Dizendo adeus a Birmânia 

Como eu posso nao amar esse país? Quando eu saí de Inle eu perdi os meus óculos escuros e fiquei meio Triste porque tinha mudado a lente  e grau dias antes de vir para cá.

Hoje quando estava partindo de Kalaw além de ganhar a minha Tamei, ganhei aulas de como usá-la. Ouvi mil recomendações e na hora de tirar fotos com Yin Yin tirei os meus novos oculos claros. 


E na hora de partir eu experimentei a Tamei e era tanta coisa para guardar que esqueci os meus óculos claros. Mas pelo menos trouxe a minha Tamei de Chan.


Entrei no ônibus e só percebi que tinha esquecido dos óculos quando quis olhar melhor o que estava na estrada. Olhei as minhas duas bolsas e fiz são “longuinho” para eles estarem numa das malas. Não estávam. Na hora que paramos olho a mochila e é claro que não está lá tampouco.

Desisto de ficar triste e penso que essa perda realmente não merece sentimentos reais de perdas reais. Desço e as jovens meninas estão tão intrigadas comigo que começo falar com elas no pouco que sei da língua, mostro fotos e de repente aparece Kaung Myat.

Eu não sabia seu nome mas eu o via todos os dias no hotel.” Vc esqueceu seus óculos”

Ele veio de moto para me devolver. Eu fico mais uma vez estupefata. Fazia quase uma hora que estava na estrada

” como eu te agradeço?”

” não. Nao precisa de jeito nenhum. Por favor não me de nada.”

Eu o abraço e perguntou se pelo menos posso tirar fotos, pergunto seu nome, ele está no face e trocamos contato.


As meninas do ônibus ficam impressionadas também e me oferecem suas frutas. Depois me chamam para almoçar com elas e na hora que vou pagar elas já pagaram tudo. São mais amigas da Birmânia que tenho no face.


Volto ao hotel de Mandalay e marco jantar com Lone Lone e explico  que sou eu quem a convido dessa vez .

Saio correndo para dizer adeus ao senhor Win. Estão lá sentados do lado de fora. Aqui faz um calorão e eu mostro minhas fotos e posso só ficar uma hora e andar de volta ao hotel. E agora tenho 20 minutos para descer e assim vão acabando meus adeus.


Claro que Lone Lone chega no tempo exato e me pergunta oque quero comer. Digo que quero que ela escolha seu lugar favorito e que aceite que dessa vez sou eu quem paga. Ela concorda e subo na sua moto.


Chegamos no lugar moderno e é adorável e Claro me aceita o meu convite mas me dá um presente. Algo de Bagan que ela quer que eu leve para o Brasil.


Já não sei mais o que dizer.
Comemos maravilhosamente. Insisto para que ela pegue o que quiser mas ela apenas come, não toma sobremesa e apenas bebe café. Depois ainda para no espaço que senhor Win tinha sido contra eu ir. Diz que eu devia pelo menos ver de fora.


Vemos os jovens e crianças na rua comendo, brincando e ouvindo música debaixo de tão bela noite e vemos diversos jatos de água colorida.

Quando Lone  Lone me deixa no hotel. E eu agradeço por ela ter sido a minha primeira amiga da Birmânia  eu a abraço. E quando entro no hotel sinto que devia agradecer todos esses meninos. Eu o faço. A noite termina cedo aqui. Na minha mente vão passando todas as pessoas tão incrivelmente generosas que passaram e entraram na minha vida. 

Minha avó tinha medo que me decepcionasse vindo para cá já que eu tinha tentado tanto antes. Já que tinha tanta expectativa. Já que eu saí de um hospital vomitando. Já que qualquer médico teria dito para eu não vir.

Eu vim e cada dia me fez mais grata. Cada dia me fez mais forte. Cada dia foi devolvendo aos poucos a vida, o desejo de viver. Cada segundo foi tão valioso que qualquer palavra diz pouco.

Eu andei de sandalia, de Walking shoes, sapato do Min Min , de chinelo e descalça na lama. Fui picada , sangrei , caí , me esfolei andando mais de 25 km por dia em montanhas mas sempre levantei. 

Teve dor, ardido, mas nenhum sofrimento. Os budistas dizem que a vida é dor mas sofrer é uma opção. Minha avó, não reclama de dores porque diz ela que isso só atrapalha o outro e não resolve nada.

Acho que descobri dessa vez que é por isso que ela vive há quase 92 anos tão bem. Ela vive e por coisas pequenas não dá tanta atenção. 

Estar aqui para mim é isso. A pior coisa foi perder os óculos o resto de micro dores já nem me lembro mais. Amanhã eu parto da Birmânia para  Tailândia  amando a Ásia ainda mais que eu amava antes.

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