A vida é impermanente.

A vida é a impermanência

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É duro envelhecer. Sei que muitas pessoas me diziam que eu não sou velha. Mas falo que ter passado por um coma é como envelhecer. É perder as capacidades do passado.

Eu sempre admirei as pessoas mais velhas. No passado não sei, mas agora é claro ver como é duro lidar com perder nossas capacidades que tínhamos, e um orgulho de voltar a ser criança e aprender quando antes já sabíamos.

Eu tenho aprendido muito de ter perdido areas do meu cérebro com minha epilepsia e o coma. Mas honestamente o que mais tenho me dado conta, quantas as áreas do nosso cérebro temos orgulho de voltar ao passado.

Quando somos jovens parece o natural, mas envelhecendo é duro aceitar um jovem explicar. Eu admiro demais a minha avó que aos 94 quando agora trouxe livro da França, rapidamente se modernizou. Já eu tenho preguiça de tentar ler o que já conhecía e que agora não é fácil.

Quase ninguém deve imaginar que parece areas difíceis de ler e escrever. Talvez seja um pensamento dentro, mas na verdade é que lendo o de fora não sabemos o que vem.

Enfim escrevo isso porque ontem me manda mensagem uma grande amiga de Israel. Fazia anos que ela não me escrevia e do nada eu pensando na Índia e ela comprando passagem de ir à Índia. Eu tinha postado sobre Dalai Lama mas ela, sei lá porque pensou em me mandar mensagem do nada. Michal eu a conheci na Índia, mas quando quebrei o pé na Tailândia foi me ajudar. Quando eu estava com ela em Israel ela me dizia para parar de correr tanto.

Eu não sei explicar como a minha vida eu me senti sem saber de onde eu sou. Uma vez quando eu e Michal resolvemos sair de Dharamsala sem vontade, depois de mais de um mês. Os tibetanos e indianos nos diziam para não sair numa lua cheia.

Eu nem liguei e peguei um ônibus da montanha para baixar, com a Michal e algum outro amigo que nem me lembro do nome. No nosso ônibus tinham tibetanos, Europeus, um Indiano e Israelenses.

Sei disso, porque deixei escrito e ontem me fez lembrar mais. Eu como sempre num ônibus de muitas horas dormi, e acordei com alguém gritando “Stop the bus”, pare o ônibus. Levou um tempo para eu acordar e me dar conta de que estávamos num acidente, que alguém tinha batido no nosso ônibus. Alguém atrás estava sangrando, tinha vidro quebrado. Passamos uma noite parados. Um homem Indiano que estava saindo com uma alemã. Ela saiu correndo do ônibus, como todos Europeus. Uma Australiana gritou “esta sangrando, acorda, acorda”

Aquele dia eu comecei a ver as diferenças de visões . Uns Israelenses que estavam viajando. Tipo mulher faz 2 anos de exercito e homem três. Eles levantaram e foram tentar ajudar. Eu não sabia nem sair, nem ir perto. Fiquei surpresa. Eu como agora, não sabia o que fazer. Eu só aprendia passar aos israelenses, os materiais que pediam para ajudar a fazer um curativo no homem que estava inconsciente.

Passamos a noite e de repente veio uma ambulância, e a Australiana que nem o conhecia se ofereceu para ir junto. A namorada alemã não falou nada. E nós ficamos um dia esperando um outro ônibus chegar.

Ficamos por fora do lado de uma escola de criança, esperando um ônibus para ir a Rishikesh. Demorou da noite ao dia. Quando o ônibus chegou todos entramos, de repente uma tibetana que sempre em silencio gritou “para o ônibus”.

Nos nem sabíamos que falavam ingles, na verdade sem palavras fazia mais atenção no que se passava. “Esquecemos a Alemã que foi ao banheiro.”

Essa experiencia sempre vai ser parte da minha vida e acho que de todos. Mesmo com zonas do meu cérebro destruídas não me faz esquecer, nem faz a minha amiga.

Esse Indiano soubemos que morreu. Soubemos pela Australiana que contou que quando ele chegou ao hospital privado não o deixaram entrar. E ela foi com ele até o publico e por horas ele morreu na ambulância.

Aquilo me tocou, me ensinou que sempre temos visões distintas. Não me deu medo de continuar viajando. Sempre era aprender sobre nos seres humanos.

Eu sempre amei viajar sozinha e conhecer as pessoas, e escrevendo me faz lembrar como me fez hoje a Michal dizer, “sem planos”. Me contou que eu dizia.

Só sei que quando Michal me escreve ontem do seu desejo de ir mais uma vez ir à Índia, fiquei impressionada que eu queria também e nem falávamos. Não recomendo ir a Índia a ninguém. Eu amo mas eu sei que a Índia é dura, te testa a cada segundo, mas eu amo a Índia.

Então como envelhecer é lembrar que não abandonam o otimismo por isso quero ir sozinha, voltar a Índia. Sei que tem muitas pessoas que têm medo de tudo. Abandone os medos porque na verdade sabemos mesmo estudando, se preparando etc., quase nada.

Isso me faz lembrar de como eu comecei a viajar sozinha, jovem, quando encontrei uma senhora de 83 anos, que vinha do Canadá sozinha, para conhecer a América Latina.

Tudo na vida é impermanente. Abandone os medos. Todos vamos partir um dia.Espero que seja de uma forma feliz.

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