Das Varias Linguas

De volta a Londres e como sempre sao tantos os topicos, sao tantos os eventos, que eles acabam sermpre parecendo que nao sao nenhum. Minha vida é sempre dividida por eventos quase que totalmente opostos. Sou tocada por coisas incrivelmente contraditorias.

A vida as vezes parece um acaso total. Noutras parece que o acaso total tem sua vontade propria que nos traz a um ponto na vida que parece fazer todo sentido. Seria todo sentido, ou seria so um mecanismo da nossa mente de criar explicacoes post hoc? Pois é, é assim que eu vivo ultimamente: em meio a duvidas incrivelmente cognitivo-filosoficas.

Quando fui estudar no Estados Unidos em 2001, poucos dias antes das torres gemeas cairem, fui para estudar cinema. Tinha ganhado uma bolsa, e confesso que foi um total acaso, ou seria destino? Acabou que eu fui passando de departamento em departamento até me formar em antropologia. Acho que muitas dessas escolhas sao determinadas pelas pessoas que conhecemos. Conheci 3 professores que me tocaram muito Mustapha, Marroquino e prof de estudoes “post-coloniais”, Pugliese, Americano e professor de Historia, e Fiorini, Brasileiro e professor de antropologia. Minhas escolhas meio que foram sendo tomadas pela motivação e admiracao que eu tenho por esses 3 professores. Com dois dele ainda mantenho contato. Em comum acho que todos tinham um senso de etica invejavel. Do Pugliese eu aprendi a olhar a tudo como parte de um longo processo historico, do Marcelo Fiorini aprendi sobre os mundos, e as nuances escondidas, do Mustapha eu aprendi sobre justiça, sobre feminismo, como nossos conceitos dizem muito mais sobre nos mesmos do que sobre o que caracterizamos.

Acabou que depois fui para Holanda e la encontrei dois outros professores que me tocaram Gerd, professor de Guerra Civis, e Oskar, professor sobre Violencia Politica. De Gerd eu aprendi que para conseguir mudancas no mundo precisamos falar a lingua de quem vai nos ajudar, lembrando de Mustapha eu sabia que ajudar, e resolucao esta na nossa mente, ligado intimamente com nossas concepcoes de socidades ideais. De Oskar eu aprendi a questionar nocoes sobre violencia, sobre politica.

Enfim, eis que eu chego a LSE, para estudar Cognicao. Antropologia da Cognicao que é muito a parte de tudo que eu fiz antes. Eu deixo de olhar exlusivamente para o mundo, e comeco a buscar os “constraint” cognitivos. Eu me rebelo a principio. Estudar concepcoes religiosas a partir de processos cognitivos me desestabliza, eu que tinha acabado de ir buscar em todo o mundo metafisico uma maneira de me curar. Me desestabliza, pq no fundo eu sou tudo isso. A cientista cognitiva, a antropologa, e a mulher que tem buscas meta-fisicas. Penso em abandonar meus estudos varias vezes. E dessa vez entra uma professora na minha vida. Rita.

E começa mais um ano e quase parece que eu sou cientista cognitiva de formacao, pq eu nao paro de ler sobre ToM ( theory of Mind), autismo, meta-representacoes. Acabo sendo tao empenhada em tudo isso, que minha supervisora me convida para fazer parte da sessoes privadas com os palestrantes que vem fazer parte dos seminario de cultura e cognicao da LSE. Assim, que essas semanas eu estive na situacao surreal de estar tendo encontros com mais 2 estudantes e os maiores especialistas do mundo em congicao. As minha perguntas a Susan Carey, professora de psicologia de Harvard sao tao cognitivas que quando eu parto até me assustam. Como é mesmo que eu cheguei aqui? Realmente nao sei.

Pela primeira vez no entanto tenho me sentido mais no lugar. Numa conversa com meu flatmate, ateu mas que parece ter uma fé na ciencia para mim parecida com religiao eu percebo isso. Eu nao tenho tanta “fé” na ciencia. Eu admiro o que o processo cientifico propoe. Mas o projeto cientifico assim como o artistico, ou o religioso é humano e por isso também politico e economico. As linhas e paradigmas que se seguem são uma das muitas outras possibildiades que poderiam existir. O progresso cientifico é possivel, creio, pela mesma razao que é possivel o processo artistico. É por causa daquilo que o Puglise me fez perceber la atras, que tudo que existe é resultado de um processo historico. E essa acumulcao de “conhecimento” é possivel pela nossa capacidade cognitiva de criar, mas mais importantemente como explicam Tomasselo, e Csibra, de transmitir conhecimento, e de ter uma pedagogia natural, ou seja nos seres humanos aprendemos, copiamos.

É claro, que eu nao estou propondo que religiao e ciencia sejam a mesma coisa. Eu reconheco, é claro, que a revolucao cientifica, permitiu um acumulo e organizacao de informcao, verificacao nunca antes imaginado.. (Mas quem é cientista sabe que o sistema de conseguir grants, de ter que publicar papers, é muito mais realidade do que busca de “verdades”). Acho, no entanto, que essa batalha Dawkiniana contra a religiao como raiz de todo mal um pouco cansativa. Eu nao sou religiosa, mas tenho que reconhecer cientificamente tanto por estudos sobre efeito placebo aqui, e como estudos sobre meditacao, e ate mesmo com religiosos que o poder da fé é “materialmente” verficavel. A ciencia, a religiao, os Estados, (eu imagino que qualquer instituicao humana) pode ser usada para o mal ou bem.

Cada vez mais vejo o mundo povoados por diversas linguagens. Musica me toca quando eu ouco de uma maneira distinta de quando eu toco, e ainda distinta de quando eu leio, e eu posso pensar nela matematicamente, e se eu fosse fisica talvez pudesse ate compreende-la em paramentos fisicos. Para musica eu ainda prefiro permanecer no ambito do emotivo. Na antropologia, eu sei que muitos ambitos sao possiveis, ultimamente, os processos de aprendizado me interessam muito. Nao ignoro os materiais nem os politicos. Tenho que fazer uma escolha, e por enquanto é essa para os mini processos que quero olhar. O que me cansa um pouco é essa ideia das pessoas que querem aplicar uma lingua a tudo. Imagino que matematicos possam talvez explicar quase tudo em equacoes, mas o que realmente ganhamos com issso? Coerencia? Consistencia?

Pensando nas pessoas queridas da minha vida, percebo que ha muitas maneiras de olhar para o mundo. E talvez essa maneira “customized” que eu esteja adotando seja incrivelmente ocidental. Ou talvez nao. Talvez seja simplesmente humano, ser capaz de entreter muitas vezes concepcoes muitas vezes completamente contraditorias. De fato, eu nao sei o como eu cheguei até aqui, mas aqui estou e trajetoria me parece fazer enorme sentido. Talvez ela faça, talvez seja só meu cerebro criando essa sensaçao de sentido. Mas será que faz alguma diferenca ?

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