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Sobre julietafalavina

Eu escrevo da minha vida, e agora sobre a minha recuperação da saúde .

Das Tendencias Humanas

Um amigo meu me disse uma vez “deve ser exaustivo ser você, seu sistema empático é forte demais.” Eu ri. Provavelmente porque ele tava rindo, se tivesse chorando provavelmente eu teria chorado. Sera realmente tudo culpas dos neurônios espelho, de um sistema empático muito forte, ter nascido na América do Sul? Sei la. Tudo isso misturado e provavelmente mais um monte de coisa que eu devo ter deixado esquecida.

Eu to no Rio. E eu sinto demais. É quente demais. Os re-encontros são profundos demais, até os novos encontros me movimentam demais. Um outro amigo, tbm antropólogo me disse Tel Aviv e Rio são parecidas. Ele que morou tbm em Beirute acha isso de la tbm. Quanta intensidade. As coisas no Rio são exageradamente bonitas, e caóticas. Exageradamente para mim as vezes um pouco superficiais. Não digo isso como Paulistana que desgosta do Rio. Eu acho que essa superficialidade que eu encontro aqui ta la nos shoppings, nas boates, nas ruas do Jardim. Coexistindo tbm um milhão de outros mundos…pq nessas cidades caóticas tudo coexiste lado a lado.

Fellipe, me levou para ver o ultimo filme “secreto” do Eduardo Countinho. Foi no Instituto Moreira Salles, e foi secreto pq o filme é inteiro sobre um dia na TV aberta brasileira. Antes de escrever aqui pensei e fui fazer uma pesquisa para ver quao secreto esse filme era, afinal eu tbm nao quero que o Coutinho seja processado. Quem quiser ler informações aqui estão.

Eu nunca assisto televisao. Alias nao tenho uma televisao. Entao um filme inteiro de clipes da TV aberta foi particularmente dificilimo para mim. Nao pelo conteudo pq nao me surpreende tanto o que esta na TV brasileira. Tudo isso é sabido. É sem duvida um retrato assustador da sociedade brasileira. Eu tao pouco achei muito especial. POdia ao me ver ter sido um projeto de escola. Enfim, eu assisti o filme e quando ele acabou e o painel de discussao começou eu estava curiosa para ver o que as pessoas diriam. E o que o Coutinho dizia.

Ele disse muito, mas eu achei que não disse quase nada. Disse que não adianta fingir que a TV não esta aí que nos precisamos entender o porque tem tanto poder. O que as pessoas que assistem pensam. Que precisava ser feito um trabalho serio. Eu calada pensava dentro de mim: Então façam, vcs estão falando de um estudo antropológico mande alguém numa comunidade e observem as pessoas ver tv, ouçam o que elas tem a dizer… idealmente façam testes implícitos. Isso é claro da bem mais trabalho.

Depois ele disse que precisávamos entender porque esses programas tinham tanto sucesso. Uma vez mais a chata acadêmica dentro de mim pensava ” ué…. testa… coloca algum num mri, num eeg…poe os programas. Investiga, tenham perguntas empíricas. Teste-as. Nao é difícil de ter proposições. Todos esses programas devem “play” em tendencias muito ingrained muito ligadas a nossa estoria evolucionaria.

Como sempre a grande pergunta para mim é o quanto estimular essas tendencias realmente muda alguma coisa. Isso tbm é uma pergunta empirica. Ou melhor, o quanto conteudo afeta estruturas cognitivas. Eu acho que é muito importante entender o homem como ele é como todas essas tendencias a categorizar, essencializar, gostar do seu grupo mais do que o outro, querer ser belo, etc etc etc… para que possamos desenvolver melhores sistemas educationais, planos politicos, filosofias.

Colocar la um filme com varios pedacos de TV eu acho que faz muito muito muito pouco. Ainda tem uma certa parte da experiencia que faz o espectador ali na sala do IMS se sentir tao dierente tao distinto das massas. Nao é. Nao somos.

Quando eu estava na Lapinha a Maluh, uma mulher excepcional que trabalha em um milhao de projetos artísticos e de paz criou uma atividade. Ela nos ensinou a fazer uma lanterna de cartolina de sao joao. Fizemos todos juntos numa sala. Nos que nao nos conhecíamos fomos trocando material, ajudando uns aos outros, nos concentrando na execução de um coisa nova. A noite, ascendemos nossas lanternas.

Maluh propôs uma caminhada em silencio. Que observássemos a luz. Fomos em silencio pelos arredores da Lapinha. Ouvindo os sapos, e diferentes ruídos pela noite. Um exercício tao filosófico. Não dá para olhar para a própria luz, você tem que olhar para a pessoa da frente. A sua luz ali na cara ofusca.. ela tem que ficar meio de lado, iluminar o caminho do outro. Caminhamos em silencio. E aquela brincadeira em segundos virou um ritual.

Meu primo de 11 anos tomou a dianteira. Ele que adora computadores e internet estava no ritual dele. Andando guiando, uma senhora de 74 anos também estava no ritual dela. NO ritual nosso. Ao final. nos juntamos para dizer um pouco do que tinha acontecido. Todo mundo tinha algo para dizer.

Eu agradecia a Malu porque ali naquele instante, eu lembrei de uma coisa preciosa. Nos temos todas essas tendencias. A tendencia a ter liberações químicas e aditivas quando assistindo programas de TV ruim, e tendencia de criar um ritual magico. A Maluh me contou que quando foi fazer um projeto na Febem levou tinta para os meninos pintarem. Eles la com toda aquela bagagem pintaram coisas lindas, coloridas. Acho que tudo isso eh para dizer isso. O retrato da TV brasileira diz um pouco sobre nossa sociedade. Não muito. Nossas tendencias são muitas. Estimulemos as que nos torna mais sociais, e mais humanos.

Na Calada Da Noite

Estou escrevendo este texto no avião. Indo de Curitiba ao Rio. Já perdi a conta de quantas vezes eu cruzei as fronteiras imaginarias pelo céu. A terceira vez que cheguei a Mut Mee, minha casa em Nong Khai na fronteira da Tailandia com o Laos depois de ter dado a volta pelo sudeste asiatico, cheguei de madrugada. Tudo estava fechado. Entrei, e sentei nas grandes mesas cobertas por telhados de sape. Fiquei incrivelmente feliz ali. De volta. Lembro de pensar no livro da Liz Gilbert, na sua chegada ao Ashram na India, bem no meio da noite quase de madrugada. Lembro dela explicar, que seu avo dizia que uma galinha para ser aceita no galinheiro, tinha que ser assim, colocada no meio da noite. Dessa maneira quando todas as galinhas acordassem era como se a nova galinha nunca tivesse partido. Pensei isso aquele dia. Pensei isso todas as vezes que cheguei em algum lugar assim, de mansinho, aos pouquinhos.

Foi meio assim minha chegada a sao Paulo dia 26 de novembro. Cheguei e fiquei quietinha, sem ligar para ninguem, porque nesse ano como nos ultimos vim para visitar a famosa “maquina”. Fui fazer meu exame de ressonancia, e dessa vez tão tranquila, ou quem sabe tao cansada, até adormeci dentro da maquina de ressonancia magnetica. E fiquei mais uma semana meio quieta esperando par air la correndo e fazer o que eu sempre faço, pegar o meu exame, e abri-lo, e procurar a unica coisa que faz sentido para meus olhos nao medicos. A conclusao. E mais uma vez ela dizia: “nenhuma nova alteração”. E eu chorei como sempre choro na percepção da fragilidade e da força da vida.

Alguns dias depois da minha chegada minha mãe me convidou para ir com ela a AACD onde ela voluntaria ja faz alguns anos. Ela sempre conta as estórias, e quando eu meio que ameaço ficar um pouco emocionada ela explica. “Não precisa ficar emocionada, a AACD é um lugar muito alegre! As crianças riem muito”. Eu fico tocada quando minha mãe diz isso. De fato, muito do sofrimento que vemos está nos nossos olhos. Nem sempre dificuldade é sinonimo de tristreza. Então que quando eu fui com ela a AACD, cheguei la do meu jeito. De mansinho, observando de longe com cuidado… fui me apaixonando pela professora uma mulher excepcional, que da aulas para 35 criancas de 5 anos de manha numa escola da prefeitura, e a tarde na AACD. A vivacidade, a alegria, o empenho, a dedicação são totalmente comoventes. A professora, faz de um tudo, compra coisas do seu proprio dinheiro, livros, estorias, faz fotografias, e aqueles alunos de fato são alegres, e apaixonados por ela. Minha mãe tem razão não é um lugar triste. São muitas e muitas risadas.

Depois disso eu fui parar em Curitiba, com uma prima que eu so realmente conheci ao vivo em junho. É incrivel como podemos nos conectar tanto com alguem em tão pouco tempo. Eu, já expliquei aqui um milhão de vezes que não sou nacionalista. Eu também nao sou parcial. Nao gosto de alguem so porque é da minha familia. Raramente tenho esse sentimentos que ligações de sangue importem muito. Acho que contruismo os nossos relacionamentos, e que vamos escolhendo pessoas que admiramos para respeitar e admirar. E essa minha prima apareceu assim, para dividir coisas de alma.

Com ela vim a Lapinha, um spa no parana. Um lugar lindo. Um lugar tranquilo. Um lugar verde. Organico. Não é um spa tipico. As pessoas que estao la nao sao obsessivas com emagrecer. Nao. A lapinha é cheia de pessoas que estão voltando lá para descansar, para se acalmar, algumas até para engordar. É tudo tranquilo, tudo num clima bem de paz. E ali eu fiz muitos amigos, e conheci pessoas realmente incriveis e eu pude “reconhecer” a minha prima, porque conhecer eu ja devia conhecer em algum lugar da alma, em alguma outra dimensao, em alguma outra coisa bem pouco racionalizavel.. E hoje eu saí de lá assim, bem cedo, bem de madrugada para que quando amanhaecesse fosse como se eu nunca tivesse partido, nunca tivesse estado.

Eu acordei e no silencio da noite sentei com minha prima no pequeno sofa, mal concebendo como a vida pode trazer alguem a sua vida assim. Alguem que nao existia na sua vida e de repente a vida é impensavel sem a existencia daquela pessoa. Parece que ela sempre esteve la. E eu sentei ali, tao grata, tao tocada, tao feliz, tao dificil, tao cheia de sentimentos, tao emocionada. Entao, foi bom sair bem assim dentro da madrugada. Dirigir no silencio da noite, torcendo para o taxista falar pouco porque qualquer conversar casual é meio que profanar aquele momento tão puro, tao cheio de emoção. Só consegui partir da Mut Mee tambem assim, sem dizer adeus a ninguem. Porque nessa vida de cruzar tantas fronteiras, eu vivo tendo que dizer adeus. E quando sou eu que parto é mais fácil ir assim na calada da noite.

Sentimentos Viscerais Pouco Explicados

Eu não sou especialista em violência no rio. Aliás eu não sou especialista em quase nada que vá alem de sentimentos viscerais de situações que pareçam estranhamente fora de lugar. Quarta-feira passada houve um protesto estudantil no reino unido. Os estudantes de escolas e de muitas universidades se juntaram para protestar contra o aumento das “fees” que o governo está propondo. O novo ajuste propõe triplicar o valor das anuidades.

Eu não fui ao protesto… acompanhei o que NAO estava acontecendo pela mídia. Explico. A mídia começou a mostrar imagens de violência, de fogo, de brigas etc.. levando o povo a focar na suposta violência e não na razão do protesto. Como muitos amigos meus da LSE estavam la eu sabia que depois poderia ter acesso a um outro lado da estoria.

O que aconteceu foi que a policia prendeu por 9 horas 4 mil estudantes numa área aberta. A pratica que é chamada de “kettling” incitou um pouco de violência numa pequena minoria. A maioria dos estudantes que estava la percebeu que a van da policia abandonada vazia no meio de Whitehall so podia ser parte de algum plano.

E o plano era provavelmente esse: frustrar os estudantes…. desmotiva-los de participarem em outros protestos e de criar as imagens que a mídia queria ver. Foi assim, que minha amiga Aude reportou que enquanto eles congelavam de frio helicópteros da midia os sobrevoavam. Jornalistas entravam e saiam acompanhados de segurança na area onde estudantes estavam presos..sem água, banheiro, comida numa temperatura que caia.

David Graeber, intelectual americano, que foi despedido de Yale por suas visões politicas ( David é um anarquista), apanhou dos seguranças da SKY news. Eu que já participei de uma lecture onde Maurice Bloch o apresentou como sendo a mente mais brilhante da geração, eu que ja até tomei cha com David me enfureci. Eu não vi toda essa manipulação. No entanto acredito mais nos olhos dos meus colegas de doutorado, definitivamente pessoas não-violentas, as fotografias do jornal.

De fato, as pessoas colocaram fogo. De acordo com varias pessoas que eu ouvi, o fogo era para minimizar o frio que eles estavam passando. Quando um fogo ficou um pouco maior, os estudantes chamaram a policia e pediram ajuda. A policia negou ajuda e quem veio foi é claro a Midia! Mais uma foto para sua coleção.

Aude minha amiga, contou que por umas duas horas não tinha entendido o que estava acontecendo. Resolveu ir embora e quando chegou na barreira disse:

“Excuse- me I need to go home”

O policial olhou para ela e disse

” Eu nao posso deixar vc passar pois tenho medo que vc destrua a cidade.”

Aude ainda perplexa no dia seguinte quando eu a encontrei, me disse que nunca imaginou que isso pudesse acontecer na Europa. “Eu me senti tão manipulada! Realmente uma palhaçada!”

Perguntei a ela se ter ficado presa no frio 9 horas tinha feito com que ela resolvesse numca mais participar num protesto.

“You know. I think two thirds of the people will probably not come back. But those that will will be prepared. Next time I will bring a tent, and clothes, and food… and lets just play their game!”

Meus houseomates, australianos, que nao sao estudantes ficaram tão furiosos com a manipulação que decidriam que da proxima vez eles tambem participariam do protesto.

Eu não tenho a menor idéia do que realmente está acontecendo no rio de janeiro. Tenho certeza no entanto, uma certeza dessas viscerais pouco explicadas, que o que está acontecendo pouco tem a ver com o que esta sendo mostrado na midia. Quem está pagando o preço do que a mídia quer nos botar goela a baixo é sem duvida (como sempre) as pessoas mais fracas.

Podemos especular a quem interessa ter o povo convencido dessas narrativas “midiáticas”? Podemos especular sobre como as pessoas que estão lá, que viram o outro lado da estória vão reagir no dia seguinte… Eu que morava em NY quando 9/11 aconteceu, eu que inventei de fazer um doutorado sobre uma escola de coexistência entre Palestinos e Judeus Israelenses. Eu que fico tentando aprender mais sobre mecanismos cognitivos tenho mais um desses sentimentos viscerais pouco explicados: sinto que usar medo para manipular a opinião pública é eficaz, mas a longo prazo sem dúvida um desastre.

Mais uma Volta ao Redor do Sol

Sexta feira foi meu aniversário, e eu todo ano escrevo aqui o quanto gosto de fazer aniversário. Eu paro e penso sempre nas voltas ao sol, e hoje em dia meus amigos ao inves de dizerem “Feliz Aniversário” me perguntam das tais volas 🙂 Sinal de que me conhecem bem, ou então de que leram meu blog 🙂 Esta vez portanto, nao vou falar do tanto de emoção que me causa esse pensamento tolo.

Meu aniversario dura mais do que o de muita gente, pois eu começo sempre recebendo mensagens de pessoas de outros fusos que começam a celebra-lo antes, e eu vou celebrando ate o ultimo meridiano. Comecei acordando bem cedo e indo para LSE para o meu seminario de cultura e cognicao. Um seminario so para nos os estranhos do ninho. Dan Sperber tinha vindo de Paris para substituir Maurice Bloch que esta nos EUA.

Aude, minha amiga francesa, que fez seu trabalho de campo na Mongolia chegou trazendo um bolo com vela para celebrar meu aniversario. Entao enquanto ouviamos Dan falar do seu ultimo paper sobre “epistemic vigilance”, enquanto faziamos perguntas e comentarios comiamos o bolo da Aude. Nao fazia nem sequer um mes, que ela tinha trazido um bolo para celebrar os 71 anos do Bloch. Bloch que é parente do Durkheim e do Mauss. Bloch que é um dos antropologos que eu mais admiro. Tão surreal é as vezes a vida.

De noite, fiz uma festa. Aquele tipo de festa que vc nao pode convidar todo mundo que quer porque a casa é pequena. E vai convidando todo amigo que encontra porque nao imagina celebrar o aniversario sem mais aquela pessoa. E como sempre essas pessoas vieram. De mundos totalmente diferentes. Os neurologistas, neurocientistas, os antropologos cognitivos, os sociais, os diplomatas, os yogis, os que nao tão nem ai para nada de academico, os que nao concebem a vida sem ciencia, os espirituais, os ateus, os agnosticos, os artistas, os esportistas, os cozinheiros, os tudo isso junto e misturado, e os nada disso.. E ali naquela misutra toda como sempre eu celebrei a vida… dançando, cantando, tocando, virando de ponta cabeca, fazendo acrobacias… e me surpreendendo sempre com a riqueza da diversidade. Tinha gente aqui na minha casa de todos os continentes. E o que eu gosto mais de tudo é observar essas pessoas que nao se conheciam antes, que vem de mundos tão distintos se misturarem, se encontrarem.

Todo o ano eu me animo para o meu aniversario. Todo o ano as pessoas se animam e me desejam feliz aniversario. Esse ano, pela primeira vez, muita gente que ta longe me perguntou “vc nao ta com medo, afinal voce ja esta chegando perto do 30? Ja ta ansiosa, angustiada etc etc etc?”

É um pensamento estranho esse. Nunca tinha me ocorrido que eu devia estar tensa, ansiosa, e que um numero externo tivesse um acesso secreto ao meu mundo interno. Acho que se eu tivesse medo seria de “nao chegar” aos 30, aos 40, aos 50, 60, 70, 80, e vendo a minha vó viajando o mundo aos 86… de nao chegar bem como ela aos 90!
Que paranoia é essa que aflige tantas pessoas num mundo que nos que temos acesso a tantas coisas, podemos viver muitas vezes tao bem e por tanto tempo ? Eu gosto das voltas ao sol, pq volta é movimento. E movimento é vida! E as voltas vão continuando.. nao sabemos bem até quando… mas enquanto elas vão continuando eu vou celebrando a vida.

Agridoce

Ta chegando a epoca. Aquela época meio agri-doce. A época que eu vou ao Brasil ( doce) para fazer minha anual ressonancia magnética (amargo:). Eu já escrevi aqui várias vezes do sentimento meio ambivalente que eu tenho quanto a máquina .Entao chega essa época do ano, e ainda que eu nao perceba eu vou ficando um pouco tensa.

Hoje foi um dia daqueles. Daqueles que tudo parece parar de fazer sentido. Porque mesmo que eu quero ir a Israel? Fazer o que? Aprender Hebraico para que? Doutorado por que?? Um sentimento que vem se prolongando. Por causa dele, resolvi procurar algum Israelense em Londres que me me ajudasse a entender melhor a cultura, a lingua etc. E que melhor maneira do que usar o meu adorado CouchSurfing? Fiz uma busca usando como critério pessoas que falassem Hebraico e que estivessem em Londres.

Foi um exercicio assim meio ao acaso. E não é que eu encontrei um” devout pacifist activist”. Escrevi imediatamente para ele, e dois dias depois fui encontra-lo. Como o mundo vai me parecendo cada vez menor ele nao so morava perto de mim, como trabalhava na LSE.

Nos encontramos num cafe meio “hip”, e começamos a conversar. Hoje em dia eu já nem acho mais estranho marcar encontros com totais desconhecidos. São segundos de desconhecimento e aí eu já me sinto a vontade. E ele me contou de toda sua experiencia. Muito distinta daquelas das pessoas que eu tinha conhecido em Israel. Ele, um refusenik ( Israelense que conscientemente escolhe nao fazer parte do exercito) escolheu ser preso por dois anos, como ato de resitencia civil.

Não, que ele tenha chegado me dizendo isso. Na verdade, ele nao acha isso nada demais. “Era a unica escolha que eu podia ter! Eu discordo do sistema, tenho amigos Palestinos, acho o que acontece por la uma tragédia, e o pior de tudo uma tragédia que poderia ser evitada!.” Meu novo amigo, trabalha com um Palestino na LSE num projeto chamado “New Approaches” e que busca desenvolver novas maneiras em lidar com o conflito. Para eles em vez de pensar no conflito como dois lados distintos, deviamos pensar nele como uma coisa unica…e que os fundamentalistas dos dois lados beneficiam da guerra. Ele que estudou “Global Governance” acredita que o conflito tem que ser “internacionalizado”. Pessoas que cometem crimes devem ser levada a Corte Internacional de Haia. ( Essa é um simplificação enorme do projeto deles).

Quando eu contei a um dos meus hosts em Israel que eu tinha conhecido um “Israeli Peace Activist”, ele quis saber o nome. Quando eu expliquei quem era, ele me contou que tinha lido seus artigos quando tinha acabado de entrar para o exercito. “Muito facil nao ir para guerra e ficar preso!” Foi seu comentário. “Voce acha que ele é um traidor?” perguntei “Nao. So acho que ele é fraco! Eu tenho os mesmos medos e a mesma “moral” que ele. Mas eu fui para o exercito!”

Como sempre eu nao insisto em nada. Eu ouço e fico sempre me perguntando…. “O que mesmo eu vou fazer por lá?”

Gal

Esses dias eu ouvi Maria, minha amiga Grega que também faz doutorado comigo explicar que nos (eu e ela) navegamos o mundo atraves dos nossos sentidos. O jovem, Philip, que aos 21 anos tbm está fazendo doutorado conosco explicou que nos precisavamos compreender que eles os jovens britanicos navegavam o mundo “through their own insecurity.” Nao era uma resposta que eu ou a Maria esperavamos ouvir do Philip. É engraçado como essas expressoes ditas meio ao acaso, as vezes ficam. Hoje li um Israelense explicando no Couch Surfing que ele se sente uma esponja ambulante.

E a combinação de me sentir uma esponja ambulante guiada por meus sentidos me fez pensar é claro em viajar. Talvez a estimulação mais forte a todos os meus sentidos tenha acontecido na India. No entanto, ainda que eu me lembre dos momentos sublimes, e desesperadores na India, a alguma coisa em Israel que penetrou ainda mais. Talvez seja o simples fato de que ali, o berço das religioes do livro, que é tao parte da nossa sociedade, eu conseguisse compreender a incompreensibilidade das coisas um pouco melhor. Nao sei. Só sei que eu tinha dito que aqui escreveria sobre a minha viagem, e por uma ou outra razão sempre evito.

Cheguei no aeroporto Ben Gurion, querendo ser esponja, querendo entender, ver, sentir tudo que ouvesse para sentir. Nao sei, se faria alguma diferenca eu nao querer. Parece-me que por la nao há jeito. É tudo ao extremo, é tudo forte, é tudo demais. Como tinha chegado tarde, achei melhor ir com o Mexicano que eu tinha conhecido no voo para o hostel. Quando liguei para dizer isso a Omri, meu primeiro host, ele disse que nao havia problema ser tarde, que ele tinha que trabalhar mas seu melhor amigo,Gal, que tinha vindo de Tel Aviv, me receberia em Jerusalem.

Entao, eu peguei a van, e fui parar en Nahlaot, um bairro muito antigo de Jerusalem. Assim que cheguei na esquina indicada, de mochila nas costas para minha primeira aventura como CS num lugar TOTALMENTE desconhecido, fiquei empolgada. “Nossa, eu estou em Jerusalem!!!”. Minutos depois apareceram Gal e Omri de moto. Eu nao sabia quem era quem. Disse um breve ola para Omri, que tinha que ir trabalhar, e fiquei com Gal.

Gal nunca tinha ouvido falar em Couch Surfing. Entao, eu que nunca tinha de fato couchsurfed tive um encontro especial. Nos dois ali descobrindo como é que isso acontece. Me levou para casa do Omri, e sentamos para conversar. Ele queria saber porque eu estava la, sobre o que seria minha pesquisa, porque Israel etc..

Como a minha pesquisa envolve Palestinos, e eu ainda nao sabia muito bem o que isso significava em Israel, eu comecei como sempre começo explicando que eu apesar de nao nacionalista, e de achar que fronteiras sao arbitrarias, e quanto mais eu viajo mais eu acho que nos somos parecidos no mundo todo, por ser do brasil nao estava muito acostumada com todas essas divisoes etnicas. Ele ouviu em silencio. Expliquei que acima de tudo eu era uma idealista, que eu esperava que pudessemos viver num mundo que passassemos por cima dessas diferenças meta-representacionais. Ele continuou me olhando em silencio. Expliquei, mecanismos cognitivos, teorias antropologicas, e a minha muito modesta opiniao. Ele continuou em silencio.

“Gal, are you offended? or bored? should I stop?”

Ele me olhou de um jeito so dele. E disse ” I am sad for Omri. Amanha quando ele te fizer essas perguntas vc vai dar a versao editada. Eu tive a sorte de ouvir tudo que voce tem para dizer. Eu passei a semana procurando uma coisa inspiradora. Um projeto, um livro. E agora eu sei, que era isso que eu precisava ouvir.”

Eu fiquei desconcertada. Nao esperava ouvir isso de um engenheiro israelense. E depois de toda essa introducao fui aprender tudo e mais um pouco sobre o Gal. Que voluntaria ensinando crianas pobres alem de trabalhar em um milhao de projetos diferentes. Quando era mais ou menos meia noite eu percebi que precisava comer. Saimos por Jerusalem. E eu que achava que tudo estaria fechado me surpreendi ao encontrar varios locais abertos. Ele escolheu um bar de tapas espanholas. Nao era exatamente o meu plano. Haveria muitos outros dias para comer a comida local. Entao ali, naquele bar eu conheci a vida noturna, pouco convencional de Israel. O casal gay ao meu lado, a ameixa preparada com queijo e molho oriental, o bartender que tinha viajado o mundo e queria me fazer beber alguma bebida de aniz que eu nao me lembro o nome. Ali na primeira noite eu conheci quem se tornaria o meu melhor amigo em Israel. O CS me daria muitos outros amigos, e muitas outras estorias inspiradoras. No entanto, o meu melhor amigo, foi ali, na primeira noite, por causa do CS mas sem nem nunca ter ouvido falar disso.

O Mundo de Kathleen

Resolvi que queria visitar Kathleen no Hospital. Liguei e ao perguntar se eu podia fazer uma visita, a enfermeira respondeu entusiasmada que sim e me explicou que Kathleen não tem família. Assim que lá cheguei, no Royal London Hospital, que de real não tem nada, fui me encaminhando a Wellington Ward onde me disseram que ela estava. Surpreendi- me com o fato de que as informações nesse hospital eram escritas tanto em Ingles como em Hindi. Eventualmente cheguei até a tal ala que é fechada. Fiquei me perguntando como seria que Katheen aos 89 anos teria escapado de la.

As enfermeiras ficaram surpresas com minha visita, e vieram perguntar detalhes do meu encontro com Kathleen. Onde é que eu a tinha encontrado, a que horas, como tinha percebido que ela estava perdida etc. Respondi a todas as perguntas e me surpreendi quando uma das enfermeiras me explicou que Kathleen era muito veloz 🙂

Levaram-me entao a ala onde ela estava. Cheguei bem na hora do jantar, e ela deitada na cama comia muito alegremente. Nas outras camas, as senhoras e senhores que la estavam, pareciam estar em bem pior situacao. Kathleen, apesar de estar na cama, e de ter soro na mão, parecia ótima.

Ela olhou para mim e nao me reconheceu. Perguntei a ela se ela sabia quem eu era. E ela disse que nao. “I am sorry. Have we met?”

Perguntei a ela, se ela se lembrava que tinha fugido do hospital na noite anterior. Ela disse que nao e num tom muito amigável continuou “Would you care to tell me about it ?”. De um jeito que é só dela, bem ingles, bem musicado. E eu contei. Ela ouviu tudo como quem ouve uma estoria de ficção. “Was it cold?”. “It was, I was very worried to find out if you were fine”. ” I am fine I suppose.”

“You know Kathleen, I remember your brithday! It is on the 22/12/1920. You will be 90 this year!”

Ela olhou para mim por um longo tempo. Como quem pensa na informacao. Como se a tivesse verificando em algum arquivo dentro do cérebro e de repente o encontrasse. Desmanchou-se num sorriso “my god, you have a very good memory!”. Contei a ela tudo que eu tinha aprendido sobre ela na noite anterior. De onde ela era, o nome do marido, que ela era costureria. E a cada informacao ela ficava mais encantada. Ali enquanto comia com muita elegancia o seu jantar.

Expliquei para ela que tinha vindo ve-la porque eu tinha prometido que viria, e que eu eu queria ver se ela estava bem. Foi uma conversa bem misteriosa. Dessas que faz voce ficar pensando… como será que o cerebro funciona. Havia em Kathleen uma mistura de infancia, com velhice. Uma docura, com cansaço. Um realismo concreto interligado pelo o onirico.

Depois de um longo tempo, expliquei para ela que eu tinha que ir. Ela fez umas perguntas e no final me agradeceu. “I don’t remember getting lost, but thank you for coming to see me.”

E eu saí de la com todos esses sentimentos misturados. Sentindo que ela estava bem. Curiosa querendo saber informações onde ela mora, com quem, quem traz comida etc e sentindo que por eu não ser da familiar eu não podia perguntar. Ou melhor, até perguntei mas as respostas de Kathleen são do passado, e as das enfermeiras são da burocracia. Senti uma mistura de tristeza por ela ser só, com alegria por ela já nem mais conceber isso tão bem. No fim, a “natureza” na sua aparente crueldade é ao mesmo tempo generosa. Será que existe no mundo alguma coisa que seja uma coisa só?

Going Home

Acabo de chegar em casa depois de uma dessas noites excepcionais. Fui assistir um concerto e quando estava voltando para casa, no ponto de ônibus vi uma senhora que parecia perdida olhando para o ponto. Está frio aqui em Londres, uns 10 graus. A senhora estava num vestidinho rosa que parecia ser uma camisola, um sapatinho que parecia de quarto, e eu na rua ja tinha percebido que ela devia estar perdida, mas ainda não tinha percebido de onde exatamente.

Fui até a ela e perguntei para onde ela estava indo. Ela pareceu surpresa com minha pergunta mas me explicou e eu na verdade não entendi. Perguntei se ela estava perdida e ela disse que não. Explicou que queria ir para casa. Perguntei se ela sabia como chegar em casa e ela apontou para o ponto de ônibus a nossa frente. Li todas paradas de todos os ônibus que paravam no ponto e quando o primeiro ônibus chegou entramos.

Ela colocou o dedo na maquina do oyster card, pois não tinha bilhete e o motorista perguntou a ela para onde ela ia. Ela respondeu e ele deu o assunto por encerrado. Eu apontei para ele o fato que ela devia estar perdida mas ele nao soube muito bem o que fazer. Disse apenas que o onibus dele estava indo naquela direção Que direção eu nao perguntei pois percebi que nao faria diferença.

A senhora entrou e sentou-se. Foi então, que eu percebi no seu braço a pulseira de hospital, os curativos, e uma agulha (dessas para quem ta recebendo soro) na mao. Uma menina muçulmana de véu e vestida toda de negro foi até a senhora e explicou que sabia onde ela ia e que portanto a levaria até lá.

Saíram do ônibus. Todos nos que ficamos la dentro começamos a nos perguntar o que aconteceria com a senhora nessa noite gelada perdida em Londres. Claramente ela tinha fugido do hospital. Eu sabia que não ia conseguir dormir sem saber se essa senhora estaria vagando sozinha pelas ruas de Londres, então virei para o Haiko e disse “vamos descer desse ônibus e encontrar a velhinha porque precisamos ter certeza que ela está bem e precisamos leva-la de volta ao hospital!”

Ele concordou, descemos, andamos um pouco e encontramos a menina muçulmana que como nós tinha se dado conta da situação e a estava levando a uma estacão de ônibus para que pudesse pedir ajuda. Fomos os 4 juntos. A senhora na sua camisola de hospital, a muçulmana de véu preto, eu de vestido de inverno , meia calca e bota, Haiko de casaco de inverno. Pode se dizer que eramos um grupo eclético. Enquanto eu tentava engajar a senhora numa conversa que a fizesse ficar conosco e não tentar uma nova fuga, a menina muçulmana foi procurar ajuda.

A senhora queria a todo custo partir. Eventualmente conseguimos convence-la a entrar num oinbus parado para sair do frio. Antes disso a menina muçulmana tirou seu próprio casaco e o colocou em cima da senhora. Entramos os quatro no ônibus. A senhora a minha frente não compreendia porque o ônibus nao saia do lugar. A muçulmana do meu lado junto comigo tentava explicar que o ônibus estava atrasado.

E ficamos ali esperando que a policia chegasse. A policia chegou e a senhora nao ficou muito feliz com a ideia de ir ao hospital. Negava ter estado la internada. O policial gentil, e ao mesmo tempo realista a confrontava com o fato que ela estava com a pulseira do hospital. Quando eu olhei sua pulseira descobri sua idade: 90 anos!

A senhora era lucida. E não queria voltar ao hospital. Passamos pelo menos uma hora nesse ônibus e em alguns momentos eu parecia estar num filme. Haiko em silencio observando tudo, a doce muçulmana sentada ao meu lado, eu tentando explicar para senhora que nos estávamos preocupados com ela, os policiais ingleses, o motorista do ônibus, e até um passageiro bêbado e dorminhoco que tinha ficado no andar de cima do ônibus e apareceu pedindo desculpas pelo transtorno.

Partimos quando a senhora estava já na ambulância. Eu nao fiquei sabendo o nome da muçulmana mas ao ir embora ela me agradeceu. Como disse o Haiko foi tocante ela me agradecer por eu estar ali com uma pessoa tão estranha a ela como a mim. E eu disse um obrigada de volta que na hora nao teve muito sentido. Agora que eu sentei aqui para escrever tudo isso ele faz mais sentido. O meu obrigada a menina de véu é por ela ser tão excepcional e me lembrar que há pessoas no mundo que param para ajudar os outros. Não podemos parar sempre, mas quando paramos essas conexões ainda que breves, ainda que anonimas tornam evidente o quanto faz muito mais sentido viver num mundo onde tomamos conta uns dos outros.

Quando o policial disse “we are here because we care” a senhora discordou. Eu insisti dizendo que nos estávamos sim preocupados. Ela olhou para mim e para a muçulmana e disse ” The two of you I know, but the police is just meddling with my affairs” 🙂 Kathlin tem 90 anos, é casada com Albert, e é uma east ender. Uma senhora lúcida, e que tinha fugido do hospital. Como eu também já fugi uma vez eu a compreendo 🙂

Ser Humano

Tenho estado ocupada. Entre aulas, palestras, a impossível tarefa de aprender hebraico, a maravilhosa oportunidade de encontrar e conhecer os meus colegas de doutorado, ensaiando as minhas musicas com um amigo para fazer um show, e ainda tendo mudado de casa! Sim, aquela casa, aquela da Nigeriana, e das estorias que me servem para um dia escrever um livro ficou para trás. Um novo endereço que ficou para trás, para o novo vieram dois dos meus antigos vizinhos, os amigos que eu ganhei naquele turbilhão de emoções. Shane e Iva.

Sobre Israel eu já falei tanto para as pessoas que eu encontrei que eu sinto que ta meio esgotado o que eu tenho a dizer. Talvez seja um pouco de medo de voltar a um ninho de emoções pouco compreendidas. Sentei ontem aqui e comecei 3 post distintos. Todos assim sem alma 🙂 sem graça e aí tive que sair de casa para encontrar meu amigo Chris, meu melhor amigo da LSE, que fez mestrado comigo e que partia hoje para fazer trabalho de campo em Moçambique.

Nos encontramos também no sabado, e muitas e muitas vezes antes disso. Somos muito amigos, e eu ainda comecei a ensina-lo portugues assim que nos últimos meses foram dezenas de horas que passamos conversando sobre os mais variados temas. Sempre rimos muito, e nunca levamos nada muito a sério. Foi igual ontem. Eu mais uma vez indo ao Goodenough College que sempre me traz lembrança de amigos que partiram para dizer adeus para mais um.

Sentamos para tomar um chá e enquanto falávamos só bobagens foi tudo bem. No entanto, eventualmente chegou a hora de eu dizer adeus. Um adeus temporário afinal ele so fica no Moçambique dois anos, e depois eu fico em Israel tbm só 2 anos (o só é irônico) . E aí não deu. Eu transbordei em lagrimas (daquelas que você ta tentando engolir com os olhos)…. “When do we see each other again?” ele perguntou ” Vou estar em Nampula semana que vem, mas voce vai ta em Maputo então nos desencontramos” brinquei… “acho que então só em pelo menos 2, ou 3 anos”. E os meus olhos encheram de lagrimas como enchem agora. Pois é claro que esse adeus não é só ao Chris. Esse adeus, é mais um adeus da pilha de “Adeus” exaustivos que nos que vivemos em Londres (uma cidade que ninguem para nunca) temos que dar. Esse adeus nos lembra sempre a impermanência de tudo.

E impermanência me faz sempre lembrar da minha meditação vipassana e ouvir Goenka dizer para estarmos presente! Chego em casa, e encontro Shane e Iva que eu já aprendi a amar, e ODEIO o pensamento de que eles também voltam a seus países eventualmente. Digo isso em voz alta, e enquanto Iva concorda Shane nos lembra “let’s be in the present!” E eu volto ao presente para aproveitar o que esta aqui.

Mentalmente eu quero que o Chris tenha o melhor trabalho de campo no mundo. Emocionalmente eu queria ele aqui. Israel foi assim também. Esse descompasso entre mecanismo cognitivos, pensamentos ideológicos e realidades emocionais. Como é difícil (as vezes) ser humano.