O concurso de Ingles- I

Logo no primeiro dia que eu cheguei a Ban Nonpho ( a escola que eu voluntariei no pequeno vilarejo rural da Tailandia), Horm, minha anfitria me pediu para ajudar duas meninas, Tanoy e Tangmo se prepararem para o concurso de ingles. Deixa eu começar do começo afinal muitos que vem aqui nesse blog não receberam todos os e-mails que eu mandei da Asia. O meu vilarejo tinha mais ou menos 100 casas. Da minha casa, eu nao via nenhuma dessas outras 100. A casa era de madeira, simples, não havia agua corrente, nem ventiladores, os banhos eram de cuia, o calor desesperador, e eu nao entendia absolutamente nada do que ninguem alem do Hans, e um pouco a Horm falavam.

Logo no meu segundo dia eu cheguei a Ban Nonpho. A pequena escola rodeada por arrozais, assim como o resto das casas. A pequena escola aberta para quem quisesse entrar ou cruza-la por qualquer razao, e a qualquer hora. A escola onde a minha ideia de “disciplina asiatica” se desmoranaria. Nesse primeiro dia, eu ainda nao sabia nada disso. Nao sabia que seria tudo uma grande bagunça entao quando Horm veio me pedir para praticar com Tangmo eu peguei o papel e fui praticar. Um pequano texto. Ou melhor 4 pequenos textos. “Me” “My family” ” My school” “Food”. Eram pequenos “speeches” escritos pela propria HOrm, que apesar de ser professora de ingles fazia varios erros.

O papel me foi entregue, e Tangmo veio comigo. Comecou a recitar o tal texto que tinha em algumas partes coisas escritas em Tailandes. Ela 9 anos, sem falar quase nada de ingles. Eu 27 com um texto que eu mal entendia sem falar nada de Thai, ou Lao. Sentamos e ela comecou a repetir, uma vez atras da outra, fazendo sempre os mesmos erros, eu sempre perguntando o que era as mesmas palavras em Tailandes, esperando que Horm reaparecesse alguma hora para dizer que ja estava bom. Nesse altura eu ainda nao sabia que as classes de alunos eram abandonadas ao deus dara de acordo com a vontade do professor. Entao, fiquei la com Tangmo espeando que logo, logo a Horm voltasse.

Nao sei quanto tempo se passou, mas o calor desesperador ajudou a aumentar a sensacao de exaustao. E eu queria perguntar a Tangmo se ela nao queria descansar. Ela nao me entendia. Eu nao a entendia. Entao ela comecava tudo de novo. Os mesmos erros, as mesmas palavras que eu nao sabia o que eram por horas a fio. Quando de repente eu achei que eu ia matar a menina de cansaço resolvi ir procurar a Horm que estava praticando com a Tanoy. Para minha surpresa elas nao estavam na classe, a classe estava abandonada com os alunos dentro fazendo sei la o que. Procureu numa outra sala. Ainda nao me sentindo muito dona dos meus passos, ainda nao sabendo o meu caminho, sendo olhada sem parar por todas as pessoas, ainda sem saber que atos meus poderiam estar transgredindo as normas.

Encontrei a sala da frente. E dentro vi Horm e Tanoy deitadas no chao debaixo do ventilador rindo, gargalhando. Era assim que elas estavam praticando. Brincando. Descansando. Nao hesitei, exausta que estava fui até elas e me deitei, tive um acesso de riso. E lá ficamos um bom tempo.

“Non Chu, the girls will come sleep over tonight so that you can help them practice!” me disse a Horm.

“Como assim? Elas ja nao estao exaustas? ”

“Que isso Non Chu, elas adoraram poder vir dormir na minha casa e passar mais tempo com voce.”

Naquele dia eu ainda achava que para Horm elas deviam vir porque eu ia auda-las com o ingles. Depois eu compreenderia que as prioridades de Horm eram bem diferentes!

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