Richard- II

Pergunto ao Rcihard se ele tinha estado na Guerra. Ele confirma com a cebeça e um sim mais para dentro que para fora. E eu sei dentro de mim que ele nao quer realmente falar sobre o Vietna, mas que ele estava sozinho e que queria simplesmente conversar. Quem me conhece sabe, que eu converso com todo mundo. Entao começo uma conversa longa com Richard, fazendo perguntas sobre a vida dele, sobre a viagem dele, sobre seus aviões, seus curativos na perna. No começo confesso que por caridade, mas eventualmente, eu passei de fato a querer o Richard muito bem.

Ele beirava um pouco o autismo. Todas suas camisas eram iguais. Compradas na Tailandia na sua quarta viagem, tinha pago não sei quantos Bhats. Ele sabia. Eram boas pois eram do tipo que ele lavava na pia torcia e secava. Ele me explicava com sua voz quebrada, grave, lenta, e os gestos que acompanhavam algumas palavras de ação (torcer, lavar). Richard gostava de aeromodelos e andava sempre com sua revista sobre avioes na mão. As sete da noite ia num bar beber sua cerveja e conversar com suas “ladies friends” me convidaria mas o lugar nao era de fino trato. As 8:30 usava a internet por uma hora, as 9:30 voltava a um outro bar para tomar a segunda e ultima cerveja do dia. Com Richard tudo era assim, ritualístico e explicado. De maneira muito educada.

E eu fui aprendendo tudo sobre a vida dele. Mora sozinho en Darwin na Australia numa boarding house. Constroi tudo que ele precisa, tudo no quarto dele eh em cima de rodas. Faz 12 minutos de abdominais, descansa um e meio depois mais 9 minutos e descansa um e meio, entao 20 flexoes, e descansa 1 minuto. Para poder fazer tudo isso, no quarto quarto minusculo onde ele mora Richard empurra todos os moveis para um lado ( e eu vejo mais uma vez ele fazer a mimica da operacao), levanta a cama, para fazer seus exercicios, empura os moveis para o lado oposto. Nao é muito o que ele tem: Uma comoda, uma banco, uma estante e a cama. Foi piloto na guerra. Pergunto se ele tem amigos, e ele responde que tem as pessoas do boarding house, mas nao sao exatamente amigos, vivem bebados. E o Richard so bebe quando vem a Tailandia prefere economizar esse dinheiro o ano todo.

Convido-o para se juntar a nos para jantar. Ele fica confuso tem que ir beber sua cerveja as 7. Gavin diz a ele que ele pode ir beber depois do jantar, nos o acompanharíamos. Ned faz perguntas sobre o aeromodelos, todos meus amigos de Mut Mee se empenham como eu em faze-lo sentir se bem-vindo. Ele vem. E me agradece muito. E quer no levar no bar. Aceitamos. Assisto ele fazer elogios as “mocas” do bar. Galanteador, um gentleman. Quer pagar todas as nossas bebidas. Ele nao tem muito mora numa boarding house. Junta dinheiro o ano inteiro para vir a Tailândia. No dia seguinte toma café conosco, e pelos próximos 12 dias que eu fico ele se junta a nos. Não como imposição, sempre como convidado que vai ficando mais querido por todos.

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