No caminho de volta de coma

Está sendo difícil passar pelo mWhatsApp Image 2017-12-16 at 15.50.46.jpegeu Coma.  Essa é a segunda vez e foi mais difícil medicamente que a primeira. A primeira foi na Tailândia e a segunda é no Brasil. E o que tenho que dizer é que foi difícil. Mas digo que para mim apesar das dificuldades sou grata por mil razões. É que é muito difícil de ler e escrever. Me faz escrever com mil erros.

Tenho tantas coisas para dizer. Primeiro ter ficado comigo mesma, sem ler, cantar, sem andar, tendo que passar com o enorme apoio da minha mãe e pai André, minha avó meu irmão…. Dra Karen. Dra Euthimia. Tantos amigos.

A primeira fundamental é dizer que saber várias línguas desde pequena ajudou meu cérebro a voltar. Voltou tão claro.  línguas distintas estimulam diferentes áreas do cérebro. VoItar a tocar também. Cantar e lembrar das músicas, até das minhas. Então eu abro o piano, o violão e vou tocando qualquer coisa, e no meu cérebro é claro tocou em outro lugar. Tudo vai voltando. Como eu amo agua, a praia, subir a montanhinha e perceber que o descer é mais difícil para não cair. Lembrar das Montanhas.

Sempre me vem minha amiga Leila Alaoui que sempre pensou nos outros e que foi morta.

Me faz tanto pensar nas mil ações do André, meu marido. Nunca fez poesia, nem músicas, mas me mostrou o sentido profundo da ação. André nunca se assustou com meu coma. Nunca me abandonou.  Sempre fez as ações do valor maior. O caminho eu acho é dos práticos, não nos de muitas palavras, não por maldade, mas pela língua: as palavras menos que as ações.

Desse meu tempo parada também me veio perguntas se eu sou religiosa. Passei por tantas… Tive a sorte enorme de conhecer o Dalai Lama, que disse que não pedia para vidar budista: pegue o que fizer sentido e de valor a todas as religiões. Eu que passei por tantos caminhos sou ateia e jamais diria para você ser ateia. Peguei muitas coisas do budismo, e gosto da ação e reação.  E com tudo isso eu me lembro de um amigo Palestino que me perguntou se eu cria em Alá.

Como eu poderia mentir? Disse que era ateia.  Senti medo da reação.  Para a minha completa surpresa ele disse: Você já teve dor? frio, calor, medo e foi por todos sentimentos etc… E então quando respondi sim para tudo ele me perguntou: você se sente sozinha ou com alguém? Eu parei e fui responder na verdade as vezes com alguém as vezes eu estou sozinha. e ele me disse o que nunca me esqueci.

Vou rezar para você nunca se sentir só.

Aquilo me tocou, mas não me deu Alá ou deus ou qualquer um, mas a talvez meu coma tenha me dado essa percepção de que nunca estou só. Não digo que você deva ficar em coma 🙂 Mas sim perceba e sinta que tem algo ao seu lado. Perceba tantas áreas do cérebro. Utilize. Caso fique mal que haja. Dê o nome que quiser, mas dê valor a vida, a terra como os indígenas. Cada passo e como aprendi com o André faça a ação.

Por isso sou grata a meu coma. Talvez tenha sido o necessário para eu ver o que está do meu lado. Eu adoro conhecer mais pessoas na terra. Sou tão grata a isso, mas agora dou mais valor a mudança. Como disse Umberto eco e Carlo Martim “Em que creem os que não creem”, eu diria, dê valor a todos, todas a línguas, religiões, e acima de tudo às ações.

Por isso me faz lembrar das pessoas que tem melhores ações. O que tenho do meu Coma é que os próximos anos sejam de melhores ações. Desejo a todos melhores ações.

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