A Massai Branca

Assisti esses dias o filme a Massai Branca. Na hora eu até gostei um pouco, pois achei a fotografia muito bonita, e afinal de contas não é toda hora que temos a chance de ver um guerreiro Samburu. Durante o filme, no entanto, eu tive uma sensação constante de desconforto. Antes de escrever sobre ela, vou falar um pouco sobre a estória do filme.

O filme é baseado na estória real, de uma suíça, que ao passar ferias no Kenya, se apaixona por um guerreiro Samburu. Ela abandona o namorado ( que está com ela no Kenya), a loja que ela tem na suíça e vai atrás do tal guerreiro. Depois de pegar um monte de ônibus, ela vai parar num vilarejo onde ela encontra um padre italiano, e uma outra mulher européia. A mulher também casada com um Kenyano explica a ela que se o guerreiro quiser, ele a encontra, que no Kenya a mulher espera. E é o que ela faz: espera até o guerreiro ir buscá-la. Então, eventualmente ela muda para tribo do guerreiro, e engravida. No total fica uns dois anos la antes de voltar meio que fugida para Suiça.

Em poucas linhas, essa é a estória do filme. Como eu já disse antes, eu tive sentimentos mesclados ao assisti-lo. A fotografia é bonita, o Kenya é lindo, as cores, as pessoas, e a tribo dos Samburu são fascinantes. O filme é bem manipulador, pois força ao espectador constantemente a visão dessa suíça. Tudo bem, a estória é escrita por ela.

No entanto, alguns aspectos me incomodam, alguns deles são: primeiro que obviamente o que ela sentiu pelo cara que ela viu um segundo não foi amor mas atração sexual que alias termina em pouquíssimo tempo quando ela o conhece mas já está grávida. Ate ai, tudo bem, todo mundo sente. O que me deixa um pouco incomodada é essa noção bem ocidental que temos direito a experimentar tudo. Muitas vezes sem levar em consideração as consequências para os outros.

O filme mostra o lado dela, o que ela sofreu, como foi difícil, e de fato, foi. O que me deixa bem decepcionada é o pouco crédito que é dado a tribo, que a recebe de braços abertos. Uma européia que acha todos os costumes deles meio bárbaros, e que quer mudar a maneira das pessoas se relacionarem como se ela estivesse em Zurich.

Para culminar o descaso total, ela basicamente rouba a filha do pai, mente para ele dizendo que vai passar ferias na Suiça, e vai embora. É claro que eu não estou dizendo que ela tinha que ficar la, nem nada disso. Eu só acho, que o filme é uma grande ´romantização´ ( como deve ser o livro), de uma estória na verdade de uma mulher meio egoísta e impulsiva. Que não mediu as consequências dos seus atos na vida dos outros em nenhum momento. O filme, a retrata como a grande aventureira que foi la, se apaixonou, ficou, e quando não deu mais partiu. Ta certo, é o lado dela. Para mim, pareceu um pouco mais aquela velha estória do ocidental que tem direito de fazer o que quer, e ir embora quando não quer mais. O guerreiro Samburu, a tribo, e todas as pessoas pessoas que se abriram, que a aguentaram, que tiveram de certa forma um membro da familia ( a filha) roubado, são quem pagam o preço. São os que aliás não têm nem seu nome escrito na capa do livro ou filme. Em vez de Samburu, ela escolheu a palavra Massai, um tribo relacionada aos Samburu mais conhecida mas distinta.

3 thoughts on “A Massai Branca

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