Macaco- parte 1

Eu sempre gostei de macaco. Mais precisamente dos ” Great Apes” Os gorilas, chimpanzes, os bonobos, orangutangos e ate dos gibons. Tive que ler muitos livros na minhas aulas de evolução sobre primatas, e é claro inevitåvelmente sobre a Jane Goodall, Diane Fossey, Franz de Wall, dentre outros que estudam e viveram entre os macacos. Ja assisti varios filmes, sobre os apes, sobre macacos, mandris ( sera que e esse o plural de mandril?), e quase sempre se aprende que nao se deve mostrar os dentes, ou olhar muito nos olhos deles. Eu sabia tudo, mas quando estive cara a cara com um, esqueci de tudo isso.

Pegamos um onibus, de New Delhi para Haridwar. Bom, pegar um onibus ja é em si uma grande saga, pois os motoristas de rikshaw sempre te enrolam. Convencem voce a ir num escritorio para turistas do governo, que obviamente nao é governamental, mudam o preço no caminho, não te levam onde voce quer ir, e ainda inventam um milhão de estórias. Depois de pegarmos 2 Rikshaws para chegar a um lugar do lado de onde estavamos, depois de visitarmos umas agencias, explicar que nao queriamos taxi, que queriamos a rodoviaria, conseguimos depois de horas chegar finalmente a ISBT (rodoviaria) . De fato, os onibus locais eram um lixo . E por isso todos os indianos que passavam por nos queriam nos levar a uma agencia “governamental”. Nao precisa mais de uma visita a uma delas, para resolver nao seguir mais ninguem.

Eventualmente achamos uma pequena agencia, e entramos. O homem nos vendeu passagem para um onibus “deluxe” para ir a Haridwar, nos garantiu que seria facilimo chegar de la a noite a rishikesh, e nos disse que o onibus partia em meia hora. Compramos a passagem, e sentamos para esperar. A tal meia hora virou uma, e depois de sermos levados ao tal onibus ( que nao tinha nada de luxuoso), tivemos que esperar mais uma hora ate o onibus lotar.

Eu era a unica mulher no onibus e eu e o haiko os unicos nao-indianos. O onibus era imundo, o banco ou nao abaixava, ou nao subia 🙂 O motor fazia um barulho ensurdecedor, e eu mesmo de tampao de ouvido nao conseguia acreditar na barulheira. Nas estradas como eu ja disse, todos buzinam o tempo todo, se ultrapassam, vao na contramao, aparece vaca, touro, cachorro e o que mais se puder imaginar. umas 8 horas de viagem para percorer uns 300 km. Eh tudo meio assim. Dentro do onibus cada um com seu celular tocando uma musica indiana diferente, e sem fones de ouvido. Eu morrendo de vontade de fazer xixi, e naturalmente o onibus nao parando.

Parou eventualmente, depois de umas 6 horas no Cheetal Deer Park, e fomos finalmente ao banheiro e comer. Pedi uns chapatis com manteiga, e haiko pediu nan. Nada de muito elaborado para nao passar mal ja no primeiro dia 🙂 Sentamos-nos e enquanto comiamos, um macaco enorme apareceu. Eu vi ele chegando, andando devagar, e de repente subiu na minha mesa. Olhou bem no meu olho e bem devagar puxou o meu prato. EU fiquei enfeiticada, esqueci tudo que eu devia fazer e fiquei so olhando. Ele me olhou, acho que medindo a minha reacao, minha respiracao e coracao pareciam ter parado, ai ele pegou um chapati por vez, com sua maozinha pequena, e eu so olhei. Nunca tinha estado tao perto de um macaco. Ele estava quase me tocando. Depois que ele pegou todos, e me deixou com oque estava na minha mao, partiu. Ficamos ali, os dois perplexos, totalmente sem palavras. Tive um acesso de riso. E percebi que eles nao foram na mesa de nenhum indiano so na nossa. Na India ate os macacos reconhecem os gringos!

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