II

Naquela noite, tive um choque na mão. NãO sabia o que era. Eu estava dormindo. Isto aconteceu um dia antes de eu voltar para Londres. Já em Londres fui ao medico que me pediu para ir ao Hospital. Fui. Depois da tomografia, uma senhora com cara de pesar, me pediu para dormir no hospital. Havia uma anomalia no meu cérebro. “Uma o que? Como assim? Onde. Eu sei tanto sobre o cérebro?!?!?!? Meu marido é neuro-cientista. Como assim??? Como assim??” Sem respostas. Fiquei. No dia seguinte, eu devia fazer a Ressonância Magnética. Fiz. A “anomalia” se confirmava. Eu teria agora que fazer uns outros exames. Uma punção lombar. Ou seja, retirar um liquido da minha espinha. Não. Eu não queria. Não queria fazer de jeito nenhum. Entendam eu não estava com medo de morrer, de ter tumor. Eu estava com medo do exame! E portanto, resolvi que ia embora. O medico desesperado me explicando que era importante, eu fazendo perguntas e mais perguntas. Eles poucas respostas.

E eu pensei dentro de mim ” O que é que eu posso fazer.” Dentro das minhas possibilidades eu só via uma. Eu queria ir embora do Hospital e ignorar tudo! O que eu podia fazer. Onde eu podia encontrar essa saída?? De repente ficou claro, como ateia militante o meu único caminho era abandonar meu ateísmo. O único jeito que podia abandonar o caminho cientifico era substitui-lo por outro. No entanto, é importante perceber, que eu não o fiz porque eu estivesse de repente sentindo algo dentro de mim. Eu o fiz para fugir do meu medo. E como eu descobriria mais tarde: isso não da certo.

Sai do Hospital. E liguei para um único amigo meu espiritualizado. Ele, por coincidência ou sincronicidade, depois de 7 meses sem vir a Londres estava vindo para o encontro do Ashram da Yoga que ele frequentava. Perguntou-me se eu queria ir. Não hesitei. Cheguei e em pouco tempo o “líder” da casa veio falar comigo. Tivemos uma conversa de 3 horas. Onde ele só de me olhar me resumiu. Disse que eu tinha que mudar, que eu estava me sabotando. Falou de coisas que eu achava pouco cientificas. Debateu as comigo. Discutimos. E eu estava tão disposta a aceitar qualquer coisa que disse a ele ” Diga-me o que fazer.” Ao que ele respondeu ” Vá fazer o exame. O que esta manifestado no orgânico precisa ser lidado no orgânico. Para as causas estruturais volte aqui. Comece a fazer Yoga. ” Eu já fazia Yoga ha anos. Não entendia como isso poderia possivelmente mudar alguma coisa. Disse a ele, que não voltaria ao medico. E ele foi categórico. ” Julieta, Não adianta você mudar tudo a sua volta. A mudança tem que ser interna. Enfrente os seus medos.”

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