão do racionalismo e para voltar a me apaixonar pelo mundo. Essa busca tem sido para encontrar o equilíbrio entre o meu pensamento critico ( tao valorizado e exacerbado no mundo ocidental hoje em dia), e o meu coração. E eu não estou falando aqui de emoção. Pois as emoções me parecem também mais superficiais, do que este outro plano de ser. E eu poderia passar aqui horas escrevendo, que eu sei que numa visão materialista a consciência é uma propriedade emergente do cérebro. Poderia invocar meu amigo filosofo para dizer que isso não quer dizer nada. Podíamos ter todos esse discursos que eu já tive. No entanto, o meu ponto, não é esse. Mesmo, porque de certa forma, sempre vamos estar escolhendo um paradigma, achando que ele é racional (ainda que a escolha dele seja irracional), se ele for legitimado pela visão cientifica do tempo. No plano pratico, é difícil colocar a experiencia humana em palavras, afinal , essa é uma linguagem limitada. E só o fato, de eu explicar tudo isso, mostra como eu ainda sou tão preza a esse paradigma:)

No entanto, esse meu ano de busca, é um ano para voltar a sentir o que quer dizer viver. Sentir de verdade. Como é que eu me relaciono com um monte de comportamentos que são produtos históricos, que de tao apegada a eles, eu não percebo que não são meus? Como é que eu fico presente? O que é que eu sou mesmo, o que é que eu não sou ? O que é congruente ser ou não? Perceber-se incongruente. Como é que eu abandono a busca por sentido em nome de sentir. E olhando aos meus amigos ontem, e a todos aqueles que não estavam ontem, mas estão aqui em mim, eu sei que eu sou, porque eles são. E eu sei que não faz mal eu ir do filosofo ao neurocientista, do yogi a financista, do lama ao matemático. Eu sei, porque todos nos somos plurais. Eu sei por que na nossa busca nos estamos sempre acompanhados. Eu me senti inteiramente presente e grata e feliz, porque eu me senti ligada a todos eles. Eu senti que eu sou tudo isso. Que eu estou apoiada na minha busca. E apoiando a busca deles. E no meio de tanta gratidão e alegria fica fácil estar presente.

Meu amigo Lama

Em Mcleod Ganj, na India, me pediram um favor. Trazer uma roupa de Lama para um Lama tibetano que mora em Londres. Eu trouxe. Marcamos um encontro perto da Lse, na frente da estação de Holborn e eu fui andando curiosa de como ele estaria vestido. Trocamos mensagens de texto, e eu achei engraçado ter mensagens de um Lama no meu celular. Coisa boba, mas quando se conhece pessoas assim diferentes, de quem temos expectativas não assumidas, os eventos mais banais parecem curiosos. Cheguei na estação nåo o vi. E ele me encontrou, ele de roupa de monge, vermelha e amarela ( como ele diz), para mim mais vinho e laranja. Tão bonita é a visão dessas cores intensas. Andamos até o Hot Gossip cafe, onde as pessoas o conheciam. Eu entreguei a roupa, tomamos chá, eu fiz mil perguntas e partimos. No caminho, de volta a estação, um bêbado, “homeless”, meio caindo, ao ver o Lama, levantou, se esticou, se arrumou, colocou as mãos em “Namaste” e sorriu baixando a cabeça em respeito. Lama o saudou de volta, e eu fiquei comovida porque eu esperava isso do Lama, mas nao do bebado (dos preconceitos nao percebidos). Nos encontraríamos de novo.

O segundo encontro foi na minha casa. Lama Lobsang veio para jantar. Eu o apresentei ao Haiko , meu marido, e a Alondra minha flatmate e amiga de longa data. Jantamos, e perguntamos mais coisas sobre budismo. Haiko falou sobre neurociência e Lama Lobsang disse ter ficado muito feliz pois ele sempre tinha querido ter um amigo neuro-cientista. Lama Lobsang como bom monge falava metaforicamente, dando voltas, mas sempre, sempre voltava ao exato ponto da nossa pergunta, que eu precipitada que sou sempre achava pelo começo da resposta que ele não tinha entendido. Mas ainda assim, era mais fácil entender Lama Lobsang do que os monges e Lamas na Índia, talvez porque ele já estivesse acostumado com os ocidentais.

Ontem, eu acordei meio angustiada, algumas coisas não funcionando muito bem como eu queria. E recebi uma mensagem do Lama me convidando para ir almoçar na casa dele. Fui. Ele fez comida tibetana para mim, tomamos um montão de chá, e desta vez eu meio angustiada, não fiz mais perguntas tão teóricas. Eu falei da minha angustia de me sentir dividida pela beleza da filosofia budista, pelo mundo da ciência social, pela visão da minha yoga tântrica, pelos meus ideais de justiça social. Eu estava meio perdida. Falei com jeito, que era difícil para mim, de verdade entender o budismo a fundo. Eu entendia racionalmente algumas coisas. No entanto, sendo ocidental, me parecia de certa forma uma negação da nossa individualidade, das nossas emoções, do ego. Falei para ele sobre a importância do ego na evolução da especie. Enfim, fui ali falando.

Ele me ouviu, e me fez lembrar o que Dalai Lama tinha dito em McLeod. Uma das coisas que ele disse foi para as pessoas não abandonarem suas tradições, suas raizes, suas religiões. Para tomarem para si os ensinamentos do budismo que lhes fizessem sentido mas para não se tonarem budista. Eu tinha achado bonito isso la. Um pouco relacoes publicas, mas bonito. E Lama Lobsang falou disso num outro aspecto. Falou da dificuldade que é de rejeitar sua cultura seus valores, sua maneira de entender o mundo. Falou do self e das emoções, e na boca dele tudo é bem menos radical do que na minha mente.

De tudo que ele falou uma coisa me tocou mais. Eles falou dos inimigos. A importância de um inimigo. “Na verdade seu inimigo é o seu melhor amigo, pois ele lhe da a oportunidade de exercitar compaixão e paciência. Quem é seu amigo ou inimigo é impermanente. Os verdadeiros inimigos estão dentro de nos, e nos seguem não importa onde estejamos. E é preciso reconhece-los dentro de você. E a compaixão vira naturalmente.”

E eu saí de lá não budista. Eu sai de lá acompanhada por ele. Eu saí de lá com ensinamentos que me fazem total sentido. E eu saí de lá pela primeira vez sem hesitar em como dizer tchau para um Lama. Eu o abracei, um verdadeiro e forte abraço. Quem sabe, reconhecendo a minha cultura, as minhas raizes. Eu me despedi de uma amigo.

Natalie no Afeganistao

Bom. A Natalie entrou no Afeganistao, assim como eu ja expliquei meio sem se preparar. Ja estava no Paquistao ha uns meses, e nada mais natural do que cruzar a fronteira, nao é mesmo? 🙂 Só que dessa vez, ela nao podia ir sozinha, afinal o Taliban não permitia mulheres desaconpanhadas visitando o pais. A ideia dela entao, esperar na fronteira e entrar com algum ocidental que aparece com a mesma ideia. Eventualmente, apareceu Ian, un Ingles, uns 20 anos mais velho que ela.

Entraram, e logo no começo ja foi dificil arrumar lugar para dormir, pois ninguem queria hospedar ocidentais, por medo de ter problemas. Quando finalmente conseguiram arrumar um lugar para ficar, começaram a conversar sobre uma estoria que estava rondando o paquistao de um casal ocidental que tinha sido estuprado pelo Taliban enquanto visitavam o pais. Estavam debatendo se a estoria era verdadeira ou nao, quando de repente alguem comeca a esmurrar a porta. Os dois entram em panico, e o Ian, ja da o primeiro sinal do tipo de companhia que ele ia ser: se esconde no banheiro! Nath fica desesperada, pois como mulher nao deve abrir a porta. Continuam esmurrando a porta, ela gritando com Ian, ele dizendo que nao sai do banheiro. ela sem opção entao vai. Do lado de fora 6 soldados. Com armas, olhos bem negros, pintados embaixo… tentam forçar a porta, ela a segura com toda sua força… ela grita que é mulher, que eles nao podem entrar, que ela é turista. O ” irmão” ta no banheiro, eles gritam que querem ver o passaporte. Ela fecha a porta dizendo que vai buscar. Coraçao batendo, encontra os passaportes, vai ao banheiro, mas Ian nao quer sair de la. Ela implora para ele ir entrega-los mas ele diz que nao. Entao, ela vai, e quando abre a porta, os 6 começam a gargalhar. Estavam tirando um sarro dos turistas. Ela. Bom, ela foi hang out com eles no outro lado da rua, e deixou o Ian para tras.

Segundo, Nath, o Taliban, são jovens que querem uma vida melhor, e ela não desgosta deles. São vitimas. Os mullah sim, eram aterrorizantes, mas o Taliban novinhos não. Perguntei se ela tinha ido ao famoso estadio onde as pessoas eram executadas. E ela me disse que sim. Foi levada para assistir um jogo de Buzkashi ( uma outras estoria para um outro post). Para isso fingiu ser jornalista, e teve a coragem, ou irresponsabilidade de levar uma maquina fotografica. Alguns Taliban posaram, outros tentaram chicotea-la. Ela saiu correndo.

Diante dessas estorias perguntei, mas Nath voce nao ficou com medo? Ela parou, pensou, e começou a contar. “Um dia eu tava com uns amigos Afegaos quando enfiei a mão na meu bolso e achei um pouco de maconha. Eu fiquei chocada, pois achei que ja tinha me livrado de tudo antes entrar no Afeganistao. Mas como contei aos Afegaos, eles resolveram que queriam fumar. Eu fiquei um pouco apreensiva, mas eles me garantiram que se subissimos os 1001 degraus, ficariamos num lugar onde se ve longe, e poderiamos perceber caso o Taliban se aproximasse. Subimos. E de fato de la via-se longe. Comecamos a fumar, e de repente eu entrei numa paranoia. E se isso for uma emboscada? E se formos pegos? E se eles forem pegos e contarem que fui que eu que tinha a maconha???Eu vou ser morta no Afeganistao!” Pediu para ir embora, desceram, entraram num carro e começaram a dirigir, entraram num campo de romãs e de repente o carro quebrou. Ian, como sempre foi o primeiro a se oferecer para ir procurar ajuda ( leia: sair dali). “E de repente, eu pensei ‘what the fuck’ eu estou com 4 Afegaos no meio de um campo de roma, sozinha no Afeganistao! ” O unico momento de lucidez ( ou nao) da Nath foi quando ela tava “high” num campo de romãs no Afeganistao 🙂 E ela teve medo, e disse aos Afegaos, que estava com medo, que nao fizessem nada com ela. Eles mandaram-na relaxar. E a levaram embora.

Para o Ian aquela noite tinha sido demais. Ele resolveu que queria ir embora. Nath, nao satisfeita, ja estava querendo visitar os territorios da Alianca do Norte. Com Ian deixando o pais, ela nao podia ficar. Pensou em colocar uma burca e ficar incognita. Seu amigo afegao pensou em deixa-la ficar em casa. Depois temeu pela vida de todos. E ela teve que partir a contragosto. 3 Dias depois os EUA atacaram o Afeganistao. Nath, estava perdida numa montanha no Paquistao, levou semanas para ficar sabendo.