Hans- parte II

Fiquei morrendo de pena da Oum. Ela é uma dessas pessoas que não dá para imaginar o que está pensando. Quieta, reservada, e por não falar ingles, ficava dificil de saber o quanto ela entendia das nossas conversas. Um riso escapado aqui e ali mostrava que um pouco ela entendia mas o quanto era esse pouco nao dava para saber. Nesse dia, ela não fez cara de nada, meio que inalterada, nao demonstrou tristeza, nem alegria. E na verdade veio para o nosso ( meu e Horm) quarto conversar. Nao sei como conversamos, rimos muito, eu fiquei fazendo minha yoga enquanto elas conversavam, e de repente o que para mim pareceu do nada, Ooum levantou, me disse boa noite, e saiu.

No dia seguinte, no cafe da manha, (os Thai comem comida mesmo de manha. Sempre arroz e mais alguma carne) nao notei nenhuma diferença na maneira como Hans e ela se tratavam. Nao eram mais afetuosos, nem intimos. Entao aliviada decidi que nada tinha acontecido. Quando chegamos a proxima cidade, Non Khai ( cidade que eu considero minha casa na Tailandia, onde eu acabaria voltando mais 3 vezes!!!) na recepcao da Mut Mee ( a guesthouse onde eu sempre fiquei) Horm fez uma confusao louca ( o recepcionista era americano), e acabou por me pedir para falar com ele, e dizer que eu tava no quarto do Hans. Tudo isso assim, na frente do cara.

Não sei quanto tempo passou, mas de repente, Hans veio me contar que estava junto com a Ooum. “Hans, mas como assim? e toda nossa conversa????” Ela me explicou, que depois de alguns dias, “totally in love” ele resolveu contar para a Horm, e que a Horm contou para a Ooum, e que aparentemente a Ooum ” tbm estava in love”. Eu fiquei em choque de imaginar que minha anfitria, uma professora de escola, mais velha, trabalhando de cupido, numa estoria onde envolvia duas crianas pequenas, mais um policial! A estoria culminou quando ele me disse que porque ele estava “in love” ele agora tinha que sustentar a Ooum pagando 15000 Bhat ( mais ou menos 300 libras, salario de um professor na Tailandia) por mes.

“Hans, deixa eu ver se eu entendi, voce paga para dormir com ela?”

“I support her becuase I am in love with her”

“Ta, mas se ela nao dormisse com voce, voce nao pagaria?”

Meio quieto, ele concordou. “So that is basically prostitution?”.

Deixa eu abrir um parenteses aqui para explicar, que eu nao tenho NADA contra prostituicao em si. Ou melhor, que eu nao tenho nada contra adultos que decidam prostituir-se, ou adultos que resolvam ir a prostitutas. Inclusive tenho amigos dos dois lados da moeda. A questao chave para mim é que as pessoas envolvidas o facam por que querem, e nao porque sao obrigadas por terceiros ( no caso de trafico humano). Veja, que eu nao incluo aqui nem se quer as causas economicas porque eu acho que autonomia, e empoderamento são questões para lá de complexas. As minhas perguntas ao Hans, eram portanto puramente de carater antropologico, e para tentar entender um pouco melhor o lugar onde eu estava vivendo.

“Yes. I guess so.”

A segunda razao pela qual eu estava curiosa era mais egoista. Era porque eu queria saber se nos estavamos correndo o risco do marido descobrir e aparecer com revolver e espada la em casa. Para descobrir isso, fui perguntar a Horm.

“Horm, o marido da Ooum sabe?” ela disse que nao. Eu ainda sem conseguir acreditar como isso era possivel perguntei a ela de onde o marido da Ooum ia achar que ela estava ganhando 15 mil!!! Bhat!!! ( muito dinheiro para um/a Tailandesa no campo) de repente do nada. E entao veio a resposta que me chocou:

“De voce!”

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