Dos mistérios dos detalhes- Kalaw

Acordo antes das seis e olho lá fora e o sol brilha. Levanto e me senti tão bem que penso que não é boa ideia fazer nada. 

Café da manhã ainda não está servido então resolvo ir procurar meu novo guia. Também está fechado. Então resolvo andar um pouquinho pela cidade que está acordando.

Tem caminhões militares na rua. E ninguém parece preocupado. Volto para tomar café da manhã e sou a primeira.


De repente a intrigante família de um japonês com uma Burmeses e filhos chega. O pai só fala japonês, a mãe só fala Burmes e inglês e as meninas falam Japones e Burmes e um pouco de inglês. Tinha tomado café dos lados deles ontem e ficado encantada do tudo que se faz sem a mesma língua.

Encontrei as mulheres de Singapura. A menina me disse para não andar hoje. Para descansar e ir no Spa. Falei que o tempo estava maravilhoso.
E não é que o tempo volta a ficar coberto e resolvo pedir informações de massagem local e me contam de um massagista daqui. Para completar o confronto ele vem no hotel.

Chega um senhor e ele fala inglês e das minhas perguntas me conta que não é tradição de Burma fazer massagem mas ele aprendeu com o Avô através do caminho do Karatê.

Quem me conhece sabe que eu não digo não para nenhuma massagem. E já tive muitas diferentes. Das boas ou maravilhosas no Sul e norte da Tailândia, das Japonesas no Brasil, das Indianas na Índia e fora de lá. Chinesa, no Laos, no Camboja, no Marrocos. Enfim eu amo massagem.

Portanto, já tive feita por mulher, homem e até criança. Das discretas e as na vertente bem sexuais. Das do caminho no tantra. E pela minha experiência em Yoga, tantra, e praia nudista eu aceito qualquer uma e observo.

Essa hoje foi extremamente diferente. Se eu fosse tímida teria abandonado e achado que ele me tocava tanto na bunda e na virilha por desejo. No entanto, eu já tinha me intrigado quando estava de olho aberto e vi que ele fechava o olho e parava a minha circulação da perna esquerda. Na direita  ele passou mais tempo. Ia apertando em cantos mais específicos e de repente estacionava. Segurava por um tempo então eu perguntei “oque o senhor sente?”
“Que está bloqueado.”
Aperta mais um pouco e quando solta sinto o sangue pulsar fico impressionada. Conto para ele que tinham  enfiado um cateter ali faz 2 meses. Desse momento, em diante, na minha concepção de vida ele é médico.

Me vira pouco e basicamente segue a minha circulação. Pega pontos que não sabia que tinha. Como me impressiona ver que não importa o quanto eu ande, faça yoga eu sempre desconheço um pouco meu corpo.

Os pensamentos flutuam na minha mente enquanto ele toca tão intimamente e profundamente o meu corpo. Penso ” tudo bem se for sexual, eu não ligo.”
E percebo que no fundo à associação é porque eu penso nisso. Percebo o pensamento e fecho meus olhos e paro de analisar. Então eu de fato nao posso contar mais nada. Eu quase dormi enquanto ele me vasculhava, e me soltava ainda mais.

Nem sei explicar a parte de lado, ou sentada. Ou das dores. Tudo que sei é que esse senhor me disse que tenho muita sorte e eu concordei.

E quando ele partiu eu pensava que ele parecia o Lao Tse que aparecia e desaparecia e que provavelmente eu não o veria nunca mais.
Ele me falou uma frase ” o que está em tudo mas não sai do lugar?”
Eu disse a energia. E ele disse uma palavra que não entendi. 
“É a estrada.” 
E eu digo que tem lugar que nao tem estrada mas energia está em tudo..
Ele concorda mas escrevendo aqui me dou conta … É o caminho. Tao. Realmente ele é um Lao Tse.

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