No Telhado da Igreja do Santo Sepuclro

Como eu fico na duvida por onde comecar resolvi comecar assim do meio. Mesmo porque as estorias se confundam na minha cabeça como se fosse um sonho ondes os rostos se misturam e eu já não me lembro mais a ordem dos eventos. E isso tão pouco faz muita diferenca. Entao, eu vou comecar de um momento especial para mim: o telhado da Igreja do Santo Sepulcro.

Já era o meio da minha viagem, e eu estava pela segunda vez em Jerusalem. Voltara para visitar a escola Hand in Hand. Meu novo anfitriao Netanel é um guia turistico que me contou 4000 anos de historia assim numa longa, longa caminhada. No dia anterior, tinhamos ido a um encontro de Couch surfers. La conheci muita gente. Sentamos a volta de uma mesa longa, numa das ruas de Jerusalem. O tempo perfeito. Fresco, com uma brisa leve. Conversei com alguns estrangeiros, alguns Israelenses e depois voltamos para casa.

No dia seguinte, andamos ate o centro historico e la comecamos o nosso tour. Eu ja tinha estado no centro historico mas andando meio sem critério. Mesmo porque confesso, que pessoas me interessam mais do que lugares, entao eu fiquei na minha primeira vez apenas fascinada com aquela mistura de turistas, religiosos de todos os tipos, criancas, gatos…

Com Netanel, prestei atencão no que significavam os prédios, as lendas, as evidencias arqueologicas etc. E ele resolveu me levar não na Igreja do Santo Sepulcro, mas no seu telhado. Subimos e la no telhado era um total silencio. Antes mesmo de saber o que estavamos fazendo eu ja fiquei encantada com a ideia de que debaixo dos meus pes corriam, rodavam, se emocionavam muitos cristaos, muitos turistas, enquanto ali em cima do telhado o silencio era total.

Netanel entao me explicou, que ali em cima do telhado havia um vilarejo Etiope. Eu fiquei boquiaberta. Nao conseguia acreditar. Como assim ? De acordo com Netanel, a presenca do Etiopes dates back ao encontro da rainha e Sheba e o rei Salomao (mais info aqui) O que me surependeu nao foi tanto a razão historica, mas que existisse um vilarejo ali em cima. Andei pelo telhado fascinada, e de repente cheguei a uma porta. Nao era uma porta fechada. Era mais como uma portal, que no meio era dividido por uma cruz verde.

Eu parei e olhei la dentro, que era la fora, porque nao havia telhado. E la no fundo eu via monges negros, etiopes, vestidos de petro, e cores bem fortes. Sentados, em silencio. Eu me senti transportada a outro mundo, outro continente, outro tempo. Fiquei parada la. Nao me escondi. Nao tirei foto. SO fiquei la uns cinco minutos olhando. Um desses presentes inesperados, impossiveis de reproduzir em fala. Senti que enquanto eu olhava tudo meio que deixava de existir. Seria aquilo minha imaginacao?

Um couchsurfer, que eu tinha conhecido na noite anterior, apareceu e ao dizer uma palavra fez com que tudo voltasse ao real. Como no segundo que Fernando Pessoa (Alvaro de Campos) ve um homem entrar na Tabacaria (para comprar tabaco?)
E a realidade plausível cai de repente em cima dele. O couchsurfer era Adam. Alemao. Que estava na verdade tao encantado como eu. E Adam, aumentaria ainda mais a minha sensacao de que em Jerusalem tudo pode acontecer. Mas eu conto do Adam uma proxima vez para que meu post nao fique tao overwhelming como foi minha viagem.

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