9 meses que vovó vou

Hoje faz 9 meses que minha avó voou. Dia 19 de novembro de 3020. Às vezes sonho com a vovó. Eu sempre dizia a Minha Vó. Eu percebo agora como eu falava de uma maneira egoísta que eu era e com os outros a Minha Avó. Mas quando vovó foi voar vai desaparecendo somos muitos netos com saudade da vovó. E como conversando com as amigas da vovó sei que também sentem como eu.

Vovó teve uma vida inacreditável, e eu filmava as histórias incríveis. Mas só com vovó voar que fica mais incrível vovó me ensinou demais de humildade

Eu filmava de viagens pelo mundo porque seu pai ficou mais rico, mas não é disso que eu me dou conta e eu aprendi na perda.

O 9 é o número que mais amo e na matemática dizem que desaparece. Pois é mesmo que dizer que 9 meses não tem nada que desapareceu da vovó

E na verdade penso das coisas que minha avó dizia. De noite ela dizia “vamos nos tornar um ébrio”. Vovó, eu e o André bebíamos :).

Vovó dizia “não franze o rosto vai ficar mais marcado. Não adianta eu falar as pessoas não param de fazer o que estraga.” Eu dava risada, mas agora sem vovó eu não franzo mais porque na hora que quero me lembro do que vovó me falava.

E é a pessoa mais calma que eu já conheci. Ela não ligava de eu ser ateia, “você é mais religiosa que eu conheço. Lê todas as filosofias e teologias que eu conheço”

Ela não ligava de eu dizer que nunca quis ser mãe, “é verdade. Você gosta de viajar, de brincar, mas da responsabilidade é impossível”. Mas vovó me deu uma casa maravilhosa na frente do mar e eu tenho pela primeira vez a responsabilidade do que amo. Sinto que vovó sabia. Mas isso ela sabia e manteve em silencio. Foi vovó que desenhou essa casa, e aprendo a responsabilidade.

Quando eu perguntei se fica triste de eu dar uma coisa que ela me deu vovó dizia “quando vc ganhou, não é mais meu.”

Lembro que vovó detestava que eu a filmasse. Sempre eu fazia, mas não era o banal. O que realmente não gostava era que eu falasse do coma. “Julieta com esse coma queridinho. Para de falar desse coma queridinho”

Quando vovó tinha um problema eu dizia: Vó, vamos perguntar para Sofia. “Julieta não liga para Sofia ela está trabalhando não dê trabalho para ela” Sô é minha prima tão apegada a vovó como eu.

Quando vovó falava pouco no telefone eu dizia: “vovó, porque vc fala tão pouco?” e vovó dizia: “Meu papai falava que telefone não era para fazer visita, é pra recado. Se quiser uma visita pega um carro e vai”

Quantas vezes fui me deitar na cama da vovó no seu de dormir ou no repouso. Vovó nunca reclamava. Ela gostava e eu adorava. Disso eu tenho tanta saudade.

Vovó dizia que seu pai queria reencarnar rápido de qualquer tipo de vida. Vovó era católica, mas não exagerada então contava e dava risadas das palavras do seu pai. Minha avó também gostava demais da vida e pensava que iria morrer todos os últimos anos.

Meu ano novo vou pensar como chines, ano novo é com a lua e de lá tem tanto e budismo e se há espíritos no taoismo. Ano novo para mim vou estar com a Lua. De todas as filosofias que li gosto tanto do Taoismo como do Budismo. Quem sabe eu encontro a vovó de novo, apesar de eu nem sei de que maneira tem que se elevar. Mas hoje faz 9 meses que minha avó voou. Mas como me disse a amiga da vovó “Tenho muita dor, mas eu adoro viver.”

Viver é sempre lidar com as nossas dores de ser vivos e presente. Desde que nascemos passo por tantas quedas, mudanças. Amo de encontro vovó de novo. No céu ou de qualquer maneira.

Com amor,
Ju

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